Terça-feira, 30 de Setembro de 2008
Pinheiro da Cruz e Vale de Judeus renovam simpático convite.
Terça-feira, 30 Set, 2008

«Vale e Azevedo muda de casa por falta de pagamentos. O ex-presidente dos encarnados abandonou a casa após ter expirado o contrato e também a pedido do proprietário, John Marriott, que afirma estarem em falta cerca de 416 mil euros de renda. »

 



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Vão desculpar a pergunta, mas PJ quer dizer 'Pela Janela'?
Terça-feira, 30 Set, 2008

A Polícia Judiciária foi assaltada, o que já de si tem alguma graça. E não estamos a falar do hall de entrada ou de uma salinha de visitas qualquer, mas sim das instalações daquela polícia onde funciona a DCCB, supostamente os Pinkerton dos nossos detectives, os mísseis das nossas fisgas, a nata dos Dirty Harry cá da terra quando se fala de criminalidade violenta. Isso, convenhamos, já tem menos graça.

 

A mercearia lá do meu bairro também foi assaltada, levaram bolachas, champô e leite condensado, entre o que havia. Numa sapataria mais à frente os ladrões levaram sapatos, do café da esquina levaram tabaco e bolos e de uma obra em curso levaram as ferramentas todas de pedreiro que encontraram. Ora, corrijam-me por favor se eu estiver enganado, não me quer parecer que houvesse leite condensado na DCCB, tabaco também não (que o edifício é de não-fumadores e as forças policiais não vão ao casino como o Nunes e seguramente não desrespeitam a lei), shampô talvez mas sapatos também duvido, a não ser usados e odorosos. Assim, toda a questão se resume às ferramentas que possa ter levado este atrevido ladrão, sendo que dificilmente se encontrarão escopros e martelos na PJ, que é sabido trabalhar com ferramentas mais... sofisticadas, chamemos-lhe assim. O que nos traz de volta à questão primeira: que raio queria este maluco roubar da DCCB? Ou, mais e pior, quanto de quê conseguiu este maluco levar da DCCB, isso sim.

 

Pelo comunicado entretanto divulgado pela direcção nacional daquela força policial não ficamos a saber grande coisa, convenhamos. «O homem, um toxicodependente com 31 anos, entrou "furtivamente" no edifício da Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB), em Lisboa, na madrugada de sábado e por meio de escalamento, tendo roubado alguns objectos, que foram recuperados posteriormente», diz e acrescenta, em princípio sem ser por piada: «Não foi revelado o valor do assalto». Pronto. É tudo o que nos é dado saber por aqui. Tudo tudo também não, diz ainda o comunicado oficial que «na sequência do assalto, a Polícia Judiciária (PJ) determinou a abertura de um inquérito interno para "reavaliação de procedimentos de segurança e apuramento de eventuais responsabilidades disciplinares», o que nos descansa a todos, evidentemente. E acaba com a informação aparentemente mais importante para a PJ: «O suspeito conseguiu fugir mas acabou por ser detido. Depois de ser detido, foi presente a um primeiro interrogatório judicial e foi-lhe aplicada a medida de coacção de prisão preventiva.» E pronto, notícia encerrada.

 

Os senhores não me vão levar a mal, mas a mim sobram-me umas perguntinhas que, à falta de melhor sítio para as poisar, ficam por aqui mesmo. Por exemplo: não há ladrão que não queira sair da Judiciária, o que raio levou este em particular a querer entrar? E depois, entra-se assim sem espinhas, num local onde só há polícias e se faz a instrução de processos que levam à cadeia cidadãos, na maioria criminosos? E armas, havia por lá? E levou-as, este ladrão, ou só fanou o Toffee Crisp do inspector e a sandes de presunto do senhor agente que tinha saído, coitado, talvez para um xixi? E o senhor ministro Rui Pereira, aquele do elogio fácil à bravura, vai assobiar para o lado desta vez, a ver se a coisa passa, ou vai ceder à sua reconhecida compulsão de dizer coisas sobre 'uma das melhores polícias do mundo' e bacorar umas coisitas a propósito?

 

Só mais uma, vá lá, a última, eu prometo: esta história é uma piada, ou é Portugal que é de anedota?

 



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Shit!
Terça-feira, 30 Set, 2008


 

(imagem sacada daqui, com a devida vénia)



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Bom dia. Hoje o senhor ministro diz a verdade. Pura e dura.
Terça-feira, 30 Set, 2008

«"Hoje é o dia que marca o príncipio de uma nova era". Foi assim que o ministro da Economia, Manuel Pinho, reagiu ontem ao chumbo do "Plano Paulson", o plano de emergência da administração Bush que previa injectar no sistema financeiro norte-americano 700 mil milhões de dólares. Para Manuel Pinho, o mundo tal como conhecíamos até agora acabou. "Durante 10 a 15 anos vivemos num mundo de prosperidade assente em quatro motores: num sistema de financiamento eficiente; na inovação; na expansão do comércio e na energia barata para todos. Pois bem, esse mundo acabou".



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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
Jardim paga Edite Estrela com Daniel Oliveira e trocos.
Segunda-feira, 29 Set, 2008

«O presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, foi hoje condenado pelo Tribunal Judicial do Funchal a pagar uma indemnização de 20 mil euros à eurodeputada Edite Estrela.  Os factos remontam a Abril de 2004, por ocasião das eleições para o Parlamento Europeu, quando numa visita em campanha eleitoral à Madeira, Edite Estrela terá afirmado que a política do Governo Regional era de "betão" e que "esquecia as pessoas". A esta crítica, o presidente do Governo Regional ripostou dizendo que se tratava de "uma peixarada". O Tribunal considerou que o governante madeirense "excedeu na crítica política" e condenou Alberto João Jardim a uma indemnização a título de danos pessoais de 20 mil euros.»



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As pulseiras de Magritte
Segunda-feira, 29 Set, 2008

Melhor do que ver o debate Obama/McCain só lê-lo, digo eu. Isso mesmo, ler o que os outros viram. O resultado recorda o fascínio dos fora-de-jogo antes da televisão digital, toda centímetros e cagagésimos, sem espaço para a discussão de tasca do é ou não é, tá-se mesmo a ver que não, é sim senhor. Quem tiver saudades dessas verdades múltiplas de uma mesma e única verdade deve fazer o tour dos comentadores, com paragem mais demorada nos acreditados em si próprios, em especial. Malta especialista e sagaz, de olho vivo nos mais ínfimos pormenores da recente prestação dos dois candidatos. Os mais divertidos torcem por McCain, na minha opinião, mais uma apenas, claro. E entre os mais divertidos dos mais divertidos o prémio vai destacado para o hilariante André Pessoa, do Cachimbo de Magritte, que a meu ver consegue momentos notáveis ao arrancar raros prodígios ópticos e não menos apurados raciocínios. Tem até um que eu acho particularmente imperdível, cada um que julgue por si, deixo-vos o video e os links. E um breve resumo, para conferir se é assim.

 

O video separa uns criteriosos oitenta e seis segundos em que McCain puxa de uma pulseira com o nome de um soldado morto no Iraque, que garante usar no pulso a pedido de uma mãe de New Hampshire, para enfeitar a necessidade de não retirar do Iraque por "não querer a derrota" nem "a desonra". São oitenta exactos segundos, em oitenta e seis, para a pulseira de McCain, até que acontece a grande gaffe segundo Pessoa, o André do Cachimbo. É Obama que interrompe McCain para dizer que também recebeu uma pulseira, "do sargento... aaa... da mãe do sargento Ryan Jopeck". Cá está!! Viram o engano? Espero que sim, tiveram seis longos segundos para isso, nem mais um para perceber se havia contexto posterior, nem isso agora interessa para nada, com certeza. Enganou-se enganou-se, pronto, Deus perdoará mas André não é para graças e grita a pergunta logo em título do post: «Se isto não é uma gaffe?». E mais não diz, no título. Mas no texto aponta a desgraça a dedo, nos tais seis segundos fatais de Obama: «Ver o fim do video», recomenda, para logo concluir: «Resta saber até que ponto a maior gaffe da campanha até agora penetrará o silêncio imposto pelos media.» Se me perguntarem, a coisa parece negra para o senador não menos, a acreditar neste comentador acreditado. Vendo nem tanto, talvez. Ora confiram, se tiverem seis segundos.

Viram? Cá está o falhanço, a derrapagem televisiva que é fatal em campanha. Mas só naquele post, não resisto a desvendar. Pois mais acima, neste outro, o mesmo André parece outra pessoa, bipolar a provar a sua causa, tolerante como um avô italiano ao sossegar McCain do mesmo que deve preocupar Obama: «(..)se os eleitores americanos se sentem hoje inclinados a votar num candidato político em função das suas habilidades televisivas, se identificam prestação televisiva e competência para o cargo, então temos de retirar as conclusões devidas sobre o declínio do seu sistema político.». Quer dizer então que, está visto que pois. Tudo não passou de um falso alarme, afinal, enfim, talvez. Uma mera cambalhota do raciocínio no trapézio do pensamento. Sem rede de sensatez, naturalmente, daí o espalhanço, coitado, caramba! Eu sei que é feio rir destas coisas, pode acontecer connosco, dizem. Mas bolas, oxalá que não. Já tenho a minha conta de figuras tristes.

 

(a história de outra visão do mesmo debate, também muito peculiar e interessante, aqui)

 



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Bom dia. Hoje eu chamo-lhe tribunal da suprema injustiça
Segunda-feira, 29 Set, 2008

«Depois de 49 anos de vida em comum, duas filhas e três netos, uma septuagenária perdeu o companheiro e viu o Supremo Tribunal de Justiça negar-lhe a pensão de sobrevivência a que teria direito, quase automático, se tivesse casado. São dezenas os acórdãos do Supremo com desfecho semelhante. Na esmagadora maioria dos casos, e sobretudo a partir de 2005, altura em que o Tribunal Constitucional se pronunciou sobre o assunto, acaba numa vitória para o Estado.




