Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Morrer de indiferença.
Sexta-feira, 05 Jun, 2009

É notícia do 'Correio da Manhã' de hoje, em parangonas de capa: «Bébé morre em fila de Hospital». Arrepia, só o título. Mas pior é o desenvolvimento, naturalmente, os pormenores macabros que fazem a história desta morte estúpida à porta dessa coisa estranha (não menos macabra, de resto) que é o Serviço Nacional de Saúde. O caso aconteceu anteontem em Monção, Viana do Castelo, mais exactamente em plena sala de espera do Centro de Saúde local, onde se escoou o futuro de um bébé com menos de um mês de vida. Chamava-se Miguel Simão e tinha apenas 29 dias de existência. Anteontem, pelas 19h00, morreu no colo do pai quando este esperava na fila do Serviço de Urgências do Hospital de Viana do Castelo. A ira dos pais de Simão, José Miguel Cerqueira e Sónia Maria Domingues, tem como alvo uma médica do Centro de Saúde de Monção, onde o bebé esperou, com os pais, mais de três longas horas. Três horas passadas, desde que chegou até que partiu, para sempre, sem que alguém lhe tivesse dado a mínima atenção. Quem foi que disse, quem foi, que a indiferença não mata?



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Samuel a 5 de Junho de 2009 às 13:33
Mas Correia de Campos diz que ouve elogios, quando anda pela rua... e Ana Jorge, e Leonor Beleza e Maria de Belém... e o raio que os parta!


De Cacete eu fosse a 5 de Junho de 2009 às 14:39
Que te parta a ti também cantigueiro, pelo oportunismo. Nem às crianças Senhor!


De Samuel a 5 de Junho de 2009 às 15:24
Cacete vossa excelência fosse:

Obrigado por me confirmar que acertei num nervo!
Acredito que fosse muito bom poder acreditar que as centenas de casos de desrespeito pelos utentes são sempre acidentes.
Se está convencido de que o estado a que chegou o SNS é obra do acaso e não tem culpados, aí então... paciência


De alma dalva a 5 de Junho de 2009 às 16:10
O Rui Neto tem essa capacidade invejável de dizer as coisas de uma maneira tal que nós que o lemos já sentimos aquilo que diz, só que depois de o ler é que percebemos como poderíamos ter dito o mesmo por palavras nossas.
Mas nunca seria o mesmo, nunca teria a mesma arte superior que o Rui tem. Bem haja por isso.


De Cacete eu fosse a 5 de Junho de 2009 às 19:07
Engano Samuel, um sectário como você já não atinge nervo nenhum, esse estilo é anestesia pura, genérico de 1974!
Mas dou-lhe uma alegria: Não, não acredito que os desrespeitos sejam só acidentes, há outras causas, desde os desleixos culposos até às insuficiências do sistema. Os zarolhos não têm dificuldade em achar de imediato os culpados, antes mesmo do acontecimento: Estão sempre do lado da cassete que está no seu gravador. O SNS? Ó homem, você percebe alguma coisa do que está a dizer ou apenas serve de eco?!


De j a 5 de Junho de 2009 às 20:08
Será que existe algo qe mate mais do que a indiferença ?


De jv a 5 de Junho de 2009 às 20:10
quis dizer jv


De Samuel a 5 de Junho de 2009 às 21:24
Caro "Cacete eu fosse"

Admito que, embora inadvertidamente, possa ter dado a impressão de querer ficar aqui a conversar consigo. Peço desculpa pelo mal entendido!


De Cacete eu fosse a 6 de Junho de 2009 às 00:59
Não deu não, fique descansado. Nem sei bem de que falaríamos, a julgar pela xafarica pessoal onde reserva elevados e finos tratos aos "desalinhados". Quando me quiser pedrar lá irei. Além do mais está em reflexão. Que lhe seja pesada quando acabar....
Passe em, ou o contrário se lhe apetecer.


De Samuel a 6 de Junho de 2009 às 13:12
Obrigado!


De sarrabal a 6 de Junho de 2009 às 14:32
Casos destes são frequentes. O que não há, por vezes, é notícias deles. Uma empregada doméstica que trabalhava em casa da minha filha, morreu sem assistência no hospital de Vila Franca de Xira. Sofria do coração e estava com uma pneumonia. Esperou horas na sala de espera e o marido acabou por intervir. Quando o maqueiro chegou perguntou-lhe «se podia andar pelo seu pé». Meia dúzia de passos andados, desfaleceu. Voltaram a sentá-la na cadeira. Morreu ali. Tinha 32 anos e deixou duas meninas pequenas. Rui, este é o país real. Não há que enganar. Ainda assim, são as pessoas que fazem o bom ou mau funcionamento dos hospitais. Refiro-me, evidentemente à classe médica e restante pessoal hospitalar. Sem humanidade, interesse, cuidados e profissionalismo não há hospital que nos valha!

Abraço da Sol


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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