Sábado, 22 de Novembro de 2008
Peixe fresco
Sábado, 22 Nov, 2008

Cada nova revelação no caso BPN tem ar de gotícula particularmente ameaçadora para o transbordo eminente de um caudal de respeito, a prometer grossa enxurrada que virá alagar muita calcita de culpado, já por definição incontinente. Os prognósticos sucedem-se, na cadência dos acontecimentos. E o povo vai falando e comentando o drama dos ricos e poderosos como se de uma pequena vingança dos pobres se tratasse. É a nova novela das oito, com actores bem conhecidos e a vantagem adicional de dar em todos os canais a todas as horas.

 

Mesmo tratando-se de casos completamente diferentes, a verdade é que a prisão preventiva de Oliveira e Costa trouxe ao país a memória da detenção de Carlos Cruz. Afinal, data dessa altura a entrada solene de peixe graúdo no grande xalavar penitenciário nacional. E a julgar pelo teor das declarações dos responsáveis pela investigação ao caso BPN a faina vai continuar lá pelo mar alto e daqui até ao dia da lota muita coisa pode acontecer. Muito carapau de gato será certo cair, que a arraia miúda é quem sempre se lixa, como o mexilhão. Mas também pode ser que caia um ou outro tubarão, nunca se sabe. O que vier à rede é peixe, não é o que se costuma dizer? Por isso siga a marinha que as contas fazem-se no final e nunca antes. Para já foi confirmada a prisão preventiva de José Oliveira e Costa, venha ver, ó freguesa, venha ver. É Portugal no seu melhor.



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De vovó Maria a 23 de Novembro de 2008 às 09:03

exactamente o que comentei ontem, ao jantar...
beijocassss


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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