Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008
E se alguém lhe oferecer flores... olhe, sei lá, tenha paciência.
Quarta-feira, 03 Dez, 2008

Já lá vão uns bons anitos desde que escrevi este poema. Cerca de vinte, creio, mais ano menos semana, mais dia menos mês. Recordo-me de o ter escrito por alguém que enfrentava uma profunda crise de desânimo e desalento nos seus dias, naquela altura, dias de tristeza e de infelicidade que eu acompanhei passo a passo, lado a lado, cumprindo não menos que os mínimos que é legítimo esperar de um Amigo. E lembro-me que a crise passou e levou com ela a tristeza e a infelicidade, toda aquela escuridão que não deixava ver o caminho que estava afinal logo ali, mesmo em frente do nariz. Pois mal a névoa se dissipou, na alma, o corpo seguiu viagem sem dificuldade e recuperou a vida que lhe pertencia, com passo seguro. Naturalmente. Porque toda a tristeza tem um fim se a gente quiser. Toda. E a gente só tem é que querer, certo? Certo. 

 

 

Olha minha amiga a vida é boa

calma que a tormenta vai passar

espera pela manhã que o tempo voa

e há sempre um sol

por quem esperar

 

Olha-te no espelho da verdade

pára para pensar, pés bem no chão

força, muita força na vontade

e muita fé nos dias que virão.

 

Pisa com cautela este caminho

vais passar aqui só uma vez

trata cada erro com carinho

está para nascer

quem não os fez

 

Bebe até cair se te conforta

ganha e joga tudo até perder

grita, barafusta e bate a porta

mas não te canses nunca de viver

 

Olha minha amiga eu estou presente

para te dar a mão no que puder

e ao teu lado eu também sigo em frente

tal como tu,

sempre a aprender

 

E se a dor que hoje te magoa

escolher o meu peito para morar

diz-me "olha amigo a vida é boa

tem calma que a tormenta vai passar"

 


(tema original, incluído no CD 'Vidas', 2004, ed. Ovação)

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Samuel a 3 de Dezembro de 2008 às 18:54
Uma boa maneira de apreciar versos é ouvi-los cantados. Foi o que fiz...
Bela prenda de amizade!

O "Hino", no fim, está muito bem sacado!

Abraço


De Rui Vasco Neto a 3 de Dezembro de 2008 às 22:27
sam,
há elogios que valem em dobro, vindos de onde vêm. Bem bom que gostaste, fico feliz, ó cantigueiro.

(e vou à procura do texto do hino para o postar aqui, bem lembrado, gadinho)


De Saci a 3 de Dezembro de 2008 às 19:00
O poema é muito, muito bonito mas eu prefiro a versão cantada ;-)


De Rui Vasco Neto a 3 de Dezembro de 2008 às 22:28
saci,
isso diz você, queainda não me ouviu assobiar...
:-)


De sarrabal a 3 de Dezembro de 2008 às 20:48
Rui, belo poema! Principalmente, porque se vislumbra em cada verso uma afectuosidade bonita e o cuidado que lhe merecem os amigos. Também já o ouvi cantado por si (e bem) no seu CD "Vidas". Mas, lido, agrada-me muito.
As rosas, como complemento, reforçam o perfume das palavras. Bem haja!
Um abraço da Sol


De Rui Vasco Neto a 3 de Dezembro de 2008 às 22:31
sol,
obrigado, amiga.
e já sabe: não se esqueça pôr as rosas em água, duram mais.


De Paula Crespo a 4 de Dezembro de 2008 às 14:43
Se bem me lembro, o que não é totalmente seguro, é a primeira vez que por aqui passo. Mas gostei, mesmo, das coisas sérias ditas com sorrisos. Belo texto e belo poema também!


De Rui Vasco Neto a 4 de Dezembro de 2008 às 15:43
paula,
a confirmar-se a sua lembrança (ou, pior, a falta dela) é pormenor que urge resolver, pois estar vivo e não passar por aqui de vez em quando (para não dizer todos os dias) é só viver meia vida perdendo o melhor da outra metade, quase pecado, capital. Ao que consta, o próprio Ratzinger não se priva de vir por aqui espreitar as prosas do meu amigo Daniel de Sá e, de caminho, uma ou outra das minhas. E está muito melhor Papa desde que o faz, como se vê.
Volte sempre. E perdoe a minha modéstia, claro.


De Paula Crespo a 4 de Dezembro de 2008 às 15:52
Rui,
Com Ratzinger no pensamento e depois do seu comentário, só me resta penitenciar-me. Já pus o silício e dei início ao jejum e à autoflagelação.


De Rui Vasco Neto a 4 de Dezembro de 2008 às 16:20
paula,
tudo resolvido, então. Vá por mim, tem o céu garantido.


De maria a 7 de Dezembro de 2008 às 18:24
E posso perguntar para quando outro CD?
(perguntar pode-se sempre...)


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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