Quinta-feira, 19 de Março de 2009
O Espólio
Quinta-feira, 19 Mar, 2009

Extra, extra, read all about it!! O meu amigo Daniel de Sá estreou casa própria, novidade blogosférica. Chama-se O Espólio e tem desde logo uma bonita história associada ao seu nascimento. Podem read all about it neste texto de particular inspiração que o nosso Daniel escreveu com o pensamento no seu carinho maior (como poderia sair diferente de belo) e que eu lá fui buscar de noite porque sim e para mostrar aqui, à freguesia cá da casa. Extra, extra, read all about it. É Daniel de Sá que regressa ao 7Vidas para nos apresentar O Espólio, onde a partir de agora passa a poder ser encontrado e lido. Extra, extra, extra!!! Read all about it!!

 

Em baixo: 'O Espólio'

Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

 

Um livro escreve-se palavra a palavra, linha a linha. No rascunho risca-se, apaga-se, experimenta-se o ritmo da frase, volta-se à palavra abandonada, troca-se-a por outra, indefinidas vezes, até que se encontre uma que pareça perfeita. Cada folha consente ser rasgada, usada de ambos os lados, rabiscada à toa enquanto se ensaiam as ideias. Um livro pode ter segunda edição, revista e aumentada.
 
A alma é feita de uma só folha. Que não tem verso, que nasce branca, imaculada, sem uma letra ou um rabisco. Escrever nela é como uma pintura a fresco, não pode errar-se. Não admite rasuras, que deixam marcas indeléveis. Não terá nunca uma segunda edição.
 
O Rodrigo nasceu assim, como todas as crianças. Ajudei a escrever-lhe na alma o roteiro da vida. Co-autor de uma obra em que Maria Alice, sua mãe, teve a responsabilidade do argumento principal. E em que muitos outros colaboraram. O resto da família, os amigos, a Sinfonia N.º 40 de Mozart, o primeiro livro, a música de Beethoven, os sapatos que “duraram 30 quilómetros”, o primeiro harmónio.
 
Por esse tempo escrevia eu O Espólio, uma novela breve. Punha sobre os joelhos umas capas grossas, que tinham dentro folhas daquelas que admitem tudo. Tinham sido antes cópias de actas das reuniões da Câmara ou das sessões da Assembleia Regional. Tinham sido qualquer outra coisa, com o verso em branco. E era aí que, enquanto a família via um programa de TV que eu espreitava de vez em quando, e ouvia, baixinho, o relato do futebol, ia escrevendo sem deixar de participar nos diálogos.
 
Tantos anos depois, o Rodrigo devolve-me o título como oferta de aniversário. Inesperada como é hábito desde que ele teve idade de festejar um ano mais de vida minha. E é assim, ou por estas e por outras, que ele se tornou também co-autor do que vai sendo escrito na minha alma. Porque a folha em branco com que nascemos não se esgota nunca.

 

(sacado daqui com a devida vénia)



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Samuel a 19 de Março de 2009 às 22:59
Já lá fui, fiquei um pedaço "me consolando", como se diz na Terceira e pendurei "O Espólio" na lapela do meu estaminé.
Obrigado pela novidade!

Abraço.


De Daniel a 20 de Março de 2009 às 01:57
Ah, foi por aqui que chegaste lá, Samuel! Agora entendo. É que eu não participei a ninguém, e o Rui só soube por acaso, e ficou todo ofendido porque eu não lhe dissera nada.
Por aqui também se diz "estou-me consolando". Por isso posso dizer que me consolei com a tua inesperada visita.
Uma das razões por que tenho ido muito pouco ao Cantigueiro é que tem voltado a contecer uma coisa que já aconteceu há tempos. Fico com o computador bloqueado! Não deixa entrar, e tenho de desligar e reiniciar. Hei-e ir tentando, até ver se o mal passa. Quando lá conseguir entrar, hei-de perguntar se mais alguém tem o mesmo problema.
Um abraço.
Daniel


De Rui Vasco Neto a 21 de Março de 2009 às 19:37
grande sam,
ainda não tinha tido oportunidade de te olhar bem nos olhos desde que regressei, faço-o agora. Para te agradecer por junto todas as palavras/presença que foste deixando quando eu estava ausente (e o mesmo se aplica à vóvó, perdoa se aproveito a ocasião mas é para não gastar outro envelope). És uma das minhas referências fixas em vários aspectos, poupo-te aos pormenores para que não me lacrimejes p'raí como um sportinguista no final do jogo, mais logo... mas abraço-te mais forte do que o costume desta vez,´só desta, eu cá sei porquê.