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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008
7Vidas em destaque
Sexta-feira, 26 Set, 2008

Mais uma vez, o 7Vidas merece honras de montra na loja Sapo. Eu cá fico feliz, claro. Grato, muito, pelo reconhecimento. Mas, em especial neste mês de aniversário, manda a mais elementar justiça que os agradecimentos devidos à equipa Sapo sigam em meu nome e no do meu amigo Daniel de Sá, residente cá da casa. E que sejam entregues com uma nota de rodapé, destaque não menos importante, a recordar que Setembro, aqui no 7Vidas, foi feito não só por mim, mas pelos meus convidados e pelos seus textos: Fernando Venâncio, Pedro Correia, Samuel, Luis Novaes Tito, Pedro Morgado, Valupi, Carlos Enes, Confúcio Costa e Shark. Até agora, claro, que este casamento cigano só acaba a 6 de Outubro, recorde-se. Por isso siga a dança, agora destacada. E os meus cumprimentos pelo evidente bom gosto deste batráquio. Lamentavelmente verde.



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Dias de Melo, escritor livre
Sexta-feira, 26 Set, 2008

Os amigos adivinham-se, cada vez me convenço mais. Seriam umas cinco da tarde de ontem quando recebi o curto escrito do meu amigo Daniel de Sá: «Não vais dizer nada acerca da morte do Dias de Melo?», queria saber. Saiu-me um palavrão irrepetível. É que eu estava há horas e horas à roda da cauda, folha em branco, sem saber o que fazer e dizer. Desde que vi a notícia, anteontem. Não porque me faltem palavras, arranjam-se sempre; e juntando uns espargos frescos até compõem um raminho decente e a coisa passa, que eu sei. Mas havia dois factores inultrapassáveis. O segundo é a vergonha na cara que vou tendo, enfim, mais ou menos, não me passa pela cabeça alinhar no Manchester na vez do Ronaldo. E o primeiro, razão de ser do segundo, tem a ver com o respeito que é devido à verdadeira amizade entre dois seres, não aquela da palavra fácil, mas a outra, das (muitas) horas difíceis. Como era a de Dias de Melo e Daniel de Sá, dois nomes grandes da literatura nacional nada e criada nos Açores. Chutei de volta, disposto a implorar. Mas não foi preciso. É grande, o meu amigo Daniel. E sabe que eu choro com ele a perda comum a nós quatro, minha, dele, da nossa terra e da nação imensa da língua portuguesa.

 

Em baixo: "Dias de Melo, escritor livre"

Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

O remo que Dias de Melo não usou por profissão não terá feito falta na vida dos baleeiros do Pico. Alguém o terá manejado por ele. Mas a sua escrita não poderia ser substituída por nenhuma outra, por nenhuma de outro.

 

A minha admiração por ele vem do tempo em que eu era ainda um rapaz a sonhar que haveria de escrever umas coisas. Depois, na idade adulta, o destino juntou-nos numa grande amizade. Eu disse-lhe um dia que, felizmente, a literatura não era como o desporto, em que só há um vencedor. E lembrei o combate de Rocky Marciano com Joe Louis, em que, depois de Rocky ter vencido, voltou as costas ao adversário tombado no chão. Alguém o censurou por essa atitude deplorável. Mas ele, para quem Joe Louis fora um ídolo, respondeu que o fizera para ninguém ver que chorava. 

 

Dias de Melo nunca teve de provar que era mais forte do que eu. E eu nunca tive de sentir a angústia de sair derrotado ou de tentar derrotar um bom amigo. Ele fizera de mim seu confidente. Nas muitas horas que passávamos ao telefone, contava-me e recontava-me histórias do seu Pico, dos seus baleeiros, de trancadores lendários, de mares embravecidos, de vidas em risco constante. E falava-me dos livros que ia escrevendo e dos que pensava escrever. Dizia-me, nos últimos tempos, que só queria conseguir mais um. Não conseguiu. 

 

Dias de Melo ficará para sempre conhecido como o escritor das baleias e dos baleeiros. Nenhum baleeiro de Dias de Melo será jamais enterrado no chão do esquecimento. Ele garantiu a todos a perenidade da vida na memória das gentes. E, tal foi a força da luz que lançou sobre o palco da vida dessa gente do seu Pico, que como que se fez uma espécie de penumbra a respeito da baleação que houve em todas as outras ilhas dos Açores.

 

Mas Dias de Melo foi muito mais do que isso. Onde houvesse uma causa justa a defender, uma injustiça a combater, aí estava presente com a sua palavra iluminada e iluminadora, com o seu talento de escritor reconhecido como grande, enorme, sem precisar de peregrinar pelas “capelinhas” onde se decide o mérito na capital da Pátria e da cultura portuguesa.

 



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Eu era só para dar uma palavrinha...
Sexta-feira, 26 Set, 2008

O título engana, eu sei. Era só para dar uma palavrinha mas deu estas todas que se seguem, já se sabe, são como as cerejas, as palavras. Nem sempre doces, as deste meu convidado de hoje. Às vezes ácidas, outras divertidas, algumas amargas, muitas notáveis, umas quantas romântico-afrodisíacas (uma das suas especialidades). Mas todas sempre muito bem trabalhadas, de uma entrega total e de uma regularidade invejável e rara nesta blogosfera onde o seu Charquinho é referência obrigatória há quatro vezes este ano que eu agora comemoro, nesta festa de autores que seria bem mais pobre sem a sua presença. Felizmente veio, o Shark. Só para dar uma palavrinha, claro.

 

 

Em baixo: "Eu era só para dar uma palavrinha..."

Sete vidas mais uma: Shark  

 

 

São as palavras, essas gajas que se dizem e que de igual forma não entendemos na maior parte do tempo em que as escrevemos, o elo de ligação.

 

Vidas, sete ou apenas uma daquelas bem esgalhadas, existências cruzadas no caminho virtual que calcetamos com emoções escritas das que nos prendem a atenção.

 

Neste espaço de felinos encalhou um tubarão, atraído pela curiosidade que dizem matar gatos mas no caso em apreço apenas fortaleceu o autor para quem as palavras escritas só fazem sentido se existir alguém para as ler.

 

E eu rendo homenagem ao escriba que se dá a conhecer no talento que lhe reconheço e um ano decorrido não logrou desmentir. Pelas palavras que têm o condão de unir pessoas em torno de um prazer comum que cultivamos assim, mostras-me a tua e eu mostro-te a minha e a ninguém preocupa quem a tem maior ou a mais atrevida, a prosa, que apreciamos mais crescida quando a tesão nos invade os dedos e fazemos acontecer no teclado como na pele de uma mulher um pedaço de nós.

 

Sete vidas que se investem no tempo de uma só, com o empenho que as palavras denunciam. Oferecidas em frases trajadas a rigor, vestidas com o amor que com elas se faz quando se gosta tanto assim de comunicar.

 

E tu, autor desta pequena montra daquilo que fazes melhor, expões-te à verdasca virtual sem dares os flancos porque aqui acontece uma vida em que dás muito de ti e a malta gosta porque é bom e cabe-me nesta altura ser um dos porta-voz dessa comunidade de apreciadores para quem, bons entendedores, meia palavra bastaria.

 

Mas um ano é muito tempo nesta nossa realidade virtual e por isso ninguém levará a mal que lhe acrescente a outra metade de uma palavra qualquer para que ninguém alegue não perceber o objectivo único desta missiva lamechas que te ofereço, é toda tua.

 

E a palavra completa só pode ser uma. Aquela que te diz: continua!

 

 Shark

(blogger do 'Charquinho')

 



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Bom dia. Hoje a tia deu-lhe forte.
Sexta-feira, 26 Set, 2008

«"É lastimável que o primeiro-ministro se tenha lembrado de contactar com o povo aqui em Guimarães numa manifestação de opulência que me pareceu absolutamente insultuosa", disse Manuela Ferreira Leite, para quem o discurso de José Sócrates «foi um espectáculo de um conjunto de meios de tal forma grandes e opulentos» que constituiu uma «afronta aos portugueses que vivem na situação actual».«Se me lembrasse de dar uma festa de grande opulência no meio de um bairro de barracas seria uma enorme afronta a quem lá vivia» e foi isso «que o primeiro-ministro fez».

 



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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008
Silêncio, morreu um poeta.
Quinta-feira, 25 Set, 2008

 

José Dias de Melo  (8/04/1925  -  24/09/2008)



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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008
'Bora lá conversar, então.
Quarta-feira, 24 Set, 2008

Não foi ontem. Foi cedo demais que dei por mim a palmilhar carreirinhos atrevidos de dúvida permanente, mais e mais distantes da estrada da razão a cada zig neste entroncamento de tentação, a cada zag naquela encruzilhada do dever, depois outra, e outro, e outra e muitos e muitas mais sem ver uma única tabuleta, que fosse, a dizer 'Vai por aqui, lembra-te do Régio!', ou simplesmente 'Razão: sempre em frente, boa viagem', por exemplo. Nada, nem uma para amostra, há kilanos sem fim. Só aquelas do 'Se conduzir não beba', kompensans no Biafra, úteis e alimentícias como tremoços, na circunstância. E lá estou eu à toa, aqui e ali, que é como quem diz aqui e aqui, hoje como ontem a ponderar seriamente se não estarei perdido de vez desta vez, mais uma vez, longe do longe da razão. E pior, muito pior: irremediavelmente perdido da fé. Bem fodido, em resumo.

