Sexta-feira, 13 de Março de 2009
Palavras finais
Sexta-feira, 13 Mar, 2009

Se a virem, digam à sorte

que a esperei até ao fim;

mas veio entretanto a morte

dizendo ser ela a sorte

já destinada para mim.

 

'Pois se tem que ser que seja'

disse-lhe eu sem hesitar,

que a morte não se deseja

(e dela Deus nos proteja)

mas há que saber acabar.

 

Por isso vou sem bulir,

vão perdoar que desande;

custa-me muito partir,

mas não podendo fugir

que ao menos eu morra em grande.

 

*cada um lida como sabe com o que vai sabendo 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Alfredo Gago da Câmara a 13 de Março de 2009 às 21:46
PALAVRAS QUASE FINAIS

Sei que parece impossível
mas vi a Sorte da vida
em lugar pouco credível
e de tal fama terrível
a chorar desiludida.

Contou-me em tom magoado
com voz rouca e singela
ter seu ego atormentado
por viver sempre ao meu lado
e eu não fazer caso dela.

Por quem sois, minha Senhora!
Já viu bem esta tormenta
que me alberga toda a hora?
Desprezei-a, fui-me embora
para a minha morte lenta...

Alfredo Gago da Câmara
13 de Março 09


De Posh a 13 de Março de 2009 às 21:54
Ola. Gostei do poema e parabens pelo destaque :)


De Anónimo a 13 de Março de 2009 às 22:08
Foge, foge, que ainda não está na hora.
A vida é mais que dimensão...ainda é uma rosa a abrir...fazer da existência uma canção.
P


De Requiem de Wagner a 14 de Março de 2009 às 00:26
Ó Homem de "Deus", estes versos estão lindíssimos, safa que me arrepiou, tu tens talento, Homem, tens talento !!! Que Deus te proteja.


De Samuel a 14 de Março de 2009 às 14:44
Muito bom!

Abraço


De Pypa Mary a 14 de Março de 2009 às 19:28
Rui !!!! Vasco !!!!! Estes versos estão lindíssimos ... palavra que não sei onde vais buscar tanta inspiração !!!! eheheh !! Sério estão mesmo muito bonitos ! Beijo


De Raposa Maravilhada a 14 de Março de 2009 às 23:17
Pois.
Há uns que têm jeitos para os versos.
E depois há os talentosos.
E estes versos foram escritos por um talentoso.
Lindos


De mifá a 15 de Março de 2009 às 12:46
Foi assim que desta sorte
Pude a sorte conquistar.


Fui queixar-me, um dia, à sorte
Do desprezo que me dava;
E a sorte, por minha morte,
Disse que eu é que a matava.

Olhei-a nos olhos seus,
Vi tristeza em seu olhar;
De culpa, baixei os meus
Para não a ver chorar.

Desde aí, sempre que a vejo
Assomar à minha porta,
Vou-me a ela, dou-lhe um beijo
E convido-a a entrar.

Nunca se me faz rogada,
E entra sem hesitar.
Foi assim que desta sorte
(Apenas com quase-nada)
Pude a sorte conquistar.

( Há sortes com tão pouca sorte!... )


De errare humanum est a 15 de Março de 2009 às 12:57
Impõem-me as exigências rimáticas e o teor eruditamente latinizante do poema, que lance mão da anástrofe e o verso "Assomar à minha porta" passe a ser "À minha porta assomar".

a ver se me limpo do enxovalho que o latinzinho já me mereceu ... )


De errare humanum est ma non trppo a 15 de Março de 2009 às 13:04

( abre parentesis antes de "a ver"... )


De vou almoçar que deve ser da fraqueza a 15 de Março de 2009 às 13:06
( "troppo", "troppo")


De manuel gouveia a 16 de Março de 2009 às 10:59
Em grande? Deixemo-nos de exibicionismos. Morramos em pequeno que estamos em crise!


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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