(estive a responder ao daniel, aqui em baixo, por isso agora lembrei-me: um destes dias tenho que ficar ofendido contigo, também, isto ou há moralidade ou comem todos, para que servem os amigos, afinal? conta com isso.
outro abraço mas mais pequeno; sabes, as pessoas podem falar...))


De Daniel a 20 de Março de 2009 às 01:59
Seu Rui, tu és um homem das surpresas! Cá me imaginava a ser distinguido desta maneira no gato das sete vidas! Ou na vida dos sete gatos, já não sei.
Um abraço.
Daniel


De Rui Vasco Neto a 21 de Março de 2009 às 19:17
querido amigo,
corisca criatura, vais ter de matar esta curiosidade que eu estou que nem posso, olha qu'até se me fervilha a coisa, sinto os gases, dá-me um treco e vou-me desta se não me explicas tudo tintin por milu: ora diz-me, ó minha opinião com pernas, onde foste tu buscar material de base para esta tua dupla afirmação: «o Rui só soube por acaso, e ficou todo ofendido porque eu não lhe dissera nada»??? Homem, que me banzas para lá do que é costume!! Primo, eu não soube por acaso, soube porque tu me disseste e enviaste o link, ou sonhei? Secundo, exactamente em quê te sentas tu para ir de viagem nessa lucubração da ofensa, e porque a encaixas logo em mim que não uso essas merdas, muito menos contigo, não me dirás? Se eu até aceito esse teu desvario de ser do sporting, coitado, que mais me chocará, não me dizes? És gay? E eu com isso? Gostas de couve-flôr? Eu próprio. Achas que os conselhos do ratzudo são os mais adequados à realidade africana, dizes tu que respeitam a vida, sequer? Achas mal, pronto, mas nem uma cegueira dessas me ofende, antes te lamento, do coração. Amigo, redobra a tua atenção ao inhame que vais comendo, há um assim mais fibroso que ataca os fígados, dizem, e que faz como os tortulhos, pode alucinar em casos extremos. Ri-te comigo da vida e enriquece mas é esse espólio com coisas lindas com letras, põe a alma em linhas, direitas para variar, que eu fui consultar a agenda das minhas ofensas e só te posso encaixar lá para dois mil e doze e mesmo assim só em Dezembro, talvez. Por isso talvez seja de não pensar nisso por enquanto, sei lá, digo eu... a menos que insistas muito e nesse caso pode ser Novembro, pronto. Dia um dá-te jeito, que é de todos os santos?

Toma lá abraço aqui do ofendido, enquanto pensas e não pensas. E não te esqueças que se não responderes sou capaz de ficar fendido contigo, ó, quero dizer.


De Daniel a 21 de Março de 2009 às 19:40
Ó alma de Deus, que com tão pouco te dizes confundido, pois se não soubeste por acaso, disse-to eu por acaso, o que vem a dar no mesmo. Ou não será que me enviaste uma mensagem a perguntar as razões do meu silêncio e eu, para que compreendesses que, às habituais havia qu ejuntar mais uma, te respondi que tinha um blogue, oferta do meu filho? E não é que logo a seguir me envias outra mensagem a refilar que eu nem te dissera o nome do coiso? Claro que tive de dizer, não foi?
Não propagandeei, tu e outros como tu é que de repente declararam aos quatro ventos e às sete vidas dos gatos que eu "blogava".
Ofende-te, zanga-te, desunha-te, arranha-te, que eu com as tuas unhas posso bem, que as trazes empre recolhidas.
Um grandessíssimo abraço.
Daniel


De Rui Vasco Neto a 21 de Março de 2009 às 19:49
daniel,
baixa a voz, as pessoas estão todas a olhar, vai andando que eu já vou lá ter e falamos em casa, é o melhor, se já se viu esta escandaleira toda aqui na rua, é sempre a mesma coisa, esse teu feitio, esse teu feitio...
a minha mãe bem me avisou, porque não lhe dei eu ouvidos, meu Deus, porque não lhe dei eu ouvidos!!!


De Daniel a 21 de Março de 2009 às 20:06
Rui, não dês os ouvidos a ninguém, nem sequer à tua Mãe. Fazem-te falta para ouvir bem.
E agora vou ver na TV se não se confirma a tua premonição a respeito do SCP-SLB.


De Raposinha Sportinguista a 21 de Março de 2009 às 23:34
Daniel

Fomos roubados. O resto é conversa.
Agora vou espreitar o seu blog.

Beijinhos


De Daniel a 22 de Março de 2009 às 03:06
Pois, Raposinha Sportinguista, não me admirei nada. É o costume daquele sr. lucílio baptista.
Eu sou mesmo um Raposo (Sportinguista), se por acaso não sabes. É que este é o meu apelido de família por banda da minha Mãe.
Perder assim, eu não desejava nem ao FCP... ou SLB.
Um abraço.
Daniel


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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