Segunda-feira, 23 de Março de 2009
Soluções e problemas, ou a omeleta de Colombo.
Segunda-feira, 23 Mar, 2009

De repente fez-se luz. «Prisões: Reorganização do sistema passa por separação entre preventivos e condenados», titula a imprensa, caramba, isto sim é uma descoberta! E não vem só, trata-se de todo um pacote de novidades, pelos vistos. «Separar e distinguir as valências do sistema prisional, de maneira a que os presos preventivos estejam separados dos condenados, os de regime fechado separados do regime aberto, bem como os jovens e as mulheres, de maneira a que o tratamento seja diferenciado», preconizou hoje o ministro Alberto Costa a propósito da reorganização do sistema prisional e durante a apresentação feita pela directora dos Serviços Prisionais, Clara Albino. É o ovo, que digo eu, é a omelette de Colombo. 

 

Este programa de reformas, que prevê igualmente 'a construção de dez novas cadeias' e a 'especialização dos estabelecimentos',  terá um investimento que ronda os 450 milhões de euros e vai ser «uma oportunidade preciosa» para o sistema prisional, garante o ministro da Justiça. Como de resto outros ministros da Justiça já o garantiram antes deste, diga-se em abono da verdade, outros que também disseram ter descoberto que a solução do sistema prisional passa pela separação de presos preventivos e condenados, regime fechado e aberto, jovens e mulheres, enquanto o mantinham cuidadosamente como problema e exactamente como diziam não poder estar. Como um dia qualquer solução prisional poderá talvez ter de passar pela separação de doentes e sãos, quem sabe. Afinal, um quarto da população prisional foi referenciada em 2008 como portadora de doenças infecto-contagiosas, coisa que ninguém adivinharia pela constatação de Alberto Costa, tão basbaque como tardia, e por este seu discurso refrescante do 'tratamento diferenciado' inovador. Talvez os 450 milhões de euros façam a diferença desta vez, oxalá a solução venha finalmente com o dinheiro. Porque dos homens para as prisões só me parece que venham problemas, para ser franco. Sobretudo destes homens e para estas prisões.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Alfredo Gago da Câmara a 23 de Março de 2009 às 21:47
Rui, penso que não referenciaste que os clientes destas casas de repouso diminuíram consideravelmente, muito embora se diga que os crimes e os roubos aumentes. (não falo dos que estão legalizados) Ora, isto torna as coisas mais fáceis. Não é que não haja clientes, é que o sistema, através de mudanças recentes,
permite uma série de coisas que os habituais inquilinos mais dificilmente entram para habitar aquela moradia.
Daí, o que me parece mesmo é que poderão haver mais problemas fora, do que dentro das prisões. Acho.
Abração


De Alfredo Gago da Câmara a 23 de Março de 2009 às 21:49
Bolas!!! Não é aumentes, é aumentado.


De Samuel a 23 de Março de 2009 às 23:36
O homem foi acometido por um surto de genialidade.
Preventivos presumivelmente inocentes, separados de criminosos condenados e a cumprir penas?! O mundo vai ficar de olhos postos em nós...


De jv a 24 de Março de 2009 às 00:15
Será que isto tem a ver alguma coisa com reciclagem?


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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