Segunda-feira, 30 de Junho de 2008
Cavalhadas de S.Pedro
Segunda-feira, 30 Jun, 2008
Depois de nos oferecer uma viagem inesquecível por terras da Maia, costa norte da minha ilha, Daniel de Sá traz-nos hoje a evocação de "uma das tradições mais notáveis e famosas dos Açores", como nos diz no texto. As Cavalhadas de São Pedro são (mais) um espectáculo de autenticidade da parte de um povo que vive de facto as suas tradições, não as tem guardadas em armazém com intuito de produzir recriações pontuais para inglês ver e achar very nice, muita banita. Nada disso. Nos Açores é diferente a vida, nesse particular, entre muitos, muitos outros. Nas nove ilhas, o povo vive os seus costumes, hoje como ontem, da forma genuína e com a mesma entrega e devoção que os fez tradicionais por força do passar dos anos e das gerações. Não por despacho de gabinete. Por isso serão tão fiéis e autênticas as tradições açorianas, não cheiram a mofo, apesar da humidade. Porque a tradição na minha terra constrói-se na exacta medida do tempo em que é vivida, hora por hora, dia após dia. Todos os dias.
 
Em baixo: "Cavalhadas de São Pedro"
Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

As Cavalhadas da Ribeira Seca da Ribeira Grande são uma das tradições mais notáveis e famosas dos Açores. O nome deriva do Castelhano caballadas (de caballo), que se refere a vários tipos de provas de destreza equestre. Câmara Cascudo, no Dicionário de Folclore Brasileiro, define cavalhada como desfile a cavalo, corrida de cavaleiros, jogos de canas, jogo de argolinhas. As cavalhadas subsistem em muitas partes do Brasil, e as de Pirenópolis, no Estado de Goiás, ligadas às festas do Espírito Santo, seguem a tradição europeia da dramatização da luta de Rolando contra os Mouros, em Roncesvales, a célebre gesta dos Doze Pares de França. As primeiras cavalhadas de Pirenópolis aconteceram em 1826, sendo a maior parte dos seus habitantes oriunda do Norte de Portugal. Em Vildemoinhos, perto de Viseu, mantêm-se como desfile de cavaleiros vestidos de fato escuro e montando cavalos ajaezados. Resultam, segundo a tradição, de uma promessa feita a São João Baptista pelos moleiros, no caso de conseguirem sentença favorável de água para os seus moinhos, havendo quem pense que têm influência das Cavalhadas da Ribeira Seca. A primeira destas romagens à capela do santo, com os cavaleiros vestindo de negro, como os nobres, e com os cavalos ajaezados, terá sido em 1652. No entanto, no século XX passaram a incluir carros alegóricos, bandas de música, ranchos folclóricos e muitos outros elementos que não faziam parte da tradição.
 
Há a opinião generalizada de que as Cavalhadas da Ribeira Seca terão sido inspiradas nos jogos de canas. No entanto, essa influência, se realmente existiu, talvez não tenha ido além do facto de se tratar de um desfile de cavaleiros, vestidos com trajes coloridos e montando cavalos ajaezados.
 
Os jogos de canas consistiam numa simulação de luta entre dois grupos de cavaleiros, e eram assim chamados por ser uma cana que servia de lança de arremesso ou dardo. Para se defenderem, os cavaleiros usavam um escudo pequeno e redondo de coiro, a adarga. Há notícia de alguns destes combates realizados em São Miguel, sendo aquele de que se conhecem mais pormenores o que organizou o quinto Capitão da ilha, Rui Gonçalves da Câmara, o segundo que houve com este nome. Foi num dia de Páscoa, pouco tempo depois da subversão de Vila Franca do Campo em 1522. A folgança destinou-se a divertir a população de São Miguel, ainda muito abalada pelos trágicos acontecimentos daquela noite de 22 de Outubro. Os contendores de Ponta Delgada e da Lagoa lutaram contra cavaleiros da Ribeira Grande – a que se juntou alguma gente de Rabo de Peixe –, de Água de Pau e de Vila Franca. Vestiam trajes coloridos de seda, veludo e outros tecidos nobres. Os de Vila Franca, em sinal de luto, usaram apenas o preto e o roxo. Os cavalos, e mesmo uma besta que transportou as canas, estavam também ricamente adornados. O combate decorreu num terreno ao longo do mar, na Lagoa, onde o Capitão residiu algum tempo depois da tragédia. Veio muito povo, de toda a ilha, que assistiu num lugar mais alto, de modo a estarem todos protegidos de eventuais pisadelas dos cavalos ou de alguma cana que falhasse o alvo.
 
Muitos eram os cavaleiros que usavam mais do que um cavalo, porque a luta lhes exigia um grande esforço. Havia arranques e paragens constantes e corridas com mudança de direcção em ângulos apertados, numa espécie de bailado para fugir ao ataque dos adversários ou para tentar apanhá-los desprotegidos. Nesse jogo de canas houve um episódio que serve para perceber como, por vezes, essa simples diversão poderia tornar-se numa luta perigosa. Esteve ali presente o Abade de Moreira, que viveu alguns anos na Ribeira Grande, exímio na arte de cavalgar e de jogar as canas. Lutador incansável, levou consigo dois cavalos. Um dos adversários com quem lutou foi D. Manuel da Câmara, filho do Capitão, a quem atirou uma cana certeira que o moço defendeu com a adarga. A mãe, D. Filipa Coutinha, exaltou-se muito, considerando que o filho tinha direito a tratamento semelhante ao de El-Rei, a quem as canas não deviam visar o vulto mas ser lançadas por cima da cabeça. E, no seu destempero, gritou que matassem o abade. Este, homem forte e truculento, pegou num dardo e respondeu que viessem matá-lo, mas que antes deixaria ali cinco ou seis caídos para sempre. Mais sensato, Rui Gonçalves da Câmara entendeu que o filho não tinha direito a isenções, e mandou ao abade que lhe atirasse outra cana.
 
A origem das Cavalhadas – e neste ponto é indispensável evocar o Dr. Armando Cortes Rodrigues – é tida como resultante de uma promessa do próprio Capitão, que era então D. Manuel da Câmara e que já voltara a residir em Vila Franca. A lava da erupção de 1563 destruiu a maior parte da Ribeira Seca da Ribeira Grande, deixando porém intacta a igreja paroquial, dedicada a São Pedro. Apesar da devastação provocada, não houve nenhum morto na ilha por sua causa. D. Manuel da Câmara teria prometido ir cantar em verso a vida do apóstolo à porta da sua igreja, caso a família não sofresse consequências graves. E tê-lo-á feito indo de Vila Franca à Ribeira Seca a cavalo e acompanhado de homens que o serviam e dos mordomos do Espírito Santo.
 

Ora, mesmo que se tenha por certa esta versão, não se percebe onde estará a dita derivação das Cavalhadas a partir dos jogos de canas. Talvez não mais do que nos trajes usados pelos cavaleiros, em que dominam o branco e o vermelho (as cores do Espírito Santo), pois que D. Manuel da Câmara e o seu séquito terão ido decerto com os ornamentos pessoais e dos cavalos que ostentariam em momentos de gala. E os jogos de canas eram um desses momentos especiais, tanto mais que costumavam ocorrer em dias de grande festa. A comitiva do Capitão terá dado sete voltas à igreja de S. Pedro, talvez evocando os dons do Espírito Santo, dirigindo-se depois à sua igreja da Misericórdia, para concluir o ritual com uma visita à ermida de Santo André, irmão de S. Pedro. Sem grandes alterações no essencial é este o percurso actual do cortejo, normalmente com mais de uma centena de participantes. São comandados pelo 'Rei', seguido de perto por três corneteiros que vão anunciando a aproximação e passagem dos cavaleiros. Tornou-se habitual que todo o grupo, que parte do Solar da Mafoma, na Ribeira Seca, visite também a Câmara Municipal, entoando loas à edilidade como reconhecimento pelo apoio que dela recebem.

 



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Esquerda Sócretina
Segunda-feira, 30 Jun, 2008

 

(imagem sacada daqui, com a devida e merecida vénia)

 



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Bom dia. Hoje eu acho o mesmo, tadinho dele. E de nós...
Segunda-feira, 30 Jun, 2008

«O ministro da Agricultura é o maior incompetente do mundo», sublinhou Marcelo, acrescentando que Jaime Silva encaixa numa figura do «direito que é a nulidade». «Um acto é nulo quando não produz nenhum dos efeitos que devia produzir ou produz outros mas negativos», explicou Marcelo Rebelo de Sousa referindo-se à actuação do ministro. «O ministro da Agricultura desde o início não acertou uma», conclui Marcelo Rebelo de Sousa.

 



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Domingo, 29 de Junho de 2008
Bom dia. Hoje eu acho que ele estava cada vez mais português...
Domingo, 29 Jun, 2008

«Luiz Felipe Scolari foi apanhado nas malhas da Operação Furacão. O ex-seleccionador nacional terá recebido de uma instituição bancária elevadas quantias não declaradas ao fisco. O dinheiro era pago através de uma offshore. A fraude foi detectada a partir do cruzamento de documentação apreendida no banco em causa e na consultora Deloitte

 



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Sábado, 28 de Junho de 2008
Os marretas e os manetas
Sábado, 28 Jun, 2008

Ainda o concerto, ainda a RTP. «Quarenta e seis mil, seiscentos e sessenta e quatro espectadores em Hyde Park», diz o comentador número um. «Cerca de noventa mil mãos», reflecte o comentador número dois, após um curto silêncio.



