Quarta-feira, 8 de Junho de 2011
É só rir, só rir!
Quarta-feira, 08 Jun, 2011

Quero, quero, quero,

quero tanto e não consigo

que às tantas eu desespero

por não querer estar comigo

neste querer que me transcende

e ninguém

(nem eu!)

entende...

 

Outras vezes quero pouco

e pouco peço,

coisas banais,

como um toque, um respirar,

um suave entrelaçar,

uma partilha de jeito,

um olhar, um recomeço,

um aconchego de peito,

algo que mate esta fome

que emagrece o meu viver

e me deixa meio louco

nesta ânsia de querer

tudo o que eu não quero mais.

 

Nem tudo o que quero tenho,

é claro,

ninguém consegue;

mas anuncio ao que venho

quando chego, a conquistar

o sonho que me persegue,

corações, terras, moinhos

e os ventos desse Ultramar

que é sonho dos pobrezinhos...

 

huummm.....

 

Queria tanto não querer!

(ou não querer assim tanto...)

ser mais meigo no viver,

mais manso no meu desejo,

nem apatia nem espanto,

nem ausência nem sobejo,

nem tão preto nem tão branco;

uma vivência intermédia,

mais leve...

Talvez comédia.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Alfredo Gago da Câmara a 9 de Junho de 2011 às 01:59
Fiquei literalmente paralisado por uns segundos depois de ler este post. Só mesmo sete vidas juntas conseguem dar luz a uma cabeça que escreveu o que acabei de ler.
Sem palavras!


De Eu a 9 de Junho de 2011 às 16:24
Clap, clap, clap! Elogio sincero de quem já se amofinou com opiniões do autor. Parabéns.


De Pirate a 9 de Junho de 2011 às 16:25
Caro Vasco em co-autoria com o Gastão, aposto :-)
bark,bark,bark...não há como o riso canino...


De tom exasperantemente professoral a 9 de Junho de 2011 às 19:27
Benvindo ao clube, caríssimo

(eu bem me estava a parecer que a questão do relógio era meio caminho andado para a conversão ao "gansismo".)

Ai a velha e titânica luta entre Quixote e Sancho Pança!Ai o eterno assombro do homem quando a si se vislumbra! Que de crises existenciais provêm dessa dualidade que coexiste no singular da unidade!
Fragmenta-te, homem, fragmenta-te. Deixa emergir o bom ou mau selvagem que te habita, de vez em quando; leva a besta a passear (e nem sempre pela trela) de quando em vez; assume o manuel-das-vacas que há em ti; admite que o mundo não é maior que a tua aldeia; despoja-te da poluição do que julgas saber e que te sabe mal para ficares liberto para a errupção da verdadeira sabedoria...
Assim, despojado de destroços, talvez te surpreendas com a tua própria Aparição.
Esta é a geração do tédio secular, do tédio finessecular, do tédio eterno, do tédio tédio.
É urgente reinventar Rousseau, é urgente reverberar as fúrias de um Álvaro de Campos, é urgente reeducar o olhar na inocência e no sábio (des)saber de um Caeiro, é urgente estagnar na ataraxia triste de um Ricardo Reis e, sobretudo, é urgente não ter urgência.
Talvez, assim, o homem se deslumbre com o vislumbre da sua centelha de divindade.
( ou clico depressa, ou se faço interferir a razão é certo e sabido que este não segue.)


De de tom exasper...blá,blá,blá a 9 de Junho de 2011 às 19:37
Errata: irrupção em vez de errupção
(é o que faz não reler.e eu que tinha jurado não pensar nos próximos dez anos!)


