Quinta-feira, 31 de Julho de 2008
Bom dia. Hoje há conversa. Em família.
Quinta-feira, 31 Jul, 2008

«O Presidente da República vai fazer hoje às 20:00 uma declaração ao país, pela segunda vez no seu mandato, sendo a primeira em Novembro de 2006 para anunciar a data do referendo ao aborto, esclareceu a assessoria de imprensa de Cavaco Silva.»



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (1)

Quarta-feira, 30 de Julho de 2008
Bom dia. Hoje eu vejo o nível.
Quarta-feira, 30 Jul, 2008

«Sargento Luís Gomes dá autógrafos em feira de enchidos. O sargento Luís Gomes, pai afectivo de Esmeralda Porto, vai prestar mais uma sessão de autógrafos em Vila de Rei na Feira de Enchidos, Queijo e Mel, no domingo, pelas 17h00.»



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (3)

Terça-feira, 29 de Julho de 2008
...e D. Maria disse: "Agora vê lá, não te habitues!"
Terça-feira, 29 Jul, 2008

«Tribunal Constitucional deu razão a Cavaco Silva em cinco das seis leis enviadas»

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Uma história como as outras, totalmente diferente das outras.
Terça-feira, 29 Jul, 2008

Há histórias que merecem ser contadas. E a deste homem, pelos vistos, é contada pelo próprio em livros que edita e vende, ele próprio também. «No caso dos meus livros, sou eu que faço tudo. Escrevo, colo, coso, meto as capas e ainda os vendo, pela Internet», diz José Lima, 53 anos, licenciado em Electrónica Industrial, paraplégico por acidente desde 1997. Mas vivo, não morto para um mundo que custa a aceitar essa sua realidade.

 

Em 2007, e depois de «uma mão cheia» de anos a bater às mais variadas portas à procura de emprego, José Lima criou uma «minigráfica digital», onde edita os livros que ele próprio escreve ou outras obras assinadas por autores da região de Viana do Castelo, onde vive. Apesar de licenciado em Electrónica Industrial, José Lima diz que não consegue emprego porque todas as portas se lhe fecham automaticamente, quando se apresenta numa qualquer empresa em cadeira de rodas. «Enquanto que o contacto é meramente telefónico, as coisas parecem bem encaminhadas. Mas quando apareço na empresa em cadeira de rodas, as coisas mudam radicalmente de figura. Às vezes, parece que estão a ver um fantasma», conta ao Diário Digital, onde vem esta extraordinária história de coragem e força de vontade. Ou será desespero? E o que é que isso interessa, qual a força mental que faz mover este corpo adormecido num mundo ainda mais a dormir, se não vê que um milagre deste tamanho só pode ser capaz de muitos e maiores milagres, se lhe derem essa oportunidade?

 

A mim, ouvido empedernido de tanta desgraceira escutar ao longo da vida, não sei bem dizer o que me acordou para esta história, mais uma afinal. Talvez o timbre inconfundível da verdade que vi neste título: «Paraplégico cria mini-gráfica para sobreviver». Se assim foi, está de parabéns o Diário Digital pela parangona escolhida. O que sempre compensa a chatice que é ler uma notícia em fascículos curtos, como acontece nesta do DD, obrigando a uma espécie de rally paper quem queira saber o fim da história. Pois não desista, é o apelo que lhe faço, que este final (de capítulo, certamente) vale a pena conhecer. É que José Lima é um dos dois participantes da primeira edição da Volta a Portugal em Cadeira de Rodas, (o outro é Rosa Carvalho, 48 anos, e que há mais de duas décadas se desloca em cadeira de rodas, por ser portadora da 'doença dos pezinhos') que sexta-feira parte de Valença rumo a Faro, onde espera chegar a 15 de Agosto, após cumprir um percurso de 900 quilómetros, deixo já em antecipação. Eu não disse que esta história valia a pena?



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (4)

Boletim específico de informação não especificada
Terça-feira, 29 Jul, 2008

(RFM/12:00h) Amy Winehouse deu ontem à noite entrada de urgência num hospital de Londres, sofrendo de patologia não especificada.

 

(RFM/12:00h) Amy Winehouse teve hoje de manhã alta do hospital de Londres onde entrou de urgência ontem à noite, sofrendo de patologia não especificada.



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (2)

Bom dia. Hoje eu pensei que era a brincar mas afinal é a sério.
Terça-feira, 29 Jul, 2008

«O comando marítimo do sul decidiu proibir as massagens nas praias algarvias. A justificação para esta proibição está relacionada com o receio de eventuais fins mais quentes de massagens que até podem começar inocentes. »

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (2)

Segunda-feira, 28 de Julho de 2008
Estou a ver. Eles dão o petróleo e nós damos o quê, para além daquilo que estamos todos a pensar?
Segunda-feira, 28 Jul, 2008

«O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, defendeu hoje que Portugal tem de equilibrar a balança com todos os países que lhe fornecem petróleo e deu como exemplo o caso da Venezuela. «Temos um desequilíbrio nas relações com todos os países que nos fornecem petróleo e temos de ter uma acção mais energética no sentido de equilibrar essa relação», disse o chefe da diplomacia portuguesa num encontro com os jornalistas no Ministério dos Negócios Estrangeiros.»

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (1)

No coreto de Jardim
Segunda-feira, 28 Jul, 2008

Eu cá já 'fiz' o Chão da Lagoa. E é claro que me lembro de todos os pormenores, que aquilo é uma daquelas coisas inesquecíveis que acontecem na vida da gente, um brinde cultural, quer como trabalho jornalístico quer mesmo apenas como experiência pessoal. Um grande momento da profissão. Na gíria de reportagem, ‘fazer’ o Chão da Lagoa é partir para um dia intenso com muito para ver, pouco para reportar e animação garantida do princípio ao fim. Nem mais, nem menos. Passo a explicar.
 
Muito para ver porque sim, é assim mesmo, é tudo 'muito' no dia grande do partido laranja-M. É muita cor e muita música e muita bebida e muita comida e muito grito e muita bebida e muito discurso e muita bebida e muita gente, sobretudo muita gente, arregimentada nos cinquenta recantos da ilha e embalada em autocarros que as despejam no terreiro de Chão da Lagoa como só em Fátima, em dia de Papa. São muitos milhares de pessoas, numa ilha onde não há outros tantos em casa nesse dia. Sabem todas ao que vêm, mesmo aquelas que possam não saber porque vêm, sempre, ano após ano, num ritual partidário que se confunde facilmente com uma prática pública institucional, uma espécie de convite irrecusável à cidadania feito com chancela partidária. Isto se quisermos complicar o que é simples,porque afinal, na prática, acorreram todas ao assobio de um homem, ao chamado do líder bem amado. É o que eu digo, é Fátima em dia de Papa.
 
Pouco para reportar porque sim, é assim mesmo, novidade, novidade há muito pouco ou nada, quem viu uma vez, duas vezes, viu três vezes e percebe que pode saltar as vezes que entender que não perde grandes jogadas de recorte estratégico, nada do outro mundo. E depois também ninguém pretende investigações exaustivas ou piruetas de originalidade, pelas redacções nacionais. Basta lá estar à hora dos golos e a história fica razoavelmente contada, regra geral. É certo que com Jardim a regra é que todas as regras têm excepção e tudo pode acontecer. Como por exemplo uma acrobacia mal calculada a acabar com o desabar estrondoso do líder, estatelado numa euforia jaqué, entornado no chão, braço partido, pendurado ao peito nas cerimónias oficiais dos meses que se seguiram como recordação do chão do Chão da Lagoa. Mas isso é a excepção, claro, nem todos os dias Jardim é altamente excessivo; eu julgo até que ele no geral faz por evitar o 'altamente'. Mas cada um é para o que nasce, é sabido.
 
Por isso a muita animação, porque sim, é assim mesmo o nosso Alberto João: uma festa total, uma receita de sucesso em que não se mexe. Como em qualquer fado tradicional que se preze, a música mantém-se igual e só muda a letra, neste caso de ano a ano. "Sócrates não pode continuar a governar Portugal, eu julgo mesmo que é um insulto aos portugueses serem governados por Sócrates", são palavras a destacar do improviso desta edição, longamente aplaudido, quer a letra quer a música, que a malta no Chão da Lagoa quer tudo e tudo pode. Alberto João fala e atrás de si o conjunto musical sublinha, rufam tambores no pontuar de cada jargão. O líder madeirense classifica o primeiro-ministro como um "grande inimigo da Madeira", pelas dificuldades que tem provocado à região. E toca a banda. "Esse indivíduo, o grande inimigo da Madeira, pensou que nos podia destruir, pensou que íamos parar com o desenvolvimento roubando-nos dinheiro”, troveja. E toca a banda.” Esse indivíduo faz o que há de menos ético num Estado democrático, usou o Estado para fazer combate político", garante. E toca a banda. Como toca a todos o aviso anterior de Jaime Ramos, secretário-geral-éme, cujo eco ainda paira no ar: "Se Portugal quer manter a Madeira unida a Portugal, tem de pagar a tempo e horas, senão vai ter uma acção de despejo", terá arrotado. O povo aplaude, feliz com a hora de circo. E toca a banda, claro.  
 
Cá de longe, à distância de um oceano, mais gota menos gota, Portugal tudo ouve e tudo vê com a impassibilidade da classe política a tentar fazer-se passar por classe da impassibilidade política. Não é que alguém acredite mas pronto, ‘o estilo é que conta’, dizem. Não fosse a vermelhidão na face do poder, no sítio da luvada, e dir-se-ia que nem o Governo nem o seu chefe deram por nada, entretidos a ver a banda passar, enfiados no coreto de jardim.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (2)

Bom dia. Hoje eu também adorava ter um macaquinho amestrado.
Segunda-feira, 28 Jul, 2008


publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Domingo, 27 de Julho de 2008
Pois, é como ensinar o pai-nosso ao cura, de facto.
Domingo, 27 Jul, 2008

PS diz que "não recebe lições de combate à corrupção" de João Cravinho.



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Um prémio sonhado aqui
Domingo, 27 Jul, 2008

Ontem foi noticia a atribuição do Prémio Camões a João Ubaldo Ribeiro. Antes, muito antes desta homenagem, uma outra tinha já sido aqui prestada ao mesmo escritor por Daniel de Sá, que em Dezembro do ano passado publicava no 7Vidas esta magnífica chapelada inter-pares. Um texto com sotaque, cuja publicação eu não resisto a repetir hoje, neste dia em que a festa da Língua Portugesa tem esse mesmo sotaque que desta vez até limitou a selecção dos candidatos ao prémio. «Marcolino Candeias criou uma personagem magnífica, o Joe Cannoa, um contador de histórias fantásticas, capaz até de ressuscitar Lázaro uma segunda vez. João Ubaldo Ribeiro deu vida a muitas personagens tão deliciosas como as do Marcolino. Esta é uma tentativa de homenagear um e outro, através de um emigrante açoriano em terras brasileiras, vagamente primo do Joe Cannoa, que para lá foi em criança e que, do que diz, pouco soa à linguagem de pai e mãe.»

 

Em baixo: "Um sítio chamado aqui"

Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

 

Baiano tem famas bem ruins. Todo mundo o desconsidera como sujo e vagal, e mais ainda que, tendo esse tanto de porco e preguiçoso, é também a vergonha do Brasil na hora de falar. Mas seu Ubaldo escreve direito nossas falas, e faz literatura que não há quem não dê aplauso ou bote defeito, inclusive portugueses de Portugal, e sendo que eles dão lustro na prosápia, dedicando à gente a desgraceira da ignorância. E se vosmecê ouvisse Julinho Calçagatos, principalmente depois de feitas suas devoções de cachaça, então ficava sabendo o que é biblioteca mesmo. É certo que na hora de contar mentira não há quem ganhe ele, o que aumenta até a imensidão de literaturas que ele fala, e que o descarado chegou mesmo a dizer que os americanos já tiveram na Lua. Mas a gente desculpa, e põe as culpas na cachaça de Adínton, que é mais forte que álcool de sarar infectos. Teve uma vez um concurso de mentiras – ideia de Adínton para ganhar dinheiro nas apostas de aguardente – e o danado derrotou todo mundo num instantezinho. Nem deu hipótese. Não vou contar as mentiras da concorrência, uns excessos que ninguém pode imaginar, e eu não quero ser chamado de excessivo. Julinho Calçagatos, que era o último a botar palavra, falou só isto: “Esse pessoal aí estão fora do concurso. Tudo o que eles disse é verdade.”