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Irratêpê!!!
Sábado, 28 Jun, 2008

Numa jogada de finíssimo recorte estratégico, o Canal Um da RTP transmitiu esta noite o espectáculo comemorativo do 90º aniversário de Nelson Mandela, em Hyde Park, Londres. 46664 pessoas, diz a organização, em absoluto delírio com o desfile non-stop de grandes vedetas, inspiradas, que foram prestar homenagem a um dos grandes nomes da História mundial deste século misto, vinte/vinte e um. Uma noite de luxo, para qualquer programador.

 

São neste momento duas e pouco da manhã e 'Amy Winehouse vem fazer o grand finale', avisa o comentador de serviço, apesar da cantora ter acabado de sair de cena neste preciso instante e de estar anunciado ainda Bono Vox, entre muitos outros. Há um momento de expectativa e eis que entra em palco um nêgão enorme, de bigode. Não é Amy, aparentemente. Eu juro que já não acho estranho. É que tenho estado a ver a transmissão do espectáculo, quase desde o princípio. E, lamentavelmente, a ouvir uma das maiores colecções de disparates que o mundo alguma vez já ouviu na história das transmissões em directo, seja daquilo que for, futebol incluído (o que torna a coisa mesmo grave). A tradução simultânea do discurso de Mandela, por exemplo, (que o próprio não reconheceria se assistisse à RTP), ficará seguramente para a posteridade como um dos momentos altos do anedotário da radiotelevisão portuguesa, que esta noite bateu todos os recordes da asneira numa só transmissão televisiva.

 

Só para dar uma pequena ideia a quem não viu, a actuação de Amy Winehouse, que foi repetidamente anunciada como o grande momento da noite, foi preenchida na sua quase totalidade pela RTP com um lindíssimo intervalo publicitário (igual a uma série interminável de intervalos comerciais metidos 'a martelo' neste directo, no maior desrespeito pelo espectáculo em si, com promoções ao 'Dança Comigo' e ao 'Terminator', domingo à tarde...) que começou logo a seguir a 'Rehab' e só terminou quando Amy, ela própria, estava também a terminar a sua actuação. Fomos todos, no entanto, ainda a tempo de assistir à sua saída de palco, logo contrariada pelo tal aviso da sua eminente reentrada, adivinhada pelo comentador RTP. «E aí vem então Amy Winehouse para o grand finale desta noite» Foi quando chegou o tal nêgão de bigode, e depois dele o resto da transmissão, que ainda dura. Abençoada RTP. Que seria de Portugal, de todos nós, sem ela? Um enorme, imenso bocejo, por certo.

 



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Porrapá!!! Olha se eu tivesse ficado parado...
Sábado, 28 Jun, 2008

«Tiros contra pavilhão onde Sócrates discursou. Desconhecidos dispararam esta sexta-feira vários tiros contra o Pavilhão Arena, em Portimão, de onde acabara de sair o primeiro-ministro José Sócrates. A Polícia Judiciária já foi chamada ao local para investigar o caso em que ninguém ficou ferido. José Sócrates, na qualidade de secretário-geral do PS, participou no Pavilhão num janter promovido pela Federação Regional de Algarve do PS.»

 



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«No mundo em mudança, o maior crime é ficar parado» (J. S.)
Sábado, 28 Jun, 2008

«Tiros contra pavilhão onde Sócrates discursou. Desconhecidos dispararam esta sexta-feira vários tiros contra o Pavilhão Arena, em Portimão, de onde acabara de sair o primeiro-ministro José Sócrates. A Polícia Judiciária já foi chamada ao local para investigar o caso em que ninguém ficou ferido. José Sócrates, na qualidade de secretário-geral do PS, participou no Pavilhão num janter promovido pela Federação Regional de Algarve do PS.»

 



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Bom dia. Hoje isto começa bem, tudo aos tiros. Uma animação.
Sábado, 28 Jun, 2008

«Tiros contra pavilhão onde Sócrates discursou. Desconhecidos dispararam esta sexta-feira vários tiros contra o Pavilhão Arena, em Portimão, de onde acabara de sair o primeiro-ministro José Sócrates. A Polícia Judiciária já foi chamada ao local para investigar o caso em que ninguém ficou ferido. José Sócrates, na qualidade de secretário-geral do PS, participou no Pavilhão num janter promovido pela Federação Regional de Algarve do PS.»



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Sexta-feira, 27 de Junho de 2008
Maia (III)
Sexta-feira, 27 Jun, 2008

A aventura continua. Estamos na Maia, costa norte da ilha de S.Miguel, um lugar mágico, acreditem se quiserem, pagam o mesmo. Mas eu, que vos digo, sei do que falo. E melhor, muito melhor, sabe-o Daniel de Sá, que hoje se perde na história da Gorreana e do seu chá para encontrar a fugura incontornável e polémica de Jaime Hintze. «Além do que digo dele, Jaime Hintze foi governador do Distrito, comendador, de bom trato com os trabalhadores, embora tivesse algum orgulho na sua pessoa. Também fez experiências disparatadas, como tentar fazer "bacon" de porcos vivos. Tirava-lhes um bocado do dito, cosia outra vez a pele, e os desgraçados morriam invariavelmente de septicemia.», conta-me o autor em recado privado, tão privado que não o incluiu no texto, que é público. Eu não resisto a torná-lo público, tão público que o incluí no texto, que não é privado. Assim, todo esse parágrafo está lá por minha inteira responsabilidade e sem consultar o autor. Com sorte ele não se zanga, haverá de confiar no meu juízo, escasso numas coisas mas sábio no que à minha arte diz respeito. É que para nós, que já lemos pouco, pouca coisa boa e genuína será algum dia a mais.

 

Em baixo: "Maia  (III)"
Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

A Gorreana e o seu chá

 

 

Ranchos de raparigas, quase sempre vestidas como se estivessem a aliviar luto, subiam da Maia à Gorreana para a apanha do chá. Era uma revoada de vozes e do matraquear dos tamancos de madeira – as galochas – , à mistura com muitas passadas silenciosas, porque algumas nem sequer tinham com que pagar ao galocheiro. Havia famílias que só ultrapassavam o limiar da miséria com o ganho dessa meia dúzia de meses, pelo que é difícil imaginar como seria viver na Maia, até bem passado o segundo quartel do século XX, sem a fábrica da Gorreana e a do tabaco.

 

O lugar tomou este estranho e belo nome da ribeira que o atravessa, a qual recebeu o seu por ter morado perto dela, numa das primeiras décadas do povoamento da Maia, um homem chamado Manuel Gorreana.

 

Mas foi no século XIX que a Gorreana ganhou importância como um dos pontos mais notáveis da produção agrícola e industrial da Maia. O engenheiro Simplício Gago da Câmara, que pertencia à Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, iniciou ali a industrialização do chá em 1889. Por ser solteiro, foi sua irmã Angelina (nascida na Matriz de Vila Franca em 1881) que herdou a propriedade agrícola e a incipiente fábrica. Em 1901, Angelina Gago da Câmara casou-se com Jaime Hintze, homem muito culto e de um notável dinamismo, que viria a modernizar todo o sistema de produção e fazer da Fábrica de Chá Gorreana a mais importante e famosa de S. Miguel, a única que até aos nossos dias nunca interrompeu a laboração.

 

Jaime Hintze que, entre outros cargos e distinções, foi Governador do Distrito de Ponta Delgada, tinha um espírito aventureiro e gostava de correr riscos, pelo que nem todas as suas experiências agrícolas e pecuárias terão sido totalmente bem sucedidas. Para além do desenvolvimento dado à cultura do chá, merece no entanto destaque a do bicho-da-seda, tendo chegado a produzir tecidos de óptima qualidade, conservando-se ainda na família uma peça com cerca de quarenta metros.

 

Além do que digo dele, Jaime Hintze foi governador do Distrito, comendador, de bom trato com os trabalhadores, embora tivesse algum orgulho na sua pessoa. Também fez experiências disparatadas, como tentar fazer "bacon" de porcos vivos. Tirava-lhes um bocado do dito, cosia outra vez a pele, e os desgraçados morriam invariavelmente de septicemia. Contaram-me dele uma história que a família não conhecia. Ele, de origem teutónica, passava creio que dois meses de férias todos os anos na Alemanha. Numa dessas suas ausências, o caseiro obrigou um pobre agricultor seu rendeiro a pagar as rendas atrasadas com o milho que cultivara. Levou-o para o "barraco" e pendurou-o. Quando o patrão chegou, contou-lhe a façanha, cheio de vaidade. Jaime Hintze então disse-lhe que se o homem não pagara era porque não podia. E obrigou-o a pegar no milho todo e ir pô-lo à porta do pobre agricultor.

 

Continuou a sua acção o filho, Fernando Hintze, que foi casado com a actual proprietária, Berta Hintze, que tem como colaboradores na gestão da fábrica a sua filha, Margarida, e o genro, Engenheiro Hermano Mota. Depois de ter atravessado tempos difíceis, que levaram ao encerramento de todas as outras unidades fabris do género em S. Miguel (o único lugar da Europa onde se produz chá, que é de excelente qualidade por não existir na ilha qualquer tipo de praga que requeira o recurso a insecticidas), a Fábrica de Chá Gorreana recuperou a sua vitalidade, graças à persistência e capacidade dos actuais gestores, ultrapassando actualmente as trinta toneladas de produção.