 

Quem achar que a fé não é perdida nem achada em assuntos da razão está pior que eu e perdido de todo: é tolo sem regresso. Para muitos e mais sábios que eu e esses, o critério supremo da verdade, determinante em todo o decidir, não é outro senão o dogma, a revelação divina, a vontade de Deus. Acima das exigências próprias da razão está uma instância meta-racional, cuja autoridade se aceita porque sim e não se discute. A razão serve como afirmação de fé e pronto. Ora eu e a fé andamos como que desavindos, se ela ziga eu zago, no mais das vezes, dorido de múltiplas expectativas frustradas. Culpa minha, seja, não dela ou d'Ele. Logo, se é por aqui a razão, está visto que estou em trabalhos.

 

Longe dos altares, o racionalismo puro e duro também não me ajuda grande coisa, diga-se de passagem. Espalho-me logo ao imaginar o meu raciocínio como um processo discursivo e lógico que analisa por etapas e com pinças, carimbando 'verdadeiro', 'falso' ou 'provável' através de um mecanismo de rodas dentadas que chiam no Verão, secas e sofridas do calor. É que a imaginação é o oposto da razão, para os racionalistas. E a fatiota cartesiana fica-me curta nas mangas, que todo eu sou tentativa e erro, tentativa e erro, idem, idem, embora me recuse nesta altura a comentar as percentagens de sucesso desta minha queda empirista, que tanto me faz cair. Mas é mais forte que eu, esta minha razão tão pouco razoável que me faz olhar e representar tudo não pelo que em si é óbvio mas sim pelas suas qualidades secundárias, dadas aos sentidos. E foi com esse jeitinho primoroso, com esse olho clínico apurado para avaliar as incontáveis pedras calcorreadas na calçada da minha existência que cheguei agora aqui, a este largo estreito onde se me aperta a tal dúvida de que vos falava, isto para fechar então esta nossa pequena conversa.

 

Terá sido desta, afinal, que me perdi da razão? Aceitam-se apostas, que respostas ninguém as tem dignas de ouvir. Se nem eu sei, não serão os mirones que vão saber com certeza absoluta. Por isso obrigadinho, vão para dentro, não se macem. Isto era só mesmo a gente a conversar.

 



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PPp
Quarta-feira, 24 Set, 2008

Pacheco Pereira passou-se.



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Bom dia. Hoje o país vomita, enquanto o 24Horas vende jornais.
Quarta-feira, 24 Set, 2008

«A vida da mãe desta criança - que sofre das doenças raras Síndrome de Alagille e Tetratologia de Fallot - mudou completamente no dia 31 de Março deste ano, quando foi primeira página do jornal 24 Horas por ser «acusada de vigarice».

 

O jornal escrevia que uma empresa de limpezas, que doou dinheiro para os tratamentos do filho, tinha colocado Helena Silva em tribunal por esta «não provar que o dinheiro que recebeu» tinha sido empregue na doença do filho. A notícia incluía o depoimento de um ex-colaborador da mãe do chamado «menino azul» que a acusava de ser «uma mulher capaz de grandes vigarices».

Hoje, Paulo Leal confessou à Agência Lusa que todas as acusaçõe
s que proferiu contra a mãe do ‘menino azul’ foram «falsas» e que visaram «denegrir» a sua imagem a pedido de uma empresa de limpezas que tem um litígio com Helena Silva e que lhe terá alegadamente pago 25 mil euros pelas acusações. Paulo Leal, que gozava de uma saída precária durante o cumprimento de uma pena de prisão de dez meses por ter passado um cheque sem cobertura quando, em Março último, proferiu as acusações contra Helena Silva, contou que foi «fraco» e que agiu «por dinheiro»

 



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Terça-feira, 23 de Setembro de 2008
Contas à vida
Terça-feira, 23 Set, 2008

Ser e parecer. Duas moedas distintas ou duas faces da mesma moeda? E quanto vale cada uma, exactamente? Com um 'ser' eu compro quantos pareceres? Bem, com um 'parecer' sei eu que se compram muitos seres, às vezes. Já na banca da esquina, se de lona mais caída, um 'ser' pode não cativar os seres que buscam outra coisa, sei lá, mais barata, mais em conta, desde que pareça. É assim a vida, é assim o mundo, que não o meu. Aparentemente, um só ‘parecer’ chega para a felicidade de quem não aspira a ser, nem nunca será. Nunca.


Ora embrulhe, se faz favor. É para oferta.



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Bom dia. Hoje anda por aí um ladrão feliz..
Terça-feira, 23 Set, 2008

«Jóias e ouro no valor de um milhão de euros foram hoje roubados a um empresário através do método de "carjacking" no bairro de Alvalade, em Lisboa. O assalto ocorreu pouco depois das 13 horas quando a vítima, que conduzia uma carrinha da marca Mercedes, foi abordado por um assaltante, que o ameaçou com uma arma de fogo e o obrigou a abandonar a viatura. O assaltante pôs-se em fuga com as jóias e o ouro que o empresário se preparava para levar para uma exposição do Porto.»



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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008
Morrer de fome num supermercado
Segunda-feira, 22 Set, 2008

«Uma cardiologista italiana de 46 anos morreu em Viena neste domingo após sofrer um parada cardíaca no Congresso Europeu de Cardiologia. Os esforços imediatos de seus colegas para reanimá-la não foram suficientes.»

 



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Mas onde é que está a bomba, afinal?
Segunda-feira, 22 Set, 2008

«O Banco de Portugal em Faro foi alvo esta manhã de uma ameaça de bomba. De acordo com o jornal Região Sul, a PSP deslocou-se ao local com equipas de minas e armadilhas tendo verificado tratar-se de "uma falsa ameaça"» Eu cá fiquei a pensar, acontece-me com frequência. Naquilo das minas e armadilhas também. E nisto, mais isto e mais isto, tudo só por exemplo, claro. Uma coisa levando à outra e nada tendo a ver com nada, se formos a ver. Mas eu estou em concluir que a ameaça de bomba não está no Banco de Portugal, é o próprio Banco de Portugal, por este caminho.

 



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Bom dia. Hoje chove no nabal mas é normal, dizem.
Segunda-feira, 22 Set, 2008

«As fortes chuvas que caíram domingo e hoje causando inundações em Coimbra, Albufeira e Porto são relativamente normais para a época do ano, que apresenta condições meteorológicas semelhantes a um clima tropical, segundo o Instituto de Meteorologia. De acordo com o meteorologista Pedro Reis Vieira, Portugal está sob a influência de uma depressão, situada a sudoeste da Península Ibérica, formada por ar muito quente à superfície e ar muito frio nos níveis altos da atmosfera. "É esta grande diferença de temperaturas que dá origem a esta instabilidade relativamente normal nestas alturas do ano", de transição de estações.

 

Quanto à precipitação verificada entre domingo e hoje de manhã, o meteorologista referiu que, segundo dados provisórios, caíram no Porto 51 mililitros de chuva em três horas. "É muita chuva e eventualmente mais da do que caiu domingo em Coimbra", disse o especialista, adiantando que não há dados sobre Albufeira, onde hoje também se registaram inundações.»

 



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Domingo, 21 de Setembro de 2008
A amizade
Domingo, 21 Set, 2008

A acreditar no próprio, 'Confúcio Costa terá, ao que tudo parece indicar, nascido'. As suas 'Intermitências da Corte' são um mundo de reflexão dado à estampa em conclusões de truz. Nesta aguarela de autores, que por este mês se juntam aqui no 7Vidas com o fraco pretexto de um aniversário, Confúcio, o Costa, é mais uma tonalidade inconfundível e imprescindível ao retrato de grupo, neste Setembro em festa que vai ficar para a blogoposteridade. Em nada deslustra o resto da pandilha que por estes dias me traz blogofeliz. Aliás (mais uma vez a acreditar no próprio) somos até semelhantes, eu e ele: “Somos, de facto, muito iguais. Ambos temos a certeza, inabalável, de que somos únicos.” É assim o meu convidado de hoje.

 

Em baixo: "A amizade"

Sete vidas mais uma: Confúcio Costa

 

 

A amizade pode ter muitas faces. Mas tem, sobretudo, a face que não se vê. A face de estar – sem necessitar de estar; de sentir – sem necessitar de tocar.

De gostar – sem necessidade de importunar.

 

A amizade pode ser muitas coisas: um abraço, um carinho, uma palmada nas costas, um berro, um conselho. E letras. Sim: a amizade pode ser letras. Só isso: letras. Umas atrás das outras. E, no entanto, todas à frente. De nós, claro. E dos outros também.

 

A amizade pode ser – e é – muitas coisas. Mas não é, com toda a certeza, deixar de responder o mais simnoro dos sim’s (ou: em inglês, dos sin’s – sem ponta de pecado) quando nos é pedido que o sejamos: amigos.

 

E oferecer a amizade é oferecer aquilo que a amizade é – aquilo de onde ela nasceu, cresceu e se reproduziu (em parágrafos de diálogo por dialogar). Sim: em letras.

 

E é em letras – nas que acabaram de passar – que se expressa o sim. O sim de estar aqui – a abraçar sem braços e a dizer olá sem voz – a amigar em hora de celebração.

 

É um ano – sim. Mas já parecem muitos. Porque os anos, entre amigos, não se contam em tempo. Os amigos, entre os anos, são uma forma de tempo.

 

Confúcio Costa

(Blogger do 'Intermitências da Corte')

 



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Ó p'ra mim todo catita!
Domingo, 21 Set, 2008

«Nesta segunda edição do prémio "Blog Catita", escolhi o Sete Vidas Como os Gatos para vencedor. É um blogue excelente escrito por Rui Vasco Neto, que não se resume apenas às politiquices do costume e que, claro está, tem um aspecto visual irrepreensível. Para além de tudo isto, está a celebrar um aninho, o que é muito bom nos dias que correm. Parabéns!»

 



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Bom dia. Hoje eles mentem, todos. Mas sempre para o nosso bem.
Domingo, 21 Set, 2008

«Correia de Campos reconhece, num livro que vai segunda-feira para as bancas, que a criação de novas taxas moderadoras não visou moderar o acesso, como na altura justificou, mas preparar a opinião pública para uma alteração do financiamento do sistema.»

