Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009
Sol maior
Quarta-feira, 19 Ago, 2009

A minha boa amiga Soledade Martinho Costa anda em festa lá por casa, no Sarrabal, que completa mais um ano de existência. A festança é das rijas, tipo casamento cigano, um dia começou e depois logo se vê quando é que acaba que aqui ninguém está com pressa, os convidados são de luxo, a anfitriã um doce e a mesa é farta de boa leitura, há que prolongar este prazer e saborear condignamente cada naco de letras. Hoje, por exemplo, é mais um bom dia para a visita, é Daniel de Sá quem faz as honras da conversa com um primor de recado, coisa de luvas. Ora espreitem: «Gosto do cheiro das letras. Entre a possibilidade do ecrã , e da página no livro ou no jornal, prefiro a página. Mas a maior parte da escrita que hoje se faz viaja no espaço virtual. Chega a dar a impressão de que se escreve no nada. Talvez por isso haja quem desça nos blogues à mais baixa condição da expressão humana. Sem respeitar valores éticos ou sentimentos morais.» Estão a ver?

 

Escritora notável com obra vasta publicada, mulher de rara sensibilidade e fino trato, a Sol está a ter a festa que merece e eu bato palmas, pois sei que foi com zelo de fada que a minha amiga preparou cada pormenor com que nos recebe. Teve ainda a gentileza de me convidar e eu tive o privilégio de poder deixar colaboração modesta, ainda o casório ia na igreja, por assim dizer. Melhores vieram depois de mim e continuam a chegar, como vêem, neste mês de aniversário. Vale sempre a pena a visita ao Sarrabal, mas esta quadra festiva é verdadeiramente imperdível. A gente vê-se por lá, fica combinado. 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De sarrabal a 21 de Agosto de 2009 às 19:26
Não posso deixar de agradecer este post que, para mim, constituiu uma verdadeira surpresa. Vai ficar na lista dos «presentes» que o Sarrabal recebeu.
A «festa» de aniversário do blog, com duração de um mês certinho, está a terminar; aproxima-se o dia 23 de Agosto...Foi agradável juntar alguns dos amigos que «conheci» na blogosfera.
Agora, essa, do «casamento cigano», nunca me passou pela cabeça. Mas não anda muito longe da verdade. Só o Rui, sempre oportuno e com o seu especialíssimo sentido de humor se lembraria de tal comparação!

Um beijinho

Sol


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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