Sábado, 31 de Maio de 2008
Rehab Amy, the Wine House
Sábado, 31 Mai, 2008

Ontem, Amy Winehouse deu show no Rock in Rio/Lisboa. Deu o show que se esperava, cumpriu as expectativas e contentou uma multidão ululante de noventa mil espectadores que se deslocaram à Belavista para a ver e ouvir (!?!). Foi bom, foi bem, foi espectáculo? Foi Amy, ela própria, mais do mesmo para quem já conhecia, uma novidade sem novidade para aqueles que apenas ontem a conheceram. No geral, eu diria que foi triste.

Por todas as razões que me escuso a explicar e por todas as outras que não deveriam ter necessidade de explicação, reproduzo aqui o texto que escrevi na noite em que Amy Winehouse venceu cinco Grammys em Los Angeles (quer dizer, em Los Angeles estavam os Grammys e a cerimónia de entrega dos ditos, que Amy, essa, estava em, Londres, proibida de entrar na América pelas autoridades). Porque é que escolhi o dia de hoje para reproduzir este texto? Ora, deixem-se disso. A prosa chama-se 'Rehab Amy, the Wine House'. E estão lá todas as respostas.

 

 

Amy Winehouse foi a grande vencedora da noite dos Grammys, ontem em Los Angeles. Cinco, nada menos. O pior que lhe podia acontecer, digo eu. Amy tinha recebido seis indicações para os Grammy 2008, incluindo as quatro principais (Revelação do Ano, Álbum do Ano, Gravação do Ano e Música do Ano). Ganhou cinco estatuetas, saboreadas pela televisão já que não pôde recebê-las pessoalmente. O governo dos EUA negou visto à artista para cantar no Staples Center, sede da 50ª edição dos Grammys, atendendo aos escândalos habituais na rapariga. A pedido dos organizadores, Winehouse só poderia cantar numa performance televisiva em directo de Londres, onde mora e cumpre seus tratamentos anti-drogas. E assim foi.

Foi assim que uma perturbada garota de 24 anos acabou ontem premiada com cinco dos mais importantes galardões do show business mundial, numa noite que qualquer deslumbrado acha o sonho de uma vida. Mas que eu receio ter sido a pior coisa que poderia ter ocorrido à pessoa que veste o boneco de Amy, agora levada em ombros a ocupar uma residência no condomínio dos deuses, mas sem a mais que improvável lucidez que lhe diga ao ouvido (muitas vezes por hora, minuto, segundo) que se trata apenas de uma cedência de espaço, um aluguer caro, não uma compra definitiva de lugar vitalício. Que é preciso batalhar pelo lugar, dar mais e melhor de si a cada momento. Ou será o mesmo público que hoje lhe paga a renda a despejá-a na rua de todas as amarguras: o beco do arrependimento.

Aos ouvidos de Amy sopram agora as mesmas vozes que sempre se encontram ao redor de um vencedor, os que dizem só o que sabem ser do agrado de quem ouve, sem risco de contraditório. Take it for granted, dir-lhe-ão. E ela vai gostar de ouvir, pelo que if they want to send me for rehab I'll say no, no, no. Em volta de uma Amy já em desequilíbrio estão agora os pesos mortos, rapaziada do elogio, pessoal da lingua no coiso, mestres da graxa e sugadores de luxo em qualquer palhinha que se ponha a jeito. O peso de todos, num equilíbrio já de si precário, fará cair o chão e desabar o tecto do sucesso. Depois pôr-se-ão a milhas. E só na solidão do abandono das sanguessugas e dos cínicos, dos lacaios e dos bobos, dos falsos e dos merdas, é que Amy Winehouse vai encontrar um dia o seu caminho da glória. Ou não, quem sabe fica pelo caminho, como tantos outros fenómenos que não se souberam gerir enquanto tal. Que só deram pelo valor do seu talento quando já toda a gente tinha secado as lágrimas por este se ter suicidado. Será uma pena se assim for também com esta garota, pouco mais, brinquedo nas mãos das bruxas que batem palmas ao petisco da rentável novidade. E que querem tanto rehab como ela, alucinada. Amy Winehouse sem drogas? Podia até ser engraçado, mas não vendia. Amy é mais que a pessoa que canta, é o boneco escandaloso que pisca o olho à moda, que é quem paga as contas. Do encanto do espectáculo faz parte a sua própria degradação, que o público paga para ver como quem vai ao circo ver o leão comer o prior, neste moderno freak-show global.

Amy Winehouse é um fenómeno da pop, uma genuína alma de artista perdida numa embalagem de sofrimento e desespero. Uma voz de timbre único, uma sensibilidade selvagem e um ritmo original, próprio, inventado, criado, seu de berço. Uma eleita, inocente dessa culpa. O que ela tem que a faz genial ela não domina, não compreende, não vê e não valoriza. Para ela, tal como está, a felicidade ainda mora no nevoeiro e o amanhã não existe. Aos 24 anos, Amy segue em rota de colisão com o seu próprio futuro, embalada na asneira por não conseguir chegar com o pé ao travão da maturidade. A noite de ontem, ao carregá-la com mais cinco pesos de estrelato, só chamou mais gente para ajudar a empurrar a tragédia. Só deu velocidade ao inevitável, suspeito. Porque o espectáculo, esse, tem que continuar sempre, custe o que custar. E custe quem custar no caminho.

 



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Um palhaço de Deus
Sábado, 31 Mai, 2008

O meu amigo Daniel de Sá está enfatuado. Sim, é factual, está enfatuado. Estou evidentemente a adjectivar a partir do termo 'enfatuated', que eu sempre achei uma graça exactamente pelo aparente paradoxo semântico que carrega. Mas não estou a fazê-lo à toa, tenho cá as minhas razões para o que digo. Ora vejam. «Meu caro, se o texto abaixo te parecer que merece publicação, cedo-to com muito gosto. Aliás, escrevi-o especialmente para o nosso Sete Vidas.Vai também uma foto da moça, vestida de palhaço, ela de certeza não se oporá. Isto é surpresa que eu quero fazer-lhe.» Junta-lhe «Um abraço» e manda com o texto que se segue e que eu li, como os senhores vão ler. E vão perceber, como eu percebi, que ele não está apaixonado, babado, alvoraçado, encorajado, nada de nado: ele está é enfatuado, isso sim. E eu, fã incondicional das almas gentis neste mundo ogre e egoísta, não só percebo como dou a minha benção. E passo a publicar.

 
Em baixo: "Um palhaço de Deus"
Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

 

A Cristina é uma amiga brasileira que diz que me ama. Mas calma aí, os brasileiros usam com muito menos restrições do que nós este verbo, pois a nossa tradição secular de marialvismo faz-nos pensar no amor como sendo sempre de perdição, Camilo e Ana Plácido, Simão e Teresa. Ela ama também as personagens dos meus romances, e sofre com elas. E briga comigo se não salvo um condenado de Auschwitz ou se não caso um pastor com a sua pastora. E ama os leprosos, os drogados, os sem abrigo, para que sofram um pouco menos. É capaz de se vestir e pintar de palhaço para os fazer sorrir. Entre os leprosos, há quem tenha sido levado aos vinte anos, à força, porque uma mancha suspeita lhe apareceu no corpo. Há quem tenha estado escondido no mato, para não ser caçado como um cão vadio. Há quem tenha ido para esse desterro definitivo por uma alteração da pele que nada tinha que ver com a doença maldita. Há quem se tenha casado na leprosaria e tido filhos que nunca mais pôde tocar, só de vez em quando os vendo de longe. E mesmo assim conseguem ser felizes...

 

Um dos leprosos que a Cristina ama muito é “cadeirante”, palavra suave para dizer que está amarrado a uma cadeira de rodas. Chama-se João e é doente mental. Pelo Natal, desejou um rádio, e a Cristina ofereceu-lhe um. Mas o que ele mais queria era ver as luzes, principalmente as da Avenida Beira Mar. Ela quis levá-lo no seu carro a passear pela cidade, mas não lhe deram autorização para isso. Então resolveu levar as luzes até ele. A Cristina contou-me isto assim: “Levei um monte de pisca- pisca, decorei um quarto e o levei para ver as luzes e ao abrir a porta ele falou: É uma reunião de vagalumes.”

Quando a Cristina está triste, porque não consegue ser palhaço de si mesma, vai até à Avenida Beira Mar e pensa que aquilo bastaria para fazer o João feliz.

 



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Bom dia. Hoje eu gosto é dos gajos do norte, carago!
Sábado, 31 Mai, 2008

«"Vou mostrar logo à noite [quando forem conhecidos os resultados] como sou diferente dessa canalha que me fez a vida negra, que não tem carácter", disse, adiantando que o grupo a que se referia inclui "pessoas como aquele senhor de barbas que participa na Quadratura do Círculo", numa alusão a Pacheco Pereira, apoiante de Manuela Ferreira Leite e um dos mais ferozes críticos da presidência do autarca de Gaia. Questionado pelos jornalistas hoje de manhã em Gaia após votar nas directas do PSD, Menezes afirmou que respeitará "os resultados [das directas] sejam eles quais forem". A propósito, criticou os "tristes, infelizes e barbaramente obcecados" que quando foi ele eleito para a presidência do partido não tiveram a mesma atitude. "Não pertenço a essa laia", salientou.»