 



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Sábado, 20 de Setembro de 2008
O Gato das Sete Vidas faz um ano
Sábado, 20 Set, 2008

Somos colegas de profissão e fomos colegas de estação, na TVI, ele na redacção e eu, curiosamente, vivendo a única experiência que fiz na apresentação de entretenimento, em 28 anos de jornalismo. Para mim é das vozes mais fiáveis, na área da Saúde, onde escava informação há um ror de tempo (com trabalhos verdadeiramente notáveis n'O Independente', ainda antes da TVI), bichinho álacre e sedento, num perpétuo movimento. Convidei-o para se juntar à exposição de aniversário do 7Vidas, pois claro, a comissão de festas de Carimbais de Cima teria feito igual, tenho a certeza. Saiu-lhe o texto antes mesmo da resposta, que veio a seguir: «Não é preguiça, essa saudável parideira de virtudes, ou desapreço pelo retratado. Ainda ponderei escrever outro texto mas, por incrível que possa parecer-te, convenci-me de que não sairia tão próximo do que penso como o primeiro». Por mim está tudo bem, isto é assim mesmo, houve um senhor que trouxe um bolo de ananás e eu fiquei feliz na mesma. A questão não é essa. Mas tinha mesmo que lhe dar para os retratos, pergunto eu?

 

Em baixo: "O Gato das Sete Vidas faz um ano"

Sete vidas mais uma: Carlos Enes

 

Para o escravizado mordomo de um cão com blog era irresistível tornar-me assíduo do gato. O Petra faz que não gosta, como lhe compete, por isso visito-o às escondidas. A melhor hora é a terceira da madrugada, com o copo de plástico do último bombay da esplanada do miradouro a verter para o teclado. É como entrar numa casa de fado e gostar da música.

O gato é um escritor de canções. Letras longas, feridas fundas, densidade, lucidez e estilo. Uma incarnação improvável de Bruce Springsteen, Tom Waits, Albert Ayler, Chico Buarque e David Byrne. Ele que me desculpe, mas não consegui meter aqui a Mayra Andrade. Estou a sério e julgo ter encontrado a precisão jornalística.


Vi o gato uma vez na vida, na noite de Lisboa. Não me recordo do assunto, mas sei que nos entendemos. Não tem tanto a ver com estar de acordo como com estar-se acordado numa corda de trapézio a que se chama vida. Ele tem sete, por isso salta melhor e mais vezes. Fortuna dele, pequeno prazer de quem o visita, azar de quem o atiça.

 

Carlos Enes

(blogger do 'Fragmentos do Apocalipse')

 



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E ele é o quê, o apito?
Sábado, 20 Set, 2008

«O presidente do governo madeirense, Alberto João Jardim, afirmou hoje que Portugal está a viver "em cima de uma panela de pressão"»

 



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Repenicobrigado
Sábado, 20 Set, 2008

Esta é uma distinção de menção obrigatória com natural vaidade. Para toda a equipa do Corta-Fitas vão os meus sinceros agradecimentos, pois claro. Para o João Villalobos em particular, pelo que disse e como disse, guardei um abraço repenicado, seja lá o que isso fôr. Deve ser divertido. Lembrei-me, sei lá.

 



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Bom dia. Hoje estou um nadita atrasado, querida.
Sábado, 20 Set, 2008

 



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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008
Chama
Sexta-feira, 19 Set, 2008

Ah!, meus amigos, que noite linda tive eu ontem sem o esperar! Perdi-me em Alfama, encantado, no fado do 'Mesa de Frades' e da Carminho, no talento do Pedro Castro, nos pormenores do 'meu' Diogo Clemente e na alegria de reencontrar a minha gente (quase) toda junta, numa daquelas noites raras que daqui por vint'anos alguém vai contar que aconteceu. Cantámos uns quantos, muitos muito bem, mas quando chegava a vez do Camané, por exemplo, o silêncio que se fazia parecia diferente, não sei, interior, talvez. Uma espécie de reverência de quem se sente na presença de algo maior, porque genial. Não sei se me expliquei bem, mas como a seguir vem este texto do valupi, pensei que talvez os senhores entendessem melhor aquilo de que falo. Ou, melhor, por que me calo.

 

Em baixo: "Chama"

Sete vidas mais uma: Valupi 

 

Imagina-te do lado de fora do Universo vai para 14 mil milhões de anos; ou coisa que o valha, que nessa desolada condição chega uma altura em que se perde a conta até aos milénios quanto mais aos anos. Repara na agitação das galáxias, sempre a cirandar à volta umas das outras, a namorarem, a fundirem-se. Olha com mais atenção, e acredita: por cada estrela, deves antecipar a existência de 10 planetas. Sim, é variado e não há falta de espaço, esteja este vazio ou por ocupar. Mas bastava um dos calhaus, aquele um pouco mais de azul. Cerra os olhinhos, consegues ver? Está cheio de gente. E de paisagens. De esperança. Pois, isso já não consegues ver. Tens de te aproximar da gente para que a esperança se aproxime de ti.

 

Agora, ainda aí onde te foste encafuar um quarto de hora antes de se inventar o tempo, e donde ficaste a olhar divinamente parvo para o Universo, imagina que te ofereciam a possibilidade de nascer nessa terra chamada Terra. Ou num dos seus sete mares. E que podias escolher a forma de vida. Ser peixinho ou passarão, árvore daninha ou erva-gigante, gatinho assanho ou leão de leite. E que tal nasceres com a capacidade de falar? E até de escrever, já agora e se não for muito incómodo? Que farias com um cérebro tão matreiro que conseguisse transformar açúcar em declarações de amor? Não respondas já, calma. Demora um segundo inteirinho a pensar na proposta.

 

O meu amigo Rui Vasco Neto, com quem nunca me encontrei ou falei ao telefone, celebra 1 ano do 7Vidas e deu-me a honra de participar nas festividades. Desconfio que os blogues não vão conseguir descobrir a cura para as doenças, acabar com a fome e as guerras ou tão-só baixar o preço dos combustíveis na Galp. Mas sei que eles juntam inteligências, memórias e vontades segundo duas antiquíssimas leis:

 

1- Os opostos atraem-se.

2- Os iguais procuram os iguais.

 

Assim foi e é. O que fazemos nos blogues, o que fazemos uns com os outros em liberdade, não passa de mais uma tentativa para manter esta paradoxal chama acesa. Para uns será luz, para outros calor. Nuns casos leva-se para a cozinha, noutros para o meio da rua. Faz-nos companhia, queima-nos. Porque tudo o que nos ajuda também nos pode destruir. E o que parece matar-nos pode ser a própria salvação.

 

Já não arrisco nada com esta conclusão: Rui, dá cá lume.

 

Valupi

(blogger do Aspirina B)

 



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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008
Bom dia. Hoje temos que ser práticos. E usar a cabeça.
Quinta-feira, 18 Set, 2008

 



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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008
"Esfaqueamento mortal adiado para 13 Novembro"
Quarta-feira, 17 Set, 2008

Não é piada, é título, mesmo. E título de notícia, notícia de jornal, Diário Digital, na circunstância. Vem isto ainda a propósito do Pedro Morgado, já que é dele a descoberta desta peça de artilharia do parangonar nacional. Completo é assim: «Braga: esfaqueamento mortal adiado para 13 Novembro». Agora a notícia: as Varas Mistas de Braga adiaram hoje, para 13 de Novembro, o julgamento de três indivíduos acusados de assassinarem, com 13 facadas e pancadas de uma bola de bilhar, um automobilista de Felgueiras a quem roubaram 170 euros.
Pronto, está explicado. Ora digam-me, não é linda, a arte de parangonar?

 

* (Por desatenção minha, escapou-me a referência ao 31 da Armada que está no post.

Palmas ao Henrique Burnay, então.)



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Sete Vidas
Quarta-feira, 17 Set, 2008

No mapa das minhas referências blogosféricas, Pedro Morgado marca a norte. O seu 'Avenida Central', lugar de inteligência, dispensa encómios meus, sobra quem os faça por razões tão boas quanto variadas. Na hora de organizar a lista (de que Schindler se riria, certamente, de tão curta, comparada com a dele) de convidados para esta festinha caseira, o seu nome impôs-se sozinho, praticamente, tão natural era a sua escolha. O seu 'presente!' veio rápido e decidido: «Desafios? Vamos a isso!», foi a resposta, imediata. E hoje mandou esta prendinha que vai já para a mesa, antes que arrefeça: «O texto é curto e constitui-se como uma pequena homenagem ao blogue que muito aprecio», acrescenta, em breve nota privada; «Estou numa semana inteiramente preenchida com trabalho». Perante isto, mesmo que eu tivesse palavras, nesta altura, não sei como faria para as juntar ao que sinto num agradecimento capaz e que escapasse aos salamaleques ocos do costume.

 

Em baixo: "Sete Vidas"

Sete vidas mais uma: Pedro Morgado

 

O simpático convite de Rui Vasco Neto para me associar ao primeiro aniversário do blogue «Sete vidas como os gatos» não poderia deixar de ser correspondido. Não havendo bolo nem champanhe e já que «quem não tem cão caça com gato» festejemos com palavras.

 

Se é verdade que «sete vidas tem o gato», também não é mentira que há por aí demasiada gente que não tenha uma única no pleno gozo dos seus direitos e com a expressão cabal de todas as suas potencialidades. O inferno na terra, via regeneradora para uma qualquer espécie de vida do além, vai-nos sendo imposto com demasiada frequência pelos algozes da (sua) moral e dos (seus) bons costumes. Pelo contrário, sabendo-se que «de noite todos os gatos são pardos», este gato de sete vidas mantém a identidade a qualquer hora e mia com frontalidade contra a hipocrisia reinante pelo que não constitui perigo de vender «gato por lebre».

