Quinta-feira, 30 de Junho de 2011
10 perguntas, 10 respostas, 10 amigos, 1 inquérito. Ou seja, mais um trinta e um que eu arranjei.
Quinta-feira, 30 Jun, 2011

Do Pedro Correia (Delito de Opinião, Albergue Espanhol), blogger talentoso e de prática irrepreensível em termos de delicadeza e correcção, meu c'lega de profissão e amigo virtual, chega-me este desafio, a que respondo com gosto. Até porque detesto a pose snob e enjoada de alguns bloguistas que odeiam ser maçados com inquéritos deste género lá do alto das suas níveas torres de marfim, como diz o Pedro no seu post e eu subscrevo aqui, palavra por palavra. Para me poupar ao esforço de inventar? Nada disso, se há coisa que eu gosto é de inventar... A questão é que estas palavras podiam perfeitamente ser minhas, de tal forma dizem aquilo que eu penso. Já estas que se seguem são mesmo minhas, são as que fazem as tais dez respostas como era pedido. E que aqui ficam dadas com todo o prazer.

 
 

1. Existe um livro que relerias várias vezes?
Existem vários que já li e reli e de entre esses alguns que voltarei a ler e reler sempre, como 'Os Maias' do nosso sempre actual Eça, 'O Amor em tempos de cólera' e 'Cem anos de Solidão', ambos de Gabriel Garcia Marquez (e dois bons exemplos de releituras que faço como outros escolhem fazer vinte flexões ou o jogging matinal), 'O Processo' de Kafka e, fundamental, 'O Princepezinho' de St. Exupery. Com jeitinho arranjavam-se mais uns quantos, pois a releitura faz parte da leitura, para mim, acho até que inconscientemente já vou contando com ela no acto (frequente) de ler com sofreguidão e sem me deter para saborear... 'já cá volto', digo-me sempre. E volto, invariavelmente.

2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Oh, sim, para minha grande frustração foi (e é) o caso do 'Memorial do Convento'... e já desisti.

3. Se escolhesses um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?
Pois, a tentação do 'Livro do Desassossego' é grande... mas não, all things considered devo indicar a Bíblia como resposta mais próxima da minha verdade. Afinal, para mim nunca será demais ler o que diz para ver se finalmente encontro naquilo que não diz algumas das respostas que procuro há tanto, tanto tempo... Quer-me parecer que o resto da vida não seria tempo a mais para cumprir tal tarefa.

4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Todos aqueles, incontáveis, que gostaria de ter lido mas que por algum motivo nunca consegui ler...

5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?
Huumm... deixa cá ver.... hum... talvez 'O Perfume', de Patrick Suskind, um final fantástico para Jean Baptiste Grenouille, a personagem central, que é partido aos bocados e comido por miseráveis sem-abrigo alucinados pelo efeito do perfume que ele próprio tinha criado e para esse momento colocado no seu corpo e nas suas roupas... Entre vários adjectivos possíveis, 'inesquecível' é seguramente uma boa escolha para um desfecho destes. 

6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Ler era mais que um hábito, era pouco menos que a sobrevivência... Vejamos, tipo de leitura é uma abordagem difícil, em termos de preferências nunca tive um tipo de leitura como nunca tive um tipo de música, o gostar foi sempre tão ecléctico que nunca houve como empurrá-lo para dentro dos limites de um qualquer estereotipo para facilitar a resposta a esta e outras perguntas. Do Tio Patinhas à Enciclopédia da Mitologia Grega eu devorava tudo o que aparecesse, embora com algumas paixões fixas, claro, a saber: Lucky Luke, Asterix, Blake&Mortimer, Ric Hochet, Mafalda, Mandrake e Fantasma foram sempre os destaques na BD, depois tudo quanto era História (a do Egipto em particular, ah! os faraós...), a inevitável Enid Blyton dos Cinco e dos Sete mas também do Gordo e dos seus companheiros da colecção 'Mistério', tudo o que consegui apanhar de Erle Stanley Gardner/A.A.Fair, Rex Stout, Frank Gruber e Agatha Christie nos policiais, e muitos outros casos isolados mas marcantes por tantas razões como exemplos, como a trilogia Sexus/Plexus/Nexus e ainda o 'Trópico de Cancer' de Henry Miller, todos quatro de enfiada e na mesma altura, o inolvidável 'Tai Pan' de James Clavell (que já revisitei mais do que uma vez em adulto), Jack London e o seu 'Apelo da Selva', 'O Prémio' de Irving Wallace, tudo o que consegui apanhar de Pearl S. Buck e muitos, muitos outros.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Há vários, também, mas posso destacar o caso do 'Bobo' de Alexandre Herculano (sendo que alguns dos outros que eu citaria para este caso seriam também do mesmo autor...) Ah, sim, e um ou outro bocejo camiliano também, talvez.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