 



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Quinta-feira, 29 de Maio de 2008
"Oh!, sim, eu vivo em Portugal!"
Quinta-feira, 29 Mai, 2008

Não sou eu, juro, é este meu lado criativo que é irrequieto, metediço, um chato de primeira. E depois também acho um verdadeiro desperdício não aproveitar este símbolo para uma nova e grande campanha institucional, na linha do 'Vá para fora cá dentro' (uma frase, de resto, que tem neste símbolo uma ilustração, a bem dizer, assim a atirar para o literal, digo eu...adiante). Pois eu vejo já as linhas de fundo (ui!) da campanha. Para começar, o jargão, a legenda, o mote, a inspiração de milhões. E aí eu acho que não existe a mínima dissonância no essencial, estamos todos seguramente de acordo que este símbolo ilustra na perfeição a realidade do cidadão nacional na questão dos combustíveis. Certo? Esta imagem diz bem e diz quase tudo da profunda (cada vez mais profunda) satisfação que nos invade a todos, a cada nova aurora neste nosso Portugal dos pequeninos mas ladinos, pelo maravilhoso privilégio que nos é dado usufruir de poder viver neste país  -  pagando, evidentemente. Por tudo isto e mais, muito mais, eu cá resumiria a campanha nestas duas componentes, a imagem (forte, potente, explícita) e este chavão, que diz tudo, no qual todos os portugueses nesta altura se revêem com certeza:

"Oh, sim, eu vivo em Portugal!".

 



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Bom dia. Hoje eu tenho um novo símbolo para as gasolineiras.
Quinta-feira, 29 Mai, 2008

 



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Quarta-feira, 28 de Maio de 2008
O golpe da asa
Quarta-feira, 28 Mai, 2008

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


(imagem pilhada daqui)

 



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Os burros do costume
Quarta-feira, 28 Mai, 2008

Não, a ideia já não é inédita, longe disso. A notícia é que é de hoje, isso sim: 'Aumento dos combustíveis motiva protesto com burro', conta o JN. Aliás, se bem se recordam, nestas coisas de protestos, seja contra o aumento dos combustíveis, portagens, preços dos bens essenciais ou mesmo um barulho generalizado contra as políticas governamentais, o recurso aos burros está em vias de se tornar uma táctica relativamente comum. É verdade sim senhor. Talvez mesmo algo vulgarizada, até, por força do baixo custo deste tipo de protesto, normalmente disponível sem dificuldades de maior, bem como do impacto visual da imagem, sempre ao gosto dos meios de comunicação que não regateiam um maior destaque editorial sempre que há burros pelo meio para fotografar.

 

Talvez por isso esta nova polémica com burros, combustíveis, burros, protestos e burros me tenha feito recordar um algarvio castiço que, aqui há uns anos atrás, (no consulado Guterres, se não estou em erro) veio do algarve a Lisboa, montado no seu burro e acompanhado quase passo a passo pelas equipas de reportagem de tudo quanto era meio de comunicação social, numa cobertura em directo do grande acontecimento, tudo com a alegada intenção de ver o primeiro ministro que nesse dia, por acaso, estava exactamente ... no Algarve. Mas nem por isso o sr. João se atrapalhou, que os objectivos da viagem foram largamente alcançados com a publicidade conseguida pelo seu burro.

 

Só que hoje, mais de dez anos passados sobre essa iniciativa ao tempo original, o que nos é dado constatar não é brilhante, convenhamos. Governos passaram, políticas e políticos mudaram, uma nova geração de portugueses cresceu e dá hoje as cartas no grande jogo da sobrevivência diária deste país que somos. Mas a fotografia da nossa insatisfação, a grande imagem do protesto deste Portugal cansado de lutar pelos seus direitos, o retrato dessa enorme frustração de nós todos, esse não mudou passados todos estes anos, todos estes políticos e todos estes governos. Continuamos iguais a nós próprios, nesse particular. Na hora do protesto, na hora da verdade, é certo que só aparecem os mesmos, os de sempre, dizendo o mesmo, o de sempre, para acabar tudo na mesma, como sempre, protesto atrás de protesto, burro atrás de burro. Para mim não tem dúvida, nestas alturas: somos mesmo os burros do costume.



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Bom dia. Hoje continua a injustiça, a desigualdade e a impunidade.
Quarta-feira, 28 Mai, 2008

 

 

«Violência sobre as mulheres e brutalidade policial mantêm o nome de Portugal no relatório anual da Amnistia Internacional, publicado esta quarta-feira. 60 anos depois da adopção da Declaração Universal dos Direitos Humanos, "injustiça, desigualdade e impunidade" são os adjectivos com que a organização britânica retrata o mundo.»



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Terça-feira, 27 de Maio de 2008
O Sodomita
Terça-feira, 27 Mai, 2008

Excelente exemplo do talento do cartoonista Henrique Monteiro, cujo trabalho pode ser apreciado aqui, onde fui sacar este cartoon a que o Henrique chamou 'O Sodomita'. Uma publicação que é uma estreia aqui no 7Vidas, com a merecida vénia e os meus agradecimentos, naturalmente. Mais o aplauso de todos nós.



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O costume: gajas!
Terça-feira, 27 Mai, 2008

«Otava, 26 Mai (Lusa) - O ministro canadiano dos Negócios Estrangeiros, Maxime Bernier, demitiu-se, depois de ter deixado num local sem segurança um documento secreto, anunciou segunda-feira à noite, o primeiro-ministro, Stephen Harper.

O chefe do governo disse ter aceite a demissão de Bernier, que nas últimas semanas, gerara uma forte polémica depois de ser divulgado que a sua ex-namorada tivera anteriormente relações com homens ligados ao crime organizado.»



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Bom dia. Hoje eu aprendi que o Mónaco é uma República.
Terça-feira, 27 Mai, 2008

«Mónaco, 26 Mai (Lusa) - Os casinos do Principado do Mónaco vão ser vedados a fumadores, a partir de Novembro, segundo a lei anti-tabaco hoje divulgada. A lei "relativa à protecção contra o tabagismo", votado no final de Abril pelo Conselho Nacional do Mónaco (parlamento), foi publicada sexta-feira no Diário da República do Principado, e colocada on-line hoje.

"Ninguém pode fumar nos locais fechados ou cobertos destinados a uma utilização colectiva ou que constituam um local de trabalho, assim como nos recintos dos estabelecimentos destinados a acolher menores de idade", prevê o texto que entrará em vigor no "primeiro dia do sexto mês seguinte à publicação no Diário da República do Mónaco", ou seja em Novembro.»



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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008
A América. Tudo em grande, sempre.
Segunda-feira, 26 Mai, 2008


«Tempestade no Iowa faz sete mortos e dezenas de feridos. Um funcionário estatal informou que a forte tempestade que assolou no domingo o Nordeste rural do Iowa, Estados Unidos, fez sete mortos e dezenas de feridos. A tempestade desencadeou-se a meio da tarde de domingo e a localidade de Parkersburg, com mil habitantes, a 130 quilómetros a nordeste da capital do Iowa, Des Moines, foi a mais severamente atingida por um tornado.»



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Bom dia. Hoje eu dou o meu passinho, amanhã dás tu o teu.
Segunda-feira, 26 Mai, 2008

«O governo e a Frente Sindical da Administração Pública aproximaram hoje posições acerca da transição para o novo regime de carreiras e remunerações da função pública e admitem a possibilidade de conseguir um acordo na terça-feira.»

 

 



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Domingo, 25 de Maio de 2008
Peggy Sue casou-se, ontem à noite. Eu fui.
Domingo, 25 Mai, 2008

Peggy Sue casou-se, ontem à noite. Lembram-se do filme? Katheleen Turner era Peggy, Nicolas Cage o seu par, o impagável Charlie. E depois havia os outros, os eles e as elas coleguinhas de liceu e amigos de sempre, visitados pelo enredo da história em dois tempos, dois estádios das suas vidas com um hiato de trinta anos a separar um, o tempo do liceu, a juventude dos sonhos e de todas as expectativas, do outro, o tempo presente, a realidade de cada um dos personagens depois de crescidos, casados, com filhos, empregos, responsabilidades. Vidas passadas em vez de vidas em aberto. Pois Peggy Sue casou-se, ontem à noite. Quase trinta anos passados sobre o dia da minha última aula no Liceu Camões, alguns dos que comigo estavam nessa sala, nesse tempo e nesse dia, referências únicas de uma idade que fui, juntaram-se ontem para um jantar comemorativo do assinalável facto de estarmos todos vivos, um hábito ritualizado por este grupo nos últimos treze anos. Exactamente, treze anos, vinte e oito jantares : hardly a joke! Ontem fui convidado e aceitei. Assim, Peggy Sue casou-se, ontem à noite. E eu lá dei por mim, a assistir a tudo e a ser quem fui (por vários e doces instantes) sem deixar de ser quem sou por um instante que fosse, god forbid. Está bem feito, isto.

 

A noite aconteceu como se tudo se passasse no aconchego de um filme de nós, na segurança do registo em película, esse protector temporal, e com uma banda sonora de época, perfeita, síncrona, característica. Um por um os meus personagens traziam memórias, episódios, importantes pedaços da minha vida, presos por laços de incontáveis histórias minhas em comum com cada um dos que ali estavam, a enfeitar a lapela das suas jaquetas de época, todos iguais, todos diferentes, a farda que nunca tivemos.

 

É certo que uns foram mais significativos que outros, ao tempo, na vida do rapaz que eu era, como é natural. Tiveram mais peso na minha própria formação, teremos sido mais amigos, talvez. A adolescência é feita disso mesmo, amigos para sempre sim, mas à vez. E nos entretantos aquela pureza, irrecuperável, da entrega total e incondicional do nosso 'eu' juvenil àquele que nos ouvia e entendia, sonhos incluídos, claro, que essa era a primeira partilha obrigatória, sem a qual nada nos nossos dias faria sentido. Hoje, olhando um por um os rostos que faziam o meu sorriso há trinta anos atrás, procuro neles para além da patine dos anos, para lá da tensão do momento, leio-lhes nos olhos como eles nos meus, adivinhamo-nos uns aos outros no mais imperceptível da linguagem corporal, nas inflexões pontuais, nas interrogações mudas que já trazem resposta dada e nos sorrisos que dizem tudo o que há para dizer. No saber de nós, o essencial de cada um, uns sobre os outros, um conhecimento que trazemos aprendido desde que aprender era tudo o que fazíamos na vida. E bem. 