 

É gato, mas não é gato escaldado nem de água fria tem medo. Felizmente.

 

Pedro Morgado

(blogger do 'Avenida Central')



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Postal Portugal (3)
Quarta-feira, 17 Set, 2008

A mulher era irritante, convenhamos. E o puto era uma peste de encanto, hiper activo, lindo de morrer. Contei trinta e dois 'tá quieto' e doze 'apanhas!' em poucos minutos, mais um menos um. Ele saltava para aqui, mexia ali, gritava acolá e aporrinhava o juizo daquela mulher vestida nem bem nem mal, penteada nem bem nem mal, quase camuflada na selva dos dias. O garoto saltitou no passeio à minha frente uns bons metros, de um lado para o outro, de trás para a frente ao ritmo do aviso constante da mãe. Com o jardim à vista não resistiu e atravessou sem dar tempo ao grito materno. Já tinha chegado ao outro lado quando o grito se fez ouvir, tão alto que o fez estacar. E bateu-lhe por certo a enormidade do erro, tantas vezes repetido, não se atravessa a rua sozinho. Hesitou nas pernitas bambas, mas a obediência veio com a consciência. Largou a correr de volta para junto da mãe.


O carro apanhou-o de raspão, mas bateu forte. Partiu-se contra o lancil do mesmo passeio onde queria chegar. Veio a vizinhança, veio o INEM, veio a polícia e veio o fim da tarde com aquela mulher enrolada num canto, perdida em si mesma, ausente da vida, casaco e chapéu do filho na rodilha das mãos e a repetir a mesma frase, vezes sem conta e a todos os que se chegavam. «Nunca fiz nada de jeito, nunca. Nunca fiz nada de jeito nesta vida». Ouvi duas vezes, que não tive tempo de fugir da segunda. Mas ainda lhe vi, de relance, os sapatos velhos e cambados, e o olhar com um vazio de mil mundos.


A mulher era irritante, convenhamos. E o puto era uma peste de encanto, hiper activo. Lindo de morrer.

(26 Janeiro 08)

 



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"Simplesmente Nini": O Caldinho
Quarta-feira, 17 Set, 2008

O silêncio era absoluto, total, rigoroso.  Um rigor que refulgia nos olhares dardejados por D.Vanália na direcção de Nini, sentada na mesa do fundo, trocando segredinhos com a 'Amelinha do 48' (ela mora é no 27, que até é rés-do-chão e tudo, mas já não sei quem soube o número de soutien da moça e pronto, ficou até hoje) entre risadinhas cúmplices e algo provocatórias. Jean-Pierre nem se mexia, olhos colados ao écran do televisor, bebendo as palavras do Presidente, tal e qual a mãe, parecidos até no pezinho, sempre a bater, ‘do nervoso miudinho’. Cavaco falava durante a cerimónia do 175º. aniversário do Supremo Tribunal de Justiça, em Lisboa, e pedia aos políticos que  «escutem atentamente o que dizem aqueles que aplicam as leis e vivem a difícil realidade do quotidiano judiciário».

 

D.Vanália acenava com a cabeça, olhos em alvo. Ao seu lado no sofá, Libaninho fingia ler a TV7dias mas não perdia pitada do discurso presidencial. Achava a voz de Cavaco “muito sexy, por acaso”, repetia, sempre que o Presidente falava, já ninguém o podia ouvir dizer aquilo, vezes e vezes sem conta. «Ó Libaninho, caramba, o homem é belfo e tudo», picava o Fernando da drogaria, «Ele é sopinha de massa, ó pá, é sopinha de massssssa», sibilava, feito  provocador. Libaninho esticou o dedo médio da mão direita na sua direcção e a coisa já morria ali, por entre as gargalhadas dos restantes, quando Nini deu um gritinho lá da mesa do fundo, toda excitada e aos pulinhos: «Olhem, olhem ali, ele está a falar dos juízes, deixem ouvir, ai por favor deixem ouvir, deixem lá..». D.Vanália estava estupefacta e já ia perguntar “que diacho quer esta agora ouvir dos juízes”, mas o Presidente seguia o seu discurso no salão nobre do Supremo Tribunal e a hora era de silêncio. Cavaco salientava agora que se exige «um alto sentido de responsabilidade» aos juízes e lembrava que «os magistrados dispõem de um imenso poder sobre a vida dos cidadãos e, além disso, gozam de um prestígio social que os torna modelos de comportamento para todos nós». Nini gritou outra vez, mais alto agora: «Ouviram, ouviram? Ouviram? A mãe não ouviu?», perguntou na direcção da sogra, que lhe respondeu de pronto: «P’ra eu não sou tua mãe, ó lambisgóia, cruzes, credo, Deus me livre e guarde de tal sorte, olha-me esta agora!!», saltou logo a velha, toda enxofrada e benzendo-se três vezes, de polegar esticado; «Mas olha lá, ó rapariga, o que é que uma desmiolada como tu quer agora saber da vida dos juízes e lá das obrigações que têm ou deixam de ter, tu não me dizes?» Nini fez um olhar perdido e um sorriso lânguido para explicar, compondo um beicinho de falsa vergonha: «Ora, (ai Jesus!), eu sempre sonhei casar com um juiz, eles é que mandam e têm todo aquele poder, toda aquela autoridade e tudo e tudo… é tão sexy... e as tochas, ai as tochas, tão elegantes que eles ficam, todos de preto e com aquilo a esvoaçar lá atrás, a dar-a-dar, tão giros, sei lá...».

 

Nini embalava agora, entusiasmada com as próprias palavras, fazendo um esforço notório de raciocínio, por demais evidente no franzir da testa e na sua expressão concentrada, laboriosa. «Ainda agora o Cavaco estava a dizer que os juízes têm muito prestígio, não ouviram? Prestígio, que é coisa que por aqui falta e não é pouco… cala-te boca! Eu é que sei..», atirou, olhando de soslaio para o marido, que folheava entretido a revista de Libaninho, pouco interessado nas ideias da mulher, que continuava, imparável: «E eu nasci para ter prestígio, uma mulher como eu não veio ao mundo para andar para aqui da cozinha para a sala e da sala para a cozinha, com os homens todos a olharem para mim daquela maneira, daquela maneira… sabes, querido, 'daquela' maneira?». Jean Pierre nada, nem ai nem ui, olhos em baixo e presos nas fotos de Ronaldo e Nereida numa praia de Espanha. «Ai!, que é tão boa, caralho!», saiu-lhe de repente, sem consciência que pensava em voz alta, nem que a mulher tinha falado antes e com ele, ainda por cima. D.Vanália arqueou as sobrancelhas, mas não moveu um músculo na sua expressão impassível, que mulher séria não tem ouvidos. Mas Nini, que bebia um copo de água, engasgou-se de tal maneira que cuspiu tudo, de jacto, para cima de Libaninho, coitado, que deu um grito tão histérico e tão alto que até o gato de D.Vanália saiu disparado pela janela da cozinha julgando que chegava a ASAE. «Ai, mulher, tu olha lá isso que me encharcaste toda, filha», gemia Libaninho inconsolável, ruminando “Grande vaca!” de si para si, enquanto Cavaco finalizava na televisão: «Qualquer ofensa à dignidade e ao prestígio do poder judicial constitui uma ameaça grave para a democracia de qualidade a que aspiramos».

 

D.Vanália meneava a cabeça, mais uma vez, já indiferente ao episódio da água e com expressão pensativa. «Que foi, mãe?», aproveitou logo Jean Pierre, que já lhe conhecia aquele olhar e gostava de discutir política com a mãe, que tinha sempre todas as respostas que ele gostava. «Olha, filho, o que foi é que está-se aqui a preparar um caldinho que fachavor, tu vais ver se não», começou a velhota, contando pelos dedos: «Repara, já anteontem foi o Procurador, aquele Pinto Monteiro, que veio dizer quase a mesma coisa: «Oiçam quem aplica as leis, porque quem aplica as leis é que sabe os resultados», não te lembras, que até tu disseste que ‘aplica’ lá nos Açores era outra coisa, que já não me lembro, não foi?» Jean Pierre tossicou, logo vermelho. A velha continuava, sempre a contar pelos dedos que ia encolhendo; «Aquele das polícias, aquele com cara de fuinha, como é que ele se chama, ai…o Pereira, não é Pereira, esse também está sempre a queixar-se e a queixar-se, até o Cavaco já se zangou e tudo, não te lembras?» Nini sabia aquela, e também queria entrar na conversa, estava farta de estar de fora: «Foi, querido, lembra-te lá, foi por causa daquele atraso..» Libaninho, que tinha saído por uns instantes para tentar secar as calças à frente, porque a humidade o incomodava, chega mesmo a tempo de ouvir as últimas palavras de Nini. «Outra vez, caramba? Mas vocês não fazem mais nada? Parecem coelhos, sinceramente! E agora vais fazer o quê, ó minha parola, não sabes enrolar-lhe ‘aquilo’ naquelas camisinhas? Vê lá, se nunca ouviste falar de preservativos, se calhar…», disparou, deixando Nini à beira de outro engasganço, mesmo a seco. «Ai, rapariga, está já calada pr’aí!», riu D.Vanália, consolada de ver a nora à nora. «Isto está para aqui a armar-se é um grande caldinho, oiçam o que vos digo que isto é sério e eu já sou velha, já vivi muito, já vi muito», insistiu, ainda concentrada no seu pensamento. «Deus nos livre se houvesse agora um crime daqueles violentos, sabem?, um daqueles assaltos, ou a um banco ou assim, mas que (salvo seja, Deus me perdoe e a Virgem Santíssima!) sei lá, fosse assim mesmo muito, muito grave, sabem? Pois olhem que eu tenho a certeza que esta gente está toda tão doida que aconteça uma desgraceira dessas que iam aproveitá-la até ao tutano, filhos, até ao tutano! Não querem eles outra coisa, está tudo ansioso para dar ao gatilho como nos filmes de cóbóis. E a gente acabava era numa ditadura num instantinho, isso é que era, mas só depois de muito morto, muito morto, muito morto. Oiçam o que esta velha vos diz! Está para aqui a armar-se um grande caldinho em Portugal. Oiçam bem o que esta velha vos diz.»