Bem, alguns deles, quiçá alguns dos mais significativos, já estão referenciados na resposta à questão sobre a releitura, lá em cima... sendo que faltam bastantes e de 'tipos' bem diferentes, sei lá, Tom Sharpe é incontornável no humor com 'Wilt' a abrir a lista, 'O erro de Descartes' de António Damásio noutra categoria, naturalmente, os eternos Asterix e Lucky Luke ainda e sempre na BD (sim, pois, já sei: não cresci, certo?), 'Tia Júlia e o escrevedor' de Vargas Llosa, e mais uns quantos entre todos aqueles de que me vou lembrar logo a seguir a ter publicado estas respostas...
9. Que livro estás a ler?

'O Livro da Consciência', de António Damásio e nos intervalos 'Notícia de um sequestro' de Gabriel Garcia Marquez (em segunda ou terceira leitura, já não sei) para arejar as emoções e os sentimentos... :-))

10. Indica dez amigos para responderem a este inquérito.

Dez amigos, hein? Huumm..., vamos lá então e seja o que Deus quiser, seguem os nomes: o meu estimado barbeiro, Luis Novaes Tito, da 'Barbearia do Senhor Luís', o Samuel do Cantigueiro, o Shark do Charquinho, a Soledade Martinho Costa do Sarrabal, o Valupi do Aspirina B, o Carlos Enes do Fragmentos do Apocalipse, a Laura Ramos do Delito de Opinião, o Nuno Miguel Guedes do 31 da Armada, o Tomás Vasques do Hoje há Conquilhas e mestre Daniel de Sá, um ex-7Vidas agora no EspólioPara todos segue este meu convite e um forte abraço de solidariedade blogosférica.



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De Anónimo a 30 de Junho de 2011 às 21:53
Algumas surpresas! Mas é natural!
P


De Pirate a 30 de Junho de 2011 às 22:59
Não gosto de reler um livro várias vezes, até porque não chegam várias vidas para se ler o que se publica todos os anos...Mas aqui vai : "Por Quem os Sinos Dobram" Hernest Hemingway. Li no original "For Whom the Bell Tolls"...ainda melhor. Um livro que releria com prazer.
Depois existem tantos, uma imensidão, um mar the literatura, desde os clássicos "Irmãos Karamazov", "O Jogador" Fiódor Dostoiévski; "Guerra e Paz" e "Sonata a Kreutzer" Tolstoi...and so on...
Não me esqueçi dos lusos Garrett com "Viagens na Minha Terra" e CCB com "Amor de Perdição"...
Num outro registo sou um indefetivel de Tom Wolf no original "The Bonfire of Vanities", "Hooking Up" "A Man in Full" (uma epopeia)...
Humberto Eco: "O Nome da Rosa" , "O Pêndulo de Foucault" obras de referência.
E claro, o notável "Perfume" de Patrick Süskind centrado nesse mítico personagem icon/psicopata Jean-Baptiste Grenouille...
Mais recentemente descobri o japonês Haruki Murakami com o seu estilo muito próprio de "jazz literário fluído" com uma dinâmica minimalista de histórias dentro de histórias...dele li com prazer "Crónica de um Pássaro de Corda" e "Norwegian Wood".
Estou com um Murakami entre mãos - "Em Busca do Carneiro Selvagem" - e este sim, está-me a dar cabo da paciência. Paro uns dias e retorno. Tem sido uma relação tipo amor/ódio :-).
E tantos, mas tantos ficaram por citar...

PS
Caro Vasco deixei mensagem na tua página do FB
Carpe Diem,


De sarrabal a 30 de Junho de 2011 às 23:57
Rui, em primeiro lugar, grata pela distinção do convite. Mas onde é que se publicam as respostas a este inquérito? Aqui? No nosso próprio blog? Oriente-me, ok? Tem uma certa graça, ultimamente, em vez de escrever, tenho lido bastante. Meu Deus, quantos livros tinha (e tenho) em lista de espera! Acho o inquérito interessante, uma boa ideia para fazermos algum exercício mental e um balanço da nossa capacidade para ler os outros. Terei de convidar mais 10 nomes? Fico à espera de ordens...
Abraço da Sol


De HG a 1 de Julho de 2011 às 10:40
Nunca reli por inteiro um livro de que tenha gostado, prefiro reler e recordar apenas alguns excertos. É que o tempo para ler já me parece escasso e há sempre aquela ansiedade de descobrir coisas novas...