 

Durou umas horitas, aquele jantar. Está a durar um pouco mais, esta minha viagem ao passado na boleia vertiginosa deste escorrega da memória. Ando perdido por mil nove e carqueja, persigo a juventude como um louco, vivo em Lisboa, a vida está cara, fumo às escondidas e namoro o que posso. Ou seja: se não fossem os cabelos brancos, os meus e os deles, as costas que me doem, o disparate de vida que esbanjei e mais uns dois ou dez pormenores, eu cá dizia que praticamente não mudou nada nestes trinta anos. Quase nada, mesmo. Nadinha, nadinha.



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Sábado, 24 de Maio de 2008
Bom dia. Hoje eu vejo solta a besta do ódio e da maldade humana.
Sábado, 24 Mai, 2008

«A polícia deteve 19 pessoas por suposta implicação na morte de 11 camponeses acusados de bruxaria e queimados vivos terça-feira por uma multidão encolerizada numa aldeia do Quénia. A calma já regressou à região, habitada sobretudo por membros da etnia Kisii e situada a cerca de 300 quilómetros a noroeste de Nairobi. "Dezanove pessoas foram detidos e estão a ser interrogadas, mas prossegue a busca por mais suspeitos", declarou um porta-voz da polícia queniana, Charles Owino. 

 

Pelo menos 11 pessoas, na sua maioria mulheres com idades entre o 70 e 90 anos, foram queimadas vivas terça-feira à noite na aldeia de Nyakeo por uma centena de pessoas, que as manietaram antes de as queimarem numa fogueira. Um balanço feito por um responsável local e pelos habitantes da aldeia de Nyakeo diz por outro lado que 15 mulheres foram queimadas vivas. Dezenas de pessoas suspeitas de bruxaria foram mortas no nordeste do Quénia na última década, face a rumores de que pessoas se tornavam canibais, surdos, mudos ou mortos-vivos devido a feitiços nesta região reputada de "zona de feiticeiros".»

 



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Sexta-feira, 23 de Maio de 2008
As contas do Estado, ou uma imagem que vale mil palavras?
Sexta-feira, 23 Mai, 2008

(imagem sacada daqui, com os meus agradecimentos)

 



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Aspirina anti-tabágica
Sexta-feira, 23 Mai, 2008

É um dos problemas do tabaco: o diacho do cheiro a fumo demora a desaparecer que é uma coisa séria. Veja-se o caso da cigarrada intercontinental do nosso primeiro, cuja fumarada ainda não dispersou de vez, como prova esta troca de ideias que vai correndo por aqui, no AspirinaB, ainda com pano para mangas, espera-se, como é marca registada da casa.

 

Pelo meu lado demorei um pouquito, sim, mas ontem lá fui deixar a minha modesta contribuição, sendo certo que vou levar nas orelhas na primeira oportunidade, tão certo como ser proibido fumar nos aviões para quem não seja pelo menos Secretário de Estado deste governo. Por isso vou esperar sentado e preparado para o pior: Deus perdoa, valupi não. Verdadeiramente imperdível, aqui.



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Há coisas tão bem ditas que eu nem lhes mexo
Sexta-feira, 23 Mai, 2008

«Na 2.ª-feira, Barack Obama recebeu o apoio do senador pela Virgínia Ocidental Robert C. Byrd, de 91 anos. Este não é um senador qualquer, e não só por ter o mais longo mandato da história do Senado americano, para onde foi eleito há 49 anos. Na sua juventude, Byrd foi membro da Ku-Klux-Klan. Já como eleito político, combateu a integração dos negros no exército ("nunca combaterei com um negro ao meu lado", disse, então). E, no Senado, votou contra as leis dos Direitos Cívicos. Agora, ele apoia Obama. O senador Robert C. Byrd é a imagem de uma coisa que é certa na América: esta é feita de mudança.»

(Ferreira Fernandes, in DN)



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Bom dia. Hoje eu sigo viagem, naturalmente
Sexta-feira, 23 Mai, 2008

(imagem sacada daqui)



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Quinta-feira, 22 de Maio de 2008
A História é feita de pequenos nadas. Que dizem pequenos nadas.
Quinta-feira, 22 Mai, 2008

(imagem sacada daqui)



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Bom dia. Hoje eu não acho que seja um bom dia.
Quinta-feira, 22 Mai, 2008

«Morreu jovem baleado esta noite no Bairro Alto. Um rapaz de 20 anos foi baleado esta madrugada na sequência de desacatos no Bairro Alto, em Lisboa. O jovem acabou por morrer esta manhã no Hospital de São José onde deu entrada com ferimentos graves»



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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008
E as tubaroas, terão Ponto G?
Quarta-feira, 21 Mai, 2008

Ah, meus amigos! É destino de artista que se preze ter inspiração assegurada na sua musa, mais do que uma, até, em muitos e muitos casos (que a beleza não se esgota num conceito singular, nem a paixão, farto-me de lhes tentar explicar, mas pronto..).

 

Pois eu cá sinto-me agora duplamente abençoado nesse particular, digamos que novos horizontes se abriram às minhas pesquisas internéticas, trazendo para a minha modesta bibliografia novas e significativas aquisições. Tenho a minha musa mais ou menos fixa, é certo, e mais não digo para esse lado que é meu e só meu e assim vai ficar. Tenho uma musa e pronto. E tenho uma tusa, também, quer dizer, tenho mas não é minha, só uso de vez em quando. Isso, uma tusa, mas essa parte eu faço até questão de explicar e tudo muito bem explicadinho, por causa das confusões. Vamos lá então.

 

Ora acontece que já desde a história do 'coisinho'  que eu sei da vocação temática do meu amigo Shark para aquilo que os borboletos fazem com as borboletas, 'o velho mete-e-tira' na versão Alex da Laranja Mecânica de Kubrick, os senhores alembram-se? Pois bem, isto equivale a dizer que tenho perfeita consciência do quanto posso aprender se estiver atento e com os olhos bem abertos (embora um ou outro prudentemente encostado a uma parede, neste ou naquele caso, mas enfim, adiante) dizia eu que descobri um verdadeiro manancial de dicas úteis na postagem diária do 'Charquinho', esse antro de informação variada que eu visito já com regularidade de compincha. Assim, e na linha do 'coisinho', salvo seja, mas ainda mais elaborado e completo, saiu agora este post, com o sugestivo título 'Tudo sobre o ponto G: até nos fizeram um desenho...' e acompanhado do precioso link para a não menos preciosa página intitulada 'Female Orgasm Secrets', (que eu recomendo estritamente por razões de cultura geral) onde vem então bem explicadinho 'O ABC do ponto G', entre outros segredos do universo orgástico dessa traquinice divina que, depois de custar numa costela ao pobre e incauto Adão, nunca mais parou de comer as papas na cabeça da sua descendência masculina, passe a expressão, evidentemente.

 

É a isto que se chama a tusa da musa, em termos de inspiração blogueira (e se não era, passou a ser agora mesmo). E tudo graças ao intrépido tubarão que cruza vigilante as águas do seu Charco, atento às últimas novidades do abecedário feminino. Ora digam lá os senhores se não é bela a natureza, e a fauna e a flora, a planta e até a becel, em certas alturas da vida. Digam lá o que quiserem, tudo o que quiserem, mas não digam que não os avisei sobre 'O ABC do ponto G', sobretudo quando continuarem a receber as mesmas reclamações de um rasto de mulheres infelizes e mal-amadas há c'anos e anos, tudo por não conseguirem atinar lá com o tal Gassunto por uma vez que seja, caramba! E mais: para que é que aquilo serve ou, sobretudo, onde raio é que aquilo fica (sim, que eu já ouvi um que garantia e teimava que o ponto G era no Brasil, algures entre a Bahia e o MatoGrosso, e não estou a brincar!) Por isso toca a agradecer a lembrança feliz ao tubarão e vá de ler e aprender tudo-tudo, para brilhar de surpresa, logo à noitinha, no aconchego do lar doce lar. Tudo sobre o ponto G, esse mistério maroto, aqui.



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O pirilau voador
Quarta-feira, 21 Mai, 2008

 

 



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Bom dia. Hoje é só rir com as aventuras de Calvin & Hobbles.
Quarta-feira, 21 Mai, 2008

«O deputado bloquista Francisco Louçã e o primeiro-ministro envolveram-se hoje num debate aceso sobre calvinismo, tendo como fundo o episódio do cigarro fumado por Sócrates no voo para a Venezuela. "Lá vêm eles, de forma calvinista, julgar os marotos que afinal ganham muito", disse Sócrates, que questionou a ideia de o Governo poder ser considerado "culpado" tanto da alta de juros como do preço do petróleo.

 

Na resposta, Francisco Louçã disse que não respondia por querer levar o debate para "o plano pessoal": "Fique com as suas brincadeiras. Eu não lhe respondo. Mas já agora assinalo que quem introduziu o calvinismo na vida política foi um primeiro-ministro que achou que devia fazer exibição política dos seus vícios e não vícios", assinalou. Francisco Louçã, que nunca falou no caso do cigarro de Sócrates no voo para a Venezuela, deu um conselho a Sócrates: "Use os seus vícios como quiser, como eu uso os meus. Isso não tem nada a ver com a política. Calvinismo é aquilo que o senhor fez."»