Por essa razão das ilustres letras de seu Ubaldo me dá até vontade de chorar, eu que nem sou homem de chorar por cacarecos. Bem que minha santa mãe me azucrinava todo dia com a obstinação dos estudos, mas eu só tinha paixão de escola na hora de sair. Se escola fosse só sair dela eu tinha chegado a doutor. Tia Gertrudes era mais compadecida, e por isso era quem mais me aceitava em casa dela deixando meu banco esperar por mim em vão até quase ser hora de murucututu sair caçando. Chegadas as convenientes indagações, ela se justificava dizendo a mamãe que eu tinha ajudado no acarajé, competência de veterano, especialista mesmo, e não deixava aguar, não dava pausa enquanto titia fritava. Então aí mamãe exigia uns bolinhos como prova das alegações, e isso depois que eu levava uma porrada das retorcidas. Assim que a consequência era que só eu comia grosso das mãos dela, enquanto que todo mundo se babava com os bolos de titia, mais ainda porque o feijão dela era o muito melhor daqui.

 

Papai se abstinha nas justiças, e só deu sentença em meu proveito quando eu fiz queixa, provada e comprovada por tudo quanto era aluno de professor Jacó. Professor Jacó não é de sabedorias seguras, não. Os meninos juraram em minha jura que ele ensinou isso de alfabeto dando um nome à terceira letra, e logo estava chamando ela de outra maneira. Num dia era cê e no outro era quê. “Mudou de opinião, e a gente sabe que professor não pode ter opinião”, falou meu pai. “O povo devia era tirar os filhos da escola, que para aprender errado não é preciso professor com diploma. Errado a gente sabe.” Com tudo isso, não aprendi mais que umas sete ou doze letras, e até essas esqueci para todo sempre, veja a inglória. É isso aí que me dá vontade de chorar, já falei, que eu nem queria ser doutor, só presumia ser capaz de ler a Bíblia e nossas histórias de seu Ubaldo.

Aqui tem pouco pessoal capaz de ler direito, mas a velha Mariana sabe mais que uma universidade tudo junto, mesmo que ela é mais sábia que Julinho. Porém não admira, que foi o Espírito Santo que ensinou, tanto que até pode falar as línguas principais do Mundo, inclusive português, e só por humildade não fala e porque ninguém ia entender. A velha Mariana é daquelas mulheres que a gente pensa que já nasce velha e casa viúva, mas também foi novinha como Ernestina, pode ser mesmo que bonita como ela, que todo mundo quer ver passar quando ela passa e ficar olhando a roda da saia e esperando o vento. Foi ela que escolheu nome para quase o pessoal todo, porque sabe o nome de tudo quanto é santo, e praticou no montão de filhos que teve, que era metade do povo daqui se não tivessem ido para outras partes. Quando olhavam no espelho e viam cara de homem, pensavam que era tempo de abrir o gás, e pronto, abriam mesmo, só parando a mil léguas daqui, no mínimo.

Julinho Calçagatos é caso mais de espantar, mormente que não aprendeu de Deus, foi só ouvindo e falando a vida toda. Se todo mundo tem seu acarajé, o dele foi fazer laço a passarinho, e ali logo se perdeu homem capaz de ganhar Nobel naquilo que fosse preciso, pode crer. Era só dizer “Julinho, vai aí no concurso e vence esses camaradas todos.” Nem que fosse alemão ou americano ele vencia mesmo. Julinho podia até ter estudado para santo, o que parece ideia de jerico mas só antes de ouvir suas razões, mas ele não quis, diz que dá uma trabalheira medonha que mesmo só santo é que pode. Se não fosse, Julinho chegava a santo, com velas, flores e tudo lá no altar, só que ele queria isso era para fazer umas vinganças, não esconde. Rico que fosse na igreja pedir abundância, ele dava só de piolhos e de bexigas, e se não lhe dava uma bicuda na testa era porque santo não mexe, o que é outra amolação que Julinho não aguenta, por isso ser santo é difícil mais que subir pau de sebo. E de carne não havia de consentir na mesa do rico mais que mocotó em dias de festa, Carnaval inclusive, e isso caso o rico não gostasse. Mas menina boa e feia ficava logo ali boa e boa, ora veja, não sei se entendeu.

Uma vez teve aqui dois fulanos para arrolar o povo de testemunhas de Jeová, que é o Nosso Senhor deles, e foi Julinho quem resolveu a questão. Bem que a velha Mariana tentou, mas embatucou, com respeito a essas coisas que eles mostravam na Bíblia, e o povo olhando e ouvindo sem saber que dizer. Os fulanos falavam que o Mundo ia acabar mais dia menos dia, mas davam garantia do Céu, e mais não sei o quê. Se eles acrescentassem setenta virgens, como os outros, a gente até que fazia negócio sem mais considerandos, que a coisa estava ficando meio chata. O pior foi na hora de explicar o que era proibido lá na religião deles. Houve coisas que a gente ia dando acordo – não bater na mulher, tava certo. E a mulher pode bater no homem? – Não pode, tá mais certo ainda, duas vezes certo, com isenção para a mulher de Junípero, todo mundo sabe. Pagar um dinheirão para as gravatas deles e mais os ternos e as pastas e as viagens, que o mundo é grande, maior que o sertão todo e cheio de granfinagem que a gente nem sonha. Eles não falaram isso, mas o pessoal percebeu logo. Pior foi na hora de proibir cachaça. Julinho foi mandando “bota aí outra cachaça, seu Adínton”. Os da pasta deitaram fogo pelos quatro olhos e falaram que ele ia direito para o Inferno. Julinho encheu de ar, tossiu quatro vezes (aquela era especialíssima ocasião, que nas vulgares só tossia três), e emborcou o resto da cachaça. Nem cuspiu, que ele não cospe depois de beber para não botar fora o gosto. Puxou as calças, esfregou com o dedão do pé direito o calcanhar canhoto, e deu sentença. “Vosmecês falam que nessa especialidade de Céu só cabe cento quarenta e quatro mil.” Depois, descendo no respeito, acabou a argumentação. “Vocês o melhor mesmo é não procurar mais fregueses que tire seus lugares." Morreu aí. Tinham entrado rezando e saíram xingando todo mundo. Pelos modos, aqueles fregueses não vão fazer parte dos cento e quarenta e quatro mil. Não merecem. E a culpa é toda de Julinho Calçagatos. Já dizia a mãe dele que ele botava as almas dos outros nos Infernos.

Seu Adínton também não sabe ler, mas tem livros com tudo quanto é fiado. Em vez de nome ele faz um desenho das aparências de cada qual, assim que bigode quer dizer Jorginho Filho, sobrancelha grossa é seu Antenor, e os mais consequentemente. Julinho não precisa desenho, Adínton tem um livro só para ele. Pior é o desenho de Raimundo, a quem a mulher planta na testa até doer a alma só de ouvir suas histórias escondidas, que eu nunca vi nem quero ver para não ter assombrações. E diz quem já viu o desenho dele que Adínton capricha nos pormenores da armação. Raimundo disfarça, mas a gente vê na cara que está sempre virado no cão, chateado mais que lagosta apanhada no jereré, e não é para menos, que ninguém gosta. Dívidas de cachaça são lembradas com um copo cada vez, e quando chega no quinze ele faz uma moringa. Sendo caso que o camarada bebe mais quinze sem pagamento, Adínton não desenha outra moringa, faz um dedo espetado com seu dedo do meio servindo de modelo, veja o desaforo, e não dá nem mais uma pinga ao coitado.
 

Televisão nunca apareceu aqui para filmar o povo e essas coisas assim, que o único crime mortal que teve aqui foi quando Formosinho degolou Dalberto. Formosinho é um cara sem vergonha, mas houve até quem risse da façanha dele, que isso não é tudo alma lavada. Mas a gente ri sempre quando lhe chama esse nome, que o pobre é tão feio que só explicar mete medo. E até deu risada universal quando ele ficou com os olhos quase saindo pelo carão fora, por causa do aperto que Zé Cão lhe deu no gargalo. Zé Cão é o dono das cabras viúvas do bode defunto, e só não esganou mesmo Formosinho para todo o sempre porque não era dono do bode. Se fosse, esganava, e o crime ficava mais feio ainda. O dono era Formosinho mesmo, mas Zé Cão queria o bode dele para fazer ofício nas cabras, e estava no tempo das núpcias delas. Foi isso que ele não perdoou, porque para achar outro bode capaz de tais proezas, inclusive que Dalberto nem sequer era de preliminares demorados, precisava ir até ao finzinho do Recôndito, e mesmo assim não sei. Mas o verdadeiro dono do bode até que tinha razão, que bode não dá leite e ele já vinha aguentando o bicho vivo há muito tempo só para emprenhar as cabras de Zé Cão, que não pagava dote nem nada. Era só despesa, que bode depois de crescido não rende na engorda, e Dalberto levava seis meses recuperando-se dos obséquios. Aliás o coitado de Formosinho jurou que não tencionava matar, apenas queria cortar um chifre para uns enfeites lá dele, só que o cabrão do bode não deixou ele cortar rente, e então Formosinho teve de cortar na goela, veja a desgraça. Dalberto morreu logo ali, e o desnaturado aproveitou o óbito do chifrudo para fazer jantar de bode assado.

 

Aqui tem igreja, mas é tão pequenina que Nosso Senhor tem de sair para o povo entrar. E botaram nela um santo que não há quem conheça, nem padre, nem bispo, nem papa mesmo, inclusive a velha Mariana. Imagine só: São Cucufate! Mais esta no desprestígio! Cristão não leva nome assim, mas pode que na língua dele até fosse grande importância. A velha Mariana, que sabe de santos e santas e Nossas Senhoras que nem doutor da Igreja, leva um ano inteirinho de catecismo só treinando os meninos para não rir quando ouvem o nome dele, e não é para menos.

 

A igreja quem mais usa é a velha Mariana, mais ainda nos dias que Brasil joga copa. A gente põe ela rezando lá para Deus Nosso Senhor ajudar o escrete, ou para desajudar os outros, o que faz os mesmos devidos efeitos. Quando o jogo é com os pançudos da Argentina ou com os delicadinhos ingleses, ela vai de véspera. Nesses dias o boteco fica tão empesteado que não cabe nem mosca, mas está tudo de acordo. O pior é no resto do ano, que isto aqui o futebol é muito dividido. Metade do pessoal é Bahia, outra metade é Vitória, e a terceira metade é uns sem-vergonha de clubes que eu nem sei o nome direito. O mais peguento é Chico Come-Água, que é Fluminense, acha que pode? Mas não é Fluminense de Feira Futebol Clube, se fosse, pelo menos era time baiano, ele é Fluminense carioca, por raiva que tem do outro, porque queria ser goleiro lá deles, e o míster disse a ele que não servia nem para gandula pois não agarrava nem bola parada. E quem viu ele pensar que estava jogando confirma.

