Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
Uma pergunta socrática
Quinta-feira, 23 Abr, 2009

Os senhores perdoarão os termos da pergunta, espero. São os meus, sei assim, sou assim. E o próprio não se ofenderá, eis-me rezando, ou lá vou eu mais uma vez parar ao rol dos acusados, carimbado de abusador. Sendo que já dei, lamento, obrigado mas não obrigado, juro que dispenso a notoriedade. Até porque na prática não tenho qualquer intenção calhorda nesta questão que ponho, ou sequer nesta forma como ponho a questão. O que eu quero é saber a verdade, nada mais, sobre os factos (não de somenos) de interesse público que põem em causa a honorabilidade do homem e dos cargos que ocupa e ocupou na governação do meu país. Isso eu quero e tenho direito a saber, com dupla legitimidade, jornalista e cidadão. Mas atenção à ressalva: não preciso de ser jornalista para ter direito a essas respostas, mas o facto de o ser dá mais força e legitimidade às minhas perguntas, goste ou não o senhor Primeiro-Ministro desse facto, não passível de discussão.

 

Eu cá pensava que isto era óbvio para toda a gente mais ou menos informada, um dado adquirido para todos aqueles que de berço aprendem a democracia e ainda mais, melhor: uma regra pacífica para aqueles que supostamente ensinam a democracia, pela prática, ao povo que os elegeu. Esses mesmos que na hora do discurso inflamado nos repetem que a democracia é um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana, que é a institucionalização da liberdade. E que tem como função principal a protecção dos direitos humanos fundamentais, como a liberdade de expressão, por exemplo. Aparentemente pareço enganado no que toca a José Sócrates. E é muito o que lhe toca e se lhe agarra, convenhamos, demasiado para se auto-explicar como tricas de lana caprina, diz-que-disse do costume. Afinal, para moça púdica, recatada donzela, o senhor Primeiro-Ministro já foi bastas vezes apanhado de saias ao léu, pelo menos, para não dizer de mão na coisa ou com coisa na mão que não era suposto lá estar, como aquele cartãozinho político lá pelo meio do curso de engenharia, por exemplo (triste). Ou os projectos malaicos da Guarda, cidade/prova viva da engenharia habilidosa da sua habilidade em engenharia. Ou o seu património pessoal que de facto desabrochou do nada quando se desconhece ao dinheiro capacidades hermafroditas de reprodução e escasseiam explicações alternativas. Ou o estranho, estranho caso Cova da Beira. Ou ainda o caso do momento, razão do alarido, aquele processo de licenciamento do Freeport que só a julgar pelo já provado e assumido até, tresanda a favor, pago ou não pago, e a história mal contada.

 

Gostará o senhor Primeiro Ministro que se digam estas coisas ou não, é um seu direito que ninguém nega. Sempre recordando, porém, que não foi propriamente na ponta de sabre que Sócrates chegou ao poder, empurrado porque não queria, não queria, por favor não. Pois se agora é Primeiro-Ministro de Portugal fará então a fineza de se prestar a esclarecer estas minudências que envolvem negociatas suspeitas no mínimo, porque no máximo serão tão corruptas quanto cheiram à distância. E quando é uma parada dessas que está em jogo, aqui ou no Botswana, eu digo que se lixe a prosápia do político e que se esprema a verdade ao servidor público, o mesmo que pediu votos de porta em porta exigindo e contabilizando a presença da mesma comunicação social que agora vitupera e processa criminalmente porque não diz o que mais lhe agradaria, num tique de ditador que me arranca a pergunta, socrática, esta e não outra: então e ao Primeiro-Ministro de Portugal, saltou a tampa ou caiu a máscara?



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Daniel a 24 de Abril de 2009 às 02:26
Rui, é da sua natureza ser assim. Nada a fazer.


De Rui Vasco Neto a 25 de Abril de 2009 às 03:46
daniel,
uma coisa linda, a natureza. É exactamente onde há tudo a fazer, sempre.
abraço, ó da ilha


De fartinho farto a 24 de Abril de 2009 às 02:38
Ó RVN
Aqui há tempos assisti a umas cenas post domésticas onde te chamavam uns nomes e te acusavam de umas baldas. Na verdade não sei se era ela a maluca ou se tu o baldas em assunto sério. Só sei que tiveste alguma dificuldade em limpar a farpela, apesar dos rodriguinhos da tua especialidade. Diz-me lá: Se a mim não me passou a história caseira e a má impressão que ficou, se as porcarias que fizeste lá pela bosta da TVI também por cá ficaram, como é que tu armado em jornalista banhado a ouro, tens a lata de vir fazer associações porcas porque não provadas, misturar o "crime" miserável de uns biscates, coisa crónica dos engenhocas novatos, na Guarda ou na Fuzeta, falar de património cuja origem é conhecida como se fosse roubada, emporcalhar a farda de um cidadão cuja capacidade de defesa está diminuida.? Se não conseguiste limpar uma merda caseira em ambiente limitado, com que cara de cu vens lançar lama sobre dessa forma? E se fosses dormir com a Manuela Moura Guedes meu "jornalista" da treta?


De Anónimo a 24 de Abril de 2009 às 15:27
Rui
Não respondas a ressabiados da treta.
Serás sempre superior a isto tudo.


