Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
Já sei, já sei. E por isso já dei.
Segunda-feira, 30 Mai, 2011

Citando a minha filha, treze anos sábios, 'eu cá tenho estado afastada mas não estou desligada', diz ela e subscrevo eu. E de facto não, desligado eu não estou, juro, olhos e atenção não me faltam, fé e pachorra é que são cada vez mais escassas e quanto a isso temos pena, já dei. Já dei eu e já demos muitos e muito, demais, até. Mas pronto, lá tenho seguido a grande comédia dos debates pré-eleitorais e as faladuras de palanque, de olho no palhaço rico e no palhaço pobre, no tonto e no equilibrista, no compére que se enganou na revista mas também faz rir e em todos os outros artistas e animadores políticos deste grande circo em que descambou o Portugal moderno, arena montada onde quer que haja três ou quatro castiços, dez velhinhas e quinze velhinhos, vendedeiras, feirantes e outros como dantes que vão dando o de sempre: a côr, os abraços e os beijinhos á grande caravana do vota-em-mim que por estes dias vai correndo e sendo corrida país fora, na alternância democrática de vivas e vaias, obrigados e manguitos e ainda os 'fora-o-árbitro' dos que só lá estão para ber a bola e trazer o abental da praxe pelo mero prazer da borla de plástico. 

 

Mas há mais, vou também lendo as aventuras muito nacionais dos polícias que vão de cana por serem criminosos, dos magistrados que tiram de cana outros magistrados apanhados em flagrantes de 3,8 no mesmo balão que grita crime acima de 1,5, dos 62 mil euros gastos em relógios para ofertas de crise na PSP e dos miúdos que sovam outros miúdos com o ódio e raiva que aprendem nos graúdos, por exemplo. E mais ainda: trauteio a grande crise nacional a compasso das aventuras internacionais do lado putanheiro do poderoso presidente deste mesmo FMI que nos vem emprestar o molho para temperar o grosso naco de carne que lhes encherá a barriga quando finalmente nos deixarem, completamente de rastos e envergonhadamente sós, rosnando uns aos outros pela primazia no roer do magro osso que sobrar deste enorme favor que nos vieram fazer.

 

Pois. De facto desligado eu não estou, juro, olhos e atenção não me faltam. Fé e pachorra é que são cada vez mais escassas para aturar esta cambada de sanguessugas a quem ainda não vi nem ouvi o exemplo de abdicar de um tostão de seu em nome da tal crise que suga a cada um de nós um milhão do que é de todos. E eles falam e protestam, falam e prometem, falam e mentem, sorriem e gargalham, beijam e titilam a maria votante e o zé pagante, todos diferentes mas todos iguais na babuja da dinheirama fresca que está quase a chegar, em rota directa e sem escalas para os bolsos do costume e à conta dos otários do costume. Há diferenças, evidentemente: a esquerda apenas saliva, a direita só baba. E o povo faz a rosnadura costumeira e mostra os dentes, claro, mas não morde, paga. Paga sempre e como sempre: pagando e rindo. E quanto a isso temos pena, já sei. E por isso mesmo já dei.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Anónimo a 31 de Maio de 2011 às 09:46
Bem-vindo, sempre ligado ao mundo


De Pirate a 31 de Maio de 2011 às 17:38
Como diria o castiço almirante "o povo é sereno"..."é só fumaça"...
As campanhas eleitorais são tão semelhantes na forma e no conteúdo que eram perfeitamente dispensáveis. Bastava manter o sonoro da cassete e dos carros partidários em movimento.
Eu tb tou ligado mas à corrente demagógica que nos vai eletrocutar a todos no pós-eleitoral quando a cartilha troikana começar a doer a sério...Já se está a ver a Grécia ao fundo do tunel...
Quem puder, que emigre já e em força!


De Anónimo a 31 de Maio de 2011 às 22:01
O Pai escreveu, citando a filha. Saudades de te ler. Brincas com as palavras como ninguém mas a mensagem é sempre séria e oportuna.
P


De Rui Vasco Neto a 2 de Junho de 2011 às 18:58
caro nóni,
obrigado, a ligação é em função de si, não esqueça nunca... e volte, claro.
----------------------------------
pirata, velho Amigo,
nem comento o que disseste tão embalado vou neste desejo que aqui te quero deixar expresso: soube recentemente que te tens encontrado com o nosso velho (enfim, mais novo) amigo das teclas... exijo uma sessão a três para exercitar os dedos e dar corda às vocais, há muito zeca, muito sérgio, muito fausto, enfim, muita música em atraso... fico à espera da combinação, o meu mail aguarda-te com impaciência. (e o outro desgraçado não perde pela demora, verás...-))
abraço-te, claro
----------------------------------
P,
credo, que atenção e carinho em tão poucas palavras... suspeito a autoria, mas iniciais há tantas como chapéus e palermas, como diria o Vasco (o outro, claro)
brigado, viu?


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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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