Segunda-feira, 13 de Abril de 2009
Distância, precisa-se.
Segunda-feira, 13 Abr, 2009

"O passado é um país distante", diz a canção. Pois o meu mais parece ali Ayamonte, este passado que mora aqui tão a meu lado, aqui tão perto afinal, que às vezes (muitas como hoje) julgo viver na raia deste meu tempo, privado dessa distância para me proteger, menos até dos outros que de mim. E esse é o meu presente, fraca oferta, de resto.

 

"O passado é um país distante", garante o poeta. E eu, que até queria muito acreditar que assim é, dou então por mim a pisar chão estrangeiro com a frequência escusada de cada memória, no embalo de cada recordação e por mero vício de sofrer, chego a concluir. Ora digam-me lá se não é de louco este viver, se não é pateta este sentir! Porque o passado é um país distante, claro, longínquo, mesmo, mas só se nós assim o decidirmos, firmes, com aquela firmeza que resulta no único garante de independência para a permanente invasão de culpas que a consciência permite que aconteça, fraca guarda fronteiriça que mostra ser, a pobre. Só assim o passado é um país distante, que apetece revisitar de quando em vez. Só assim. Mas só, mesmo. Assim, no fundo.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Ayamonte a 14 de Abril de 2009 às 00:03
.Almas vencidas
Noites perdidas
Sombras bizarras
Na mouraria
Canta um rufia
Choram guitarras
Amor ciúme
Cinzas e lume
Dor e pecado
Tudo isto existe
Tudo isto é triste
Tudo isto é fado


De Samuel a 14 de Abril de 2009 às 00:47
Um pé à frente do outro... depois o outro... mesmo devagar, desde que não se pare... e a distância faz-se.
Podem parecer milímetros, mas é distância.

Abraço


De sinhã a 14 de Abril de 2009 às 19:38
não te quero triste. :-)


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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