De de tom ex...as...perante...mente, etc a 9 de Junho de 2011 às 20:08
(pst,pst, vai dar uma espreitadela em amar ou odiar, do fausto guedes teixeira. tou indo)


De Anónimo a 9 de Junho de 2011 às 20:03
Depois de ler o último comentário fica muito pouco para dizer.
Citando Fernando Pessoa "És melhor do que tu: Não digas nada: sê!"
P


De tom (menos) ex as per etcetcetc a 10 de Junho de 2011 às 18:34
Caro(a) P

Duplo obrigada: pelo elogio ao meu comentário e, sobretudo, pela belíssima citação que faz do (depreendo que) nosso amigo.Porém, o que comentei foi suscitado pelo belíssimo poema do rvn que eu, na grosseira correnteza do que escrevi, me esqueci de louvar.
Redimo-me e, parafraseando Pessoa, direi que eu fui a "tela" que "estranha mão", neste caso o poema, em mim coloriu.
Justiça feita: os louros ao autor!

(não sei se fiz bem ou mal:se se sentisse injustiçado, amuava e penávamos para o ter de volta -se é que já não amuou! se o louvamos, dá-se uns ares de mistério e de vedeta e eclipsa-se - se é que já não se eclipsou! na melhor das hipóteses está sanchopançamente a empanturrar-se com sardinhas.que coma as dele e as minhas. mas que volte)


De sarrabal a 10 de Junho de 2011 às 21:10
Caro Rui:

Venho pedir-lhe para publicar o seu belíssimo poema no Sarrabal. Posso? Com este pedido digo tudo em relação ao poema - que, pretensiosamente, diga-se, creio ter lido nas entrelinhas. Andava há dias para lhe fazer uma surpresa com a publicação de um outro poema seu do álbum «Vidas». Como sabe, raramente publico outros autores no meu blog. Escreva, Rui, continue. Aproveite a inspiração e dê-nos boa poesia. Nunca será demais!
O abraço de sempre da Sol


De Rui Vasco Neto a 16 de Junho de 2011 às 00:47
Fredo,
a amizade de sempre e o coração ao pé da boca, eis o Gago da banza no seu melhor, ou antes: igual a si próprio! Que Deus assim te conserve, assim mesmo sem tirar nem pôr, querido Alfredinho. Que és jóia rara, tal como és.
abraço-te
_______________________
Pirata,
saudações caninas para ti também, old friend.
_______________________
tom excessivamente coiso e etc, querida inconfundível figura, minha amiga, minha irmã:
Ou talvez melhor: Eh! melhér dumrraio, tsunami pessoano, corisca criatura, dôr de cabeça do catano!!!! Vejamos, huumm... Pois nem sei que te diga, que estou para aqui que nem posso com a tua cumbersação é um facto, estou berdadeiramente extasiado, atordoado, enlevado, atarantado, arroubado, encantado, arrebatado, esparvoado - olha: estou ado, mesmo ado, estou ado até mais não, tu acreditas? É que estou adíssimo, até! Que a coisa é de truz, (força de expressão, naturalmente) e há que observar cuidados básicos no aproach a este tipo de patologias, saberás isso mesmo, é não só dos livros mas também do mais comum dos sensos, não há que enganar. Nomeadamente no que toca a contrariar o sujeito ou sujeita, uma atitude absolutamente a evitar, as pessoas mesmo dizem e tudo, é de nunca contrariar, seja em que circunstância fôr. Sobretudo nesta circunstância, pronto, já disse. Tracemos pois sem mais delongas as linhas programáticas deste novo eu que por ti e para ti renasce neste momento, seguindo à letra o que me pedes, concedendo-me ao que propões, exiges, atiras, porfias, enfim, ao que te estendes a dizer. E eu aqui estou, pronto, fica calma, eis-me a aquiescer, a concordar sem reservas, note-se, sem ajustes, repara, sem condições, tu dizes e eu faço e mainada, nem um pio e pronto.
Desde logo te digo: se é mesmo para reinventar pois que reinventemos Rousseau, caramba!, reinventemo-lo como se não houvesse amanhã, e aproveitando a passada reverberemos com convicção as fúrias do Álvaro, porra, (des)saibamos o sábio&inocente Caeiro e estagnemos de uma vez por todas na ataraxia do Ricardo, pá, bolaspá que isso é que tem mesmo de ser, não há outra hipótese. Estagnemos, pá!, é urgente que estagnemos sem qualquer urgência, pois que o tempo nem sequer existe quando se tece resposta a um comentário desta envergadura, que é como quem diz uma faladura deste calibre, pelas barbas do profeta, mas que grito de alerta este, que expõe o desespero intrínseco em tamanha chamada de atenção, todo o sofrimento de um espírito atormentado pela pequenez do mundo que o rodeia e sufoca. Mas que isso não seja mais um problema, nunca mais, never again como dizem os franceses: pois por ti me fragmentarei, me entediarei finessecularmente, por ti e só por ti me deslumbrarei com o vislumbre da minha centelha, eu seja cão se não me deslumbrar co'a centelha pois que aqui te deixo publicamente jurado para todo o sempre: levanta-te e anda, descerra essas portadas, abre de par em par as janelas para que entre luz na tua existência e enche a casa de flores, muitas muitas flores a condizer com as ramadas festivas do vestido novo que irás usar na nossa hora, em breve por chegar. Sim, fica calma, não há engano, eu serei então o tal manel das vacas com que sempre sonhaste e que nesse estado te deixou, credo!, uma vida inteira coarctada em tão singela aspiração, que outro trauma não vislumbro possível para justificar o gigantesco pancadão que tiveste a gentileza de revelar naquelas poucas linhas de delírio pessoano com que me brindaste, num gesto tão tocante como difícil de esquecer.
Por isso lembra-te, lembra-te sempre, deste momento em diante: sim, serei eu o teu manuel das vacas, e juro que hei-de vislumbrar a minha centelha custe o que custar, fica aqui prometido, por ti me fragmentarei no passeio da besta e uma nova dualidade coexistirá sem trela no singular da nossa unidade! Isto é garantido, tudo por ti e tudo para ti, conquanto fiques serena e tranquila. E será finalmente assim juntos, bem juntinhos os dois que assistiremos ao supremo milagre da irrupção da centelha que configurará a derradeira Aparição da minha divindade neste mundo menor que a minha aldeia, porém maior que o meu bairro e assim sucessivamente, por tempos e tempos sem fim na unidade do espírito santo e amen.
Por isso fica calma, sim? E volta sempre, peço-te.


