Quarta-feira, 27 de Julho de 2011
O que diz o senhor da fotografia
Quarta-feira, 27 Jul, 2011

 

Este senhor da fotografia é Mario Borghezio, um eurodeputado eleito pela Liga Norte, partido aliado de Silvio Berlusconi, que hoje disse simpatizar com algumas das ideias do terrorista norueguês Anders Breivik, em declarações feitas a uma rádio italiana. "Algumas das ideias que exprime são boas, retirando a violência, e algumas delas são excelentes", afirmou. Assim como quem diz que gosta muito de pastéis de bacalhau, retirando o bacalhau, naturalmente. Ou de gemadas, retirando os ovos, claro.

 

A acreditar no senhor da fotografia ficará tudo muito bom, talvez excelente. Eu não sei, será questão de gosto mas dou por mim a achar que o senhor da fotografia ficou muito mal na fotografia quando abriu a boca para a opinião alarve. Para a opinião que é alarve na minha opinião, atenção, haverá quem ache que sim, haverá quem ache que não... e bastaria embalar um nadita no raciocínio e de repente todo o episódio se deixaria resumir a este opinar desconforme, apenas mais um diz-que-disse da política partidária, por acaso italiana. Podia ser assim. E assim será sem dúvida para todos aqueles que vão depreciar o desconchavo de Mario Borghezio e arrumar rapidamente o episódio na folha do esquecimento, por conveniência política, má fé ou estupidez. "Algumas das ideias que exprime são boas, retirando a violência, e algumas delas são excelentes"? Vale o que vale, apenas mais um sound byte entre tantos outros, nada mais. Nada mais?

 

Podia ser assim, de facto, podia ser só isto e nada mais, e tudo na vida podia ser bonito e cor de rosa como seria o mundo de Alice sem a Rainha de Copas. Podia, mas não é. E só o facto do senhor Borghezio ter posto Anders Breivik na fotografia e ainda ter oferecido um enquadramento político-aceitável para as opiniões expressas no seu manifesto parece-me deveras preocupante, confesso. Em termos sociais, se é que me faço entender. Não por consequência factual imediata, que imagino nula ou quase... e o senhor Borghezio parece-me perfeitamente capaz de dizer mais disparates que façam esquecer este em particular, também por aí não vejo problema de maior. Onde eu vejo problema sério é num eventual efeito de libertação prolongada que esta afirmação possa ter para emprestar uma falsa decência ao acordo tácito de políticos em aceitar um diálogo político que traga de reserva um recurso à bomba, opcional e condenado apenas em princípio. Mas aceite, enfim. Publicitar simpatia pessoal e concordância ideológica com as opiniões de Anders Breivik, mesmo numa utópica versão não violenta, é introduzir na opinião pública aquilo que pode soar como oferta de legitimidade e aceitação aos ouvidos de todos os potenciais Anders Breivik deste mundo louco em que vivemos, conforme prova a primeira página de qualquer jornal norueguês dos últimos dias. E é isso que me parece grave no dislate proferido por este Mario Borghezio, o senhor eurodeputado e retratado imbecil desta fotografia. Só isso, nada mais.



publicado por Rui Vasco Neto
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