 

Aqui é tudo doutor de bola, se duvida pergunte, e se quer provas aqui tem a alinhação do time que deu despacho de 5-2 na Suécia: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando, Nilton Santos, Zito, Didi, Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo. Este pessoal só não ganhou três copas seguidas porque perdeu em Inglaterra com os moçambicanos, que os portugueses só sabiam jogar futebol quando eram moçambicanos, e mais porque contra eles só alinhou metade do escrete, que o beque direito deles completou nas pernas do Rei a ousadia que um comunista tinha começado. Mas o futebol de hoje é outro sentimento que dá vontade de chorar. Antigamente tinha pontas que driblavam tudo quanto era zaga, e ficavam esperando os meias para driblar antes de fazer gol. E tinha chute que era mais que tiro de canhão e até assustava os anjos. Nos treinamentos de Jairzinho não botavam véu de noiva na baliza que ele chutava, para não rasgar. Mas desde que apareceu a televisão dando importância neles, jogador de futebol mais parece estar fazendo concurso de misse, um desconsolo. E mais ainda que agora todo mundo se divide na opinião, que cada um vê penálti e ofissaide quando quer que seja penálti e offisaide, e quando não quer não vê. Antigamente o pessoal acreditava no espíquer sem mais quê nem pra quê, não dava encrenca, ele falava tava falado, quem era a gente para negar?

 

Que me desculpe seu Ubaldo, mas isso de saber ler eu acho que não ia dar, não. Eu gostei de ser menino, mesmo daquele modo sem jeito que já contei. Quando fiz doze anos só passava de metro e meio porque tinha calos nos pés como jegue sem ferraduras. E agora veja se tem jeito eu usar sapato fino. Futebol tinha cheiro de suor dos pontas que passavam correndo na linha e perfume de couro da bola. O povo comia pó e aguentava firme na chuva, no sol e no vento. O povo fazia parte do jogo. A televisão meteu o jogo em nossa casa, mostra tudo direito, a verdade que não tinha antigamente e por isso é que era tudo tão lindo. E dá repetição até. Mas vida não tem repetição, não. Não dá para ver como foi para aprender como devia ter sido. Se eu fosse capaz de ler os livros de seu Ubaldo, ia poder ficar lendo tudo quanto é livro. E pode que aí fosse como isso de televisão. Acabava o encantamento e a inocência.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (5)

João Ubaldo é Camões 2008
Domingo, 27 Jul, 2008

«O escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro foi, este sábado, distinguido com o Prémio Camões 2008, o mais importante galardão atribuído a autores de língua portuguesa. O júri decidiu apenas debater nomes de escritores brasileiros na decisão de atribuição do galardão. Trata-se do oitavo escritor brasileiro a ser distinguido com este prémio, que na sua edição anterior foi para o português António Lobo Antunes.

 

João Ubaldo Ribeiro nasceu na ilha de Itaparica, no estado da Bahia, a 23 de Janeiro de 1941 e entre os seus livros estão "Setembro não faz sentido", "Sargento Getúlio", que teve o Prémio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, em 1972, "Viva o povo brasileiro", "O Sorriso do lagarto" e "A Casa dos Budas Ditosos". O escritor iniciou a sua vida profissional como jornalista no Jornal da Bahia, em 1957.»

 

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (1)

Bôm diã. Hoje a gente tamêm abana, porra!
Domingo, 27 Jul, 2008

«Um sismo de 3,1 graus na escala de Richter, com epicentro no Alentejo, foi hoje registado pelas estações da Rede Sísmica do continente, anunciou o Instituto de Meteorologia. Contactado pela Lusa, fonte do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Évora disse que o sismo foi sentido em "Évora, Arraiolos e Montemor" e que "não há registo de danos materiais ou humanos".»

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Sábado, 26 de Julho de 2008
A imagem do Bom Juiz de Braga
Sábado, 26 Jul, 2008

E afinal, é cada homem que escreve o seu próprio destino ou há um Destino que escreve cada um de nós com todas as letras, pontos e vírgulas que bem entende? Vejamos, hoje é sábado e está sol; por isso, se está a pensar em ir até à praia ou assim, por favor não se prenda à espera de uma verdade única, resposta cabal a esta pergunta. É coisa para demorar um nadita, talvez mesmo dois naditas. E depois eu próprio não sei se seria ou não capaz de tal proeza, sequer. Afinal é cada homem que escreve o seu próprio destino ou há um Destino que escreve cada um de nós com todos os érres e éfes que bem entende? E a sorte e o azar, existem? Ou é a gente que os constrói, a pulso ou por não o ter? Já falámos da praia, depois não digam que eu não avisei. Agora vamos então ao assunto, que se faz tarde.

 

A história de Oleksandr Panasenko é daquelas que se contam à lareira, em noites da mais dura invernia, com o claro objectivo de nos fazer saborear e valorizar, mais e melhor, todo o conforto e segurança desse momento que é nosso privilégio, por oposição e contraste com a aventura deste cidadão ucraniano no nosso país, por exemplo. E de muitos outros desgraçados da sorte, em qualquer tempo e lugar. Mas não é a sua história aquela que hoje quero aqui destacar, já que essa tem o condão de se destacar por si própria, tal é o enorme absurdo que contém. Falo sim de uma outra história, que veio mudar o rumo desta e nos revela a fibra de uma mulher, advogada, membro do Conselho Geral da Ordem dos Advogados de Portugal e também, porque assim entendeu ser, mandatária deste cidadão ucraniano num processo enviado para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem contra o Estado português. Processo esse que agora conheceu sentença favorável à pretensão apresentada pela jurista, dando continuidade às aventuras e desventuras de Oleksandr Panasenko no país das maravilhas judiciais que é este Portugal de estigma casapiano.

 

Ana Costa de Almeida é o nome dessa senhora, que nesta história veste o original adereço dos óculos da Justiça, a lady cegueta que de vez em quando faz merda por ver mal ao longe e ao perto. E é sobre ela, para ela, este texto. Talvez no cruzar das histórias das vidas destas duas pessoas, nascidas em mundos díspares para se encontrarem no ponto para onde foram levadas pela atracção dos respectivos destinos, se possa então encontrar algo que se pareça com a tal resposta à grande questão que está hoje a atrasar a sua praia. E afinal, é cada homem que escreve o seu próprio destino ou há um Destino que escreve cada um de nós com todas as letras, pontos e vírgulas que bem entende?

 

Oleksandr Panasenko foi condenado a 21 anos de prisão por co-autoria de homicídio e roubo de um taxista, o que já é obra como princípio de conversa. Mas se ainda vos disser que já o homem estava preso e sentenciado e preso há um ano e meio quando finalmente alguém lhe disse de que era acusado, aí já os senhores começarão a compreender a pecularidade da aventura de Panasenko no país porreiropá. O homem foi preso e condenado em 2002 aos tais 21 anos e, numa reviravolta espectacular do processo, (protagonizada por Ana Costa de Almeida), viria a ser solto em 2005 com a medida de coação de pagamento de uma caução e posteriormente de proibição de ausência do domicílio. E agora, num acórdão divulgado no passado dia 22, o Tribunal Europeu entende que o julgamento no Tribunal de Braga que condenou M. Oleksandr Panasenko a 21 anos de prisão violou o artigo 6, números 1 e 3, da Convenção Europeia dos Direitos do Homem. Os juízes entenderam que a Justiça portuguesa não garantiu os princípios da equidade e imparcialidade em processo penal, nem assegurou ao arguido o direito a ser informado em língua que entendesse, nem a assistência efectiva de um advogado. Atribuiram-lhe 3000 euros de indemnização e mandaram-no de volta para a cadeia para cumprir o resto da sentença original que entretanto já tinha transitado em julgado, com o passar do tempo. Mas Panasenko não se mostrou disponível para o efeito e ausentou-se para parte incerta, vá lá perceber-se porquê. Até agora, ainda não foi encontrado.
 

«O que mais me surpreende aqui, como mandatária, advogada e jurista, é uma actuação judicial que é desconforme de tudo o que são princípios do Estado de Direito. Aconteceu e pode acontecer a qualquer um de nós» disse, à Lusa, Ana Costa de Almeida. Ao assumir o caso, em que representou M. Oleksandr Panasenko a título gracioso, e chamou a si as próprias custas judiciais das diligências que encetou, Ana Costa de Almeida travou «uma batalha» na defesa dos direitos do arguido, com vários recursos para o Supremo Tribunal de Justiça e para o Tribunal Constitucional, suscitando até o envolvimento do então Presidente da República, Jorge Sampaio. Do estudo do processo concluiu que «não houve assistência jurídica efectiva» pelas colegas que a precederam, estando em curso na Ordem dos Advogados processos disciplinares contra duas advogadas nomeadas para representar o arguido.

 

Quando o caso chegou ao seu conhecimento, M. Oleksandr Panasenko estava preso na penitenciária de Coimbra sem saber porquê, como alega. A notificação tinha sido feita para a sua advogada de Braga e esta não aparecia. A notificação pessoal foi endereçada em língua portuguesa, que não entendia. «Comecei a intervir e a pugnar para que ele fosse devidamente notificado em língua para ele perceptível», referiu Ana Costa de Almeida, acrescentando que isso aconteceu um ano e meio após o julgamento. A partir daí, abre-se uma nova contagem de prazo para recurso, que é aproveitada para interpor recursos para o Supremo Tribunal de Justiça e Tribunal Constitucional. Com esse incidente, a decisão, que na prática tinha transitado em julgado, deixa de o estar, com a interposição de recursos, e a 2 de Fevereiro de 2005 M. Oleksandr Panasenko é libertado por ter excedido o prazo de prisão preventiva.

 

M. Oleksandr Panasenko passa a acompanhar os subsequentes recursos interpostos, para o Supremo e Constitucional, com algumas interpretações favoráveis e desfavoráveis às suas pretensões, por vezes contraditórias de secção para secção, mas esgotando-se as possibilidades de recurso a condenação a 21 anos transita em julgado. Então o cidadão ucraniano desaparece, para se furtar ao cumprimento da pena. «Como não se pôde defender, não se sabe se era culpado ou inocente, mas com uma condenação às costas de 21 anos, o que é dramático», observa a advogada, seguindo o mesmo raciocínio do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. No seu entendimento, «se se tivesse dado hipóteses de defesa ao rapaz talvez a própria decisão do Tribunal Colectivo fosse outra», em alusão à intervenção dos juízes de Braga, frisando que a convicção que formou ao longo do tempo que lidou com o arguido e estudou o processo foi a de que M. Oleksandr Panasenko «era inocente». Realça que ele «não teve direito a defesa, não foi requerida a abertura de instrução, não houve garantias de defesa com testemunhas que poderiam ser apresentadas, e não o foram, e nem foi apresentada prova de defesa». Recorda que no julgamento a advogada, que representava os dois arguidos condenados, em colisão de interesses entre ambos na estratégia de defesa, apenas fez uma pergunta - «se andava muito de táxi». E que a audiência que os condenou apenas demorou umas horas, durante um dia.

 

Pelas diligências que encetou em representação de M. Oleksandr Panasenko, e às quais o Tribunal Europeu deu provimento, Ana Costa de Almeida viu recentemente interposto por um dos juízes de Braga que condenou o cidadão ucraniano um processo judicial, por se se sentir afectado na sua imagem profissional. E todos sabemos como a imagem de um juíz é bem mais importante que a justeza das suas decisões. Ou quase todos, já que Ana Costa de Almeida obviamente não o sabia, ou não teria feito o que fez e salvo a vida de Panasenko, para não falar na imagem (já agora) da Justiça nacional. E Oleksandr Panasenko também não me parece que o soubesse, embora no caso ele possa sempre alegar que a imagem do bom juiz de Braga também estava em português e não tinha tradução em ucraniano. E, aqui entre nós, digam lá se alguém lhe podia levar a mal a gracinha.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (2)

Sexta-feira, 25 de Julho de 2008
Bom dia. Hoje a GNR acabava com o crime se as máquinas de lavar loiça soubessem montar a cavalo.
Sexta-feira, 25 Jul, 2008

«Um agente da GNR, de 24 anos, foi alvo de um processo-crime, instaurado pela instituição, por se ter recusado a lavar os pratos e a limpar o chão da cozinha no Regimento de Infantaria, em Lisboa. Ao afirmar que ingressou naquela força de segurança para realizar outro tipo de serviços, que não aquele, um oficial constituiu-o arguido, com o termo de identidade e residência e enviou o auto de notícia para o Ministério Público que vai agora avançar com a investigação.