 



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Fitada certeira
Sexta-feira, 27 Jun, 2008

«Político que não fala é acusado de arrogância e antipatia e acaba por ter má imprensa. A não ser que haja bons resultados para apresentar, o que nem sempre é possível. Longe de ser uma sedutora, Manuela Ferreira Leite encaixa neste estilo. Se chegar ao poder, mesmo que se revele uma governante esforçada será sempre uma mulher mal amada.» 

 

(Palavras finais de uma prosa escorreita, análise lúcida e enxuta, assinada por Teresa Ribeiro aqui.)



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Bom dia. Hoje parece estar tudo azul para estes dois.
Sexta-feira, 27 Jun, 2008

«O candidato democrata às presidenciais Barack Obama e a senadora Hillary Clinton embarcam no avião, em Washington, rumo a New Hampshire, onde farão um comício juntos.

 

Com esta aparição lado a lado, os dois democratas dão sinais de reconciliação e mostram que estão a tentar sarar as feridas abertas durante a longa e disputada campanha de nomeação para as presidenciais.»

 



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Quinta-feira, 26 de Junho de 2008
Maia (II)
Quinta-feira, 26 Jun, 2008
Ontem iniciámos esta aventura, hoje seguimos o passeio por terras açorianas pela mão de Daniel de Sá, que assim marca a cadência da passada no embalo das palavras. Recorde-se que este autor é natural e um residente desta mesma Maia de que hoje nos fala, em prosa inspirada como sempre, repleta de sons, cheiros, letras vivas que nos levam de volta à ilha como se nunca tivèssemos de lá saído. «Sair da ilha é a pior maneira de ficar nela», diz-se em "Ilha Grande Fechada". Sábias palavras, digo eu. Dele, claro. 

 

Em baixo: "Maia  (II)"
Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

A vila que o não foi
 
 
Disse Gaspar Frutuoso que este lugar, de “bem compassadas e começadas ruas de casas telhadas”, “muitas vezes procurou ser vila e para isso repetia, porque moraram e moram nele homens muito honrados; era necessário ter jurisdição por si, pelo muito trabalho que passavam e passam os seus moradores em atravessar a serra, indo às audiências a Vila Franca.”
 
Nesse tempo, o lugar da Maia (o termo “freguesia” ainda não tinha conotação administrativa) abrangia toda a zona da costa, desde a ponta onde foi fundada até aos Fenais da Ajuda – que então se chamavam Fenais da Maia – e, pelo interior, até às Furnas. E uma das provas de que cedo alcançou notoriedade terá sido o facto de que Pedro Roiz da Câmara, tio do quinto capitão, Rui Gonçalves da Câmara – de quem foi lugar-tenente e em nome de quem governou a Capitania durante os sete anos da sua ausência antes da subversão de Vila Franca do Campo –, ofereceu um pontifical de damasco rosado à matriz de Nossa Senhora da Estrela e outro à igreja do Divino Espírito Santo da Maia.
 
Mas, se o desenvolvimento social e o bom aspecto do pequeno burgo estavam a favor das pretensões da Maia, os desastres naturais foram-lhe inimigos. É que, em consequência do tremor de terra de 22 de Outubro de 1522, e à semelhança do que aconteceu em Vila Franca devido a chuvas recentes e à fragilidade do solo onde predominava a pedra-pomes, a derrocada de uns montes que lhe eram sobranceiros arrasou parte do lugar, soterrando casas, bens e pessoas. E, em 1563, as cinzas do vulcão do pico do Sapateiro, trazidas pelos ventos de sudoeste, destruíram todas as culturas, tornando a terra estéril por algum tempo.
 
Melhor sorte tivera a Maia no ano de 1630, quando rebentou o vulcão no vale das Furnas – o que fez secar uma pequena lagoa, hoje conhecida como Lagoa Seca –, de tal modo que serviu de refúgio a alguns dos eremitas que ali viviam, os quais, transportando o Santíssimo que salvaram do eremitério, aqui se acolheram, enquanto que um outro grupo, que levava consigo as imagens sagradas, foi parar ao Porto Formoso.
 
Há uma referência curiosa do Dr. Gaspar Frutuoso que nos ajuda a perceber o considerável desenvolvimento social da Maia já no século XVI. Tendo sido o jogo da péla (antepassado do ténis) praticado sobretudo pelas classes mais evoluídas, diz-se nas “Saudades da Terra” que “Um Brás Dias, da Ribeira Grande, foi o melhor jogador de péla que houve em todas as ilhas dos Açores, porque, jogando de ambas as mãos, tanto lhe dava jogar com uma como com outra; e, logo após ele, António Roiz e Fernão Martins, do lugar da Maia.

 



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Bom dia. Hoje eu sou um dos tais.
Quinta-feira, 26 Jun, 2008

 

«Um em cada quatro portugueses fica sem dinheiro depois de pagar despesas essenciais. Num inquérito realizado pela Nielsen, 26% dos portugueses disseram que «não tinham dinheiro de sobra» depois de pagarem as despesas essenciais.»

 



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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008
Maia
Quarta-feira, 25 Jun, 2008

O meu amigo Daniel de Sá escreveu-me ontem. «Meu caro: se te parece que temos leitores suficientemente pacientes e curiosos para ler isto, aqui vai à tua disposição. Se se notar interesse, tenho mais, a completar um pouco o essencial que há para dizer sobre a Maia». Respondi-lhe logo, mais lesto que a volta do correio. «Caríssimo: não me parece que tenhamos tais leitores, mas vou dispor dele na mesma, posto que mo deixas. E quero que saibas que estarei atento a todas as saliências e relevos suspeitos de serem sinais de interesse. Aviso-te mal ponha o olho num.» Juntei um abraço e enviei sem reler. Quando li fiquei preocupado, um bocadinho. Não é por nada, mas espero sinceramente que ele me tenha percebido bem.

 

Em baixo: "Maia"
Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

 

 

 

O nome e o povoamento

 

 

Ao chegar a Santa Iria, vindo de oeste, avista-se de repente uma vasta paisagem onde sobressaem três formosas pontas. A do meio está muitas vezes soalheira enquanto as nuvens cobrem a ilha, e a linha de sombra marca o sopé das colinas onde há cerca de dez mil anos acabava a terra, antes de os vulcões lhe acrescentarem mais aquela fajã.

 

Foi talvez por haver notado essa particularidade que Gaspar Frutuoso escreveu “a Maia é um lugar bem assombrado”. Porque a sombra nota-se mais onde há mais luz. Com frequência a própria chuva não passa abaixo da ponte da ribeira da Gorreana nem da curva da Cruz do ramal da Lombinha, e o nevoeiro detém-se sempre a meia encosta dos pequenos picos a que Frutuoso chamou “serra da Maia”.

 

Vindos provavelmente por mar, os povoadores ficaram certamente convencidos de ter alcançado a sua terra prometida quando pela primeira vez viram esta paisagem de perto. Pouco depois fundeavam num ancoradoiro seguro e inesperado, porque a costa das ilhas raramente recebe assim os viajantes nuns braços de lava entre agrestes arribas. E sem dificuldade deram com abundantes águas, para os gastos domésticos e para mover os moinhos.

 

Foi Gaspar Frutuoso que nos legou o nome de quem chefiava o grupo de pioneiros: Inês Maia, segundo consta no original das “Saudades da Terra”. Terá sido com certeza uma senhora da burguesia, talvez viúva, nada mais se sabendo a seu respeito, nem sequer se já vivera algum tempo nesta ou em outra ilha. O seu nome, no entanto, parece indicar como origem – dela ou da sua família – as Terras da Maia, coração da nacionalidade e berço de heróis famosos, durante muito tempo fronteira entre cristãos e mouros. Esta povoação micaelense foi mesmo a primeira que, em Portugal, se chamou apenas Maia. A da ilha de Santa Maria surgiu um pouco mais tarde, devendo o seu nome a Catarina Fernandes – conhecida como “a Maia” por ser filha de João da Maia – que ali possuiu algumas terras. Quanto à cidade continental nortenha, o actual nome só lhe foi dado em 1902, quando o antigo lugar do Picoto, da freguesia de Barreiros, sucedeu ao Castelo da Maia como sede do respectivo concelho.

 

Estava-se provavelmente ainda no século XV, uma vez que em 1522 a Maia tinha já um desenvolvimento considerável. As primeiras casas terão sido construídas junto à grota da Lajinha, porque normalmente os senhores das terras cediam apenas um pequeno espaço para os trabalhadores agrícolas, sempre que possível de modo a que as traseiras das habitações dessem para uma grota ou uma ribeira, e assim não lhes fosse fácil aumentar o tamanho dos pequenos quintais. Muito perto, foi erguida a igreja, dedicada ao Espírito Santo, advocação que se mantém na actual, construída no mesmo lugar. A esse núcleo primitivo foram sucedendo outros, sempre paralelos, formando ruas na direcção de Norte a Sul, unidos por pequenas travessas. De modo que a tão peculiar malha urbana da Maia se terá devido mais à necessidade de poupar terrenos do que a uma intenção estética ou funcional. 

 



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Bom dia. Hoje eu acho que se pedirem muito ele até vem.
Quarta-feira, 25 Jun, 2008

«Vale e Azevedo: "Pelo meu pé não vou" para Portugal, diz ex-presidente do Benfica»

 



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Terça-feira, 24 de Junho de 2008
Daniel!! Que foste tu fazer, home de Dês?!!
Terça-feira, 24 Jun, 2008

«Felino à solta na zona da Maia»

 

(in'Correio da Manhã', ontem, título de primeira página)

 



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O poder do after-shave
Terça-feira, 24 Jun, 2008

 

(título cá da casa, imagem sacada daqui, com a devida vénia)



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Bom dia. Hoje eu continuo a acreditar em milagres.
Terça-feira, 24 Jun, 2008

«Um jovem de 20 anos que lavava as janelas de um arranha-céus em Gold Coast, na Austrália, caiu do 12º andar nesta terça-feira e sobreviveu.