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Terça-feira, 20 de Maio de 2008
Hoje há conquilhas no Sapo e amanhã também.
Terça-feira, 20 Mai, 2008

Sendo mais um daqueles blogs de visita regular para mim, a passagem do 'Hoje há conquilhas" cá para a minha vizinhança é motivo de natural satisfação, claro que sim. Há por isso que actualizar o endereço desta capelinha obrigatória, antes de mais. Mas não posso deixar de salientar um interessante pormenor de mais esta mudança decerto co-preparada com a equipe blogs.Sapo: o novo template do 'Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos' está de um bom gosto a toda a prova. Confiram, por favor. Ou eu muito me engano ou aquilo está bonito, bonito. Pois é, o pessoal do Sapo hoje está a trabalhar muito bem mesmo. Amanhã não sabemos, claro.



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Pergunta: o PGR estaria a falar deste Portugal, ou seria de outro?
Terça-feira, 20 Mai, 2008

«Ninguém goza de impunidade em Portugal, seja no futebol, na banca ou nas autarquias. O Procurador-Geral da República advertiu hoje que ninguém goza de impunidade, discordou que haja uma Justiça para ricos e outra para pobres e admitiu que são crimes como os da noite do Porto que geram insegurança nos cidadãos.»



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Bom dia. Hoje eu quero ver o Assis dar a volta a mais esta.
Terça-feira, 20 Mai, 2008

«Os casinos vão ser obrigados a uma vigilância apertada da compra e venda de fichas pelos jogadores. Uma proposta que havia sido enviada pelo Governo para a Assembleia da República, ao abrigo da transposição de uma directiva europeia de combate ao branqueamento de capitais, permitia regras menos rígidas na identificação dos frequentadores das salas de jogo mais utilizadas dentro daqueles espaços, mas os deputados acabaram com essa diferenciação. A Associação Portuguesa de Casinos garante que vai haver um "cumprimento escrupuloso" da nova lei, apesar de implicar mais encargos.»



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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
Bom dia. Hoje eu garanto que foi a primeira vez...
Segunda-feira, 19 Mai, 2008

... que o meu Gastão me deixou na mão. É verdade, estou que nem posso! E danado com ele, claro, olha se não. Que diabo, pedi-lhe uma coisa tão simples, um favorzinho de nada, caramba! Só tinha que escrever duas ou três linhas para cada um dos dois dias em que eu estive ausente, nada mais. Nada de transcendente, não era preciso uma análise política à Mário Crespo quando era director de 'A Capital' , nem um daqueles primores literários que o Carlos Castro assina no '24Horas'; não era preciso tanto, bolas, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Apenas escrever uma meia dúzia de linhas sobre um tema da actualidade que lhe interessasse mais, nacional ou internacional, inteiramente à escolha dele, que eu nessas coisas até sou bastante liberal. E foi tudo o que lhe pedi.

 

Pois não escreveu uma palavra sequer, o pulha! Negou-se a dar-me uma pata quando era preciso, a mim, que sou mais que um pai para ele, quase dois pais, às vezes. Não se faz. E a mim custa-me a aceitar, que querem? Lá porque sou humano não quer dizer que não tenha sentimentos, pois não? Pronto. A coisa mais ou menos já passou, estamos só um pouco frios um com o outro. Ele, por exemplo, não disse uma palavra o dia todo, desde que eu lhe disse aquilo dos posts. São feitios, é o que é. Aquilo passa-lhe.

 

Enfim, foi o drama doméstico possível, o melhor que se pôde arranjar assim à pressa. Já devem ter percebido os senhores que este parlapié todo é uma espécie de desculpa de mau pagador para um fim de semana de lazeirice, certo? É que assim fico mais descansado, tudo está bem quando acaba bem. Siga a marinha, portanto. Gastão: volta, estás perdoado, que eu também já voltei, perdoado ou não. Já cá estou outra vez.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008
Bom dia. Hoje eu bato palmas à persistência deste homem.
Sexta-feira, 16 Mai, 2008

«A Metro do Porto vai ser alvo de uma penhora. A acção está marcada dia 28 deste mês. O valor dos bens a penhorar? Um euro... Precisamente a quantia que a empresa deve a um passageiro, Carlos Alves, desde Outubro de 2005. Há mais de dois anos e meio que a Metro foi condenada a pagar um euro, repondo a verba que o cliente tinha sido obrigado a desembolsar para substituir dois bilhetes (andante) que ficaram inutilizados sem razão aparente. Carlos Alves não se conformou, recorreu para os tribunais, e acabou por vencer a acção. Dois anos e meio depois de decretada, a sentença continua por cumprir.»



publicado por Rui Vasco Neto
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008
O meu lapso
Quinta-feira, 15 Mai, 2008

 

Fora de brincadeiras, longe de ironias. Factos apenas, nada de juizos. Falemos a sério, triste e lamentavelmente, que a situação assim o exige por mais que possa não parecer. Eu cá acho que é da maior importância ouvir e atentar nestas palavras do senhor Engenheiro José Sócrates, primeiro ministro de Portugal, e nelas procurar aquele timbre inconfundível da sinceridade, o plim da verdade verdadinha, a ver se lá está. O Manuel Melo é aquele xavalo que agora faz umas palhaçadas nas madrugadas da TVI com uma louraça muita boa que abana aqueles seiões lindos e generosos (que devem ser, digo eu, sei lá) só para o pessoal telefonar lá para o programa e fazer figuras tristes.

 

Recorde-se que a visita à Venezuela tem uma agenda de peso e importantes questões em cima da mesa das negociações empresariais. Como os vários acordos assinados entre a GALP e a PDVSA, a petrolífera venezuelana, que prevêem a importação de 4 milhões de barris de petróleo em 2009, por exemplo, ou a liquefacção e comercialização conjunta de gás, ou ainda a construção de quatro grandes parques eólicos, em significativas parcerias financeiras. Pois o Manuel Melo até parece que nem tinha fumado o cigarrinho inteiro, 'só duas ou três passas', fartou-se de jurar. Uma amiga dele é que sim, pronto, tinha ido fumar para a casa de banho do avião e agora estava ali armado um banzé dos diabos. E como o Manel era mais conhecido deu mais nas vistas, isto do pessoal da televisão já se sabe.

 

A questão da segurança da imensa comunidade portuguesa radicada no país de Hugo 'por qué no te callas' Chavez também é outro tema a merecer a particular atenção de José Sócrates e comitiva nesta visita, a par dos interesses comerciais, atendendo ao longo historial de violência e tragédia que há anos se vem abatendo sobre muitos dos nossos emigrantes em terras venezuelanas, dezenas, centenas de vidas ceifadas por mãos criminosas. O Manel Melo lá tentou dar a volta ao comandante, afinal era um grupo de actores e técnicos o que ali estava, a caminho do Brasil para gravações marcadas pela produção da TVI, era o trabalho todo que estava em jogo, ainda disse umas larachas para arrancar umas gargalhadas à tripulação e ao comandante... Mas foram todos recambiados de volta para Lisboa, no meio de uma escandaleira tal que a companhia aérea disse mesmo em conferência de imprensa que 'a atitude impensada dos dois actores pôs em risco a segurança da aeronave e de todos os que nela viajavam'.

 

O primeiro ministro José Sócrates já veio pedir desculpa ao país por ter sido apanhado a fumar no vooo para Caracas, como um qualquer Nunes num reveillon de Casino, como um qualquer Manel Melo no WC de um qualquer avião. Coitado, compreende-se. E eu próprio quero também pedir muita desculpa por ter talvez misturado neste texto duas situações que não têm nada a ver uma com a outra, não podem ter, só pode ter sido erro meu, pequeno lapso. É que nem elas nem eles se podem misturar, sequer, ora vejamos: afinal um rapaz que diz umas larachas na televisão é  uma coisa, um primeiro ministro de um país é outra bem diferente, mesmo que também diga umas larachas na televisão. Ou será que não é assim? Os comportamentos de um e do outro não têm comparação, não podem ter, seguramente. Ou será que podem e têm? Ná, não é possível, acabou-se. Foi definitivamente um erro, um pequeno lapso da minha parte, certamente. Aceitem pois os senhores as minhas desculpas. E não se fala mais nisso.



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Anda, fecha a janela e vem para dentro, quero falar contigo, vá...
Quinta-feira, 15 Mai, 2008



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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008
Bom dia. Hoje eu confesso que também achei estranha a cara dela
Quarta-feira, 14 Mai, 2008

«Uma mulher malaia acordou para um pesadelo real quando descobriu que o homem nu deitado ao seu lado não era o marido mas sim um ladrão, segundo um jornal local.»



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Terça-feira, 13 de Maio de 2008
Eu cortafitei. Eles cortafitam. Cortafitemos, pois.
Terça-feira, 13 Mai, 2008

Fofa. Fofinha, vermelha, de estadão. Um luxo do caraças, uma coisa de truz. Pisei-a decidido e com gosto, tentei saborear cada passo, empinei os ombros, rasguei o sorriso e fiz-me às fotos dos paparazzi. As miúdas, todas giras, olhavam-me como quem contempla um pastelinho de bacalhau (sim, confesso, tive algumas dúvidas em relação a esta imagem, mas...). Era o meu grande momento, a minha hora de glória, impunham-se umas palavrinhas, e eu até estava mesmo pronto a começar, mesmo... mesmo... quando acordei. Diacho, é sempre a mesma coisa! Acordei, que querem? Péssimo timming, eu sei. Enfim, o costume. Seria tudo um sonho? Tudo, tudo? Corri para o computador para dissipar as dúvidas, o coração numa ânsia que nem vos digo, as pernas bambas, os olhos em bico, olhem que até aquela coisa, o meu... adiante, pronto, estava um nadita nervoso, era o que eu queria dizer. Mas sem razão, acabei por constatar. Afinal não era tudo um sonho (só a parte das miúdas giras a paparem o pastelinho). Porque a passadeira, fofa, fofinha, vermelha, vermelhinha, lá estava estendida, estendidinha, esparramada, posta e disposta para mim. Onde? No Corta-Fitas, naturalmente. Não vos tinha ainda dito, não? Vão os senhores perdoar-me, ai esta minha cabeça... Passo então a explicar.