Neste caso, trata-se de um jovem de 24 anos, novo na profissão, mais corajoso, que terá manifestado a sua indisponibilidade para se submeter ao "vexame e à humilhação de fazer a faxina quando havia aderido à instituição com outras expectativas. Se quisesse lavar pratos teria ido trabalhar para um hotel".»

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (1)

Quinta-feira, 24 de Julho de 2008
Ali Baba faz novos amigos
Quinta-feira, 24 Jul, 2008

João Vale e Azevedo foi hoje representado no tribunal de magistrados de Westminster por Owen Davies, um reputado advogado britânico que argumentou pela extradição do ex-presidente chileno Augusto Pinochet para Espanha em 1998. Na altura, Owen Davies integrou a equipa jurídica da organização não-governamental Amnistia Internacional, que se juntou à acusação para executar o mandado de captura emitido em Espanha para que Pinochet enfrentasse a Justiça pela morte de cidadãos espanhóis.

 

Hoje, foi graças à intervenção de Owen Davies que o tribunal aceitou protelar a audiência por dois meses, para 25 de Setembro, para avaliar o pedido de extradição de Vale e Azevedo pelas autoridades portuguesas. O causídico britânico pediu o adiamento para poder apresentar «novas provas», que podem ser testemunhos ou pareceres jurídicos de entidades portuguesas, os quais se comprometeu entregar, devidamente traduzidos, até 22 de Agosto. Owen Davies está associado a vários processos ligados à defesa dos direitos humanos e de vítimas de tortura. No final dos anos 1970 procurou evitar a extradição de Astrid Proll, cidadã alemã condenada por envolvimento em crimes como membro do grupo Baader-Meinhoff, para a Alemanha. Owen Davies tem o título de Queen's Counsel (QC), uma distinção entre os advogados britânicos apenas concedida a um décimo do total da profissão, que normalmente tratam de casos mais importantes e complexos. 

 

Na tribuna, o juíz Tim Workman, um dos principais em Inglaterra, tem também ampla experiência neste tipo de casos de extradição. Recentemente, ficou conhecido por recusar a extradição para a Rússia do refugiado checheno Akhmed Zakayev e do empresário Boris Berezovsky, opositor declarado de Vladimir Putin. Em representação do Estado português esteve a procuradora da Coroa (equivalente ao Ministério Público) Melanie Cumberland. No ano passado, Cumberland argumentou com sucesso pela extradição de três membros suspeitos de pertencerem ao grupo separatista basco ETA.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (2)

Bom dia. Hoje o mundo faz sentido, finalmente.
Quinta-feira, 24 Jul, 2008

«Criança morde cão pitbull. Uma criança alcançou a ribalta no Brasil, depois de morder um cão, da raça pitbull, que o atacava enquanto brincava no quintal do tio. Gabriel Almeida, de 11 anos, residente na periferia de Belo Horizonte, estado de Minas Gerais, partiu um dente canino quando mordia o pescoço do cão, na tentativa de se defender da investida. O acidente levou-o a percorrer os estúdios de televisão brasileiros, repetindo a sua história aos meios de comunicação. «Agarrei-o pelo pescoço e mordi-o», contou a criança ao jornal O Globo. «Não é nada demais. É preferível perder um dente a perder a vida»

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Quarta-feira, 23 de Julho de 2008
Emergência pipi
Quarta-feira, 23 Jul, 2008

Foi agora, há poucos minutos. Escrevo a quente, já vou avisando da circunstância. Parece-me justo, é evidente e humano que conte, que diabo, mas isso não muda em nada o meu contar. Conto como aconteceu, sem pintura nem retoque. Não é uma brincadeira, estou perante uma situação de emergência médica e com dois recursos tecnológicos invejáveis: um computador on-line e um telemóvel com um saldo de sete euros e trocos, bateria com carga à vontade. A emergência, em termos clínicos, tem contornos de extrema gravidade, num leque de possíveis evoluções, a exigir um diagonóstico imediato, nem que por exclusão, para decidir que passo exacto dar, certo, no escasso tempo ao dispor. Há que agir: cliché ou não, cada minuto conta efectivamente. Faço uma pesquisa das hipóteses de triagem médica via telefone e começo por uma, depois passo à que se segue e depois às que forem necessárias para encontrar a minha resposta, de urgência crescente.

 

Encontro a 'Saúde24' no 808242424, uma linha do Ministério da Saúde que faz 'triagem, aconselhamento e encaminhamento', num serviço de 'Assistência à saúde pública'. Sou atendido pela Enfermeira Maria Guiomar, correcta, concisa, educada e insistente no exaustivo protocolo de perguntas reservadas à identificação e dados pessoais de quem precisa de ajuda. O bom e velho 'preencher a ficha', só que em guichet virtual: é logo outro sainete. Tenho a consulta possível no par de questões técnicas que trago sem resposta e que lá consigo meter a custo entre o nome do pai e um código postal qualquer. Lamentavelmente a senhora não tem para me dar as respostas que eu procuro, mas nem por isso me deixa partir de mãos vazias. Dá-me o contacto do serviço de triagem da Urgência Central do Hospital de Santa Maria, o 21 780 5000, que eu agradeço em nome da minha aflição. E despede-se com a correcção intacta, do princípio ao fim da sua intervenção, pese embora limitada e insuficiente para a minha emergência. Mas eu, de mãos vazias, já me contento com pouco.

 

Terão passado uns bons vinte, trinta minutos desde que iniciei todo este processo, digitando a pesquisa. Durante todo esse tempo fiz apenas três chamadas, no total até aqui, duas delas curtas de três frases, quatro, talvez, contando o 'adeus e obrigadinho'. Agora ligo o 21 780 5000 com a fé renovada e o tempo a passar. Logo ao segundo, terceiro toque de chamada, a linha dispara uma gravação e os períodos telefónicos começam a contar: "Bem vindo ao Hospital de Santa Maria; para informações relacionadas com (pausa ligeira) Urgência Central, marque Um; Urgência Pediátrica, marque dois; Urgên.." Já nem ouvi o resto, para quê, se tinha marcado o 'um' logo à primeira? E já estava a chamar, foi logo: piiiiiiiiiii...  piiiiiiiiii...  Agora era só aguardar que atendessem e explicar as minhas duas questões urgentes, já desesperadas por esta altura, mas pronto, agora já estava a chamar, piiiiiiiiiii...  piiiiiiiiii... Agora era um instante.... piiiiiiiiiii...  piiiiiiiiii...

 

Vou abreviar a história, cortar nos pipis e seguir directo para bingo: pata que os pôs! Eu avisei que escrevia a quente, que a coisa foi agora, mesm'agorinha, nanja uma hora, meia talvez. Pois foi esse mais ou menos o tempo dos tais pipis, mais pi menos pi. Foram cinco, foram seis, sete minutos assim? Piiiiiiiiiii...  Piiiiiiiiii... Emergência... Piiiiiiiiiii... Foram dez, foram onze, doze, treze minutos? Piiiiiiiiiii...  Piiiiiiiiii... Emergência... Piiiiiiiiiii... Não sei, de facto, em bom rigor, quantos minutos passaram ou quantos pipis piaram no meu ouvido ansioso. Mas tenho um dado que talvez ajude a dar uma ideia da eficácia deste tipo de atendimento das emergências médicas: passaram, sem erro, entre quatro a cinco euros de pipis, mais um menos um, até que a chamada se acabou quando se acabaram os tostões. E os piiipiiis, claro, deixando-me a falar sozinho com a minha angústia. E sem respostas.

 

Anote o número, rápido, pode um dia precisar. Vamos, anote, nunca se sabe, eu precisei (e bem me lixei) deste 21 780 5000. Emergência. Piiiiiiiiiii... Piiiiiiiiii... "Bem vindo ao Hospital de Santa Maria, para informações relacionadas com (pausa ligeira) Urgência Central, marque Um; Urgência Pediátrica, marque dois; Urgênpiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii"

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (7)

Terça-feira, 22 de Julho de 2008
A aventura dos portubaixeses sem acordo no país do dito
Terça-feira, 22 Jul, 2008

O Presidente da República Portuguesa fez ontem saber que tinha já promulgado o Acordo Ortográfico, ratificado pelo parlamento em Maio passado. Pois nem mesmo assim os ciganos da Quinta da Fonte regressaram ao Bairro da Apelação. A notícia da promulgação presidencial deste novo Acordo em nada os abalou e muito menos os fez abalar do jardim onde acamparam desde o início da grande guerra. O que até se compreende, tem a sua lógica, há que reconhecer.

 

Afinal, este Acordo não mudou nada na situação desta gente, deste bairro, deste país de conflito e miséria que existe por detrás das praias algarvias, dos arraiais minhotos, das novelas da TVI, do Bom Jesus de Braga, do novo plantel do Benfica, do Santuário de Fátima e do Acordo Ortográfico. É Portugal-de-Baixo, um fundo de país com capital na Apelação, um bairro do circuito 'Vá para baixo cá dentro' que espelha um país com outras questões a exigirem outro tipo de acordos que não este, que nada muda ou resolve na vida dos portubaixeses. Mas seja, em tempo de Acordo vamos às palavras, descobrir as diferenças.

 

Vejamos, por exemplo, as palavras 'ódio', 'ciganos', 'racismo', 'revolta', 'pretos', 'segregação', 'vandalismo', até mesmo 'segurança'; elas não sofrem quaisquer alterações no novo léxico da nação. E 'guetto' nem sequer é palavra portuguesa, pelo que ninguém que seja alguém na política (governo ou oposição) alguma vez sequer a admitirá na conversa, seja qual for a conversa e se houver conversa (o que nã se vê jêtos, como se diria num Acordo Bejense). E há mais: o 'esgoto' mantém-se tal como estava, o 'medo' fica o de sempre e nos 'tiros' também ninguém mexeu. Só a 'decepção' é que é diferente desta vez, mas não muito: caiu o , apenas, acontece muito neste tipo de problemas, foge para o chinelo, por regra. E a reacção também terá ficado menor, talvez menos vitaminada sem o C. De resto, não muda a 'merda' nem mudam as 'moscas'. E na Quinta da Fonte também não vai ser um acordo ortográfico a trazer a mudança para o dia-a-dia de sempre. E assim, sem desacordo que se lhes conheça quanto ao Acordo mas na ausência de um acordo que lhes garanta a quantidade de impossível necessária para uma solução que satisfaça toda a gente, (os uns, os outros e o país inteiro que segue a novela), os ciganos não voltaram ontem para o bairro. E dizem que não voltam hoje, nem nunca mais. Que não há acordo possível. Eu julgo perceber do que falam, para lá de concordar ou discordar do que dizem. Quero entender, sobretudo. E antes de tudo.

 

Os moradores dos bairros que fazem este país de misérias tantas e tão tristes Apelações, constituem a massa humana de que é feita esta estrutura social distorcida, viciada de geração em geração, culturalmente viciosa e amontoada por grosso em favos distribuídos 'às famílias' num sorteio de colmeias e colmeias de semi-gente, arrumada assim em vidas novas juntinhas para poupar espaço e em troca das vidas velhas em barracas condenadas que estavam a empatar o progresso. São bairros que acabam por ser autênticas extensões dos estabelecimentos prisionais, na prática (ou vice-versa, pouco importa), que o Portugal porreiropá conscientemente aceita e cuja existência consente, pese embora o nojo que o leva a olhá-los o menos possível, sempre sem os ver, por pudor só ausente em campanhas eleitorais. Mas não sem condições implícitas, subentendidas e conhecidas por toda a gente, a saber: não dar demasiado nas vistas, não envergonhar a malta em frente às visitas, não estragar o retrato de família, cá dentro ou lá fora, e sobretudo não chatear quem manda, nunca. É como quem diz 'low profile', na terminologia do poder. É como quem diz 'não fazer merda', numa linguagem de policiamento de proximidade, repetidamente explicada aos portubaixeses e muitas vezes por palavras.

