Terça-feira, 24 de Março de 2009
Já somos três. Sexos, claro.
Terça-feira, 24 Mar, 2009

Depois de Thomas Beatie, o primeiro homem a parir uma criancinha há bem pouco tempo atrás, temos agora o primeiro dos próximos casos semelhantes, o primeiro de muitos, suspeito. Vou transcrever a notícia, citar os factos. Um transexual de 25 anos, que nasceu mulher e decidiu ser homem, está grávido de gémeos através de inseminação artificial, no primeiro caso do ano, noticiou a imprensa espanhola. Ruben Noé Coronado Jimenez - que nasceu mulher, de nome Estefânia - confirmou a gravidez de seis semanas e disse esperar o nascimento dos gémeos em Setembro. Em declarações aos jornalistas ao lado da actual companheira, Esperanza Ruiz, 43 anos, explicou que decidiu engravidar apesar de estar a avançar com um processo de alteração do sexo. «Queria ser pai e a minha mulher não podia. A decisão acabou por se tomar assim», afirmou Ruben, que ainda conserva os órgãos sexuais femininos, o que permitiu a inseminação artificial.

 

Para mim, o mundo mudou, e essa sim, é a grande notícia. Mas essa não é de hoje, nem foi parida por este senhor que era senhora e que agora vai ser mãe porque queria muito ser pai e a mulher não pode. E que termina esta sua apresentação mediática, primeira das muitas que por aí vêm antes das fotos do parto e dos bébés e dos vizinhos, seguramente, fazendo uma declaração coerente, digo eu, no meio de tanta confusão de identidade: «De acordo com a nova legislação vou começar o processo administrativo este mês para mudar o meu género para homem», disse Estefânia. Só não especificou se já quer ser homem quando for mãe de gémeos ou se espera para depois, mas até eu já acho que isso não interessa nada nesta altura. O que interessa é que o mundo mudou, essa é que é essa, mudou para sempre. Agora eis que está já mudada a última fronteira do sagrado, o útero materno. Uma mudança que nunca a proveta conseguiu, por manifesta falta de todo este burlesco que agora garante um terceiro sexo, que chegou para ficar. E que fez toda a diferença, como se vê.



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Samuel a 25 de Março de 2009 às 00:46
Agora só falta que a Natureza lhes pregue uma partida e lhes nasçam... sobrinhos.

Abraço


De Rui Vasco Neto a 25 de Março de 2009 às 17:04
como o huguinho, o zezinho e o luizinho?


De Samuel a 26 de Março de 2009 às 01:29
Exactamente esses! :-)


De Once a 25 de Março de 2009 às 15:08
Rui,
Eu sinceramente não sei o que pensar. a sério. costumo orgulhar-me de ter opinião e sagacidade, ainda que por vezes não verbalize o que penso, mas fico siderada e muda com este tipo de acontecimentos e tal como da outra vez só consigo pensar: e a criança? e explicar à criança? ou será que quando estas crianças tiverem entendimento o assunto será tão banal quanto .. ?

Enfim .. grande texto, o meu, mas sumo? nenhum.



De Rui Vasco Neto a 25 de Março de 2009 às 17:07
'sumo' talvez seja um termo... hum... adequado, na circunstância.


De Once a 25 de Março de 2009 às 18:03
nada como uma boa gargalhada!


De emprestem-me um foguetão a 25 de Março de 2009 às 20:29

Lá caminhamos então, sensaboronamente, para a androginia?!
Eu quero fugir para outro planeta!


De ana cristina leonardo a 25 de Março de 2009 às 22:13
por não ler notícias, a mulher do sheriff do livro do Cormac McCarthy "Este Mundo Não É Para Velhos" foi a única que se salvou. valha-nos a literatura


De Rui Vasco Neto a 26 de Março de 2009 às 03:34
ana,
concordo com esta tua bola de berlim, é certo, mas a mim quem me tira o 24Horas pela manhã tira-me tudo, que queres... parece que o dia já não é dia, sei lá.


De Daniel a 26 de Março de 2009 às 02:17
A mim só me sai isto que não me sai da cabeça:
estes tipos são tolos.


De Rui Vasco Neto a 26 de Março de 2009 às 03:36
daniel, daniel, querido amigo,
nunca digas desta água não beberei... sabes lá se um dia te dá para querer ser mãe, ou mesmo avó, enfim...


De Daniel a 26 de Março de 2009 às 10:42
Ó Rui, não desejes isso nem ao Gastão.


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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