 

Pois o Corta-Fitas, um dos meus blogues de eleição e visita diária, referência indiscutível na blogosfera, entendeu abrir as suas portas à colaboração escolhida de alguns de nós, os outros, os gajos da concorrência, enfim, o pessoal menor. Malta de segunda, por assim dizer. Então e não é que este vosso amigo foi incluído nesse grupo de escolhidos, nesses happy few? Estou que nem posso, ó c'legas, é o que é. Recebi e aceitei, encantado, o convite que me foi feito pelo meu colega e amigo Pedro Correia para uma modesta participação nesta iniciativa cortafiteira. O resultado já lá está à vista, publicado que foi hoje o texto "Fátima: fé e trocos", assinado por este vosso amigo e cuja leitura vos recomendo veementemente em mais este 13 de Maio. Porque traz ao mundo a verdade suprema, iluminando pobres espíritos mergulhados em trevas velhas de séculos? Disparate! Porque é uma reflexão séria, isso sim, mais uma apenas, entre milhões de reflexões possíveis sobre este fenómeno mundial. Mas sabem os senhores uma coisa que eu acho? Nunca será demais reflectir sobre Fátima e sobre tudo aquilo que Fátima representa na alma desta nação. Deixo à consideração de cada um dos senhores as razões em que me terei baseado para fazer esta afirmação. Bem como a justiça da dita cuja. Tudo aqui. Boas leituras.



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Bom dia. Hoje eu não tenho dúvidas que Santana não tem dúvidas.
Terça-feira, 13 Mai, 2008

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

«"O Dr. Santana Lopes deve ser a única pessoa do país que tem dúvidas que eu algum dia não votei no PSD. Toda a minha vida votei no PSD", afirmou Ferreira Leite antes de um encontro com uma delegação dos Trabalhadores Sociais-Democratas, em Lisboa.»

(imagem sacada daqui)



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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
Já agora, a propósito...
Segunda-feira, 12 Mai, 2008

 

Um tal senhor Eduardo Correia, presidente deste novo partido em projecto, o 'Movimento Mérito e Sociedade' (sobre o qual eu nada sei, diga-se em abono da verdade) disse hoje à imprensa que "o trabalho feito pelo IDT - o braço do Governo em termos de politica de prevenção e tratamento da toxicodependência - não tem apresentado resultados merecedores de qualquer referência positiva no nível de qualidade de vida das famílias em Portugal". E, como se pode ler no post anterior, por essa razão exige então a demissão de 'toda a direcção' do Instituto, com João Goulão à cabeça. Ponto final.

 

A associação de ideias foi imediata. Recordei-me de uma crónica que escrevi e publiquei a 8 de Outubro de 2007, com o título 'Injustiças e Especialistas', curiosamente o texto que inaugurou o blog 'Sete vidas como os gatos' ainda no Blogger, naturalmente. Ao tempo era Rui Rio, presidente da Câmara do Porto, quem estrebuchava (e como!) a propósito das polémicas verbas atribuídas pelo IDT à Ares do Pinhal. Quem queira lembrar o episódio (e a minha análise, já agora, no extracharge) pode fazê-lo aqui. Mas, exclusivamente a propósito destas declarações de hoje de Eduardo Correia, não resisto a deixar aqui as palavras finais dessa crónica. Apesar de já levarem meio ano de escritas, são palavras que continuam actuais e, quer-me parecer, particularmente oportunas face às notícias do dia de hoje. Ora façam os senhores o favor de conferir esta minha opinião. E se eu estiver enganado não hesitem em dizê-lo, por favor, que as caixas de comentários não se fizeram para outra coisa.

 

'Tal como está, a toxicodependência permite que a classe política mantenha o equilíbrio, sentada na tampa da ordem pública que faz o mundo cheirar bem e ser bonito e separa os uns dos outros. Lá em baixo, para fazer o trabalho sujo, estão os especialistas em evitar transbordos. Da tampa para baixo é o mundo deles. São os homens da droga, os especializados que vão sempre à televisão explicar como se faz para acabar com a toxicodependência. Que todos os anos aumenta, diga-se. E eles todos os anos lá vão, sempre os mesmos e a dizer o mesmo, João Goulão, Luís Patrício, Rodrigo Coutinho, Nuno Miguel e uma selecção criteriosa de colegas e afins, todos eles nomes fixos na escala de serviço ao balcão da drogaria nacional. Nas últimas duas décadas trocaram entre si quase todos os cargos que apareceram, ora tu, ora eu, ora tu mais eu. E hoje continuam onde quer que haja dinheiro, droga e drogados. Nas direcções gerais de todos os governos. Em todas as presidências e direcções de todos os Institutos e afins. Nas consultadorias dos Governos Regionais dos Açores e Madeira. Nas direcções dos principais CAT’s e em todas as comissões, sub-comissões e sub-sub-comissões que mastigam o erário público, em grossos nacos, há anos sem fim e sem proveito. Nas Direcções Clínicas das Comunidades Terapêuticas. E, claro, no proveitoso recato dos seus consultórios particulares. Em toda a parte podemos encontrar esta nata de especialistas da droga, verdadeiros toxicodependentes, já que as suas vidas e carreiras dependem do consumo de drogas. Mas não são os únicos. A toxicodependência faz vender jornais, eleger políticos, aprovar orçamentos milionários, construir carreiras, vender medicamentos, lavar receitas, abrir clínicas de tratamentos miraculosos e mais, muito, muito mais. Por isso me parece uma enorme injustiça assacar ao actual senhor Presidente do IDT as culpas de uma dona de bordel. Afinal, tal como os seus especializados colegas especialistas, há anos e anos que ele vem provando ser apenas mais uma das raparigas.' 

 

 



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Bom dia. Hoje eu também acho. Já ontem achava o mesmo, aliás...
Segunda-feira, 12 Mai, 2008

«O presidente do Movimento Mérito e Sociedade (MMS) considerou hoje que a falta de "resultados merecedores de referência positiva" por parte do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) torna "necessária a demissão imediata de toda a direcção".

 

Eduardo Correia, Presidente do MMS, disse hoje em comunicado à imprensa que "o trabalho feito pelo IDT (Instituto da Droga e da Toxicodependência) - o braço do Governo em termos de politica de prevenção e tratamento da toxicodependência - não tem apresentado resultados merecedores de qualquer referência positiva no nível de qualidade de vida das famílias em Portugal".»



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Domingo, 11 de Maio de 2008
Já se sabe!
Domingo, 11 Mai, 2008

 

 

Pedro Pauleta viveu ontem um momento único na sua carreira: a despedida. Chegará a todos, é certo, mas a poucos acontecerá com a grandiosidade e intensidade que os adeptos do Paris Saint Germain emprestaram à noite de ontem, enchendo o estádio para o adeus do craque e ovacionando de pé a sua saída, chorando que nem Madalena, depois de uma volta a passo a um estádio em delírio. As imagens correm mundo neste instante nos canais de televisão, eu próprio acabei de as ver na SIC. Guloso, ainda tentei o You Tube mas ainda é cedo, naturalmente. No entanto tropecei neste número de circo que o menino de S.Roque proporcionou, faz tempo, talvez para variar o estilo. E aqui vos deixo as imagens, só para termos do que rir nesta hora do adeus a Paris do melhor goleador de sempre do PSG. Uma figura humana rara, fibra de primeira do melhor basalto negro. Já se sabe.



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SIC
Domingo, 11 Mai, 2008

«O padre da aldeia de Monte Brás foi substituído por um televisor.»

(Conceição Lino, agorinha mesmo, no 'Jornal da Noite')



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Bom dia. Hoje é melhor matar o coelho antes de o esfolar, digo eu.
Domingo, 11 Mai, 2008

«O treinador do Benfica garantiu, este sábado, que a sua equipa vai fazer tudo, no jogo de amanhã, frente ao Vitória de Setúbal, para poder manter as esperanças na luta pela Liga dos Campeões. Isto apesar, reconheceu Fernando Chalana, a época não ter sido boa.»



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Sábado, 10 de Maio de 2008
O pífio 'Apito Final', ou 'de páifio fainal apaito', em estrangeiro.
Sábado, 10 Mai, 2008

Pinto da Costa foi suspenso por dois anos, João Loureiro foi suspenso por quatro anos e João Bartolomeu, presidente da SAD da União de Leiria, foi suspenso por um ano. O tricampeão português FêCêPê perde seis pontos, o Boavista desce de divisão e a União de Leiria, já despromovida à Liga de Honra, perde três pontos. Isto só para começar a cumbersa. Mas há mais. Além de perder seis pontos, o FêCêPê foi ainda condenado ao pagamento de uma multa total de 150 mil euros, enquanto o seu presidente, o impagável Jorge Nuno dos casórios com gajas complicadas, foi punido com uma multa de dez mil euros a juntar à suspensão por dois anos, o que lhe deve ter complicado os trocos durante uns dois dias ou três. Tudo isto por dois processos instaurados pela LPFP, seguidos, por corrupção tentada e agora comprovada. Como dizia o saudoso António Silva, n'O Leão da Estrela': 'Ora toma lá que já almoçaste!'. Ponto, mas não final. Apenas parágrafo.

 

Estas são algumas das punições deliberadas pela Comissão de Disciplina da Liga Portuguesa de Futebol Profissional no âmbito do caso ‘Apito Final’. Os clubes foram notificados esta sexta-feira e podem recorrer das sanções até à próxima semana, mas o FêCêPê do Jorge já mandou dizer que tá-se bem, ksslixe, mais ponto menos ponto... não se fala mais nisso. E com mais ou menos cumbersa, mais ou menos reacção, declaração, contestação, afirmação ou palavrão a verdade é que o assunto já não tem mais assunto, esgotou-se na solução oferecida pela justiça nacional. Põe-se uma pedra sobre a coisa e acabou-se. Um destes dias, claro.