 

É neste equilíbrio delicado que co-existem fogo e estopa, anos e anos e vidas a fio, porta com porta em meios-metros de rua e paredes-meias de casa, num milagre diário imposto pela maior das necessidades: a sobrevivência. Pois bem, está visto que no Bairro da Apelação o milagre apagou-se, por estes dias, entre os portubaixeses. Portugal segue o drama por alto, como um jogo da 2ª Divisão-B e em zapping com as novelas da noite, que a coisa promete. As forças de segurança estão no local, o aparato é beirutiano, Portugal-de-Baixo é zona de guerra. Esquecidos da sobrevivência e turvos de raiva, fogo e estopa pegaram-se no esgoto e atearam o incêndio mais preocupante deste Verão. São velhos ódios, ressequidos de gerações e misturados com toda a espécie de pressões e frustrações de uma existência madrasta, mais os velhos truques das negociatas sujas e escondidas, tudo tão somente à mercê de um sopro de preconceito que lhes dê de feição e alastre a tragédia ao impensável. E depois de tanto ver e ouvir o senhor Ministro Rui Pereira a dizer coisas sobre firmeza e sobre dead lines que não só não morrem como estão sempre a nascer, pergunto a mim próprio se estará alguém com atenção aos ventos lá em baixo ou se está tudo distraído a bater palmas uns aos outros cá em cima.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (3)

Há paixões assim, como esta. Minha. Mayra.
Terça-feira, 22 Jul, 2008

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (3)

A 'Barbearia' fez um ano...
Terça-feira, 22 Jul, 2008

...e por um ai que eu não deixava passar a efeméride sem a justíssima referência a este que é (disse-o aqui mesmo há bem pouco tempo atrás) um dos meus blogs de visita regular e obrigatória. Um ano a blogar assim, com esta qualidade, não é pêra doce.

 

Para o Luis Novaes Tito os meus mais sinceros cumprimentos. E, para aquela colaboradora morena, que ampara a dupla antevisão do paraíso com aquele par de mãozinhas lindas, aqui nesta foto do lado, mesmo ao lado do pincel (salvo seja), os senhores estão a ver? Pois para ela o meu mais sincero número de telefone.

 

Parabéns a vocês, é a originalidade que me ocorre.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (1)

Bom dia. Hoje eu ainda acredito que não há sonhos impossíveis.
Terça-feira, 22 Jul, 2008

 

(imagem sacada daqui, com a devida vénia)



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (2)

Segunda-feira, 21 de Julho de 2008
Uma carta de Fradique Mendes
Segunda-feira, 21 Jul, 2008

Estava no correio, hoje de manhã. Foi aquela que vi primeiro, mal abri a caixa. Mesmo de relance destacava-se sem erro do resto da correspondência (nunca percebi porque diacho há-de ele usar aqueles envelopes cor-de-rosa, para mais empestados em Lavanda, mas pronto). Abri. Trazia em anexo um bilhete do meu amigo: "Caríssimo, este Fradique é um chato. Desculpa-o. É da idade." O odor da Lavanda era mais intenso no papel da carta, que ostentava em oxórdio: «Carta a Rui Vasco Neto,  escrita a rogo de Carlos Fradique Mendes que, como se sabe, desde que morreu Eça de Queirós nunca mais pôde escrever.» Abri um nadita mais a janela, pousei o envelope cor-de-rosa e sentei-me a ler.

 

Em baixo: "Uma carta de Fradique Mendes"
Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

  

(Carta a Rui Vasco Neto,  escrita a rogo de Carlos Fradique Mendes que, como se sabe, desde que morreu Eça de Queirós nunca mais pôde escrever.)

 

Decerto se lembrará Vª. Exª. de um fantástico acontecimento, de que dei conta em carta a Guerra Junqueiro, e que presenciei nas margens do Zambeze. Foi o caso de que Lubenga, um chefe tribal, estando em vésperas de começar uma guerra, decidiu impetrar ao seu deus familiar, ou Mulungu, que lhe valesse. Não sei em que espécie de céu vivem estes deuses menores, mas parece que as comunicações para lá não serão tão fáceis quanto as que se praticam entre nós. Não deixou porém de ser notável a solução do Lubenga, pois que, tendo chamado um seu escravo, o fez aprender muito bem as palavras que era preciso dizer, cortando-lhe de imediato a cabeça com um machado, ao mesmo tempo que ordenava “parte!” Foi-se, ou não se foi, o pobre mensageiro a dar o recado ao Mulungu, mas o chefe negro esquecera alguma coisa importante, pelo que teve de recorrer a um pós-escrito, o que custou a cabeça a um segundo escravo, a quem Lubenga berrou “vai!”, logo que lha decepou do mesmo modo, após bem o instruir sobre a celeste missão.
 
Cansa-se Vª. Exª. a dar recados urgentes a este país sem pressas, mas, tal como os do régulo moçambicano, que decerto não chegaram ao destino que ele esperaria, tampouco chegarão os seus, e não porque Vª. Exª. haja perdido a cabeça, por demência própria ou por loucura alheia, mas porque aqueles a quem os manda não a têm.
 
Nem com tudo quanto tem escrito, porém, estarei de acordo, por mais que a si lhe custe e a mim doa a confissão. Dou-lhe como exemplo do que digo o que V.ª Ex.ª pensa das lautas prebendas de administradores nomeados pelos sapientes senhores desta pátria, como se isso não fosse tão banal há tanto tempo, que já fez tradição ou consuetudinária lei. (Lembra-se do Pacheco, de quem tracei em palavras a exactidão do retrato?...) E é falso, desculpe que o diga com mais rigor do que dúvida, que o Estado não possa pagar tantos milhares por tão pouco serviço: tanto é verdade que pode pagar, que paga mesmo! Talvez não honre outros compromissos, mas ao cumprimento desses nunca se nega, pois aos nobres e burgueses sempre fizeram mais falta uns milhares de cruzados do que aos pobres uns patacos. Eles justificam-no. Podem não merecê-lo, mas justificam-no. Já imaginou quanto de trabalho, quanto de esforço, quanto de suor intelectual, penosamente, têm de produzir por uma só ideia?
 
Não lhe farei a apresentação do Dr. José Egas de Azevedo e Silva, que foi ilustríssimo e ilustrado escalabitano. Lembro-lhe, porém, um verso de um soneto seu, do qual, a respeito do responsável pelo desacerto da mente humana, consta a seguinte pergunta: (Quem) “deu à ideia o cárcere de uma fronte?
 
Pois, ilustre senhor, não há-de Vª Exª negar que tão notáveis frontes são dos cárceres mais seguros que pode haver. É mais fácil escapar do Limoeiro um assassino do que uma ideia sair, enxuta, triunfante, límpida, daquelas mentes. Por isso repito que não merecerão tantas prebendas, convenhamos, mas justificam-nas, sem dúvida.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (17)

Bom dia. Hoje acordei com o acordo acordado. Já é um fato.
Segunda-feira, 21 Jul, 2008

«O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, já promulgou o Acordo Ortográfico, ratificado no Parlamento a 16 de Maio deste ano, disse hoje à Agência Lusa fonte oficial da presidência. O Segundo Protocolo do Acordo Ortográfico, cuja ratificação era essencial para a entrada em vigor do acordo, foi aprovado no Parlamento a 16 de Maio com os votos favoráveis do PS, PSD, Bloco de Esquerda e sete deputados do CDS.

 

Três deputados do PSD, Henrique Freitas, Regina bastos e Zita Seabra - que invocou «conflito de interesses» por ser editora - além de Matilde Sousa Franco, do PS, abandonaram o hemiciclo antes da votação. O acordo teve a abstenção das bancadas do PCP, PEV e dos deputados Paulo Portas, José Paulo Carvalho e Abel Baptista (CDS-PP). Contra votaram Manuel Alegre, PS, Nuno Melo e António Carlos Monteiro (CDS) e a deputada não inscrita Luísa Mesquita (ex-PCP).
 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (5)

Sábado, 19 de Julho de 2008
Bom dia. Ora hoje deixa cá ver...
Sábado, 19 Jul, 2008

 

 

 

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 18 de Julho de 2008
Eu? Sinto-me socialmente integrado, um entre iguais.
Sexta-feira, 18 Jul, 2008

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

AOS ABRIGOS!!!!!!!!!!!!!
Sexta-feira, 18 Jul, 2008

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (3)

Bom dia. Hoje eu nem sei que diga. Ele fez o quê? Ele disse o quê?
Sexta-feira, 18 Jul, 2008

«O primeiro-ministro português, José Sócrates, destacou hoje o "trabalho notável" que o Governo angolano tem desenvolvido e que permitiu transformar Angola num dos países que "mais tem crescido economicamente".

 

"Venho aqui dar uma palavra de confiança a Angola no trabalho que o Governo angolano tem feito que é, a todos os títulos, notável. Basta olhar para os indicadores", disse José Sócrates na visita que fez hoje à XXV Feira Internacional de Luanda, no âmbito da deslocação oficial a Angola.»

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (1)

Quinta-feira, 17 de Julho de 2008
Marlééééne: mete os putos p'ra dentro que há porrada no beco!
Quinta-feira, 17 Jul, 2008

 

«O “que é preciso não é tanto magistrados empanturrados de tecnicidades jurídicas”. Em muitos, o “que lhe falta em maturidade sobra-lhes em autoridade”, afirmou o bastonário, que acusa os magistrados de se comportarem como os agentes da “PIDE/DGS nos últimos tempos da ditadura”. “Não é nas leis que está o mal da administração da justiça” mas sim em quem as interpreta, defendeu. “Um bom magistrado faz boa Justiça mesmo com más leis e até sem ela” mas “com maus magistrados nunca se fará boa Justiça nem com leis divinas”, salientou Marinho e Pinto.»

 (declarações do Bastonário da Ordem dos Advogados em Cortes, Leiria)

 

«Os últimos tempos têm assistido a afirmações inqualificáveis acerca dos juízes portugueses provindas de quem, afinal está demonstrando uma evidente falta de cultura que se suporia existir em quem é investido ou eleito em determinados cargos; porque cultura, na senda da velha tradição francesa, é aquilo que fica depois de se ter esquecido o que se aprendeu. Um provérbio popular muito antigo diz que "tudo o que é demais é moléstia"; o que quer dizer que quando a moléstia se instala ela tem que ser debelada com firmeza por um aparelho imunitário são, sob pena de potenciar a decomposição do paciente.Daí que moléstias destas sejam tudo menos nossas (a quem se pretende atingir) e mais daqueles que, talvez por engano, escolheram quem os representasse e dá da classe, afinal, a fotografia distorcida que nós próprios, juízes, não reconhecemos.»

 

(discurso do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha Nascimento)

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (2)

Quarta-feira, 16 de Julho de 2008
Pinto Houdini Monteiro tira coelho da cartola
Quarta-feira, 16 Jul, 2008

«A Procuradoria-Geral da República vai apresentar segunda-feira próxima "uma solução" para o "caso Maddie", anunciou hoje o Procurador, Pinto Monteiro. "Isto é, o 'caso Maddie' segunda-feira vai ter uma solução que vos será comunicada", disse Pinto Monteiro.»



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (5)

Acróstico
Quarta-feira, 16 Jul, 2008

O meu amigo Daniel de Sá tem às vezes cada uma que mais parecem duas. Ora vejam esta: «Obviamente que isto não é poesia, nem por sombras. a semelhança está na métrica e na rima, nada mais. No entanto, se estiveres de bom humor, até pode ser que lhe aches graça. se não estiveres, piorarás sensivelmente. Conta com isso. Trata-se de um acróstico que eu fiz para o Onésimo Almeida, por altura do seu quinquagésimo aniversário. (Escrevi por extenso para não te dar o trabalho de ler 50º.) O nome dele encontra-se juntando cada primeira letra de cada verso; o meu, pegando na primeira letra de cada último verso.» Junta-lhe o abraço do costume e pronto, toma lá acróstico para o Onésimo. Eu cá só faço anos em Setembro, é certo. Mas sempre quero ver se ele tem a lata de me oferecer umas míseras peúgas.