De Rui Vasco Neto a 16 de Junho de 2011 às 01:10
Sol, querida amiga,
as minhas palavras são suas para o destino que lhes queira dar, antes de mais. Assim resumo e me escuso a ter que assegurar o que é por demais óbvio na circunstância, a saber: será sempre um prazer ver publicado no seu blog qualquer texto meu que lhe agrade ou por qualquer outro motivo desperte a sua atenção e interesse. Julgo mesmo que já passámos há muito esse tempo em que fazíamos depender de aprovação do outro esse tipo de iniciativa em relação ao trabalho de cada um. Seja como for, no caso presente disponha, querida amiga. Mi poema es su poema, combinado?
Quanto às entrelinhas terá lido bem, quero crer. Uma espécie de merecido privilégio de quem tem acesso à chamada 'inside information', aliado a uma particular sensibilidade que dispensaria sem esforço esse avanço para ler igualmente bem na ignorância, se fosse o caso...:-))
Ora aceite um abraço fraterno do
rvn
______________________
e a fechar, tom excessivamente coiso e tal:
Para que conste, repondo a verdade dos factos: eu não amuo, ok?, nem se me sinto injustiçado e mais: nunca, mas mesmo nunca me dou ares de vedeta ou de mistério, nem sei onde possa ter nascido tal... huumm.... disparatada ideia. Também não me eclipso, não sou lua nem aspiro a ser sol, jamais, longe de mim tal pensamento... e nunca, mas mesmo nunquinha da silva eu me empanturro com sardinhas, credo, que mau gosto atroz...

Ora que esta!! As coisas que uma pessoa ouve, sinceramente...


De sinhã (açorda, não) a 20 de Junho de 2011 às 00:01
tão lindo, adorei.:-)


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