Sexta-feira, 20 de Março de 2009
Contra o tráfico de salsa, hortelã e agriões! A luta continua!
Sexta-feira, 20 Mar, 2009

Ontem, algures por entre a rotina das habituais votações (particularmente animada pelo novo regime jurídico das armas e munições, este aprovado por um PS estranhamente só nesta matéria) o Parlamento nacional aprovou por unanimidade uma alteração ao regime jurídico do tráfico e consumo de estupefacientes e substâncias psicotrópicas, vulgo droga, a cujas tabelas são a partir de agora acrescentadas «as substâncias oripavina e benzilpiperazina». Ou seja, ficará proibido o tráfico e consumo de oripavina e benzilpiperazina, como já o era o do haxixe ou da heroína, presume-se. Muito bem.

 

Tal como se presume que este seja mais um passo na luta contra a droga, esse flagelo que nos ameaça, sempre e cada vez mais, a cada esquina desta pequena aldeia em que vivemos, as mesmas esquinas onde se vende todo o tipo de venenos para corações vazios, cabeças desorientadas, almas em decomposição, todo o tipo de drogas em oferta permanente, das mãos do mesmo tipo de gente para as mãos de todo o tipo de gente. Bem, todo o tipo de drogas menos oripavina e benzilpiperazina, lamento dizer, pois tenho a confessar que nunca ouvi falar em snifes de oripavina ou em charros de benzilpinãoseiquê, sei lá, estarão em falta no supermercado cá do bairro ou mesmo tão somente na minha cultura geral, manifestamente escassa a respeito, na circunstância. Pois que essa o que me diz é que enquadrar estas duas substâncias (meras precursoras de opiáceos) na mesma reserva legal das cocaínas e exctasys desta vida, é apenas estratégia política (nem por isso brilhante) e não a certeza científica que seria suposto existir em matéria tão delicada, sobretudo da parte do legislador. 

 

Afinal o próprio Infarmed veio recentemente esclarecer que relativamente à benzilpiperazina, por exemplo, “não se regista o mais pequeno problema" com este medicamento, usado para combater as lombrigas há vários anos, que se houver problema será "com a substância activa utilizada para fins ilícitos”... Mas o governo tem outro entendimento e fez dele lei, no uso da sua competência legítima. Assim se fabrica ignorância como quem faz peças e com elas constrói um disparate que funciona, uma ilusão mista de segurança e conhecimento que nos vai embalando a todos, enquanto morremos de estupidez. E que, em termos de eficácia no combate à droga, será o equivalente ao uso da aspirina no tratamento de tumores cerebrais. Uma piada de mau gosto.



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De jv a 21 de Março de 2009 às 00:17
Presumo que estamos conversados...


De Samuel a 21 de Março de 2009 às 00:26
Exactamente. Piadas de mau gosto. O melhor que por vezes este governo dá de si... à sua imagem e semelhança.

Abraço


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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