 

Em baixo: "Acróstico"
Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 
Orgia da palavra bem pensada,
Natureza total da humana essência,
Édipo da verdade desvendada,
Saber feito de si e da exp’riência,
Inimigo da vida sossegada,
Moldando (como quer sua ciência)
Os actos que o destino lhe destina.
– Desobedece à sorte, se é mofina.
 
Omitir-se não pode, que ao saber
Não convém fingimentos de ignorância.
Étimo remissivo do escrever
Sobre este amargo mar, nesta distância,
Inventa ou prova, até um incréu crer
Movido à fé por uma tal constância.
Os Açores são, pois, o imaginário
 –A que deu voz e corpo literário.
 
Onde haja um português que se aquebrante
Nas Índias do Ocidente, mundo imundo,
É dele que se espera que o levante,
Se do abismo até já soube o fundo,
Indo a Cascos de Rolha, num instante,
Mais longe, sendo o caso, que do Mundo,
Outro nenhum como ele sabe os cantos.
– Nenhum outro, sendo um, vale por tantos.
 
Ouçamos-lhe a palavra deleitosa,
Negando-se à vulgar monotonia.
Ética ou não, é sempre numerosa,
Salva-a, por mais que dure noite e dia,
Isso de ser tão sábia quão jocosa,
Menos dada à tristeza que à alegria.
Orgulho, talvez não, nem preconceito.
– Isto é como se quer um homem feito.
 
Obélix é, se a ele comparado,
(Na força o bom gaulês, ele no siso)
Ésquilo infante ainda; recém-nado
Salomão muito longe do juízo;
Ibsen p’la mãe ainda amamentado;
Malebranche de si só com seu viso;
Ouro a haver na retorta do alquimista.
– Esta a imagem possível do artista.
 
Ondas do mar de Vigo que chegaram,
Na língua portuguesa a Portugal,
É nelas que as palavras nunca param
Sulcando mar e mar, por bem e mal.
Imersos nessa glória se c’roaram,
Mundo outro construído a este igual:
Onde aqui foi a fé, lá é o templo.
– Louvemos o seu nome, mor exemplo.
 


publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (29)

Polícias e ladrões
Quarta-feira, 16 Jul, 2008

Duas pistolas-metralhadoras Pietro Baretta, calibre 9 mm, e vários carregadores de munições desapareceram há dois meses da esquadra da PSP da Bela Vista. Foi a própria comandante da esquadra, subcomissária Maria da Luz, que deu pela falta das armas, em Maio passado, segundo avançou hoje o jornal Correio da Manhã (CM). A Polícia de Segurança Pública (PSP), que não afasta a hipótese de roubo, anunciou hoje, em comunicado, que está a desenvolver «todas as diligências no sentido de apurar o paradeiro das armas», numa investigação que «se pretende ser o mais célere possível e que esclareça, tão breve quanto possível, o sucedido».

 

As duas pistolas-metralhadoras - que são usadas em patrulhamentos de carro e em operações policiais de maior perigosidade - estavam guardadas num cacifo, no interior da esquadra.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar

Balada do Rei (para Yemanjá)
Quarta-feira, 16 Jul, 2008

Venha a paz a esses cabelos loiros

venha um sonho de mais amor

venham reis e rainhas, tesouros,

embalar esse Rei maior

 

Tragam toda a beleza da Terra

e dos céus uma estrela a brilhar

que não saiba os caminhos da guerra

que não deixam o Homem sonhar

 

E então, faça sol, chuva ou frio

pelo mundo uma estrela dirá

que nasceu um poeta no Rio

com a benção de Yemanjá

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (5)

Bom dia. Hoje quem precisa de dinheiro ponha a mão no ar.
Quarta-feira, 16 Jul, 2008

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (1)

Terça-feira, 15 de Julho de 2008
Olhe, pssst, se faz favor, isto é um assalto, por obséquio. Sim?
Terça-feira, 15 Jul, 2008

Se repararem é coisa não rara, antes um fenómeno assim a dar para o regular. De vez em quando lá aparece mais uma destas 'curtas' na imprensa diária, a contar mais um assalto a uma dependência bancária levado a cabo por mais um ladrão solitário, solícito e educado, sem grandes aparatos de artilharia e quase sempre sem qualquer violência no modo de operar. Simples e funcional. Chega e entra, leva e vai. Em meia dúzia de linhas, na secção dos casos de polícia, a 'curta' traz a hora e o local, as circunstâncias dos presentes na ocasião e as linhas muito, mas mesmo muito gerais dos testemunhos oculares. Pouco mais, geralmente. É sempre omissa quanto aos valores roubados, facilidades dos métodos utilizados ou quaisquer outros pormenores que possam ser reveladores do sucesso factual do assalto em si, (momentâneo ou não), sempre um embaraço indisfarçável para as autoridades. Não só pela impressionante quantidade de assaltos com estas características, suspeito, mas principalmente pelo elevado percentual daqueles que são bem sucedidos.

 

Devo dizer-vos que estes factos não são, para mim, necessariamente indicadores de ineficácia policial, antes são absolutamente esclarecedores da dificuldade em estabelecer um perfil padronizado deste profissional especializado, digamos, face à incrível variedade de figuras humanas que já foram descobertas debaixo desta pele de ladrão. Polícias, por exemplo, já aconteceu e acontece, não tão raro. Um dos casos exemplares de polícia/ladrão que recordo foi notícia há bem pouco tempo, um militar da GNR que fazia vida dupla assaltando bancos na linha do Estoril. Foi apanhado no dia em que tentou três vezes roubar a mesma agência com um método singular: entrava, direito ao balcão e entregava ao primeiro funcionário uma folha que dizia "Isto é um assalto: passe para cá o dinheiro."  Três vezes lhe disseram que não, naquele dia em Sassoeiros, na última foi preso, já na rua. Terá usado a mesma técnica em sete assaltos, diz a polícia, alguns consumados outros nem tanto: "Sempre que os funcionários se recusavam a dar o dinheiro saía das agências sem violência", confirma fonte policial.
 

A história dos assaltantes solitários é multifacetada no que concerne aos personagens que lhe vão escrevendo as muitas páginas desta colecção sem fim à vista. Verdadeiras figuras de culto, como Arséne Lupin ou Gino Meneghetti, criaram a lenda do ladrão charmoso e elegante que não só nunca era apanhado como ainda coloria a imaginação aventurosa do mulherio, esse público fácil dado a frémitos espinais perante a audácia criminosa e rico em arrepiozinhos entrecoxas ao menor sinal de perigo. E assim ganhou o mito os seus seguidores aplicados, em versões personalizadas e modernas, gente insuspeita que vive duas vidas e um grande segredo. Que eles existem, isso não deixa dúvidas o historial de casos por resolver envolvendo assaltantes solitários e misteriosos. E a verdade é que há bem mais do que aqueles que se sabe existirem de certeza: os apanhados. Muitos outros são apenas fantasmas para as autoridades, durante anos e anos, vidas inteiras vividas sob uma capa de impecabilidade social, figuras proeminentes, até, das sociedades locais de que fazem parte activa. No Algarve dos anos 40, 50, por exemplo, fez história o caso do ladrão de residências que durante mais de trinta anos 'limpava' as casas de vizinhos e conhecidos enquanto os sabia no cinema ou em festas que ele próprio frequentava, marcando presença e sendo visto, para depois sair furtivamente e transferir todos os valores roubados para um esconderijo situado na sua própria residência, em Faro, na mesma rua de muitos dos assaltados. Foi esse mesmo esconderijo, um sótão falso de umas águas furtadas, descoberto após a sua morte, que viria a ser a única prova que fez a vizinhança acreditar que aquele homem pacato, honesto e trabalhador, tinha vivido duas vidas no tempo de uma, enganando o mundo inteiro mesmo debaixo do nariz de toda a gente.

 

Temos assim de tudo um pouco, neste ramo da ladroagem. Desde o impulsivo desesperado que arrisca tudo impensadamente por ter nada a perder, improvisando a cada passo, até ao profissional do gamanço que não descura pormenores e é meticuloso e preciso no seu modo de operar, os assaltantes solitários compõem um universo de diferença que tem um único ponto comum: 'trabalham' sozinhos. O caso mais recente e conhecido é sem dúvida o de Jaime Giménez Arbe, "El Solitario", o assaltante de bancos que era o mais procurado em Espanha, acusado da morte de dois agentes da Guardia Civil durante um assalto e preso o ano passado na Figueira da Foz. Durante os catorze anos que durou o mito de 'El Solitário', altamente explorado pela comunicação social espanhola, Jaime terá assaltado dezenas de bancos em toda a Espanha, e são-lhe imputadas também três mortes nesse processo. No entanto, Arbe desmente a autoria de muitos desses assaltos, tão categoricamente como assume a responsabilidade da maioria; e não é o único a defender a tese que alguns deles poderão ter sido praticados por imitadores nunca identificados e que ficarão a dever a sua impunidade à convicção policial. E a sua liberdade, também. 

 

Pois eu cá, no meu álbum de recordações de reportagem, também tenho um assaltante solitário. E que solitário, devo dizer-vos! Uma figura de antologia, um francês que durante mais de uma década veio a Portugal, todos os Verões, para aqui praticar dois assaltos por época. Dois assaltos em três meses, era a regra, nem mais um e tudo corre bem. E correu, durante todos esses anos. Foi apanhado no único ano em que cometeu o erro de infringir a sua própria regra e arriscou o terceiro assalto, que viria a deixar uma pista que a Judiciária de Faro, ao tempo dirigida pelo não menos lendário Sousa Marins, seguiu até encontrar o homem numa bomba de gasolina, atestando o seu carrinho já em plena viagem de regresso. Baixinho e franzino, este assaltante que operava sob um disfarce mínimo (óculos, bigode e cabeleira, nada mais) mas eficaz, proporcionou uma cena de captura absolutamente memorável. Surpreendido desarmado e em calções de banho, enfrentou os três agentes que o tentavam prender e por pouco não levava a melhor, tendo causado ferimentos ligeiros em dois deles, até ser manietado, algemado atrás das costas e metido dentro do carro da polícia no banco traseiro. Pois mesmo aí, depois de ter enganado os agentes com uma história de que tinha deixado cair droga no chão durante a luta e enquanto os três agentes esquadrinhavam o chão à procura da tal droga, conseguiu a façanha de saltar para o volante (sempre algemado atrás das costas), ligar a ignição, meter a mudança e acelerar, arrancando com o carro.

 

Esta história passou-se em 95, 96 talvez, e eu nunca esqueci este assaltante solitário com cuja aventura fiz capa e centrais do Tal&Qual, na altura. E recordo-me do inspector Sousa Martins dizer que também ele não tinha memória, ao tempo e em tantos anos de serviço, de uma figura com o perfil deste homem que conseguiu enganar as autoridades durante tantos anos a assaltar bancos sem ser detido ou sequer identificado, usando apenas meios e processos da maior simplicidade. Veio a apurar-se que se tratava de um cidadão sem mácula no seu meio, onde vivia uma vida irrepreensível e familiar. A sua carreira de ladrão terminou nesse dia e nessa hora em que, como estava a contar, conseguiu arrancar com o carro da PJ em alta velocidade... mas em marcha-atrás, por engano, uma vez que a viatura (um Golf que tinha sido apreendido pela polícia a um cidadão estrangeiro) tinha uma característica de fabrico invulgar: a marcha-à-ré estava no lugar da primeira velocidade. Assim, a fuga deste solitário terminou contra a parede exterior da discoteca Kadoc, onde o carro embateu e se espatifou, para dali não sair mais. E a ele, que lhe aconteceu? Bom, tanto quanto sei da lotação das cadeias, acho que deixou de ser solitário.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (7)

Segunda-feira, 14 de Julho de 2008
Um levantamento original
Segunda-feira, 14 Jul, 2008

«Um homem entre 30 e 35 anos assaltou hoje à mão armada uma dependência do banco BPI em Telheiras (Lisboa), tendo fugido com uma quantia indeterminada de dinheiro, disse à Lusa fonte da PSP. O assalto ocorreu às 12:50, quando o homem entrou na dependência da rua Francisco Gentil com o rosto descoberto e, sob a ameaça de uma pistola, obrigou duas funcionárias - as únicas pessoas ali presentes na altura - a permanecer na casa-de-banho. Em seguida, retirou um montante ainda indeterminado da caixa e pôs-se em fuga, a pé, estando ainda a ser procurado pela PSP.