 

A queda de 25 metros lesionou-lhe um braço e a bacia. De acordo com a polícia, citada pelo jornal Sydney Morning Herald, encontrava-se hospitalizado mas em situação estável-»



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Domingo, 22 de Junho de 2008
Um nome acima de todos os nomes
Domingo, 22 Jun, 2008

Daniel de Sá brinda-nos hoje com «a introdução de um resumo histórico da Terceira, para um livro a editar pela Ver Açor, em co-autoria com o Joel Neto», segundo me diz em recado privado. Na prática e em primeira análise trata-se sim é de mais uma belíssima prosa deste autor açoriano, como de costume. O que só nos deixa água na boca para o que será o livro todo, se isto é a introdução.

 

 

Em baixo: "Um nome acima de todos os nomes"
Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

 

Terá sido naquele lugar, onde quatro ribeiras desaguam, que os descobridores desembarcaram na ilha? Desse tempo, quase tudo é nebuloso. Só Gaspar Frutuoso deixou algumas coisas ditas, mas também ele já se vira obrigado a valer-se da tradição, nem sempre certa, ou da lenda, que pouco ajuda. E as primeiras dúvidas logo surgem quanto à razão de se dizerem dos Açores estas ilhas, ou de se chamar Terceira à que primeiro foi de Jesus, em homenagem à Ordem de Cristo ou por ter sido descoberta em dia de especial festa do Redentor.

 

A explicação mais imediata, já dita por Frutuoso e geralmente tida como certa, é a de que o nome se deve a ter sido a terceira das nove a ser descoberta. Mas esta razão não convence, porque não é fácil imaginar que, havendo ela recebido primeiro um nome acima de todos os nomes, décadas mais tarde ele fosse mudado para outro que honrava apenas a cronologia do descobrimento. De qualquer modo, parece claro, por uma carta do Infante D. Henrique, que se esta designação de Terceira lhe foi dada por ser a terceira do arquipélago, tê-lo-á sido por ser a terceira na ordem geográfica e não da descoberta. Nessa carta, em que D. Henrique concedia a capitania da ilha a uma das filhas do flamengo Jácome de Bruges, que viera cá a povoá-la, pode ler-se: “...a ilha de Jesus Cristo, terceira das ditas ilhas...” Quanto a Valentim Fernandes, na Descrição das Ilhas do Atlântico (1507), parece admitir as duas razões: “A ylha terceyra foi assi chamada porque foy achada depois das outras duas s. Sancta maria e sam miguel. E tambem contra hoeste jaz a terceyra em numero.”

 

É provável que o facto de a Ilha de Jesus Cristo ser a terceira na geografia tenha pesado na mudança do nome. Mas quase de certeza que tal não teria acontecido se estas ilhas não tivessem sido também chamadas Ilhas Terceiras. A explicação para este nome usado nos primeiros tempos traz pelo meio um claro erro de Gaspar Frutuoso. Diz ele que os Açores seriam chamados as Ilhas Terceiras em atenção ao facto de antes delas terem sido primeiro descobertas as Canárias e depois o arquipélago da Madeira. Nisto estará certo o cronista. Na alternativa é que está o erro, pois, excluindo na segunda hipótese as Canárias da lista, ele fala das ilhas de Cabo Verde como sendo “as primeiras de Portugal”. No entanto, quando os Açores foram descobertos nem sequer Gil Eanes passara ainda o Bojador (1434), e só em 1460 Diogo Gomes e António de Noli, no regresso de uma viagem à costa da Guiné, descobriram a primeira ilha do arquipélago de Cabo Verde, Santiago.

 

O próprio Frutuoso escreveu “A ilha Terceira, universal escala do mar do ponente, é celebrada por todo o mundo, onde reside o coração e governo de todas as ilhas dos Açores, na sua cidade de Angra...” Era portanto a esta “celebrada” ilha que sempre se dirigira a maior parte dos navegadores que viajavam no norte do Atlântico. E com certeza que, nos primeiros tempos, muitos se refeririam a estas como as Ilhas Terceiras. Ora acontecendo que, quase invariavelmente, o destino fosse aquela ilha Terceira, era natural que o nome lhe ficasse especialmente atribuído.

 



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Bom dia. Hoje eu também acho e também contesto. E...?
Domingo, 22 Jun, 2008

«PSD/Congresso: Ferreira Leite diz que há situação de emergência social e contesta novas infra-estruturas.»



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Sexta-feira, 20 de Junho de 2008
Relações e ralações: história de um arrufo.
Sexta-feira, 20 Jun, 2008

Foi de repente, como sempre, sem aviso prévio. Um dia a nossa relação estava assim, no outro já estava assado. O que se terá passado pelo meio eu não sei. Mas dei por começar a perceber que estava tudo a acontecer outra vez, que todos os sinais batiam certo e não havia espaço para grandes dúvidas. Era ponto assente, talvez final. Não existia uma segunda leitura para tamanha e indiscutível evidência: eu estava a ficar cansado dele. Pior ainda: eu já estava farto, fartinho dele e pelos cabelos com esta nova obrigação em que se tinha transformado o velho prazer da nossa vida a dois. Estava à vista, era só querer ver. Já não me esmerava, apurava, já não mais me transcendia na sua presença. Já não dava o mais e melhor de mim que considero fasquia mínima para namoro que se preze. Já não (me) entregava o máximo, como é requisito básico da paixão. Sem novidade, a notícia escrevia-se sozinha e adivinhava-se, sem grande mistério, que no passar dos dias estava a (única) questão de tempo em que tudo se tinha transformado. Eram os dias do fim.

 

Não quis perceber porquê, sequer tentar. Bastaram-me os quês que via e, sobretudo, que sentia. Fisicamente, por exemplo; o seu corpo ficou liso de todos os relevos que sempre lhe encontrei, os mesmos que, ao tempo, me guiaram na grande aventura de o descobrir, milímetro por milímetro, função por função. Assim perdeu o encanto, a sedução, a reacção ao toque que recebia e logo transformava em prodígios de criação que pareciam inventar-se sozinhos e apareciam feitos sem custo aparente. Pois agora tudo isso parecia perdido sem remédio. De repente já não rasgava, aquele érre, já não pisava o outro pê, os bês roçavam os mínimos da doçura e os às tinham uma interjeição tão escassa e miserável que me senti o ladrão daquela dignidade ausente e deixei de os usar. Mais, pior: deixei de lhe tocar, a ele no geral, de todo. Deixei de o poder ver, primeiro. E logo-logo deixei de ser capaz de sequer me aproximar dele, antecipando a frustração do vazio que era certo no final (esta parte Pavlov explica, acho, mas com cães e campainhas). Foi assim que tudo aconteceu.

 

E assim passaram os dias, com aquela fotografia do senhor ministro Mário Jamé Lino escarrapachada naquele post imutável (a foto foi uma violência, eu sei, poderão algum dia perdoar-me?). Assim nos separámos, eu e ele, eu e o meu computador. Assim nos incompatibilizámos, eu e o seu teclado. Assim murchou este manjerico. E agora, e agora, perguntam os senhores, talvez numa aflição? Bem, agora a coisa resolveu-se, enfim, mais ou menos. Digamos que estou a tentar dar uma nova chance a mais esta minha relação, mais uma que é mais uma ralação do que outra coisa, no fundo. Digamos mesmo mais: não é por acaso que este sítio se chama "Sete vidas como os gatos", ou os senhores achavam que era uma piadita, uma gracinha, um floreado de artista? Nada disso, meus amigos. Aqui é tudo à séria, vidas vividas, mais de sete como os gatos. The joke is on me.

 

 



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Quinta-feira, 19 de Junho de 2008
Bom dia. Hoje pedimos desculpa por esta interrupção...
Quinta-feira, 19 Jun, 2008

... este pugrama segue dentro de momentos.

 



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Quinta-feira, 12 de Junho de 2008
Visão de estadista, sublinhado histórico
Quinta-feira, 12 Jun, 2008

«Transportes: Crise "terminou bem" mas podia "ter terminado mal" - diz Mário Lino.» «O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações realçou hoje a "celeridade" com que a crise dos transportes foi resolvida e manifestou "grande satisfação por este período de três dias que marcou o país ter terminado bem". "Podia ter terminado mal", sublinhou Mário Lino na conferência de imprensa do Conselho de Ministros.»



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Bom dia. Hoje eu sinto uma coisa assim estranha, sei lá...
Quinta-feira, 12 Jun, 2008

«A greve chegou ao fim, as bombas já estão a ser abastecidas mas a Galp subiu o preço dos combustíveis e fonte oficial da empresa justificou à Agência Financeira a opção pela «conjuntura dos mercados internacionais, em que o petróleo, crude e derivados estão a aumentar». Todavia, os mercados internacionais abriram esta manhã com o preço do crude a baixar cerca de um dólar, rondando agora os 134 dólares o barril, depois de no dia anterior terem aumentado seis dólares.


A gasolina sem chumbo 95 está agora a 1,501 e o gasóleo subiu a 1,421 nas bombas da Galp, mais um cêntimo do que ontem, quando muitos postos ficaram secos e acabaram por ter que fechar. De salientar que este é já o segundo aumento de combustíveis que se verifica esta semana e o 18.º desde o início do ano de 2008.»