 

Bem, os mais ingénuos perguntarão nesta altura: "Então mas a justiça não falou já? E não tem a última palavra nestas coisas?". Pois há que recordar a essas almas generosas que não senhor, nestes casos nem sequer há a última palavra, propriamente dita. O que há (ou vai haver, calma, isto foi hoje, há bocadinho...) é a ironia final, acreditem, o derradeiro vexame da decência nacional, a humilhação final que vai acontecer no dia e na hora em que um destes padrinhos da bola largar aos microfones, ávidos do favor de um bitaite chicaneiro para pagar audiência, a grande posta da que antes de o ser já o era: eu cá sou inocente, foi mais uma grande injustiça, mas nós já estamos habituados e blá blá blá. E o mais provável é que o escolhido seja o de sempre, a vedeta do costume, pioneiro dos atrevidos de serviço, o capo da piada fácil e resposta pronta, faraó dos caga-postas e pentaarrebentacampeão, carago, o máióre, o gajo que manda e mainada: o Xorge! Deixem cum ele qu'ele é kssabe, carago, dá-lhes que cuntar e bibópuerto, carago! E a populaça vai aplaudir em delírio; e vai pular e gritar e espumar e rojar-se aos pés deste barro moldado à medida do seu deslumbramento saloio. E vai chorar por mais, provada a sacanagem, ébria de uma impunidade só sonhada em noites muito, mas muito loucas, mesmo! Bocês biram cumo se fache, fuôdasse? É dar-lhes a bolta, carago, num há que ter medo, ora beijam o Xorge Nuno e apreandam, carago. Apreandam.

 

E pronto. Ontem já passou, amanhã é outro dia, a vida são só dois e o carnaval só três. P'rá frente é que é o caminho, para trás mija a burra. Vamos ao que ficou no pó da estrada, no eco dos dias. Gravado na pedra, de gelo.

A SAD portista recusou comentar as sentenças da Comissão Disciplinar. O antigo presidente da SAD do Boavista, João Loureiro, além de suspenso por quatro anos terá de pagar uma multa de 25 mil euros. A SAD do Boavista, punido com a descida de divisão e uma multa total de 180 mil euros, já disse em conferência de imprensa que o clube vai recorrer para o Conselho de Justiça de Federação Portuguesa de Futebol. A SAD da União de Leiria informou que vai recorrer da multa de 40 mil euros a que foi condenada por alegada tentativa de corrupção, porque diz “não compreender nem aceitar” a punição relativa à “hipotética entrega de um telemóvel” ao árbitro assistente do jogo União de Leira-Belenenses, da 20.ª jornada da Liga da época 20032004 (1-1), Bernardino Silva. A Comissão Disciplinar da Liga de Futebol puniu o profissional Augusto Duarte com seis anos de suspensão, Jacinto Paixão com quatro, e Martins dos Santos com três anos. Estas deliberações resultam do processo desencadeado através das certidões extraídas do caso ‘Apito Dourado’, relativo a corrupção desportiva. E sim, foi uma porra chegar ao fim deste processo, duas porras provar fosse o que fosse, e um milagre o pouquíssimo que se conseguiu.



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Bom dia. Hoje eu bato palmas.
Sábado, 10 Mai, 2008

«Manuela Moura Guedes regressou ao Jornal Nacional da TVI.»



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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008
A ópera em Portugal - Conclusão, Bibliografia (VIII)
Sexta-feira, 09 Mai, 2008

E pronto, não há dure que sempre mal nem acabe que não se bem, enfim, mais ou menos. Chega hoje ao final a publicação deste trabalho de Daniel de Sá sobre a Ópera em Portugal, oito capítulos recheados de informação coligida e apresentada com a qualidade e rigor que vêm sendo habituais na produção literária deste meu amigo. A gerência cá da casa agradece e recomenda uma encadernação jeitosinha, para guardar na estante. E junta-se nas palminhas ao autor, bem merecidas, de resto.

 

Em baixo: "A Ópera em Portugal - Conclusão, Bibliografia"
Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

         

Parte I : As origens da ópera

Parte II : Introdução da ópera em Portugal

Parte III : Primeiros tempos / o triunfo

Parte IV : Marcos Portugal: vida e obra

Parte V:  Os Intérpretes
Parte VI : O Teatro de S.Carlos
Parte VII : Um novo estilo, Alfredo Keil

Parte VIII: Conclusão, Bibliografia

 

 

A morte de Augusto Machado anuncia o fim das grandes referências portuguesas no campo da música lírico-dramática. Mas uma das conclusões que se podem tirar desta pequena viagem pela ópera de produção nacional é a de que os nossos melhores compositores (e não apenas sob o ponto de vista da ópera mas de outras áreas da produção musical) não têm tido o reconhecimento que merecem, nem sequer no seu próprio país.

Mas há um esforço que está a ser feito destinado a ressuscitar a sua música. Curiosamente, edições actuais discográficas de partituras de alguns deles têm tido grande procura por editoras estrangeiras da especialidade, sobretudo americanas. E, em empreendimentos culturais de grande projecção, vão-se recordando obras esquecidas ou quase, como, este ano (exemplo já atrás referido), na VIII Semana de Música de Óbidos, dedicada a José Joaquim dos Santos, ou no XI Festival de Música de Alcobaça, cujo programa inclui a representação da Serrana, de Alfredo Keil.

 

Nota – Escrevi este texto em Maio de 2003. Como foi largamente noticiado, Emmanuel Nunes, que recebeu o Prémio Pessoa no ano 2000, apresentou já este ano a ópera Das Mädchen (A Rapariga), com libreto adaptado de um conto de Goethe. A crítica não lhe foi muito favorável, incidindo sobretudo na longa duração do espectáculo (cerca de quatro horas) e na dificuldade de interpretação, que requer grande esforço das vozes, frequentemente em registos muito agudos. A própria linguagem musical e o simbolismo das cenas parecem requerer uma capacidade de concentração dos espectadores a que a maior parte não conseguiu resistir no dia de estreia.

 

 

Principal bibliografia consultada

 

Herbert Kupferberg, Ópera, Editorial Verbo, Lisboa, 1978.

José Carlos Picoto, obra citada, capítulo A Ópera em Portugal.

José Costa Pereira, Vectores Culturais Portugueses de Seiscentos e Setecentos, em História de Portugal, direcção de José Hermano Saraiva, Publicações Alfa, Lisboa, 1983.

José Correia do Souto, Portugueses Ilustres, edição Lierne, Barcelos (sem data).

Enciclopédias:

Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, Editorial Verbo, Lisboa.

Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, edição de Selecções do Reader’s Digest, Lisboa, 1990.

Britannica.

Outras fontes:

Antena 2

Almanaque Abril’88, Editora Abril, São Paulo, 1987.

 



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O processo dos McCann
Sexta-feira, 09 Mai, 2008

Os senhores farão o favor de não ligar, pode ser? Passo a explicar, de qualquer maneira. Estava eu para aqui a limpar rascunhos já publicados quando, com a habilidade que me é natural para estas coisas e a pontaria que me vai tornando mítico ou quase, apaguei o próprio post, o texto inteirinho e de forma irreversível, como fez questão de me avisar a máquina, numa derradeira oportunidade que aqui o génio ignorou, claro. Sim, é por demais evidente que sou uma besta neste assunto, mas isso agora também não interessa nada e não adianta bater mais no ceguinho, ok? Por isso, tal como já disse logo na entrada, os senhores farão o favor de não ligar, pode ser? Por questões de arquivo, para memória futura da produção publicada, reproduzo aqui e agora, mesmo fora de tempo, o texto do post do passado domingo, dia 4 de Maio. E não se torna a falar no assunto, está combinado? Faz de conta que não aconteceu, sei lá, que nada se passou. Nem um pio, a partir de agora, vamos: um, dois e ... três.

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Leio no SOL. O Ministério Público e a Polícia Judiciária vão ter uma reunião decisiva para o futuro do caso do desaparecimento de Madeleine McCann, dentro de duas semanas. Segundo o jornal, os responsáveis pela investigação vão avaliar, nesse encontro, a possibilidade de deixar cair a acusação de homicídio contra os pais de Maddie, avançando apenas com um processo de negligência. Com a acusação ainda em aberto, o MP irá pedir o prolongamento do segredo de Justiça até Agosto, garante ainda aquele semanário. Eu cá fico a pensar nos cenários possíveis e no que eles me dizem dos possíveis propósitos da Justiça. Ou melhor assim, talvez:  em que cenário e em que medida servirá que propósito o quê, na óptica da Justiça? Um tanto rebuscada, aparentemente, a elaboração deste raciocínio, mas vai dar ao mesmo sítio onde outros já se esgotaram e caíram de quatro, neste beco dos trouxas onde nada faz sentido, nada bate certo com coisa nenhuma: a investigação do famoso 'caso Maddie McCann'.  

 

Onde está a Maddie? Quem levou Maddie? E foi levada ou talvez não? E o que fizeram à Maddie, está  viva ou talvez não? E quem matou a Maddie, que está morta ou talvez não? E os pais da Maddie, esses malandros, são malandros ou talvez não? Há respostas para todos os gostos, em cada português, para cada uma destas perguntas.

Poucos casos se terão intoxicado tanto de opinião pública intoxicada como este. Todas as versões do desaparecimento de Maddie estão irremediavelmente arredadas de qualquer conceito de rigor, o mesmo rigor que vem escapando à esmagadora maioria dos comentadores acreditados do caso Maddie, incluindo os oficiais. Em quem só acredita, perdoarão a franqueza, quem também acredita em qualquer merda que lhe digam, mesmo quando publicada em alguns jornais que já tinham tiragem para ter juizo, convenhamos.