 

A mesma fonte policial adiantou que as funcionárias não sofreram quaisquer ferimentos e que o banco possui um sistema de videovigilância que deverá permitir uma rápida identificação do suspeito. De acordo com a polícia, uma das funcionárias afirmou ter visto o assaltante no banco, na semana passada.»

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (3)

Bom dia. Hoje eu sinto-me meio perdido, confesso...
Segunda-feira, 14 Jul, 2008



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (5)

Domingo, 13 de Julho de 2008
Reflexão canina
Domingo, 13 Jul, 2008

'Mundo cão' é um mundo feito de gente que só devia andar na rua 

com um saquinho plástico para se apanhar a si própria

sempre que parasse nalgum lado.



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (6)

Vejamos, todo o mundo faz sentido, eu é que não.
Domingo, 13 Jul, 2008

A notícia é da Sábado (ed.219, pag 96), insuspeita nesse particular de rigor. No Green House, um dos 700 coffe shops de Amesterdão onde se vende e fuma cannabis, o ar parece mais limpo. Os turistas, sentados nos sofás, continuam a lançar baforadas de fumo dos charros. Mas há uma semana e meia que há algo de diferente. Não há fumo de tabaco. Como aconteceu em Portugal no início do ano, na Holanda entrou em vigor no dia 1 deste mês a lei que proíbe o fumo em espaços públicos fechados. Mas nem todo o fumo foi proibido. Pode-se fumar charros, desde que não contenham tabaco.

 

A lei é apoiada pelos médicos. Pauline Dekker e Wanda de Kanter, especialistas em doenças pulmonares do Hospital da Cruz Vermelha em Amesterdão, esperam que a lei reduza o número de fumadores. "Na Holanda há cerca de quatro milhões de viciados em nicotina e metade vai morrer".A agência holandesa para a segurança alimentar e do consumidor treinou 200 inspectores para fazerem cumprir a lei. Garantem que estão treinados para distinguirem pelo cheiro e aparência um charro com tabaco de um charro puro. Se detectarem tabaco a multa pode atingir os 2400 euros.

 

Faz todo o sentido, claro que sim. Está à vista, será de génio, até. Terá lógica, toda a lógica. Como é que é possível eu não estar a ver, meu Deus?

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (3)

Bom dia. Hoje é ele, é ele, é ele, é ele. Salvo seja, claro.
Domingo, 13 Jul, 2008

«Não chamo oposição aqueles que quando o Governo diz que é verde, ela diz que é verde escuro. Chamo oposição quando o Governo diz que é verde e eu digo que é vermelho, salvo seja», disse Jardim, num discurso proferido no âmbito da 53ª Feira do Gado do Porto Moniz.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (1)

Sábado, 12 de Julho de 2008
Sempre vai dando para a sopa, para as balas e pouco mais...
Sábado, 12 Jul, 2008

Cinquenta indivíduos envolveram-se hoje, pela segunda vez em menos de 24 horas, num desacato com armas de fogo no Bairro da Quinta da Fonte, no Concelho de Loures. No âmbito da sua actuação, as autoridades conseguiram «fazer cessar os disparos por parte de ambos os grupos», tendo os elementos policiais detido no local «dois indivíduos do sexo masculino, com 24 e 25 anos, e apreendido três espingardas caçadeira, duas pistolas automáticas de calibre 9mm e 7,65mm e dezenas de cartuchos e munições de calibre variado».Os feridos foram transportados para os Hospitais de São José, Santa Maria, Dona Estefânia e Curry Cabral, todos na cidade de Lisboa.

O Bairro da Quinta da Fonte, na Freguesia da Apelação, onde vivem 2.500 pessoas de várias etnias, foi construído para acolher os desalojados pela construção dos acessos viários à EXPO 98. «São pessoas com carências sociais e económicas», adiantou à Lusa o presidente da Junta de Freguesia da Apelação, José Henrique Alves, precisando que muitos moradores estão no desemprego ou têm o Rendimento Social Garantido.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (2)

Alegrops!
Sábado, 12 Jul, 2008

Manuel Alegre e a Corrente de Opinião Socialista em Lisboa lançam dia 14, segunda-feira, no Hotel Altis, às 18h30, a ops!Revista de Opinião Socialista, com o primeiro número dedicado ao tema Trabalho e Sindicalismo. A apresentação da revista inclui a realização de um debate exactamente sobre Trabalho e Sindicalismo, com Manuel Alegre, Manuel Carvalho da Silva, João Correia e José Leitão, com a moderação de Elísio Estanque. De referir que a ops! é uma revista online de periodicidade bimensal. Cada número é dedicado a um tema diferente e com um responsável editorial convidado, com plenos poderes para endereçar convites a académicos e especialistas na matéria, incluindo pessoas que não sejam filiados no PS ou membros da Corrente de Opinião Socialista, bem como independentes ou filiados em outros partidos. A revista conta com Manuel Alegre no corpo editorial permanente. 

Todas estas informações e mais sobre este novo projecto editorial podem ser encontradas n' 'A Barbearia do senhor Luis', um dos blogs de referência cá da casa, sendo que Luis Novaes Tito faz igualmente parte da lista de colaboradores deste primeiro número da nova Revista Ops! Que aguardo com a maior expectativa, diga-se.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (5)

Sexta-feira, 11 de Julho de 2008
Crónica contra o esquecimento
Sexta-feira, 11 Jul, 2008

O bem sucedido resgate de Ingrid Bettencourt veio chamar, ainda mais, a atenção da comunidade internacional para a situação de muitos outros prisioneiros das FARC que não tiveram a mesma sorte de Ingrid neste particular. E também para a situação colombiana no geral, país onde a violência, o rapto e o assassinato com motivações políticas, facilmente se confundem  com a actividade criminosa de delito comum. Ou não estivessem a produção local e o tráfico de droga para o exterior, aliados às desigualdades extremas e miséria interna, na origem de quase toda a violência naquela parte do mundo. Agora é Guillermo Rivera Fúquene um dos nomes que pedem a atenção do mundo exterior, na esperança que alguma pressão internacional surta o efeito desejado pela família e amigos de mais este desaparecido na voragem da violência quotidiana na Colômbia. Nesse sentido, vários são os apelos que circulam na internet, sob a forma de comunicados, notícias e artigos de opinião que, como não podia deixar de ser, se podem também encontrar na blogosfera nacional. Vale tudo, nesta luta contra o esquecimento.

 

Guillermo Rivera Fúquene, comunista e membro do Polo Democrático Alternativo que governa o munícipio de Bogotá, Presidente do Sindicato dos funcionários da autarquia da capital do país, foi visto pela última vez no dia 22 de Abril, às 6.30 da manhã, numa rua do bairro «El Tunal» onde tinha ido levar a filha à escola, em Bogotá, onde reside. Uma testemunha e câmaras de video instaladas no local atestam que foi abordado por um grupo de agentes policiais e foi forçado a entrar num carro da Polícia Metropolitana. Apesar de todas as iniciativas da família e dos seus companheiros e dos apelos de organizações sindicais internacionais (ver aqui comunicado e carta a Uribe da ITUC (International Trade Union Confederation, e aqui o apelo do Partido Comunista Colombiano), quatro meses depois do seu desaparecimento, as autoridades dependentes do Presidente Álvaro Uribe não prestam nenhum esclarecimento cabal sobre este drama.

 

Por isso aqui fica a história, notícia, apelo, denúncia, o que lhe queiram chamar. A favor de ninguém, apenas contra o terror, não aceitável em nenhuma circunstância e em tempo algum. Mas menos ainda neste mundo de hoje, em que tudo está tão perto de tudo que um pozinho em África pode fazer espirrar a Ásia ou pôr a Europa a tossir e a América a delirar de febre. Por isso, repito, aqui fica a história, a notícia, apelo, denúncia, o que lhe queiram chamar. Tenho sérias dúvidas que o presidente Uribe perca o sono com estas palavras, ou que o desaparecido Guillermo Rivera Fúquene apareça do nada só por força desta crónica. Mas sei o que o meu sono ganha em tranquilidade com a sua publicação. E sei que muitas mais, com igual intenção, nos deixam a todos mais perto do dia em que poderemos finalmente acordar para um mundo sem desaparecidos. Como Guillermo Rivera Fúquene.

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (2)

Há coisas que têm que ser vistas, para se acreditar nelas.
Sexta-feira, 11 Jul, 2008

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (1)

A pérola e a piada
Sexta-feira, 11 Jul, 2008

(...)Que a ilusão, a mentira, é um inevitável reflexo, ou aparência, da verdade, é inerente à linguagem humana e à cognição. Só um bronco (como eu, tantas vezes, esclareço) deixará escapar a cascata de verdades que se encontra nos mitos, por exemplo. Freud não disse outra coisa, e ainda cobrava pelas consultas. E cada um de nós convive com os limites da expressão verbal desde que aprendemos a falar e não conseguimos ofender com justiça aqueles fulanos que nos obrigaram a deixar os brinquedos para ir jantar, dormir ou, horror, entrar numa escola. É com as sobras do que não se consegue dizer que se escavam paraíso e inferno interiores. (...) Saber sentir é corpo. Sentir saber é comunhão. O amor, como a rosa, pode não ter porquê. Mas tem sempre para quê, e pelos frutos o conhecerás. Então, se amar for acreditar, amar é querer. (isto, sei bem, não se compreende sem ascese, voluntária ou pela Graça).

(Valupi, aqui)

 

(Esticando um nadita a imagem (já verão porquê) os blogues são como as ostras, já nascem é abertos.

Lá por dentro há de tudo, na montra e nos comentários. E em alguns, de vez em quando (cá está a razão!) encontram-se pérolas destas. Nos outros é mais piadas com ostras e coisas assim...)

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (6)

Bom dia. Hoje eu vou ensinar inglês ao Gastão, pelo sim, pelo não.
Sexta-feira, 11 Jul, 2008

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (5)

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008
A pior das sortes
Quinta-feira, 10 Jul, 2008

Eles é que comeram, eu é que me sinto mal. Eles é que se empanturraram, eu é que estou a braços com a indigestão que me provocou aquele banquete de reis, verdadeira afronta à miséria dos milhões e milhões cuja fome, para cúmulo, serviu de pretexto para mais esta farra do G-8. É verdadeiramente impressionante o calo ganho pelos estômagos destes oito representantes do mundo rico, dito civilizado. Um calo tal que lhes permite, sentados no topo do mundo, saborear este festim alarve sem que o fantasma de muitos milhões de miseráveis famintos lhes assombre o apetite. E ainda terem cara para, em fim da festa, arrotar discursos humanistas de estrema preocupação pelo destino dos desfavorecidos da sorte cuja fome foram ali para matar. Só faltou acordarem no envio urgente de toneladas de Kompensan, como primeiríssima iniciativa comum, para que a ironia canalha fosse completa. 'Má sorte ter nascido puta', dizem. Mas pior é depender dos filhos, não?

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (3)

Bom dia. Hoje? Vão à merda!
Quinta-feira, 10 Jul, 2008

«Trufas e caviar no jantar da cimeira do G8 sobre fome. Os chefes de Estado e de Governo não se inibiram de experimentar 24 pratos, incluindo entradas e sobremesas, num jantar que terá custado, por cabeça, a módica quantia de 300 euros.

Trufas pretas, caranguejos gigantes, cordeiro assado com cogumelos, bolbos de lírio de Inverno, supremos de galinha com espuma de raiz de beterraba e uma selecção de queijos acompanhados de mel e amêndoas caramelizadas eram apenas alguns dos pratos à disposição dos líderes mundiais, que acompanharam a refeição da noite com cinco vinhos diferentes, entre os quais um Château-Grillet 2005, que está avaliado em casas da especialidade online a cerca de 70 euros cada garrafa.