De Rui Vasco Neto a 25 de Abril de 2009 às 03:47
zénónimo,
nota-se assim tanto?
:-)


De Rui Vasco Neto a 25 de Abril de 2009 às 03:39
estimado imbecil,
perdoará que evite a confiança que mostra ter comigo mas sou de família restrita, por um lado, e tenho cuidado onde piso por outro, pelo que primo não é e íntimo também não. Assim sendo passemos ao respeito que é bom e eu gosto, fará o favor de guardar o seu tutear para a boa gente a que seguramente pertence. Já eu não serei tanto, como parece saber, pelo que talvez de evitar a ofensa pessoal para que não pareça assim tão ordinário quanto eu seguramente serei.
Quanto à matéria em apreço duas coisitas rápidas, a saber: leva tempo e exige algum talento saber ler. Noto-o ligeiramente atrapalhado com essa habilidade pelo que lhe sugiro que insista, insista muito, leia, leia, leia o texto até perceber, verá que o mundo ganha outras cores quando não se é burro. E tenha um feliz Natal, desejo-lhe no capítulo das conversas domésticas, que para mais terá que falar com a roupa estendida. Eu sou apenas a corda, e já lha dei demais.
Fui.


De Ai! os ais deste país! a 24 de Abril de 2009 às 03:03
que não se cometa a justiça de se ser injusto e dizer que este Primeiro-Ministro é homem para usar máscaras:
ele, pura e simplesmente, é um LIVRO ABERTO, uma edição rara do 'há culpas, mas não há culpados' e, cego é, quem não quer ver.
ai nunca, mas nunca, no cenário nacional, o DÉFICE MORAL esteve tão bem representado!!!

adorei este post!!!
abraço,
eulalia


De Rui Vasco Neto a 25 de Abril de 2009 às 03:49
:-)


De Alta (Auto)rid.ade contra a Corrupção a 24 de Abril de 2009 às 03:37


ambito de aplicação:
todos os portugueses estão sob a sua jurisdição excepto os membros do Governo.

e bora lá cantar que a cantar é que a gente se entende:

ISTO É UMA ESPÉCIE DE CORRUPÇÃO / ISTO É UMA ESPÉCIE DE CORRUPÇÃO / LÁLÁLÁ LÁLÁLÁLÁ







De sinhã a 24 de Abril de 2009 às 09:15
ai que texto soberbo, Ruizinho.:-)
(como faço para receber os comentários daqui?)


De Rui Vasco Neto a 25 de Abril de 2009 às 03:50
não faço ideia, sinha, este sapo é um mistério maior que o freeport, às vezes...


De ângela a 24 de Abril de 2009 às 12:14
Rui,
parabéns!
Pelo texto, e porque até já tens direito a "comentário" anónimo insultuoso e fora do registo do teu texto...
Neste nosso país, tão simpático, mas tão mal-tratado, a classe política insiste em não acatar um princípio básico: mais do que ser sério é preciso parecer sério! (assim tipo mulher de César...)
Todos, mas todos nós, temos coisas menos boas (os "pés de barro"), e todos temos de estar preparados para responder por isso mesmo.
Ser político não confere imunidade a esses pressupostos. Antes pelo contrário: amplia a necessidade de ser sério e responsável.
E quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.


De Rui Vasco Neto a 25 de Abril de 2009 às 03:55
lita,
nem vou tão longe, digo-te. Apenas acho que leva menos tempo a explicar os factos que a atacar jornalistas e é mais útil para o país do que esta espécie de matraquilhos judiciais com sete processos, bolas! E depois é assim: quando o tiro ao jornalista é um número de feira, o exercício da democracia é um número de circo. E para palhaços e palhaçadas já basta o imbecil do comentário lá de cima.


De mifá a 24 de Abril de 2009 às 20:43
Se a aludida criatura é culpada desses crimes todos, não sei mas que não se livra de grande quota parte da responsabilidade de trazer as gentes deste país tristes e enfermas e descrentes, disso é que não se livra!
E, se não é culpada, tem o imperativo dever de explicar esmiuçadamente, com transparência e de forma INEQUÍVOCA , toda a estranheza ( para usar de eufemismo ) de que se revestem inúmeras situações com ela relacionadas. E, se é verdade que ninguém tem que fazer prova de que está inocente, no caso concreto, dadas as inúmeras suspeições que giram à sua roda e o cargo que ocupa, torna-se IMPERIOSO que se descosa e nos convença de que é uma pessoa idónea e acima de quaisquer suspeitas.
É, afinal, ou não, o responsável máximo deste país?
Quanto às conversas de cricri ( crianças e criadas ) lá do fartinho da silva, e à sua apetência pela domesticidade e seus escandalozinhos, aconselho-te, Rui, a passares ao largo para não te sujares.
E olha, jornalistas como tu há muito poucos e este blogue é disso mesmo a prova.
Obrigada por o partilhares connosco.
Um beijo, amigo.


De Rui Vasco Neto a 25 de Abril de 2009 às 03:57
mifas,
pára de me beijar assim, as pessoas vão falar. (Tens telefone?:-)))


De sinhã a 25 de Abril de 2009 às 08:39
fartinho farto? esqueci-me de perguntar se estás com alguma cárie ou úlcera no estomago... :-D


De maya a 25 de Abril de 2009 às 10:35
TODOS OS DIAS

Porque eles (os cravos)
Coloram a nossa boca
Floram nas nossas mãos
Porque eles (os cravos)
Renegam a hipocrisia
São passos de verdade
Porque eles (os cravos)
São o nosso dia a dia
Carregado de esperança
Porque eles (os cravos)
Não vendem a Liberdade

(Ausenda Hilário)

com um enorme abraço para ti, Rui.


De mifá a 25 de Abril de 2009 às 13:05
( Ora, e eu que pus o vocativo"amigo" a ver se disfarçava. Mas tá bem, tá bem, já que de repente ficaste tímido, Vasquinho, ao contrário do que soía, vou tentar ser mais recatada. Um bico de obra! )


De mifá a 25 de Abril de 2009 às 13:09
( ah e adorei as metáforas da corda e da roupa só que fiquei a congeminar o que seriam, na ampliação das mesmas, as molas - sim, e as molas? )


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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