 

(lá continuar continua, não se sabe bem é quando, nem como, mas pronto)

 



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Bom dia. Hoje eu estou preocupado com a chegada do frio.
Quarta-feira, 17 Set, 2008

 

(The cockberg was photographed by Andy Rouse* in the Bransfield Strait near Antarctica.)

 



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Terça-feira, 16 de Setembro de 2008
Cabo Verde verde
Terça-feira, 16 Set, 2008

De vez em quando é certo e sabido, o 7Vidas vai a Cabo Verde. São visitas curtas, em dimensão bilhete postal, desses que publica o jornalista Fernando Peixeiro no seu Atlântico Expresso e que tanto colorido local trazem, sempre. E hoje é mesmo uma côr, o verde, que faz a história destas linhas que não resisto a publicar. «Mando-te sem mais umas fotos raras, de Cabo Verde verde», escreve Fernando Peixeiro para António Martins Neves, a terminar esta bela crónica a cores. Ora leiam.

 

«Por aqui a temperatura, felizmente, baixou. Não tem chovido, mas quero que vejas o que as águas fizeram por cá. Santiago, claro, mas ao que parece todas as ilhas. Até a Boa Vista e o Maio, bafejadas com belas praias mas onde em (des) compensação a chuva ainda escasseia mais. O Fogo, pelo que me dizem, parece uma ilha dos Açores. E imagino como devem estar lindos os vales de S. Vicente e as montanhas de Santo Antão… Aqui, por Santiago, o milho já nasceu e as vacas e cabras andam com um ar feliz e saudável. Respira-se melhor, há menos pó e a esperança de um bom ano agrícola cresce, como as plantas, todos os dias mais um bocadinho. Mando-te sem mais umas fotos raras, de Cabo Verde verde.»

(Fernando Peixeiro, aqui) 



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Mas... mas... vão-se divorciar, é?
Terça-feira, 16 Set, 2008

«Divórcio: PSD pede ao PS que recue para evitar um erro grosseiro»

 



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Matreco
Terça-feira, 16 Set, 2008

Trago-vos a vida de um colega, desta vez. Dois colegas, se contarmos com o autor da história dessa vida, Luís Novaes Tito, profissional de barbearia com nome feito na praça (à custa de muito escanhoar) e amigo cá da casa. Ao ponto de me ter feito oferta desta prosa, para juntar à festa deste aniversário, em que nos conta a vida de Matreco, o tal colega a que me referi no início da conversa. Pois este colega Matreco é o segundo felino a ter honras de vida contada com mão de mestre, aqui no 7Vidas (o primeiro foi Malino, de Daniel de Sá, lembram-se?). Mas Malino não queria ser deputado, como este novo colega com 'seis vidas queimadas'. «Um dia, caro Rui Vasco, escreverei as memórias do Matreco», diz-me Luís Novaes Tito em recado privado. «Para já e porque as sete vidas dos gatos são como as cerejas junto a minha à vossa voz com esperança de que, mesmo no “no-sense”, não venha a ser dissonante. Segue com um abraço e com a vaidade de ter sido seleccionado como Blog-amigo dessa casa», remata o meu convidado de hoje. Siga a festa, portanto. E olhem só p'ra mim todo vaidoso também!

 

Em baixo: "Matreco"

Sete vidas mais uma: Luís Novaes Tito

  

 

Matreco, felino riscado de bigodes rijos, tinha por particularidade deitar-se sempre de costas viradas para os convidados, rabo enrolado sobre a coxa direita e fingido, como só o Matreco sabia fingir, de olhos verdes fechados para pensarem que dormia.

 

O Matreco nunca chegou a Deputado. Preferia sair para as gatas em noites de farra sem dar nas vistas e por lá foi perdendo vida após vida entre brigas e disputas pela miúda mais gira das vadias do bairro.

 

O Matreco era vivaço, sabido. Em tempos de abundância formou sindicato, fez-se líder, alambazou-se de petiscos, encheu a pança e intitulou-se doutor, daqueles com Dr.

 

O Matreco está a ficar velhote. As artroses já não lhe permitem veleidades maiores. Deixa-se ficar de costas viradas, olhos verdes fechados, de rabo enrolado sobre a coxa direita. Sabe-se acordado porque quando dele se fala roda as orelhas na direcção do som que pronuncia o seu nome, curioso por saber o que dele contam.

 

Com seis vidas queimadas o Matreco que nunca chegou a Deputado deixou-se de gatas e sonha em ter sossego na vida que lhe resta. Está acomodado e já gosta de festas.

 

 

Luís Novaes Tito

(Blogger d' "A Barbearia do Senhor Luís")

 



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Postal Portugal (2)
Terça-feira, 16 Set, 2008

Hoje, numa escola do Montijo, um rapaz de catorze anos sentiu-se mal durante uma aula de educação física. A escola chamou o INEM, naturalmente. O INEM registou a chamada e mandou aguardar. O tempo passou. Nada de ambulância. Cansada de esperar, a escola ligou directamente para os bombeiros. E os bombeiros mandaram a ambulância, que chegou à escola - meia hora depois da chamada original - e levou o garoto. Tinham já chegado ao hospital quando finalmente o INEM ligou para os bombeiros, para mandarem então uma ambulância para a escola. Tinha o garoto acabado de falecer no hospital do Montijo, que fica a dez minutos da escola. Levado por uma ambulância dos bombeiros, que ficam a menos de cinco minutos da escola. O garoto morreu. O INEM diz que lamenta. Emergência médica, dizem eles. Emergência de merda, digo eu.

 



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Postal Portugal (1)
Terça-feira, 16 Set, 2008

A aldeia de Vide passou-se quando viu a velhota mexer-se, um ror de gente o jura no Jornal Nacional da TVI, vi há poucos minutos, só o tempo de escrever. É que a idosa estava supostamente falecida, morta e esticadita no caixão já a ser velado por familiares e amigos. Mas mexeu-se sim senhor, juram uns quantos, nem tão poucos quanto isso, e até 'estava quentinha', garante uma vizinha. Vai daí chamaram o INEM, que chegou só para confirmar o óbito. Estava morta a falecida, confirmou quem sabe da poda. Se antes, se depois da tal mexida, isso fica por saber. O facto é que o funeral ficou adiado 24 horas, pelo sim pelo não. E tudo se passou numa mortuária que fica na Rua do Volta Atrás, curiosamente. A vida é um poço de surpresas, não há dúvida. E a morte também, pelos vistos.

 



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Bom dia. Hoje até parece que passou por aqui um furacão.
Terça-feira, 16 Set, 2008

«O furacão Ike deixou milhares de deslocados no Texas, milhões sem eletricidade, e devastou a histórica cidade de Galveston, deixando a ilha sem combustível, água, electricidade, esgotos ou serviços. Ao todo, morreram cerca de 40 pessoas.


Cerca de 2 milhões de pessoas foram evacuadas, mas 20 mil pessoas permanecem na ilha de Galveston, onde já foram confirmadas quatro mortes devido à passagem do Ike. Perto de 2 mil pessoas foram retiradas de áreas inundadas por helicópteros e barcos, na maior operação de resgate da história do Texas.


Mais de 4 milhões de pessoas, várias refinarias de petróleo e muitas empresas ficaram sem energia, mas os órgãos governamentais irão distribuir gelo, água e refeições embaladas através de camiões em oito estações de Houston.»




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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008
Anda Bóbi que já enganámos outro?
Segunda-feira, 15 Set, 2008

Consigo imaginar uns quantos adjectivos que cabem como pelica enluvada na figura de Jorge Nuno Pinto da Costa. 'Vítima' não é um deles, convenhamos, 'coitadinho' dificilmente e 'inocente' só por brincadeira, vá lá, então? Sobretudo no âmbito deste fiasco dourado, apito pífio, arroz carolino, assistir à reivindicação de uma inocência virginal por parte do presidente do fêcêpê é ver o lobo queixar-se da avozinha, dizendo que esta o mordeu. É de estalo, cáspite! Mas agora o tribunal da Relação do Porto condenou o Estado português a pagar uma indemnização de 20 mil euros a Jorge Nuno, que considerou ter sido alvo de detenção ilegal no âmbito do caso Apito Dourado. E ele queria 50 mil, a primeira instância de Gondomar é que disse 'nem pensar nisso', mas a Relação do Porto pensou melhor nisso e decidiu isto. Vinte mil dos nossos euros e todas as nossas desculpas, se faz favor e muito obrigado. E assim se fez justiça. E assim se fez justiça?

 

Eu cá consigo imaginar uns quantos adjectivos que assentam como pelica enluvada na figura de Jorge Nuno Pinto da Costa. Uns são simpáticos, outros nem tanto, outros ainda são reveladores de alguma excelência, até, no desempenho deste ou daquele papel. Mas todos estão à medida das características específicas daquela pessoa, daquela personalidade, daquele nosso compatriota. De quem todos nós somos íntimos, caramba, íntimos mesmo, (já o vimos nu com um cãozinho ao colo, que diabo, quão mais íntimo se pode ser de alguém, afinal?!), já lhe vimos mil vezes aquela sua ironiazinha sempre a dar a dar, estivemos todos juntos nas suas brigas domésticas, nas vitórias e nas derrotas do Porto, nas suas brigas domésticas, nas zangas com o Benfica e com o mundo em geral, até nas suas brigas domésticas e nos seus não sei quantos casamentos de noiva alternada, aos quais fomos todos juntos com a Caras e com Vip's como o General Eanes, que ainda agora deitou fora uma data de massa a que tinha legítimo direito só para não macular a sua reputação de homem sério. Um homem com amigos destes é um alvo natural de invejas, rancores e muito falatório, é mais que sabido. Guloso de tudo o que pareça topo de gama, Portugal inteiro sente-se com direito a botar faladura, a opinar sobre as aventuras e desventuras deste boneco do Contra-Informação. E já se sabe, quando opina um português, opinam logo dois ou três. E mais eu, naturalmente.