Não faltou também caviar legítimo com champanhe, salmão fumado, bifes de vaca de Quioto e espargos brancos. Nas refeições estiveram envolvidos 25 chefs japoneses e estrangeiros, entre os quais alguns galardoados com as afamadas três estrelas do Guia Michelin.

 

A cimeira do G8, realizada no Japão, custou um total de 358 milhões de euros, o suficiente para comprar 100 milhões de mosquiteiros que ajudam a impedir a propagação da malária em África ou quatro milhões de doentes com sida. Só o centro de imprensa, construído propositadamente para o evento, custou 30 milhões de euros.| »

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (6)

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008
Dos arquivos do horror
Quarta-feira, 09 Jul, 2008

«Acompanhei o caso como jornalista. Ana Sofia, 21 anos, alentejana, bonita, filha única, andava a estudar em Lisboa, como eu andei durante quatro anos. Numa tarde maldita interromperam-lhe o curso. Foi espancada, violentada, asfixiada e brutalmente assassinada por André Casaca, um ex-namorado movido a drogas pesadas, que no fim ainda tentou incendiar-lhe o corpo e meteu-a mesmo num caixote do lixo de Telheiras.
A besta, que eu vi, apareceu em tribunal sem pinga de arrependimento, altivo, arrogante, a defender uma tese de acidente. Tinha decorado o discurso de uma vítima. Mas as entranhas impediram-no de esconder, a cada palavra, o vento tempestuoso e frio dos carrascos. Os advogados dele ainda tentaram fazê-lo passar por maluquinho, que se escreve inimputável na retórica jurídica, mas não colou. Apanhou 22 anos de cadeia, onde seguramente continuará a andar movido a drogas (porque é proibido fumar em espaços fechados, mas para o Estado há espaços mais fechados do que outros). (...)

 

Mas apesar da falência técnica do carrasco, as contas não ficaram saldadas. O tribunal mandou uma última factura aos pais da Ana Sofia. Tomem lá 15 mil euros de custas judiciais porque estamos no Século XXI e temos Justiça. É o preço a pagar por quem não resolve a coisa à maneira antiga, sangue por sangue, morto por morto.»

 

 

(Estas palavras não são minhas. Foram escritas por Carlos Enes, colega jornalista e amigo, aqui, onde aliás se pode e deve ler o resto deste testemunho impressionante sobre um caso de duplo horror.

Horrível, a história de Ana Sofia. Não menos, o estado da Justiça em Portugal.)

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (14)

Nada na manga, sinal de batota.
Quarta-feira, 09 Jul, 2008

Um casino sem nada a esconder é uma ideia imenso interessante, como um bordel de virgens, imenso peculiar, inovadora, imenso sei lá. Não é minha, credo!, claro que não, sou lírico mas não tanto. E depois não tenho essa lata toda, para ser franco, há um limite para as figuras tristes que sou capaz de fazer (mesmo que por vezes não pareça). Não, eu não seria capaz de chegar aqui e sair-me com esse copito a mais, essa fantasia a cores cujo único cenário possível seria um qualquer salão paroquial de província, talvez, com as velhinhas da freguesia a darem as cartas, o senhor pároco a cantar os números da roleta e os velhotes a venderem rifas para o sorteio do porco, a um chouriço cada uma. Maria Amélia, a divorciada, venderia os 'Kentuckys' no bufete, com vestido de decote. E aos sábados haveria acordeão para todos balharem. Talvez pudesse ser isto mais ou menos, se existisse, um casino sem nada a esconder. Ainda assim, como de resto se pode ver pelo custo das rifas, até neste casino paroquial as pessoas só dão um chouriço a quem lhes der um porco, pelo menos, e acho que nem o senhor pároco acredita em milagres. Pelo menos desses.

 

Um casino sem nada a esconder é uma tentativa grosseira de abuso da credulidade alheia. Se não há devia haver, uma lei qualquer que proíba e castigue este equivalente à venda do Cristo-Rei em prestações suaves, ou qualquer outro insulto deste calibre à inteligência dos outros. Um casino sem nada a esconder é sinal de batota, um dos piores. De uma das piores. Não, a ideia não é minha, não tenho competência para tanto. Nem tenho o gabinete a ser espiolhado e (supostamente, pelo menos) virado do avesso pelos investigadores tributários, elementos do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e membros da brigada fiscal da GNR que desde esta manhã estão nos casinos do Estoril e Póvoa de Varzim, do grupo Estoril-Sol, alvo de buscas no âmbito da "Operação Furacão" que investiga fraude fiscal e branqueamento de capitais. O seu a seu dono. Foi Mário Assis Ferreira, administrador da Estoril-Sol, quem hoje se saiu com esse interessante conceito, em declarações aos meios de comunicação: «Os elementos da brigada fiscal e um procurador do MP estão a analisar documentação financeira e contabilista. Não temos nada a esconder e estamos à sua inteira disposição", disse aquele responsável, para a gente acreditar. Eu, lamentavelmente, passo. Os senhores estejam à vontade para apostar. Les jeuxs sont faits.

 

É caso para perguntar, a quem investiga branqueamento de capitais em Portugal, porquê só agora se lembraram destes casinos. Isto entre muitas outras coisas que apetecia perguntar, posto serem tão estranhas e difíceis de compreender, respeitantes ao jogo nos casinos da Estoril-Sol, particularmente no tocante ao branqueamento de dinheiro, supostamente prevenido por uma directriz comunitária que obriga a identificação do comprador de fichas numa sala de jogo. E que o Casino Estoril cumpre zelosamente, diga-se. Ninguém troca um euro que seja por uma ficha, na sala de jogos tradicionais, sem mostrar o bilhete de identidade ou passaporte ao caixa, é verdade sim senhor. Quem quiser trocar um milhão de euros sem se identificar tem que descer ao piso térreo, se quiser, agora transformado numa imensa sala de jogo sem o ser, mas com mini-roletas e mini-banca francesa para maxi-tansos, por toda a parte. Ou para quem queira de facto branquear dinheiro sem controlo de ninguém. Era assim até há bem pouco tempo, suponho que continuará igual hoje, tal como ontem e tal como depois destas buscas que procuram afanosamente pistas sobre branqueamento de capitais e fraude. Uma chatice. É o problema das respostas, como dos casamentos: às vezes, por mais que queiram, não encontram as perguntas certas.

 

Mas eu tenho duas boas razões para não fazer esse tipo de perguntas: em segundo lugar, não quero de todo maçar os senhores com minudências a que ninguém mais parece ligar, a começar pela própria Inspecção-Geral de Jogos que se aborrece (a sério) sempre que alguém faz perguntas incómodas sobre o jogo no Casino Estoril. Ora eu cá não quero aborrecer ninguém. E em primeiríssimo lugar, como podem ver pelo título deste blog, eu de facto só disponho de sete vidas, o que é manifestamente escasso para poder dar-me ao luxo de me meter com o Dr.Mário Assis Ferreira e com a Estoril-Sol. Chamem-me gato escaldado, se quiserem. Mas ganhei um amor tal à carnucha que enche o esqueleto que me transporta, que agora (com a idade, já se vê) uso todos os cuidados e uma alimentação saudável, que inclui os milhões de alkazei-imunitai que há nos yogurtes e uma prudência verbal feita em casa. Dizem que faz milagres, estou para ver e ir vendo, devagar.

 

Por isso não tenho quaisquer perguntas para fazer, ou sugestões para deixar, ou ideias para partilhar sobre este assunto. Tal como o resto do país, vou assistir hoje aos telejornais e à notícia das buscas, ver as imagens e ouvir todas as informações disponíveis sobre esta suspeita de branqueamento de capitais nos casinos. Depois, tal como o resto do país, vou aguardar por um eventual resultado das investigações, supondo que existirá algum. E no final, havendo um, tal como o resto do país vou comentar no café nesse dia e no outro vou à vida, obrigadinho, que se há-de fazer, é preciso é ter saudinha e tudo se resolve. E já está. Não foi assim com a polémica do Casino Lisboa/se há-de ir para o Estado olhe pronto, deixe ficar, uma atenção de Telmo Correia assinada nos estertores do seu consulado? Alguém mais fala disso? E aconteceu o quê, na prática? Falou-se, é certo, deu na televisão, veio nos jornais, mas aconteceu o quê, depois? Nada, não aconteceu rigorosamente nada. Nunca acontece nada, o herói Martini não morre, nem se despenteia. É preciso é ter calma e muita saúde e tudo se resolve, como sempre. Todos sabemos que é assim. Eu sei que é assim. O Dr. Assis Ferreira também sabe que é assim. E os senhores que estão a mexer no gabinete dele até podiam não saber que era assim quando lá entraram, mas palpita-me que agora alguém vai arranjar maneira de os informar, rapidamente, desse pequeno pormenor. Afinal, não há nada para esconder. 

 



publicado por Rui Vasco Neto
link do post | comentar | ver comentários (14)

Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
mais sobre mim
vidas passadas

Piu

Crónica do Brufen

Eu, pombinha.

Falando com o meu cão

Chove, eu sei, mas tenho ...

Maria da Solidariedade

Hum, daí o meu dói-dói...

Portugal sem acordo

Não fui eu que escrevi ma...

Um dos

Abençoados 94, Madiba!

Sôdade

Não vás as mar, Tòino... ...

Ofertas FNAC: pare, escut...

Reflexão de domingo, perg...

É preciso é calma, já se ...

Definição de sacrifício n...

A questão

E pronto, eis que descubr...

.......

Bom dia. Se bem me lembro...

O princípio do fim

E, de repente.

Um azar nunca vem só

Diz que é uma espécie de ...

Força na buzina!!

Bom dia. Hoje chove em Li...

Depois do homem que morde...

Bom dia. É hoje, é hoje!!...

Boga ou Beluga?

arquivos

Junho 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Novembro 2010

Outubro 2010

Abril 2010

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Restaurantes para fumadores
Consulte aqui a lista de restaurantes onde os fumadores também têm direito à vida.
sete vidas mais uma: Daniel de Sá
Um Nobel na Maia
Lagoa
Ribeira Grande
Vila Franca do Campo
Do Nordeste à Povoação
Dias de Melo, escritor livre
E se a Igreja se calasse?
O outro lado das tragédias
O meu Brasil português
A menina amarga (II)
A menina amarga (I)
Pelas cinzas de uma bandeira
O caso da Escola do Magistério
Uma confissão desdobrável
O gato e o rato
Contra a Inquisição
D.Diogo
Uma carta de Fradique Mendes
Acróstico
Monotonia
Maia (II)
Maia
Um nome acima de todos os nomes
Um palhaço de Deus
A ópera em Portugal - Conclusão (VIII)
A ópera em Portugal - Um novo estilo, Alfredo Keil (VII)
A ópera em Portugal - O Teatro de S.Carlos (VI)
A ópera em Portugal - Os Intérpretes: Luísa Todi e os Irmãos Andrade (V)
A ópera em Portugal - Marcos Portugal: vida e obra (IV)
A ópera em Portugal - Primeiros tempos / o triunfo (III)
A ópera em Portugal - Introdução da ópera em Portugal (II)
A ópera em Portugal - As origens da ópera (I)
Dois sonetos à maneira de Natália Correia
Duas garrafas de Macieira
As esponjas das lágrimas
Lição de Português
500 000 soldados
Depois do portão da casa
Auto da Mazurca
Auto da Barca de Bruxelas
Malino
Romance da Bicha-Fera
A Casa
Tremor de terra, temor do céu.
Cântico da mãe escrava ao filho morto
Passos Perdidos
A Lenda dos Reis
Daniel de Sá
Um sítio chamado Aqui
O protesto do burrinho
Sete vidas mais uma: Soledade Martinho Costa
Poema renascido
Sete vidas mais uma: Pedro Bicudo
RTP, Açores
As vidas dos outros
subscrever feeds
Sete vidas, sete notas