Terça-feira, 12 de Julho de 2011
Hoje, meu amor
Terça-feira, 12 Jul, 2011

Tenho (tive sempre) uma predilecção especial por este poema, que escrevi há mais de vinte anos para um instrumental de guitarra portuguesa da autoria do meu amigo Paulo Jorge Santos, guitarrista de eleição e meu co-autor neste tema que viria a fazer parte do CD 'Vidas', editado pela Ovação em 2004 e gravado com a participação à viola de outro grande amigo e instrumentista de topo, o meu queridíssimo Carlos Manuel Proença.

Deixo-vos as palavras, para saborear.

 

 

 

Hoje, meu amor, esquece o meu nome

não me esperes mais que eu vou para a rua

fugir de mim, beber, gritar à Lua

brincar de faz-de-conta até poder

 

Hoje eu digo a todos os meus medos

que em noites de festa eu sou perfeito

e deixo em casa as mágoas e os segredos

que pesam toneladas no meu peito

 

Sinto um recado no ar:

«que os ventos da loucura te protejam,

que os sonhos sejam sonhos que se vejam,

que vidas pequeninas temos nós!»

 

Sigo a voz que sopra aos meus ouvidos

os mais belos versos que há memória

e deixo-me ir no embalo dos sentidos

sonhar dias de sol, noites de glória.

 

Sempre iguais os dias continuam

mal acaba a noite lá vou eu

dizer-te que a manhã escondeu a Lua

e a voz dos versos desapareceu

o sonho que eu sonhava amanheceu

e a minha fantasia adormeceu.



publicado por Rui Vasco Neto
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Comentários:
De podia deixar o nome a 12 de Julho de 2011 às 22:12
Belo poema, da incompleitude, digo eu... por isso digo que a ressureição é possivel, apenas aos mortais, os outros (deuses) são imortais e por isso incapazes de ressuscitar.
Um abraço. Até amanhã


De sarrabal a 12 de Julho de 2011 às 22:38
Rui, há uns tempos atrás estive para publicar no meu blog este poema. Coincidências? Não, naturalmente. Mas pelo poema ser um bom poema, ao seu jeito, Rui, ao seu estilo muito pessoal. Num dos meus últimos comentários ao poema «É só Rir», dizia-lhe para «investir» nesta sua inegável veia poética. Ainda bem que o faz. Por si, como autor, e por todos nós os seus leitores - especialmente por mim (sou egoista!), que fico toda vaidosa!

Beijinho da Sol


De maria a 12 de Julho de 2011 às 22:49
Pronto, lá vou colocar o CD na aparelhagem para o ouvir...
Obrigada, Rui.


De Gago da banza a 13 de Julho de 2011 às 01:21
Que aflição senti, quando SÓ(!) ao fim de ler o terceiro verso reconheci o autor do poema!
Será que ainda me recordo da introdução que fazia na guitarra quando te acompanhava neste fado?
Será que me lembro ainda da tua expressão quando cantavas este poema?
Há tantas coisas que eu queria que o tempo não me fizesse esquecer...
Volta... Estás perdoado!
Abraço açoriano.


De apeteceu-me a 13 de Julho de 2011 às 02:04
Ler isto assim é como regressar à terra que se deixou há muitos anos e conseguir ver só a beleza da paisagem.


De mifá a 13 de Julho de 2011 às 17:49
Poi, caríssimo, "nem sempre o sonho é coisa vã", como dizia o Santo Antero.
E, a prová-lo, está este belíssimo poema com que hoje nos brindas.E, deixa-te lá de tretas, porque a madrugada pode por termo ao sonho, como actividade onírica, mas não à fantasia.
Toma lá uma beijoca e, se continuares a tirar mais vezes a máscara, levarás mais.
Pois também aí vai de prendinha para ti este improviso em mi e em fá menores.

Mote próprio

Pelas asas, abrigada,
Da noite escura de breu,
Soltei a alma algemada
E o sonho aconteceu.

Voltas

Compus cantares de amigo
Fui D. Dinis trovador
E, galopando comigo,
No meu corsel, meu amor,
Percorremos o pinhal,
Das nossas naus embrião.

Fui corsário, cruzei mares,
Fui Mendes Pinto, Fernão,
Tive sorte, tive azares,
Mas ficar aquém é que não,
Que só passa além da dor
Quem passar o Bojador.

Soberbas naus comandei,
Em busca de novos mundos,
Com o Mostrengo lutei
Nos recantos mais profundos.
E, ao grito da largada,
Passados anos sem par,
Sucedeu-se o da chegada.

Fui Bandarra visionário,
Um Quinto Império previ.
Fui Vieira, missionário,
E aos índios prometi,
Acabar co` a escravatura,
Como coisa anti natura,
Mesmo contra a Inquisição.

E, enquanto eu me sonhava
Cavaleiro do Santo Graal,
A madrugada rompia.
O sonho, esse acabava
Mas já não a fantasia
De me chamar Portugal.

mifá

("Pelo sonho é que vamos", Sebastião da Gama.)









De sinhã a 13 de Julho de 2011 às 19:34
tão lindo. de fazer corar a lua. parabéns.:-)


De Pearl a 17 de Julho de 2011 às 02:26
Gosto muito do poema. Infelizmente não me posso pronunciar sobre a voz... mas gostava...


De Laura Ramos a 20 de Julho de 2011 às 01:52
Link, precisa-se! ;)


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