Quarta-feira, 25 de Março de 2009
Morrer d'azul
Quarta-feira, 25 Mar, 2009

Há quem morra de doença, lutando por cada segundo de vida que lhe resta. Há quem morra de repente, porque a vida se lhe acabou, numa síncope fatal. E há quem morra por estar vivo e ali, sessenta e um anos depois de ter nascido, à porta dos CTT de Oeiras. Querendo entrar no exacto momento em que queriam sair uns assaltantes tão estúpidos e desastrados que não só não conseguiram roubar um tostão como ainda se assustaram com aquele homem que vestia roupas azuis, da mesma cor dos polícias que tanto temiam encontrar. E por isso lhe dispararam à queima roupa um tiro no abdómen. E o homem morreu, estupidamente, por estar vivo e ali. Morreu de quê? Olhem, sei lá, morreu. Morreu d' azul.



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De slogan recomendado pela CEE a 25 de Março de 2009 às 20:15

Diga, hoje mesmo, NÃO à solidão e ao risco.
Vestindo-se de bandido você socializa e mantêm-se protegido!

(que porca de vida!)


De jv a 26 de Março de 2009 às 00:31
É sempre triste a morte, mais ainda quando estupidamente...


De Daniel a 26 de Março de 2009 às 02:23
Aqui só me apetece um palavrão. Mas não é meu hábito, confesso. Então, um "Dai-lhe Senhor o eterno descanso." Pelo Mundo.


De Samuel a 26 de Março de 2009 às 12:39
É mau demais!


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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