Livros preferidos? Tantos. Apenas alguns: "O Estrangeiro", Camus; "O Desprezo", Moravia"; "A Metamorfose", Kafka; "O Deserto dos Tártaros", Buzzati; "Desgraça", Coetzee; " A Náusea", Sarte; "A Estrada", McCarthy"; "A Noite e o Riso", Nuno Bragança; "A Cidade e as Serras", Eça; "Memorial do Convento", Saramago...

Livros mais chatos que li até ao fim? "A Mãe" do Gorki e "A Ilha do Dia Antes" do Umberto Eco, sem dúvidas.


De LNT a 1 de Julho de 2011 às 11:36
Caro Rui Vasco
Agradecido pela selecção e pelo reconhecimento de que possa ter algum interesse saber o que já li, o que reli e lerei.
Aceito com prazer o desafio e dentro de pouco tempo farei um texto no meu Blog sobre o assunto.
Para já deixo um abraço
Luís
PS. Sou daqueles que tentam sempre fugir a este tipo de encomendas. Não por snobismo, nem por estar plantado numa torre de marfim, o que seria inadmissível a um barbeiro que tem um Sistema de Gestão de Qualidade implementado na sua loja e segue todos os requisitos para monitorização da satisfação dos clientes.
É mesmo porque o tempo falta e estes inquéritos, sendo virais, obrigam-nos a seleccionar os convites, coisa que me deixa sempre algum desconforto.


De sinhã (açorda, não) a 2 de Julho de 2011 às 11:27
sacaram-te uma radiografia. gostei.:-)


De shark a 3 de Julho de 2011 às 23:29
A minha torre não é de marfim ou já estaria entregue à Segurança Social para acerto de contas, mas eu não consigo mesmo vencer a minha renitência com vários anos de prova dada.
Perdoa-me, amigo. Mas não confirmo nem desminto...


De Rui Vasco Neto a 7 de Julho de 2011 às 00:15
caríssimos,
ora vamos por partes como é costume, que dizem? nada, claro, por isso sigamos:

Pê,
a vida é feita de sirpresas, natural é o iogurte.

perna de pau,
fico feliz por conhecer as tuas preferências, (literárias, entendamo-nos) e logo nas primeiras palavras identifico um dos meus autores de eleição, imperdoável esquecimento na minha resposta: Dostoiévski, caramba, como deixar passar o inesquecível fedor de Crime e Castigo, O Jogador e, meu preferido, O Idiota, brilhante!
mas pronto, voltando às tuas escolhas fico um nadita preocupado com essa tua recente relação de amor ódio com o Murakami e o seu carneiro selvagem... não é por nada, mas... e gajas, já pensaste nisso?

Sol,
julgo que a maior parte das suas perguntas já terão tido resposta entretanto... de forma que ordens não há (não poderia haver, de resto), quando lhe der na bolha encontrará decerto o tempo e o espírito para despachar aquelas perguntitas que para si são palitos la reine, aposto, uma chavenita de chá e zás - está feito!

HG,
A Mãe do Gorki é dose, dizem... não tive o prazer, enfim. Mas leu esse e gosta do Memorial, para mim está decidido: é o meu herói! :-))

caríssimo barbeiro,
tesourada correta como sempre, irrepreensível no trato. O desabafo em post scriptum toca no ponto, não só me identifico como já senti o mesmo em convites anteriores... desta vez aconteceu com uma naturalidade inesperada, não só me chegou através de uma daquelas pessoas a quem por princípio não digo não como ainda apareceu quando eu estou a retomar a bloga, ainda sem ritmo, ainda a recomeçar. Só tenho a agradecer o facto de mesmo com as condicionantes expostas, o grito ter sido 'presente' - e isso, meu amigo, isso é que diz tudo.
grande abraço

sinhã,
espero ter ficado bem na radio, estou que nem posso com a ansiedade...

sharky,
nada a perdoar, old friend. As palavras que deixei ao Luís já o disseram: compreendo perfeitamente. E mais, a obrigação não existe, o que existem é mais marés, isso sim. E a gente cá anda, certo?
toma lá abraço, tubas

meus senhores:
disse.
obrigadinho geral.




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