Assim, da boca de ilustres figurões da nossa praça, rapazes com lugar cativo e estatuto de destaque no speaker's corner cá do burgo, saíram as sentenças mais pesadas para o casal McCann; ele por ter uma cara assim e ela porque se vê logo que é culpada, nem uma lágrima chorou. Assunto encerrado. E isto para não falar nos especialistas em crime e criminosos, como o Dr.Moita Flores, por exemplo, que já provou mil e treze vezes, por A mais B menos C, na Fátima Lopes, no Correio da Manhã, na Caras e na Maria, que Kate e Gerry eram os culpados mais culpados de todos os culpados que um dia foram culpados de alguma coisa, em toda a história desta culpada Humanidade.  


Agora, um ano passado sobre o desaparecimento de Maddie e com as autoridades tão perto de descobrir o que lhe aconteceu como Luis Filipe Menezes está perto de chegar a primeiro ministro, depois das inúmeras rajadas disparadas nos próprios pés, a justiça portuguesa vem agora dizer que pondera a hipótese de deixar cair a acusação de homicídio contra os pais de Maddie, avançando apenas com um processo por negligência. Que é este o ponto em que estão as investigações. E que é isto o que o que a justiça portuguesa tem a dizer neste momento. Eu pergunto para quê e porquê, não quero ser chato, só quero perceber. Qual é a ideia, afinal? Qual é o sentido de um processo-crime sobre os McCann nesta altura, por negligência, quando interposto por um Estado não inocente ele próprio de alguma negligência, grave, ao longo da sua actuação no mesmo caso McCann? Que já disse e repetiu uma coisa e o contrário dessa coisa, por várias vezes, a propósito e a despropósito, dizendo e desdizendo-se a seguir, ora por um, ora por outro alto responsável, ora político, ora polícia. Os mesmos que agora querem julgar os McCann por terem sido negligentes no cuidado com a filha que perderam, da mesma forma que já quiseram julgá-los por homicídio com ocultação de cadáver. Só que houve 'alguma precipitação por parte das autoridades', veio dizer o director geral da PJ ao país, numa entrevista de televisão que o país ouviu e não calou, desta vez, autorizado pelo desnorte geral. E agora toda a gente tem uma opinião, toda a gente tem uma teoria, uma cusquice ou um palpite seguro sobre o caso McCann. Sobre a miúda? Não, disparate. Sobre a culpa dos pais, evidentemente.

A culpa ou inocência dos McCann é prato do dia em qualquer cafézinho de bairro, é conversa com a freguesa enquanto se amanha o peixe, bengala do cauteleiro, do engraxa, do merceeiro e do taxista, para haver assunto e distracção. E este é o assunto perfeito, há tão pouco contraditório que se fazem amigos num ápice, tal é a convergência de opiniões. Se é facto que poucos gostarão de Gerry, já pouquíssimos serão os que não prendiam Kate e deitavam fora a chave, pelo sim pelo não, se tivessem oportunidade para tanto.

A opinião do povo está feita, já foi dada a sentença da opinião pública, curiosamente num processo semelhante ao que ocorreu no próprio Reino Unido, onde imprensa e opinião pública, num ciclo de galinha e ovo, já apodaram os McCann de bestiais a bestas várias vezes e, tal como cá, ao ritmo das fugas cirúrgicas de informação oficial. E, tal como cá, ninguém tem certezas absolutas sobre coisa nenhuma deste caso. A não ser que Maddie McCann desapareceu há um ano, exactamente, e ninguém faz a mais pequena ideia do que lhe aconteceu, onde está neste momento, ou sequer se vive ainda. E se nada de novo se sabe de Maddie, quem sobra para fazer a notícia deste grande tema da actualidade? Os pais, claro. Gerry e Kate McCann, os ingleses que deixaram a filha a dormir no quarto e foram jantar com os amigos para o restaurante. Os culpados mais apetecidos de todos, com ou sem culpa real, pormenor de somenos na circunstância. Para mais de meio Portugal está decidido: eles têm cara de culpados, ar de culpados, história de culpados, são os culpados perfeitos e será uma pena se não forem mesmo eles os culpados.    

 

Só uma de duas coisas pode ser a verdade, no que toca a Gerry e Kate McCann. Uma: eles sabem o que aconteceu à filha, sempre souberam, o tempo todo. Essa é uma hipótese. Se sabem o que aconteceu, então são culpados, independentemente do que em concreto possam ter feito, se mataram, se foi acidente e apenas ocultaram o corpo, seja o que for: se sabem, são culpados de enganar o mundo inteiro. Ora, condená-los em Portugal por negligência, neste contexto, seria uma piada de mau gosto pelo que implicava de assunção da impotência e fragilidade da Justiça portuguesa perante uma monstruosidade desta envergadura. Imaginemos uma sentença, qualquer sentença; falamos de quê, exactamente, de que moldura penal, que expectativa de sentença, que tipo de pena, efectiva, suspensa? E recursos, quantos? Na prática, que castigo aconteceria? E justiça, fazia-se? Há que reconhecer que não mostra ser grande solução, este processo por negligência, nem mesmo na hipótese dos MsCann serem culpados de facto.

Mas ponhamos agora por um momento a segunda hipótese, já agora. Aceitemos a possibilidade, ainda que remota para alguns, de Kate e Gerry terem estado a dizer a verdade o tempo todo, de tudo ter acontecido como eles dizem que aconteceu (versão que os factos apurados pelos investigadores da PJ nunca desmentiram) e destes pais estarem mesmo sem saber onde está a sua filha hà exactamente um ano, ou o que lhe aconteceu nestes doze meses, ou ainda onde passou estes trezentos e sessenta e cinco dias, todos com vinte e quatro horas de angústia cada um. A ser um facto a inocência de Gerry e Kate, então a realidade dos McCann, o inferno por que têm passado e o drama que sobre eles se abateu em Portugal é um pesadelo inimaginável para qualquer um de nós. Um verdadeiro massacre, até aqui; e um estigma cruel para as suas vidas futuras. Um duro golpe do destino. Nesse contexto, depois de terem sido roubados do seu bem mais precioso, acusados e quase presos pelo homicídio da filha, condenados pela opinião pública de um povo que lhes não aceita a diferença cultural que torna incompreensíveis os seus motivos e razões no desaparecimento de Maddie, depois de tudo isto e mais um ano de angústia pela ausência da filha, processá-los agora por negligência seria uma crueldade escusada, grosseira e revoltante. Já como manobra processual, nem no âmbito de uma qualquer estratégia eu lhe vislumbro qualquer sentido, mas enfim, eu sou apenas mais um ignorante, fácil de iludir. Mas tem um lado pior, bastante pior: não lhe vejo qualquer propósito de Justiça, rigorosamente nenhum. E isso sim, parece-me o mais grave de tudo.

 

Definitivamente, esta intenção anunciada da Polícia Judiciária e do Ministério Público de ponderarem a hipótese de deixar cair a acusação de homicídio contra os pais de Maddie, avançando apenas com um processo por negligência, parece-me mais um daqueles tiraços que a malta é perita em dar no próprio pé. Se considerarmos a questão apenas do ponto de vista legal, em termos de ser ou não ser feita justiça, a verdade é que pouco importa se o processo vai evoluir assim ou assado, se vai mostrar isto ou aquilo; e seguramente menos ainda importa o eventual desfecho de uma tal pantomina da Justiça. Que neste 'caso Maddie' mais parece ser cega, sim, mas só de um olho.

 

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Bom dia. Hoje eu digo: there's no business like showbusiness!
Sexta-feira, 09 Mai, 2008

«O portal electrónico norte-americano TorrentSpy.com foi condenado a pagar uma indemnização de 111 milhões de dólares (72 milhões de euros) a seis dos principais estúdios de Hollywood por piratear conteúdos na Internet. A imprensa local adiantou quinta-feira que um tribunal de Los Angeles condenou a empresa gestora do sítio, Valence Media, a pagar às produtoras 30 mil dólares de multa por cada um dos 3.700 filmes e séries de televisão descarregadas do seu portal, através do qual os utilizadores compartilhavam conteúdos audiovisuais.»



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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008
De olho no futuro
Quinta-feira, 08 Mai, 2008

«No mundo actual está se investindo cinco vezes mais em remédios para a virilidade masculina e silicone para as mulheres do que na cura da Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de seios grandes e velhos de pinto duro, mas eles não se lembrarão para que serve.»

Dr. Dráuzio Varella

 

 



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E a D. Maria, autorizou o chôcho ou a bela acordou com sais?
Quinta-feira, 08 Mai, 2008

(clique na imagem, sacada daqui)



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Gadinho a todos
Quinta-feira, 08 Mai, 2008
Dizem que é nestas alturas, entre outras, que a gente vê os amigos ou pelo menos aqueles que nos querem bem. Refiro-me a todos aqueles que tiveram a gentileza de registar a mudança de endereço do 7vidas, actualizando as respectivas colunas laterais, a quem eu estou evidentemente grato pela atenção dispensada. De uma forma especial (e perdoarão os outros senhores se pareço esquecer-me de alguém) quero registar os mimos dispensados pelo Charquinho, Aspirina B, A Barbearia do Senhor Luís, Estado Sentido, Corta-Fitas e Blog dos blogs Sapo sob a forma de posts (atrás linkados no nome de cada um) que juntaram, ao anúncio da mudança de endereço, um toque personalizado de carinho que muito me sensibilizou. A todos os citados (e também a todos aqueles que eu possa estar agora por lapso a falhar na menção) os meus sinceros agradecimentos.


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Destaque? Mas quem é quer essa merda, afinal?
Quinta-feira, 08 Mai, 2008
Meio cheio, meio vazio. Duas maneiras de olhar a mesma realidade. Ou uma mesma realidade para dois olhares possíveis, take your pick. A verdade é que uma mesmíssima situação pode ter e tem, não só leituras diferentes, como resultados opostos de acordo com a óptica de cada um. Chega de blá blá, vamos ao concreto.

