Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Quietos com as mãozinhas!
Sexta-feira, 05 Jun, 2009

Desta vez a coisa foi pensada e antecipadamente preparada para evitar a risota nacional que ocorreu o ano passado. Por isso este ano a decisão vem devidamente fundamentada, o que nem por isso significa que venha correcta, embora seja já um facto consumado: as massagens corporais encontram-se proibidas em todas as praias do país, norte, sul e ilhas. Este ano, nenhum concessionário em nenhuma praia do país poderá oferecer massagens no areal. Não porque ninguém saiba "como acabam" estes momentos de relaxamento e prazer, como chegou a justificar em Julho do ano passado o então comandante da Zona Marítima do Sul, Reis Ágoas.

 

Desta vez não é o pudor que está em causa, mas motivos de "saúde pública", nada menos. Perante as dúvidas geradas no ano passado, a Capitania de Faro decidiu pedir um parecer à Administração Regional de Saúde do Algarve. A resposta chegou no final do Verão de 2008 e é a que se mantém por agora. "Nenhum dos diplomas prevê o exercício destas actividades sem ser em local próprio, com requisitos específicos e devidamente licenciados, o que não se coaduna com a prática em espaço balnear", lê-se no parecer. Ou seja: mãozinhas quietas na praia, rapaziada. Mirar por enquanto é sem coima, mas consta que estão já a caminho uns avisos iguais aos das pastelarias, 'é favor não mexer nos artigos expostos', que podem até vir a ser obrigatórios nos bikinis ou evoluir para tatuagem. Mas para já vigora a ordem, sem apelo e com fiscalização: na praia não há massagens para ninguém!

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Estudo de quase nu a 5 de Junho de 2009 às 18:48
massagens, não! ? e ... uns versitos roubados, pode ser?


"Essa linha que nasce nos teus ombros,
Que se prolonga em braço, depois mão,
Esses círculos tangentes, geminados,
Cujo centro em cones se resolve,
Agudamente erguidos para os lábios
Que dos teus se desprenderam, ansiosos.

Essas duas parábolas que te apertam
No quebrar onduloso da cintura,
As calipígias ciclóides sobrepostas
Ao risco das colunas invertidas:
Tépidas coxas de linhas envolventes,
Contornada espiral que não se extingue.

Essa curva quase nada que desenha
No teu ventre um arco repousado,
Esse triângulo de treva cintilante,
Caminho e selo da porta do teu corpo,
Onde o estudo de nu que vou fazendo
Se transforma no quadro terminado."

José Saramago

(com a devida vénia ao Gato Pingado)


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