 

 



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Quarta-feira, 11 de Junho de 2008
Hoje estamos todos de olho em Portugal
Quarta-feira, 11 Jun, 2008

 

(mais uma amostra do talento de Henrique Monteiro, sacada daqui)



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Todo o problema tem solução
Quarta-feira, 11 Jun, 2008

A directora regional do Norte da ASAE, Fátima Araújo, foi chamada na passada semana à sede da instituição, para ser informada de que não ia continuar a ocupar o cargo. Segundo o SOL, Fátima Araújo concorreu ao concurso interno para os cargos de directores regionais – com o objectivo de manter o lugar que ocupa há vários anos – e ficou então agora a saber que ficou classificada em segundo lugar, tendo perdido para o seu colega do Algarve, Manuel dos Santos.

 

Há duas semanas, Fátima Araújo foi notícia por causa de declarações suas repoduzidas na imprensa, e proferidas numa secção de esclarecimento promovida por uma associação empresarial de Viana do Castelo. Nessa ocasião, a directora regional desafiou os homens da restauração local para se organizarem em defesa da gastronomia do Alto Minho, revelando que a Direcção do Norte da ASAE pediu aos seus inspectores que fossem «suficientemente sábios» para compatibilizar a gastronomia tradicional com a segurança alimentar.

 

Fátima Araújo criticou também a actuação da ASAE nas instituições de solidariedade social, dizendo: «Tem algum jeito, numa altura em que se fala de crise mundial de fome, andarmos a deitar fora compotas que eram de instituições de caridade?» A responsável do Norte foi obrigada, nessa ocasião, a enviar à direcção nacional uma gravação das suas declarações, para que fossem ouvidas na integra pela direcção em Lisboa.

 

Agora, Fátima Araújo ficou a saber que tinha perdido o seu cargo em concurso. Mas o Ministério da Economia emitiu também agora um comunicado dizendo que o concurso, em que Fátima Araújo perdeu o cargo, foi realizado antes das declarações em Viana do Castelo.

 

E assim tudo fica esclarecido. E resolvido.



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Tenho um olho negro aqui dependurado
Quarta-feira, 11 Jun, 2008

Fecho os olhos e lá vou eu na marcha. Tenho a música de cor, à conta de décadas de reposições érretêpianas e salta-me o pé para a marcha a compasso da memória. Vejo o pátio todo engalanado, arrumam-se em pares de conversados e conversadas. Tenho uma gaiata aqui dependurada que é mesmo o retrato da minha namorada. 'Olh'ó arquinho, olh'ó balão!' Vejo o sorriso traquinas de Vasquinho na disputa com o Xico, galã rival da sua Beatrizinha. E tenho o elenco quase todo em cena, numa coreografia pré-apoteótica a acabar com tudo e todos na esquadra do bairro, por ordem de um só senhor polícia de bigode que mandou toda a gente e ficou mandado, quais Uzi's, quais pistolas, quais carapuça.

 

Pois foi mais ou menos, muito mais ou menos, o que aconteceu ontem à noite, (pelo menos até àquela parte de um polícia só e do bigode...) no terceiro dia do desfile das Marchas Populares de Lisboa, no Pavilhão Atlântico, que ficou marcado por vários confrontos entre apoiantes. Durante o desfile da Marcha do Lumiar, vários espectadores envolveram-se em confrontos físicos, o que obrigou à intervenção das forças policiais que se encontravam no local. Várias pessoas foram detidas. Diz quem viu que durante um bom bocado imperou o estado de sítio, com uma verdadeira batalha campal entre os elementos dos vários bairros envolvidos, três, contando com o Lumiar. Quem disse que a tradição já não é o que era dantes? É pois!

 

 



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Bom dia. Hoje nem há cumbersa, é Checar e andar. Next?
Quarta-feira, 11 Jun, 2008

 



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Terça-feira, 10 de Junho de 2008
Bom dia. Hoje eu também vou impor o meu estilo. Agora decifrem.
Terça-feira, 10 Jun, 2008

O seleccionador nacional diz que, em princípio, vai manter o mesmo onze inicial e avançou com a estratégia para o jogo com a República Checa: “impor o nosso estilo de jogo. Muitas vezes a melhor defesa é o ataque. Agora, decifrem”.

 

 



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Segunda-feira, 9 de Junho de 2008
Detalhes sem interesse
Segunda-feira, 09 Jun, 2008

 

Portugal estava a ganhar, quando o jogo começou. Os outros estavam empatados, zero a zero, mas a malta já estava a dar uma abada aos gajos, eles é que não sabiam. Só olhar para as bancadas do estádio de Neuchatel e ouvir o bruá que delas se soltava já ajudava bastante a ter uma ideia da imensa vantagem que a equipa das quinas levava na manga quando pisou relva, antes do apito. Mais em casa nem no Jamor, caramba. E é por demais evidente que toda a gente tinha noção do clima de euforia e do previsível e mais que garantido apoio da comunidade dos nossos emigrantes, traduzido numa presença maciça ali e em toda a parte onde esteja a nossa selecção até ao final deste Europeu. Se assim não fosse não teriam criado esse aborto de oportunismo, quase assalto, que foi o bilhete pago para poder ver os treinos da selecção. É verdade, 13 mil pessoas pagaram bilhete para ver este último treino, que foi o primeiro depois da vitória sobre os turcos. É muita gente, muito bilhete, muita gulodice. 

 

Eu cá, sinceramente, acho a iniciativa um nojo de oportunismo e desrespeito pela tal ‘nação peregrina’ que Pessoa cantou, tão bem e sentido. Ei-la agora pontualmente transformada numa ‘nação otária’, por obra e graça do desporto-rei, e assim esfolada em nome da saudade por uns quantos xico-espertos de olho grande e gula maior. Detalhes, nada mais. Afinal, Portugal ganhou e isso é que interessa. Ou não é?



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Se ainda existissem os 'castrati', era capaz de haver um problema de adereços em algumas cenas.
Segunda-feira, 09 Jun, 2008

«"O Segredo de Brokeback Mountain" está a ser adaptado para canto lírico. A história 'O Segredo de Brokeback Mountain', de Annie Proulx, que mereceu um filme rodado por Ang Lee, vai ser adoptada para uma ópera que só deverá estrear em 2013 em Nova Iorque.»



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Bom dia. Hoje eu tenho que ter um olho no puto e outro no cigano.
Segunda-feira, 09 Jun, 2008

«O Manchester United formalizou uma queixa junto da Federação Internacional de Futebol por alegado assédio do Real Madrid na vontade de contratar Cristiano Ronaldo. O clube inglês diz não ter tido outra alternativa senão apresentar a queixa pelo facto do Real Madrid estar a tentar levar um jogador que tem mais quatro anos de contrato.»



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Domingo, 8 de Junho de 2008
Obama: born to be forever young?
Domingo, 08 Jun, 2008

É raro, mas acontece. Às vezes a melhor vantagem é só ter uma vantagem, uma única: ter tudo, mas mesmo tudo contra si. Ser uma hipótese sem qualquer hipótese. É bem o caso de Barack Obama (Barack Hussein Obama, pelo amor de Deus!). Seria difícil um começo menos indicado que ter um nome destes, sobretudo quando a juntar ao resto, nem por isso poucochinho. Se não, vejamos. Era negro mas não era bem um brother, pelo menos para o resto dos brothers, já que é filho de mãe branca e cresceu no Hawai e na Indonésia, longe das dolorosas realidades da América negra. Branco é que ele também não era de certeza, embora também não tenha sido isso que o impediu de obter a sua primeira vitória eleitoral no Iowa, um Estado com 96% de brancos. Um nome muçulmano como o seu, sobretudo Hussein, estaria também longe de ser considerado um dado a favor, numa qualquer análise fria e racional que fosse feita, há quatro anos atrás, sobre aquele político desconhecido que durante sete anos servira o país no Senado Estadual do Illinois. Tudo, mas mesmo tudo contra, aparentemente. Eis a receita do vencedor.

 

Em Novembro de 2004 Barack Obama é eleito para o Senado Federal, ao arrepio de todas as expectativas dos analistas políticos, para apenas dois anos depois repetir a graça ao anunciar a sua decisão de se candidatar à Presidência dos Estados Unidos. Isto quando ao tempo já existia Hillary Clinton no horizonte democrata, a candidata 'natural' do partido, chamemos-lhe assim, em função de tudo aquilo que Hillary tinha e Obama não: um nome feito na alta-roda da política norte-americana, experiência governativa por contágio entre-coxas (num contexto de cabeça-de-casal), senadora pelo terceiro maior Estado, apoiada por toda a máquina partidária democrata e com financiamento mais do que assegurado à partida para uma longa e desgastante campanha eleitoral. Enfim, tudo e os olhos azuis.