 

Pois bem, muito sinceramente, para mim este 'inocente' não tem aquele corte esmerado que é costura habitual nos fatos de Jorge Nuno, nem sequer lhe assenta igual, antes longe, muito longe disso. E tanto se nota que também isso se escuta na rua e no café. Não cai direito, no prumo, como a farda de Ramalho Eanes, por exemplo a propósito. Na minha opinião fica-lhe curto nas mangas, destoa na frente e destapa as costas. E tem muito mais barriga do que a pouca que deixa antever. Talvez Jorge Nuno seja vítima de si próprio, neste caso, da sua circunstância. Afinal, quem fez da voz grossa e do tom intimidatório uma carreira de sucessos e excessos, alguns e outros por trilhos nem por isso isentos de lama, não se pode queixar agora de alguma confusão, até, no juízo que resulta da leitura popular desta sentença. Um tipo de apreciação que pouco liga aos factos, como se sabe, canta de cor com pouca atenção à letra e faz lá lá lá nas partes que não sabe bem, nem quer saber, pouco lhe interessam. Ou então talvez não, neste caso, talvez esta noite Pinto da Costa se ria a bandeiras azuis da Justiça nacional e da sua sorte particular nessa lotaria pública, quem sabe? Eu não, sinceramente. Não sei.

 

O Ministério Público já fez saber que tenciona recorrer desta sentença para o Supremo Tribunal de Justiça, como lhe compete depois deste espalhanço, enfim, talvez. Eu próprio também já disse que consigo imaginar uns quantos adjectivos que servem como pelica enluvada na figura de Jorge Nuno Pinto da Costa. Mas 'preocupado' aqui, tal como 'inocente' lá atrás, não me parece que faça parte desta lista, extensa porém criteriosa. Parece assim ser certo mais um final feliz para a colecção deste homem que tem todas as razões para celebrar esta noite, convidando toda a gente e fazendo desta decisão judicial mais uma grande festa do Porto e para o Porto. Por isso anda Bóbi. Vamos todos.

 



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Bom dia. Hoje eu não faço comentários.
Segunda-feira, 15 Set, 2008

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


«Oficiais da polícia e do exército informaram que pelo menos 23 pessoas morreram hoje esmagadas quando estavam numa fila para receber uma esmola de menos de três euros numa cidade do Leste da Indonésia.» 

 



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Domingo, 14 de Setembro de 2008
Caso morto e enterrado
Domingo, 14 Set, 2008

Para mim foi dos episódios mais terríveis e horrorosos da nossa história recente. Um caso com todas as características que fazem a grande miséria nacional, ontem como hoje e, por este caminho, como amanhã e depois de amanhã, nada a fazer. Aquela miséria culturalmente entranhada de que se evita falar, já que não tem remédio, dizem, é assim mesmo. Aquela espécie de sub-gente que vive no esgoto, como os ratos. Gisberta era um desses, um marginal, e isso não mudou nem com a sua morte. "Já não sofre mais", dirão os que não disserem 'Que se lixe", ou pior. De qualquer forma já passou, foi há três anos, o assunto está morto e enterrado. Não vai voltar a acontecer, se Deus quiser. Talvez.

 

Em baixo: "A primeira pedra"

 

 

Pergunta: quanto tempo leva a matar um homem a soco, ao pontapé e à pedrada? Resposta: depende. Se forem precisos treze rapazes entre os 13 e os 16 anos e se eles estiverem assim meio a brincar, sem se aplicarem por aí além, leva um fim de semana. E ainda sobra tempo. De sábado para domingo passado, um homem de 45 anos foi morto a soco, ao pontapé e à pedrada por uma besta descontrolada composta por treze garotos, os mais novos com 13 anos e apenas um, o mais velho, com 16. A besta era uma só, a besta do preconceito e do ódio, desta vez com treze cabeças, vinte e seis braços e vinte e seis pernas, números exactos. Recorde-se que a exactidão aqui é importante, já que cada um desses membros foi um instrumento activo neste massacre. Os pés pontapearam, as mãos deram os socos e atiraram as pedras, as cabeças deram o tempero do veneno desta besta que é a vergonha de todos nós.

 

Às vezes a besta tem mais cabeças, mais braços e mais pernas. O seu corpo muda e adapta-se a cada clima que encontra favorável, já desde a memória dos tempos. Esta é a mesma besta, do preconceito e do ódio, que matou judeus em Auschwitz, pretos na África do Sul, amarelos na China e vermelhos na América. É esta mesma besta que explode cafés e supermercados na Palestina, estações de metro em Londres e torres em Nova Yorque, tortura árabes em Guantanamo e queima mesquitas no Iraque. A mesma força, a mesma ignorância, a mesma crueldade, o mesmo motivo. A besta do preconceito e do ódio esmaga todo e qualquer sinal de diferença com o calcanhar pesado da bota gigante da estupidez humana. Da estupidez de todos nós.

 

Para muitos portugueses, quem morreu espancado e apedrejado no passado fim de semana no Porto não foi bem uma pessoa. Foi um maricas que era travesti e prostituto. Era um paneleiro, dirão. E era um drogado, o gajo. E dormia na rua, não se lavava, era porco. E era brasileiro. Como se vê, não era bem um dos nossos, ninguém nos pode comparar ou misturar com esse tipo de gente, com certeza, a nós ou aos nossos filhos. Este era um filho da outra, há aqui uma diferença, já se sabe. E depois isto é o tipo de coisa que só acontece com os filhos dos outros. Os tais garotos que fizeram isto, por exemplo, mesmo com treze anos, também não são iguais aos nossos filhos. Estes eram na maioria pretos, para começar. E vadios, delinquentes, com antecedentes criminais e internados numa instituição do Estado. E com certeza que eram drogados também. Como se pode ver, vista com outros olhos a coisa fica bem diferente. Tudo é relativo.

 

É uma sociedade hipócrita e criminosa esta que cada vez mais se divide entre aqueles que não dizem merda e aqueles que vivem enterrados nela todos os dias das suas miseráveis existências. É uma sociedade hipócrita e criminosa esta que tem governantes que agora se dizem ‘chocados’ com o linchamento de um travesti drogado, mas que no entanto vão mantendo zonas vermelhas de submundo dentro das nossas principais cidades, onde é possível o tráfico de droga e a prostituição, o crime e o vandalismo, a violência e até o homicídio, sem que a polícia lá entre, interfira ou queira descobrir o que quer que seja que se passa dentro dos seus limites. É uma sociedade hipócrita e criminosa esta que diz ter centros de acolhimento e recuperação para ‘menores em risco’, que continuam em risco quando confiados à guarda de um Estado que não tem a mais pálida ideia sobre o que há-de fazer com o seu presente, como se vê, quanto mais com o seu futuro.

 

É uma sociedade hipócrita e criminosa esta que sabe tudo isto, vê tudo isto e vive bem com tudo isto todos os dias de todos os tempos. Que permite bolsas de miséria onde se desenvolvem todas as doenças sociais que são verdadeiramente cancerosas para a evolução da espécie humana e nada faz para as erradicar, convicta que nada daquilo acontece aos seus filhos dilectos. Só aos filhos dos outros e aos filhos da outra como Gisberto Silva, brasileiro, travesti, drogado, prostituto, homossexual e sem abrigo, que foi assassinado no passado fim de semana na cidade do Porto. O seu corpo, em estado de adiantada decomposição, foi encontrado no edifício onde morreu, que está abandonado há 15 anos e é terra sem lei, conhecida e reconhecida como centro de múltiplas actividades criminosas. Gisberto foi morto por treze adolescentes, com 13 a 16 anos, a soco, ao pontapé e à pedrada. As investigações sobre o que realmente aconteceu ainda não começaram mas já se sabe quem atirou a primeira pedra. Fui eu. Foi você. Fomos todos nós.

 



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A surpresa de uma grande vitória. Democrática.
Domingo, 14 Set, 2008

«Angola: Vitória esmagadora do MPLA. Os resultados definitivos em nove das 18 províncias angolanas divulgados este domingo pela Comissão Nacional Eleitoral confirmam o domínio da votação no MPLA nas eleições legislativas dos dias 5 e 6 deste mês.»

 



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Screensaver do Magalhães: «Vayanse al carajo yankees de mierda»?
Domingo, 14 Set, 2008

«O presidente Hugo Chávez anunciou que a Venezuela prevê comprar a Portugal, em breve, um milhão dos computadores Magalhães para distribuir nas escolas venezuelanas a partir de Dezembro. O anúncio teve lugar num encontro no palácio presidencial de Miraflores, com o ministro português da Economia e Inovação, Manuel Pinho, durante o qual foram assinados novos acordos de cooperação bilateral entre Portugal e a Venezuela. «Em breve vamos assinar um acordo para trazer de Portugal um milhão de computadores (...) que vamos começar a distribuir aos meninos das nossas escolas bolivarianas, de maneira gratuita», disse Hugo Chávez.

 



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Bom dia. Hoje eu não tenho esta pedalada.
Domingo, 14 Set, 2008

«Lisboa é uma cidade boa para andar de bicicleta, garante um engenheiro civil que durante cem dias optou por deslocar-se na capital a pedalar, abdicando de autocarros, carros, táxis e metropolitano. Após mais de cem dias e 1200 quilómetros de bicicleta percorridos em Lisboa, Paulo Guerra dos Santos concluiu que a capital «é cem por cento ciclável e que as desculpas das colinas, do tráfego e do clima são mitos».


