Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
O possível, o provável e o evidente.
Quarta-feira, 27 Mai, 2009

É possível que o Dr.Gouveia Barros, o senhor doutor juiz que recentemente mandou a pequena Alexandra para a russa que a pariu, seja até um profissional competente e mesmo uma pessoa de bem, em termos pessoais e humanos. Isso é possível, claro que sim, porque afinal tudo é possível. Tal como é também possível que aquele magistrado tenha avaliado o caso da pequena Alexandra sem considerar todas as implicações futuras da sua decisão na vida daquela criança, também isso é possível, claro que sim, porque afinal tudo é possível, certo?

 

As possibilidades são assim mesmo, imensas, inúmeras, incontáveis, porque afinal tudo é possível neste mundo onde as pessoas têm filhos porque fazem sexo, embora na maior parte das vezes até nem façam sexo para ter filhos, simplesmente acontece e pronto. Tal como depois acontecem estes dramas humanos a que asistimos como quem assiste à novela das oito e ao filme das nove, quase como se fosse a mesma coisa ou muito parecido. São assim mesmo as pessoas, confundem as coisas, é natural. Mas não deviam ser assim os juizes, já que têm treino e formação para distinguir o trigo do joio, supostamente, pelo menos. Este senhor doutor juiz também deve ter essa capacidade, é possível que a tenha, porque tudo é possível, claro. Mas uma coisa é certa, para lá do que é possível ou não: as imagens que o país teve oportunidade de ver da pequena Alexandra a levar umas palmadas porque se atreveu a dizer o que a russa que a pariu não queria ouvir são um sinal inequívoco daquilo que vai ser o futuro daquela criança, diga o senhor doutor juiz o que disser, hoje ou amanhã, sobre a sua decisão de ontem. Porque tudo é possível, é certo, menos os milagres, que continuam a ser improváveis. Para não dizer impossíveis, evidentemente.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Samuel a 28 de Maio de 2009 às 00:17
Não aprenderam no passado, nem agora vão aprender nada com mais este triste caso. Da próxima vez todos vamos ficar (como é hábito) "chocados" com mais uma barbaridade qualquer cometida por um qualquer juiz.

Abraço.


De Alfredo Gago da Câmara a 28 de Maio de 2009 às 02:22
Como viverá neste momento o coraçãozinho deste senhor doutor juiz? Matematicamente sereno ou conscientemente sobressaltado.


De Anónimo a 3 de Junho de 2009 às 17:01
Realmente o Sr. Juíz não tomou a opção certa.
Pois está provado que não são os laços de sangue que contribuem para um crescimento equilibrado.Pelo contrário, em certas situações o afastamento de alguns familiares, só lhes traz equilibrio e segurança.Mas também não é as palmadas que assustam, mas sim a verificação da falta de afecto.


De Dylan a 16 de Junho de 2009 às 01:14
"Descrédito na justiça"

É impossível ficar indiferente aos gritos e choro desesperados da menina de Barcelos que estava numa família de acolhimento aquando da sua entrega à mãe biológica de nacionalidade russa. Este desenlace é tão ridículo que nem acredito na possibilidade das autoridades russas terem imaginado este dramático e insólito final.
Seis anos de cumplicidades afectivas enviadas para a reciclagem sem ninguém ter perguntado à criança qual seria a sua vontade e as possíveis sequelas daí decorrentes. Mais importante do que analisar a legalidade jurídica do acto é verificar o constante descrédito que a justiça portuguesa está votada: brilhantes mentes que têm a certeza que a mãe biológica não repetirá os maus tratos e conduta dúbia, num país e família desconhecidas para a criança, de parcos recursos económicos onde não se fala português. Às vezes não dá vontade de implodir todo o sistema judicial português e pedir a anexação a outro Estado?


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