 

À primeira vista e perante este cenário, Obama não tinha a mais pequena hipótese. No entanto, seis meses depois, o senador negro do nome estranho tinha já resistido a uma série de polémicas que teriam destruído muitos políticos experientes, como o caso do “pastor Wright”, por exemplo, o homem que terá dito "God Damn America", entre outras frases alegadamente anti-patrióticas. Obama vinha assim conquistando simpatias e apoios até no eleitorado mais conservador, depois de ganhar o apoio incondicional do eleitorado afro-americano, o mesmo que no princípio tinha olhado para ele com tanta desconfiança. E hoje, sábado, foi final e unanimente aclamado por todo o eleitorado democrata como o seu candidato na corrida contra o republicano Jonh McCain, após Hillary Clinton ter esta tarde finalmente atirado a toalha ao chão e abandonado o combate, apelando ao voto democrata em Obama. Contas feitas, Barack Hussein Obama venceu 34 eleições, bateu todos os recordes de angariação de fundos a nível nacional e levou às urnas um número recorde de eleitores nas Primárias democratas: 35 milhões de pessoas. "Yes we can", grita a América cada vez mais alto. O filão foi descoberto, o fenómeno está à vista. Tratando-se da América, só resta saber se o homem consegue sobreviver ao mito. Pode acontecer que não, certo? Ora divaguemos um pouco, antecipemo-nos a Hollywood.

 

Batidos que estão todos os recordes de improbabilidade por este homem que insiste em contrariar todas as lógicas, (incluindo as lógicas habituais dos mercados financeiros, que fazem o mundo girar) vários caminhos se afiguram possíveis para Barack Obama. Pode ser derrotado por Jonh McCain, o que seria ponto final para já, mas tudo em aberto, apenas uma questão de tempo. Pode derrotar McCain e tornar-se Presidente dos Estados Unidos da América, o que seria apenas ponto, parágrafo e haja papel para a História que ele poderá escrever se assim for. E pode não chegar à eleição, como terá insinuado Hillary quando há pouco mais de uma semana recordou o assassinato de Bob Kennedy, deixando no ar a inevitável associação de ideias com a possibilidade real de Barack Obama ser assassinado. E essa hipótese, se pensarmos bem, não é nada que não possa acontecer nesta América duvidosamente preparada para ver na Casa Branca o neto daquela simpática velhota negra que vive no Quénia. Na linha do longo historial do assassinato político na história da Humanidade, o pior de todos os sinais será o dia em que Obama olhar em redor e só vir apoiantes entusiásticos ao seu lado, nem um detractor, nem sombra de crítica ou oposição visível. Esse será o dia indicado para começar a procurar as adagas escondidas debaixo das túnicas senatoriais. Ou eu muito me engano ou esse dia já passou. E ninguém espreitou as túnicas.

 

Numa visão de argumentista de Hollywood, neste momento e daqui para a frente, Barack Obama pode ser muito mais rentável morto, enquanto mito, do que vivo enquanto homem mais poderoso do mundo e com vontade própria. Na alta roda do poder mundial, o excesso de protagonismo, quando não totalmente atrelado e sob controle, é definitivamente um desporto a evitar. É por demais sabido que o grande capital apoia toda a democracia desde que possa controlar os resultados das eleições, de uma forma ou de outra. Imagine-se que este homem começa a ficar maior que o mito. Imagine-se que o povo começa a levar a sério aquela coisa da mudança, yes we can, e isso tudo, e de repente esquece a mão que de facto o alimenta. Imagine-se que o próprio Obama começa a acreditar que 'Yes we can' e desata para aí a querer acabar com as guerras e com a fome no mundo (Deus nos livre), ou pior, que se mete a sério a querer acabar com as drogas, sei lá, por exemplo! Imagine-se por um instante que Obama, ele mesmo, se começa a levar a sério e deixa de ser um team player, condição primeira para se ser, no poder na América. Já pensaram?

 

Imaginemos tudo isto e recuemos por um instante até uma tarde de Novembro, 22, em Dallas, Texas, quando uma só bala entrou e saiu sete vezes nos seus alvos, que passavam num carro aberto e escoltado pela melhor segurança do mundo. Quando uma evidência destas fica oficialmente registada no relatório final da mais polémica comissão de todos os tempos, a Comissão Warren, reunida debaixo dos olhares expectantes do mundo inteiro, então percebemos finalmente que não é necessária imaginação por aí além para entender as motivações que possam existir num ror de gente importante e poderosa para por um ponto final, de calibre 38, no discurso deste homem nascido com uma estrelinha de especial refulgir. Talvez seja o brilho da glória, talvez seja o brilho das lágrimas, quem sabe, como aquelas que a América já chorou um dia sobre o caixão de um homem parecido com este, mas em branco. O mundo inteiro recorda-o pelo sorriso de esperança que lhe abriu as portas da Casa Branca e lhe ditou o cognome que ficaria para a História: forever young. Também ele simbolizava a mudança, também ele arrastava multidões. Hoje vive no panteão dos mitos, lado a lado com Elvis. É assim a América. Esperemos que Obama consiga envelhecer por lá. Era bom sinal.

 



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Bom dia. Hoje é só festa e somos todos amigos: a malta ganhou!!
Domingo, 08 Jun, 2008



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Sábado, 7 de Junho de 2008
Isto da bola dá-me cá uns nervos...
Sábado, 07 Jun, 2008

 



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Portugal em campo
Sábado, 07 Jun, 2008

Trinta e dois segundos de jogo. Cristiano Ronaldo vai ao chão com a primeira carga. Começou o jogo na TVI.



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Cidades sem coração
Sábado, 07 Jun, 2008

 

Foi há pouco tempo, um mês, se tanto, no coração de Lisboa. Avenida Almirante Reis, junto à Praça do Chile, três da tarde de um dia-feira qualquer, com gente a escorrer pelas ruas a passo corrido naquele ritmo todo próprio da capital. Passeios à cunha, apertados para o cruzamento de pessoas em direcção contrária, bancas de fruta de um lado, quiosques de jornais do outro com estendal de brindes no chão, mais o pedinte que estica o coto de perna num cartão e mil outros obstáculos nesta corrida do dia-a-dia. Neste passeio apinhado de gente que se cruza, um homem tem um ataque epliléptico e cai no chão, entregue a contorções, uns bons metros à minha frente. Caiu atravessado na diagonal, pelo que só passando literalmente por cima dele é que seria possível passar, para um lado ou para o outro. Pois foi exactamente o que fizeram uns e outros, os que vinham daqui para ali e os do vice para o versa, todos alçando a perna por sobre as pernas do infeliz que estrebuchava na mais completa solidão e perante a absoluta indiferença da quase totalidade das pessoas que ali estavam naquele momento. Terá seguramente passado um pouco mais do que o minuto e tal que o homem deste video tem de igual solidão depois de atropelado, jazendo no asfalto sem que ninguém, entre condutores e transeuntes, se tenha abeirado para ver se ao menos ainda estava vivo (de resto a razão que levou a polícia de Hartford a divulgar este video a pedir a colaboração da população para identificar os culpados do acidente). São sinais preocupantes de uma sociedade doente, dirão uns com a sua razão. Eu cá vou mais longe, rural convicto que me tornei: acho que é mais grave do que isso, é o colapso de toda a decência urbana, entre seres com vidas tão diferentes que às vezes é difícil considerá-los da mesma espécie, sequer, para mais forçados a co-existir uns em cima dos outros, sob intensa pressão e em condições que já potenciam a agressividade e a revolta. Daí para a apatia social que podemos ver neste video vai um passo apressado, um passo apenas, humano, mais um passo igual aos muitos que eu vi dar, alçando a perna sobre o corpo caído, naquele dia-feira qualquer do mês passado, no coração desta Lisboa sem coração.
 



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De praga, doença, obsessão, a caso de polícia.
Sábado, 07 Jun, 2008

Pesam-me os dedos para bater nesta tecla, tenho que dizer. Venho a pegar de empurrão, a querer fugir da raia, gato escaldado que estou, medroso e cioso das vidas que me restam, se é que me resta alguma. Venho a fingir que não mas a dizer que sim, a olhar para o lado mas a evitar pisar, contornando. Só que isto é merda que salta, não poia quieta e sossegada no seu canto. Faz questão de se bostar no meio do passeio para se colar em pedacinhos ao chinelo (de preferência) de quem passa e, na passada, a leva consigo já para casa. Daí até se habituar a ela é uma questão de tempo, já reza o dito que primeiro estranha-se mas que depois é o que se sabe, entranha-se, quantas vezes em afinidades, almas gémeas, chinelo igual, raiva comum. É isto que é uma praga. E eu tenho uma, alapada na minha vida há treze, catorze, quinze anos, mais um menos um, who's counting? Então e como é ter uma praga na vida? Numa palavra, insuportável. Não se deseja ao pior inimigo.

 

A minha praga já é uma rotina tão sabida, um frete já tão da casa, que a regularidade trouxe como que uma anestesia local em que a gente está a ver tudo, sabe o quanto nos dói e o mal que nos está a fazer mas escolhemos sentir menos, por mero mecanismo de defesa do organismo. Ou por pura cobardia, seja. E assim se vai vivendo, sobre. Não deixa de ser perverso, já que o ideal seria resolver, extirpar o tumor de vez, raspar as raízes e pôr um ponto final no assunto. Pois. Eu sei. Mas eu tenho uma praga na minha vida que é uma coisa assim... como dizer, diferente, talvez. Escrevi sobre isso recentemente, não me custa repetir, acho até que tem que ser. Não sendo o meu assunto preferido, a verdade é que chega uma altura em que não é mais possível fazer de conta que a casa ainda está de pé, enquanto olhamos para as ruínas que contam uma outra história bem diferente. Deve ser a isso que chamam o limite, creio eu. A parte curiosa é também eu ter um, pelos vistos.