«As colinas ocupam quinze por cento da área urbana da cidade. 80 por cento das cerca de 700 mil pessoas que habitam em Lisboa moram e trabalham fora das áreas das colinas. A maioria dos fluxos que se fazem dentro da cidade (casa-trabalho) são na marginal e no eixo Baixa-Campo Grande, na sua maioria zonas planas ou muito suaves», explicou à Lusa o investigador, responsável pelo projecto «100 dias de bicicleta na cidade de Lisboa».



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Sábado, 13 de Setembro de 2008
Prémio Melhor Frase Eleições USA 2008 - 1º lugar (destacado)
Sábado, 13 Set, 2008

«Vemos a História a ser feita num confronto que faz colidir a esperança do Planeta com as ambições desenfreadas de uma tribo.»

(Valupi, aqui, pois claro)



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Tempos de crescer
Sábado, 13 Set, 2008

De entre os milhões e milhões de palavras da minha vida, escritas por mim ou por outros, ao longo de quase meio século, estas que hoje vos revelo são sem qualquer dúvida ou hesitação as mais significativas e importantes para mim. E não só para mim, tempos houve em que um punhado de jovens fez delas o seu hino e a sua bandeira de valores. Por mais que eu quisesse, a verdade é que não teria sequer como começar a contar, tanta e tão fantástica é a História que elas carregam. Uma história linda, linda, linda. Não foram escritas por mim, mas sim para mim, há trinta e cinco anos atrás. A autora, Luísa Sales Pontes, ainda não tinha os 14 anos feitos quando as escreveu e eu também não, tinha apenas 13 quando compus a música que até hoje as embala no meu coração. E no coração de todos os magníficos garotos daquele grupo, estou certo, que até hoje cantam estas palavras de cor. Hoje, dia 13 de Setembro, a Luísa faz 49 anos de idade e eu celebro a data com a sua poesia. Porque Amigo é mais que dimensão, mais do que ilusão e muito mais que um mero conceito.

 

 

 

Em nós

mil primaveras

mil tempos de crescer

e um sonho que nos ensina a escrever

com a nossa seiva

a vida por que esperas

 

Em nós Amigo é mais que dimensão

é mais do que ilusão e que conceito

é uma rosa a abrir, é um direito

fazer da existência uma canção

 

Há um Projecto Esperança nas palavras

e um 'não' que repudia os impossíveis

a nossa vida é terra que tu lavras

é um sol a nascer todos os dias

 

E em qualquer lugar há um 'aqui'

no tempo intemporal um verso nu

porque dentro da poesia existes tu

e uma gaivota ao sol dentro de ti

 

Em nós Amigo é mais que dimensão

é mais do que ilusão e que conceito

é uma rosa a abrir, é um direito

fazer da existência uma canção

 

Luísa Sales Pontes



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Falhou? Desculpem lá, não foi por mal.
Sábado, 13 Set, 2008

«A operação do BES de Campolide acabou bem, mas podia ter sido muito diferente. Muito falhou nessa noite, desde as comunicações à actuação dos snipers. Só mesmo por sorte é que um dos reféns não morreu. A ordem foi dada para abater os dois sequestradores, mas apenas um foi atingido, dando tempo e espaço ao segundo de disparar um tiro e colocar em risco a vida de um dos reféns. Tudo porque as comunicações via rádio falharam.


Segundo explica a edição da revista SÁBADO de hoje, ao contrário da versão que tem sido contada, os snipers do GOE não dispararam dois tiros. Eram quatro os atiradores especiais posicionados, mas só um é que disparou, matando apenas um dos sequestradores. Isto porque só este é que recebeu a ordem via rádio. Por falhas técnicas, os outros três não receberam nada e até ficaram surpreendidos com a actuação do colega.»

 



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O dia em que Portugal foi às aulas
Sábado, 13 Set, 2008

No registo diário da actualidade nacional destes últimos doze meses, aqui no 7Vidas, o episódio da Escola Carolina Micaelis tem um lugar de evidente destaque. Não é todos os dias que acontece, afinal. Portugal inteiro foi de fininho espreitar uma sala de aulas no Porto para ver e ouvir o drama de D.Adozinda, professora de Filosofia, de ponta com uma aluna que queria à força o seu telemóvel, apreendido mas pouco pela 'setôra'. «Dá-me o telemóvel já!!», gritava uma tu-cá-tu-lá, «Olha, a velha vai cair!!», gargalhava o outro que gravava tudo à socapa para o país ver e opinar. E eu cá fui um deles, também piei a propósito, sou dado a gorjeios, como sabem. Pois aqui fica o respectivo piu, escrito a quente, mal saído da caminha onde é bom de manhã segundo o Pinho atleta. Sem ouvir os outros, sem ouvir ninguém, a não ser aquele rapaz que repetia «Olha a velha vai cair!» nas vezes sem conta que aquele filme foi visto por toda a gente. Eis a crónica que saiu.

 

Em baixo: "Olha a velha vai cair! (2)"

 

A primeira notícia que vi hoje, acordado anormalmente tarde para a informação do dia, foi este video do incidente escolar na Carolina Micaelis. Vi, revi, comentei e postei, a frio. Não fiz análise dos factos, limitei-me a expô-los e a chamar a atenção para a sua importância e oportunidade. Mas a reflexão é importante. É essencial tentar ver para além do óbvio, esmiuçar o pormenor daquilo que também está lá, sim, mas em segundo plano. É que a justa indignação gerada pela atitude da aluna, que faz o primeiríssimo plano desta situação, induz uma visão redutora do muito que aconteceu. Uma leitura que é, na circunstância, uma verdadeira tentação para este país insatisfeito com o actual panorama educativo e ansioso por um qualquer pretexto que faça saltar a tampa governamental. E já agora a ministra da Educação, claro. Ora este episódio está longe de ser um pretexto qualquer, é um argumento de peso em qualquer discussão séria sobre a realidade das nossas escolas. Que faz saltar inúmeras questões para cima da mesa, todas pertinentes e importantes, e que por isso deve ser visto e analisado sem paixão, num esforço de objectividade.

A situação filmada centra-se em duas pessoas, a professora e a aluna. Não está em causa, penso eu, qualquer dúvida quanto à incorrecção do comportamento desta aluna. Ela foi total e por demais evidente, não tem desculpa ou atenuante à primeira vista. Tudo parece começar como uma brincadeira que foi longe demais, um desafio assumido a uma autoridade que evidentemente já não era respeitada, logo à partida. Uma exibição tola de afirmação perante a turma e um exercício de cumplicidade com os colegas, que correu mal por ter sido levado longe demais. O comportamento desta adolescente de 15 anos foi mais do que impróprio: foi aberrante, nem bom nem mau. Toda a situação é em si aberrante, aliás. Os termos em que a aluna se dirige à professora, o seu tom de voz, o que diz e como diz, a postura gestual que assume logo à partida, tudo nesta garota é revelador de uma evidência que se perde no meio da algazarra: o problema tinha já começado antes de começar naquele dia. Muito antes. O problema vem de raiz e é um problema composto, são vários problemas juntos, todos graves, nem todos referentes ao universo escola. Na circunstância, não tendo sido capaz de fazer parte da solução, esta professora fez, também ela, parte do problema.

Não é dispensável um olhar crítico à actuação da professora naquela circunstância em concreto. A forma como ela lidou com a situação, como geriu o problema, a atitude que escolheu tomar (ou aquela única de que foi capaz), foi correcta? E em caso afirmativo, terá sido a mais indicada? Um duplo não seria a minha resposta, sem hesitar. Esteve longe da sensatez esta senhora, profissional do ensino, há que reconhecê-lo. Atrevo-me a especular se não terá sido um pouco vítima de si própria, também, mais que só dos outros. A sua postura, visível nas imagens, não cumpriu os mínimos de autoridade necessária para ter mão numa turma de alunos. Há nela um déficit de firmeza que se nota sem engano, alguma demissão da função disciplinadora do professor enquanto tal. Veja-se o ambiente em que tudo aconteceu, para começar; tinha tudo o que não deve existir numa sala de aulas, desde o barulho à desatenção, toda a gente de pé, risos e bocas, comentários e indisciplina geral. Sobrava confusão, faltava carisma de professor.

Logo no início, às primeiras palavras da aluna, não se viu a esperada, necesssária e correcta atitude de firmeza da parte da professora que, sendo firme e autoritária naquele momento como lhe competia, teria posto um ponto final e imediato em toda a questão. E o que vimos, em vez de firmeza e autoridade de professor? Assistimos a uma professora visivelmente intimidada e insegura a fazer o que faria qualquer coleguinha da mesma idade da garota: puxar mais, empurrar mais, discutir no braço o que devia estar resolvido na voz, ponto assente e não passível de discussão. E assim fragilizada e em queda de autoridade se expôs ao gozo generalizado da turma, um gozo que estava já presente no início, antes de tudo começar, como se pode de resto constatar pelo visionamento das imagens daquele ambiente indisciplinado, favorável ao tipo de evolução a que se pôde assistir. Confrangedor, convenhamos.

O episódio é triste mas não é para esquecer; pelo contrário, entendo que deve ser recordado este incidente. Mas só quando puder ser recordado numa análise serena. Só quando acalmar a indignação geral e baixarem quer o tom sindicalista da revolta, quer os dedos acusadores que agora se erguem todos num só movimento nacional. Com toda a politiquice rasteira que infecta de momento a questão educativa em Portugal, toda a reflexão sobre este incidente parece-me para já comprometida. Há que aguardar melhores dias. Quando o calor dos argumentos e a paixão dos queixumes derem finalmente lugar à razão e objectividade necessárias para, mais do que ver este video, se conseguir compreender de facto o que ele representa na vida de todos nós.
 
(Veja o vídeo AQUI)

 

 



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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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