Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
Faro dá bandeira
Quinta-feira, 02 Jul, 2009

É o mistério estival do momento, o último grito da incógnita. Os factos, esses, são claros e estão à vista. A praia de Faro, coração da Ria Formosa, cumpre todos os critérios e requisitos para ter Bandeira Azul. E tem. Quero dizer, tem mas está guardada, arriada por ordem da autarquia, como explica à Lusa Catarina Gonçalves, a coordenadora nacional do programa Bandeira Azul, único galardão oficial de qualidade nas praias que existe a nível europeu. «Apesar de a praia Faro-Ria cumprir todos os outros critérios para ter o galardão, a autarquia optou por cancelar o galardão da Bandeira Azul», tenta explicar Catarina Gonçalves. A Câmara confirma, diz que mandou arriar a bandeira porque «a Capitania do Porto de Faro emitiu um parecer desfavorável à utilização simultânea balnear e desportiva na praia de Faro-Ria, baseado num alegado conflito de usos». Vai daí, apesar do parecer em nada alterar o legítimo direito da praia ostentar a Bandeira Azul, a autarquia mandou arriar a bandeira porque sim.

 

A questão está toda no Centro Náutico da Praia de Faro, um complexo desportivo que tem gestão camarária, por sinal, e que se destina à prática desportiva de modalidades náuticas não motorizadas. Cuja actividade a Capitania vem então contestar com este parecer desfavorável, embora reconheça que estas actividades não são “consideradas incompatíveis com o ecossistema do Parque Natural da Ria Formosa”. Ou seja: ‘sim, está tudo legal, é tudo compatível, pode continuar, a gente é que não gosta’, parece ser o recado. Nada mais eficaz, na circunstância. Numa decisão que roça o absurdo, a Câmara mandou arriar a bandeira que todos querem ver içada na sua praia. Com ou sem parecer, não se vislumbra uma razão plausível para esta espécie de suicídio estival da autarquia, uma vez que nunca foi posta em causa a legitimidade da Bandeira Azul nem equacionada a sua remoção compulsiva, como já aconteceu em dez praias de norte a sul, só neste mês de Junho. Mas não em Faro, onde o coração da Ria Formosa apenas sofre esta estranha arritmia. Às vezes, palavra de honra, até parece que não bate bem.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De shark a 2 de Julho de 2009 às 16:20
Dispõe, companheiro.


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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