 

Ter uma praga na vida é ter uma carga de trabalhos nas costas, uma canga que se carrega dobrado e sem hipótese de escolha. Praga não tem primavera, é nada mais que um longo inverno de tempestades, raios e trovões alternados com aguaceiros ligeiros, a suplicar abrigo e a pedir solzinho por favor. E depois lá vem tromba de água outra vez, quando a gente já está esquecida e de calção novo, a banhos noutra praia. É molhado que não seca por mais calor que apanhe. Ter uma praga na vida é uma porra, acreditem. 

O ódio é reconhecidamente uma praga, é certo, mas eu cá pergunto a mim próprio se o amor não poderá ser praga pior e mais corrosiva. Ser objecto da paixão assolapada de alguém é tragédia que nos deixa gregos. É nunca saber sequer que se deseja, é ter cá dentro um astro que bem podia ir flamejar outro, se faz favor, vá lá, irra, por obséquio, facilite e areje, pelo amor da santa! Mas nada feito. Foi uma atracção fatal assim que matou o gato ao Michael Douglas, quando Glenn Close acabou com o mito das sete vidas numa panela de água a ferver lá de casa. Não é a curiosidade que mata, é a paranóia. E ser o rosto fixado na imagem do acordar e deitar de alguém que não queremos em nós, mais a sua razão de viver para o resto dos dias, é mais e pior que telepatia de feira, é doença do foro psiquiátrico. Não é caso para brincadeiras.
Ser pragado é pior que ser praxado, na dureza e no tempo da provação. É explicar que não, não, desculpe, não, não dá. E ouvir que sim, sim, desculpe, sim, sim mas. É aparar golpe atrás de golpe sem estocar a espadeirada redentora do contra-ataque, insistindo na defesa por pruridos de nojo que nos vão levando à falência, moedinha por moedinha. E é carregar a cruz de Cristo numa via pouco sacra, onde nada é sagrado para a impiedade de quem nos nega descanso. Pura obsessão, teimosia, cegueira, despeito, loucura. Uma tristeza. Uma praga.

 

Terá um escasso par de meses que eu escrevi este texto, três, se tanto. E já na altura ele se me escapou porque estávamos em pleno ataque, mais um, outra vez debaixo do fogo cerrado de tanto azedume e malvadez que dir-se-ia verdadeiramente inesgotável esta fonte de ruindade alojada no lugar que deveria ser o de um coração de mulher. Em verdade vos digo que esta dor-de-corno, em particular, tem tudo para fazer história nos anais da dor-de-corno em geral, como um clássico de culto para todos os lunáticos da especialidade. O que, diga-se, poderia resultar deveras interessante do ponto de vista regional, social, psicológico, mesmo literário, se quiserem, não fora o facto de ser a minha própria história esta que está a ser escrita pela dor-de-corno de alguém evidentemente transtornado, para ser suave. Pois só esse pormenor já traz diferença que chegue à situação, da maneira que eu vejo as coisas; já estipula regras e limites para a indecência tolerável. Nada a fazer, por esse lado: antes o massacre sem resposta, do que descer ao nível rasteiro desta praga. Que se mantém activa, diga-se a propósito. Daí toda esta conversa.

 

Nos últimos dias, mais um novelo de intriga e má-língua rasteira se desenrolou e estendeu pelas vidas de uma, duas, três, cinco, dez pessoas, que sei eu! Quem pode garantir por quantas bocas passa um boato até finalmente se aquietar, nunca esquecido, num canto da memória colectiva ou individual? São assim as coisas, é assim a gente. A vida do 'gajo da televisão, sabem, aquele?', circulou mais uma vez em edição pirata, tão pirata que qualquer semelhança entre a verdade e a ficção só pode ser um mero descuido, não coincidência, da parte de quem mais uma vez se deu ao trabalho de inventar, desenhar, construir e colorir uma tragédia de brincadeirinha para achincalhar outra pessoa. Para cuspir e calcar, pela calada, iludindo toda a gente e ainda arregimentando para a causa um ou outro incauto que se ponha a jeito. É isto que é uma praga, um nojo de carácter. E eu tenho uma praga na minha vida, alguém tão desiquilibrado e ruim que os seus actos há muito revelaram não passar de um caso psiquiátrico, a requerer atenção médica urgente, que nunca mais chega. Mas que, por mais vergonha e embaraço que me possa trazer a mera constatação do facto, não deixa de ser mais um caso de polícia, tal como o de qualquer outro criminoso psicopata semelhante. Um caso de polícia exactamente igual àqueles em que um merdas qualquer persegue e agride sistematicamente alguém que não se pode defender. Um nojo de cobardia. Uma tristeza. Uma porra. Uma praga.

 



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Bom dia. Hoje é: bandeirinha na mão e olho na selecção.
Sábado, 07 Jun, 2008

«O arranque de Portugal no Euro 2008 começa hoje às 19,45h frente à Turquia. “Uma selecção que merece todo o respeito”, segundo Scolari. O objectivo é ganhar porque, afirmou e o seleccionador e vários jogadores, “este é um torneio que se faz passo a passo”. Portugal joga no estádio de Genebra frente à Turquia no segundo jogo do Grupo A, depois do Rep. Checa – Suíça.

Portugal entra com grande expectativa para este Euro 2008. Leva o título de vice-campeão do Euro 2004 e um quarto lugar no Mundial. O “onze” inicial deverá ser o mesmo que defrontou a Geórgia na semana passsada:

Ricardo
Bosingwa, Pepe, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira
Petit, João Moutinho, Deco
Cristiano Ronaldo, Simão e Nuno Gomes
»

 



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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008
Tenho um probleminha, aparentemente...
Sexta-feira, 06 Jun, 2008

(carregue, dizem que aumenta...)

 

 



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Bom dia. Hoje eu vejo o mundo a avançar com um acto de amor.
Sexta-feira, 06 Jun, 2008

«Um informático norte-americano desenvolveu um browser destinado a crianças autistas, como o seu neto, que sofre da doença e não pode beneficiar de algumas das funcionalidades da Internet. O Zacbrowser foi disponibilizado na Internet de forma gratuita. O browser foi criado por John LeSieur, um programador de Las Vegas, em parceria com especialistas na doença, depois de ter constatado que a Internet poderia ser uma boa ferramenta de recuperação para o seu neto de seis anos, mas a quantidade de cores, banners e conteúdos existentes não ajudavam. Segundo o El País esta aplicação destina-se a crianças que sofrem da doença e elimina todos os elementos que afectam a sua mente. Apesar de ter sido desenvolvido especificamente para o seu neto, o projecto foi bem recebido por outras pessoas, também familiares de crianças autistas.»



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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008
Então e para o Dantas, nada?
Quinta-feira, 05 Jun, 2008

Conta- nos hoje a Lusa que a GNR se deslocou a casa de Vale e Azevedo em Colares, Sintra, para o deter no âmbito do caso "Dantas da Cunha", tendo o caseiro indicado que o ex-presidente do Benfica está em Londres em morada incerta. Diz mais, a notícia. Que a certidão desta diligência efectuada a 26 de Maio pela GNR de Colares, a que a Agencia Lusa teve hoje acesso, refere que o responsável pela Quinta de Cima, residência do antigo presidente do Benfica, garantiu à GNR que "João Vale e Azevedo há cerca de dois anos exerce actividade profissional em Londres, desconhecendo a morada", e que só "esporadicamente vem a Portugal".

 

Ou seja, trocado em miúdos, o ex-presidente do Benfica terá recusado liminarmente a generosa oferta, apresentada pela Justiça nacional, de alojamento em regime de pensão completa por um período de sete anos e meio, mais amnistia, menos precária. Ou, de forma talvez mais directa e no dizer popular, haverá por certo quem pense e diga que Vale e Azevedo se pirou para não ir de cana, deu ao solante e foi de frosques, enfim, isto já se sabe que há gente para tudo nestas coisas. Recordemos os factos, que o tempo passa a correr.

 

Um colectivo de juízes do Tribunal da Boa-Hora, presidido por Renato Barroso, condenou, em Outubro de 2006, o Dr.Vale e Azevedo a sete anos e meio de prisão pela prática dos crimes de falsificação e burla qualificada no chamado "caso Dantas da Cunha", após considerar que, em 1997, o então advogado falsificou procurações para obter, à revelia de Pedro Dantas da Cunha, poderes para hipotecar um imóvel da família deste, localizado no Areeiro, como garantia de um empréstimo de 1,5 milhões de contos contraído junto da Caixa Geral de Depósitos (CGD). E arrecadado pelo águia-mor, directo para o bolso esquerdo, ao tempo. Minudências, no fundo.

 

Bem, a braços com o que só pode tratar-se de um mal-entendido, com toda a certeza, Vale e Azevedo terá optado por não estar hoje ali, à porta da sua residência e de mochila pronta, para receber os agentes que lá iam buscá-lo com uma intenção tocante. Mesmo. Pois a mim só me custa a aceitar que ele não tivesse ao menos deixado um bilhetinho, isso é que eu acho que foi um nadita rude. Já não digo um manifesto, que diabo, mas uma carta ao Dantas, por exemplo, um bilhete ao Dantas, uma nota com o desabafo final: "Se o Dantas é português eu quero ser inglês! Fui. PIM"



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Sim, e agora quem é que paga os árbitros que foi preciso comprar?
Quinta-feira, 05 Jun, 2008

«O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, afirmou hoje que o clube "não se considera fora" da Liga dos Campeões de futebol e ameaçou "pedir responsabilidades e indemnizações a todos os que contribuiram" para a situação.»