Os últimos tempos têm sido, para mim, de reflexão e estudo do fenómeno blogosférico. A mudança de endereço deste 7vidas, por um lado, e um miner abalo de sensibilidades com consequências prácticas numa das minhas casas favoritas, por outro, foram dois factores determinantes para um reforço de atenção da minha parte (algo tardio, aceito, mas mais vale tarde que jamé) para com este universo para onde, sem rede como o costume, me atirei de peito feito e rectaguarda desprotegida.

Só há 5 anos é que os blogues apareceram em força em Portugal. Sabemos como utilizá-los e para que servem, mas ainda não estamos imunizados contra a sua ilusão. Isso leva a que alguns imaginem vir a ser lidos por milhões, ou pela elite que influencia o gosto institucional, quando começam a escrever num blogue. A verdade pede água geladamente gelada na ambição: um blogue é lido por umas poucas dezenas de indivíduos, se correr muito bem. Em casos raros de popularidade, é lido por centenas. E será preciso algo de extraordinário para ser lido por milhares. 99,999% dos blogues não têm um único leitor para além dos autores. Os números que se apresentam relativos ao tráfego são isso mesmo: passagens. Mas passar não é ler, é partir.

Não senhor, as palavras não são minhas. Escreveu-as valupi, um dos autores do AspirinaB, num post recente. Mas que me parecem exactas qb, face ao que até aqui eu próprio já consegui apreender deste complexo fenómeno que é a blogosfera. O que nos leva então à tal recente mudança de endereço do 7vidas do Blogger para o Sapo e, de certa forma, ao cerne daquilo que motivou este post: a visibilidade de um blog. Prémio ou castigo?
Deixemo-nos de rodriguinhos: quem escreve quer leitores, diga lá o que disser. Ah, não, eu escrevo mas não quero que me leiam, não quero, não quero e não quero!! Desculpem lá, mas dá para acreditar? Claro que dá. Quem disse que toda a gente gosta de amarelo?

Desde que mudei para o Sapo, por força do destaque rotativo que os responsáveis do portal atribuem às novidades, os números do meu sitemieter dispararam como se durante três décadas tivessem andado a mandar Viagra para a veia e só agora a protuberância se notasse. De um dia para o outro, aquelas coluninhas amarelas e laranja deram um tal salto que eu próprio fiquei entre o verde e o roxo, entre o espanto e o pumcatrapum. Incrível, a força da publicidade, não é? Pois é. Mas já dizer que eu não dormi, que o meu mundo virou à esquerda, subiu e desceu três vezes e que agora já não passo cartão a qualquer um, isso talvez seja um nadita exagerado. Mas não vos escondo que me foi agradável a sensação, algo parecido com o passar de um programa nas madrugadas da rádio Coisa do Assobio para o primetime da Comercial ou Renascença. Conseguem imaginar alguém a não gostar de um up grade assim?

Pois não se esforcem mais, por favor, não se macem, vão para dentro. Há quem não goste, sim senhor, e mais: há quem vá mais longe e, na impossibilidade de recusar a honraria, a combata da forma mais radical de todas: terminando o próprio blog. Foi o caso do blog escolhido para destaque desta semana nos Destaques Sapo, rubrica que me habituei a acompanhar por força de dar uma explicação ao entumescimento surpreendente do grosso das minhas visitas. Pois o Mamããã, blog com um interessante grafismo e que autodefine o seu conteúdo como "Historietas e tretas em tom intimista, de uma mãe de três filhos: a Laura no coração, o Rafael e a Juliana nos braços" , um dos novos destaques da semana nos blogs sapo, entendeu passar-se com a distinção num primeiro post com o título sugestivo "Destaque?! Mas quem é que quer destaque?!!!!", a que se seguiu o não menos sugestivo "Time Out", que quis dizer exactamente isso: acabou-se. Pelo menos por enquanto, como deixa entrelinhado. Um exemplo acabado do ceguinho que, conduzido pelo prestável escuteiro de um passeio a outro da movimentada avenida, manda o rapaz à merda quando lá chega porque até nem queria atravessar. Acontece aos melhores.

Eu cá, devo dizer-vos, acho um encanto este jogo de empurra-torna-e-deixa que por aqui se joga em html, um xadrez em que os peões serão a auto-estima, a tristeza, o valor, a fraqueza, qualidade, insegurança, talento, vaidade, vergonha, conhecimento e/ou solidão de cada um. Onde as razões superam a razão e nada do que luz é oiro. Por isso não há que ficar espantado com nada, não há lugar a lógicas obtidas pela soma de x com y mais a raiz quadrada de z. Para quem queira, goste ou precise de blogar, por motivos que só a si dirão respeito, estou em crer que há apenas um caminho a seguir, que é afinal o de sempre para os esforçados, mais ou menos talentosos: dar, dar sempre, todos os dias e o melhor de que seja capaz, na esperança (ou não) que um dia alguém repare e faça acontecer alguma coisa de bom e justo com a descoberta. Mal comparado, trata-se de uma miragem parecida àquela que perseguem os que babam de inveja com o sucesso das modernas vedetas dos realitty shows de televisão, cujo topo de carreira será um dia serem famosos por serem famosos. Mal comparado, claro. Ou talvez não.


publicado por Rui Vasco Neto
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A ópera em Portugal - Um novo estilo, Alfredo Keil (VII)
Quinta-feira, 08 Mai, 2008
No penúltimo capítulo deste trabalho, Daniel de Sá aborda o novo estilo que surge com o século XIX, bem como a figura de Alfredo Keil, o autor do hino nacional português. Mais duas achegas para este rol de informação pesquisada e coligida com o rigor a que este autor nos habituou, nesta publicação que amanhã conhece o seu termo.

Em baixo: "A Ópera em Portugal - Um novo estilo, Alfredo Keil"
Sete vidas mais uma: Daniel de Sá
         

Parte I : As origens da ópera

Parte II : Introdução da ópera em Portugal

Parte III : Primeiros tempos / o triunfo

Parte IV : Marcos Portugal: vida e obra

Parte V:  Os Intérpretes
Parte VI : O Teatro de S.Carlos
Parte VII : Um novo estilo, Alfredo Keil


Um novo estilo


É com Joaquim Casimiro Júnior (1808/1862) que a ópera portuguesa deixa de ter como modelo único o estilo italiano. Tendo estudado a expensas pessoais de D.João VI, entusiasmado com o seu talento depois de ter assistido no palácio da Bemposta a improvisações que fez no órgão, trata-se de um caso notável e raro de compositor, porquanto nunca saiu de Lisboa, onde nasceu e morreu. Mas conseguiu acompanhar a evolução do tempo, sendo ele mesmo um factor determinante na mudança de mentalidade nacional, ao criar um estilo pessoal em que é perceptível uma mistura de influências de Bellini, Rossini e Donizetti, quanto à linha melódica, mas com características pitorescas de Auber e Adam e o rigor harmónico de Meyerbeer. O êxito da sua carreira terá sido sem dúvida prejudicado pelo isolamento em que se manteve sempre na sua cidade natal. Legou uma enorme quantidade de partituras de música sacra e para teatro.

Augusto Machado (1845/1924), que Eça de Queirós retratou como o Cruzes em Os Maias, viria a acentuar esse distanciamento em relação à matriz italiana, vendo em Massenet uma espécie de guia artístico, mas contando um pouco como seus modelos também Gounod e Saint-Saëns. A propósito desta tendência não italianizante, disse dele Freitas Branco: “Parece ter considerado mais viável uma arte caracteristicamente portuguesa no domínio ligeiro.”

 

Alfredo Keil

 

O autor de A Portuguesa, um hino republicano que viria a ser proclamado como hino nacional, era um artista genial que, além de outros talentos, foi pintor de grande mérito. Nasceu em Lisboa em 3 de Julho de 1850 e estava destinado a uma carreira que o fez famoso não apenas em Portugal mas o projectou também no estrangeiro. Revelou as extraordinárias aptidões aos doze anos com Pensée Musicale.


Aos 17 anos fixou-se em Nuremberga, onde estudou desenho, na Academia dirigida por Kremling, e música com Kaulbach. De regresso a Portugal três anos depois, dedicou-se tanto à música como à pintura, recebendo, devido aos seus trabalhos como pintor, várias distinções (menção honrosa em Paris, medalha de ouro no Rio de Janeiro, condecoração com a Ordem de Carlos III, em Espanha, e com a Ordem de Cisto, em Portugal).


Estreou-se no Teatro da Trindade, em Lisboa, com a ópera cómica Susana, em 1883, à qual se seguiu (com outras composições pelo meio, como duas tocatas e um poema sinfónico) D. Branca, em 1888, cujo libreto foi extraído do poema de Almeida Garrett. Em 1893 foi cantada, no Teatro Régio de Turim, Irene, com tal êxito que o rei Humberto I o condecorou.


Mas a sua coroa de glória seria Serrana, estreada no Teatro de São Carlos em 13 de Março de 1899. Desta ópera se pode dizer que estamos finalmente perante uma obra inteiramente nacional, não apenas pela língua em que é cantada mas também por todas as suas outras características, caminho esse já começado a trilhar com D. Branca e Irene.

 

(Amanhã: "Parte VIII -  Conclusão, Bibliografia")


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Bom dia. Hoje eu estou bem lixado, é o que é.
Quinta-feira, 08 Mai, 2008

«Segredo da longevidade não se encontra nos genes.Uma longevidade excepcional não se explica por uma mutação genética mas por um modo de vida são, segundo investigadores espanhóis que analisaram os genes e a densidade óssea de um homem de 113 anos.»



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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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