 



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Bom dia. Hoje quem tem um Nunes não precisa de Constituição.
Quinta-feira, 05 Jun, 2008

«Juízes dizem que ASAE é inconstitucional. Desde 2007 que a ASAE tem poderes semelhantes aos das outras polícias, sem que o Parlamento tenha sido ouvido. Para a juíza Maria Mata-Mouros, isto é inconstitucional.»

 

 



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Quarta-feira, 4 de Junho de 2008
Contas à vida
Quarta-feira, 04 Jun, 2008

Um, dois, três, quatro, cinco, zero. Estou na rua, estou em casa, estou no espaço, estou sem ele, estou na terra e estou aqui, estou ali, estou no mar. Estou de dia, estou de noite, estou à hora do meio-dia, até, que agora nem por isso é o 'meio' que era dantes, já nem isso está na mesma... tudo mudou menos eu, que insisto no absurdo de estar, estando assim. Mas que vou estando, enfim, e sempre que estou (ou desde que esteja, vai dar no mesmo) tenho-te comigo, instalado no pensamento, gravado a sangue (esquece o suor, pensa nas lágrimas). Sempre, a todas as horas, pois que cada segundo é um pretexto, um 'a propósito' que, junto aos outros mil, soma este despropósito em que vivo, de assim estar por tu não estares. Repara que é injusto tu não estares se eu estou, (uma vez ou outra, que seja). E algo perverso, também. Ou não vês? Pois se quando eu estou tu estás, por que diabo não poderás tu estar onde eu também esteja, comigo lá eu onde estiver? É que é tudo o que nos falta, aos dois e a cada um, neste momento e há tempo demais: deixar que o 'estou' passe a 'estamos' para estarmos juntos e um com o outro (coisas distintas, porém compatíveis). E é isto tudo e o que eu mais peço à vida, todos os dias, o meu desejo mais repetido, para dentro e para fora, desde a prece muda até ao murmúrio acanhado, daí para a voz alta, e a seguir mais alta um pouco, ou mesmo dois poucos, três poucos e um berro, dois, três, gritos aflitos da angústia de não te saber. Moral da história? A puta é surda que nem uma porta, fechada para mim por ti há tempo demais. Abre, por favor. Sou eu, lembras-te? Sou eu.

 



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Bom dia. Hoje eu vejo os 'especialistas' da tanga à procura de novos mercados para encher os bolsos.
Quarta-feira, 04 Jun, 2008

«Recuperando a ideia já defendida de usar kits de detecção de drogas nas escolas, Pinto Coelho defendeu que «serve para detectar de forma precoce a toxicodependência e encaminhar os casos para tratamento».»



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Terça-feira, 3 de Junho de 2008
Sinceramente: isto cada um é p'ró que nasce.
Terça-feira, 03 Jun, 2008

Manuela Ferreira Leite é desde sábado passado o rosto da nova liderança do Partido Social Democrata, escolhida pelos militantes laranja em função dos seus atributos de sobriedade pessoal, dureza política e competência técnica. Foi Ministra da Educação do XII governo (93/95) e Ministra de Estado e das Finanças do XV Governo Constitucional, antes de se zangar com Pedro Santana Lopes e bater com a porta em 2004. É a senhora da foto da esquerda, para quem possa ter dúvidas. Nada mais natural, de resto, se considerarmos que a senhora da foto da direita é também uma mulher da vida política, por sinal uma Ministra, nada menos. Com efeito, a senhora de preto que está na foto da direita chama-se Maria Rosaria Carfagna e foi nomeada, no passado dia 6 de Maio, Ministra para a Igualdade de Oportunidades do IV Governo de Sílvio Berlusconni, uma pasta com particular responsabilidade social. E visibilidade, claro, coisa que não falta a la signora Carfagna. O primeiro ministro italiano, de resto, não tem sido nada parco nos elogios que faz à beleza da sua ministra e ex-modelo fotográfico. E de tal forma assim é que Berlusconi já deu mesmo origem a (mais) um escândalo com a sua própria mulher, ao afirmar que casaria com Maria Carfagna pela sua beleza. Nada que remotamente se pareça com o passado por cá das inúmeras vezes que o agora Presidente Cavaco Silva rendeu públicas, extensas e sentidas homenagens à competência técnica de Manuela Ferreira Leite e à sua própria personalidade e maneira de estar na vida, duas faces da uma mesma moeda-forte do cavaquismo: uma postura de coerência, pessoal e política, de austeridade e de rigor, até de contenção verbal que positivamente encanta Cavaco e ainda merece o entusiástico apoio da nossa Primeira-Maria, tão público e notório como só ela consegue que seja uma mímica de consorte presidencial.

Maria Rosaria Carfagna e Manuela Ferreira Leite são duas mulheres na primeiríssima linha da vida pública dos seus países, dois expoentes da política no feminino que não poderiam ser mais diferentes entre si, sem desprimor ou menosprezo de nenhuma perante a outra. Exibi-las a par, tanto como compará-las, tem o seu quê de obsceno se nos ficarmos pela caricatura grosseira de uma, ou pelo mamilo exposto da outra. Mas há muito mais a considerar no percurso individual de cada uma destas pessoas, por acaso mulheres, dos respectivos pontos de partida até às cadeiras do poder que hoje ocupam e mesmo na forma como desempenham os seus papéis. Eu cá teimo em que há por aqui uma moral da história para reter e guardar, uma lição a aprender. Qual? Não sei ainda, vou continuar à procura. Ela há-de estar por aqui algures.


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In Major's shoes
Terça-feira, 03 Jun, 2008

Não é prática cá da casa a reprodução de posts de outros blogs, antes o link, claro. E salvo casos muito, muito pontuais, não vejo por regra grande interesse em fazê-lo, para além de raramente acontecer um post extraordinário ao ponto de justificar um tal arrobo. Ora eu sei que aqueles de entre vós que usam os chapéus maiores (para cérebros mais largos) já perceberam com certeza que se eu estou para aqui com este parlapié todo é porque este deve ser um dos tais casos muito muito muito especiais, será assim ou não? É pois, certíssimo, nem mais. Creio mesmo que este caso ilustra bem o que é de alguma forma a essência da blogosfera enquanto bloco-de-notas de luxo, arquivo da reflexão em estado puro e pelo puro prazer de viajar na memória, de referência em referência, em busca do sentido das coisas. Porquê? Ora, porque sim, claro. Pfff. Nuno Miguel Guedes num momento feliz.  

_________________________________________

 

Este acordar da Charlotte trouxe-me memórias pessoais interessantes e inúteis, vontade de dizer coisas e sobretudo um belíssimo motivo para procrastinar gloriosamente.

 

Para começar, fico sempre com inveja de quem descobre autores numa altura supostamente «tardia», apenas porque normalmente tem-se muito maior gozo com isso. No caso da Carla, Nietzsche, que eu «descobri» aos 16 anos. Ler o Para Além Do Bem E Do Mal com as hormonas em modo milk shake é natural. O filósofo tem um estilo galvanizante, épico e que faz levantar das cadeiras e empunhar bandeiras. Como a Carla bem diz, oscila sem meias-tintas entre a demência e a pura genialidade. Mas isso só fui descobrir muitos anos mais tarde - muito depois de ter gasto toda a minha mesada e poupanças no pavilhão da Guimarães Editores,da Feira do Livro de 1980, onde comprei todos os livros traduzidos. Levei várias vezes o Also Sprach Zaratustra para a praia, onde lia as passagens mais misóginas às minhas amigas, apenas para causar indignação e o contacto físico que se seguia. Havia, nesse outro tempo, uma mistura de força, de triunfo da vontade que se misturava com ídolos e atitudes: Nietzsche, Morrison, Curtis, Baudelaire, Oscar Wilde, o dandismo, Tristan Tzara e Dada. Miraculosamente, tudo fazia sentido, sendo os pressupostos nietzscheanos o ponto comum para estes homens revoltados (o Camus veio explicar tudo a seguir).


Nietzsche, na sua errática obra, é um filósofo quase pop, abandonado a si próprio e muitas vezes mais romântico do que Byron. Com o ainda ligeiro peso dos meus anos, aprendi a separar o que dele prevalece (que é muitíssimo) e a admirar com outros olhos as fontes onde foi beber (Schopenhauer, por exemplo). Mas na altura significava revolta. O meu professor de Filosofia do 10º ano - que sabiamente nos obrigava a levantar sempre que entrava na sala, coisa então já pouco comum mesmo no Liceu Camões - odiava Nietzsche. Era um aristotélico inflexivel, que nos dava as notas em latim (ascendere superius se subiamos a nota, manterius auto-explicativo e um olhar gélido para quem tinha negativa) e desdenhava a ausência de sistema filosófico em Nietzsche. Para um adolescente, isto era uma tentação demasiado forte.


Voltei a pegar agora n'A Origem da Tragédia, como preâmbulo ao Crepúsculo dos Ídolos. O sangue voltou a correr como nessas horas de militância decadentista púbere. Mas com a vantagem de já carregar uma vida e poder reclinar-me num prazer solitário e desafiador.

 

(MAJOR, in 'Nietzsche, confissões e televisões', aqui)



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Bom dia. Hoje eu digo que isto mais parece uma casa de doidos
Terça-feira, 03 Jun, 2008

«Miguel Bombarda e Júlio de Matos em situação caótica. A fusão dos hospitais Miguel Bombarda e Júlio de Matos lançou o caos nos serviços psiquiátricos e, segundo vários médicos, a situação culminou na demissão da directora clínica do Júlio de Matos. A Lusa adianta ainda que estes clínicos garantem que as urgências estão "em ruptura".»

 

 



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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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