Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008
Bom dia. Hoje sim. Rabinho, finalmente!
Sexta-feira, 31 Out, 2008

Castelo Branco com cara de rabinho de bebé

«Castelo Branco com cara de “rabinho de bebé”»

 

«O rei do jet-set fez um super-peeling no rosto e diz que “qualquer bicha” pode tocar-lhe para sentir como a sua pele está perfeita!»



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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
Senhoras e senhores: mais difícil ainda!
Quinta-feira, 30 Out, 2008

«Um homem morreu hoje atropelado quando empurrava a própria viatura, que havia ficado atolada na Estrada Nacional 365, em Fontainhas, concelho de Santarém, segundo fonte da Protecção Civil. Depois ter ficado com o veículo imobilizado, devido à água no pavimento, o homem tentou empurrá-lo. No entanto, devido à inclinação da zona, o automóvel movimentou-se e atropelou mortalmente o condutor.»

 


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A criativa idade
Quinta-feira, 30 Out, 2008

Tanto quis comentar este post que acabei por não o fazer. Às vezes é assim, a perfeição é a utopia dos tolos. E tanto adiei, tanto adiei que os dias foram trazendo novos assuntos e o post foi decaindo no template aspirínico. Hoje tornei a ler aquela picardia deliciosa, generoso convite à reflexão sobre a mãe de todas as forças da alma, a criatividade. E confirmei o sabido: é das imperdíveis, esta conversa. Fazendo bengala da previsão de André Malraux que vaticinava um século XXI religioso, (vá lá, seja, espiritual)valupi caminha sobre águas paradas ao dizer que 'vivemos em ilhas de sentido rodeados por marés vivas de caos', só para ver se a gente entende este milagre que nos explica podermos e devermos ser. O homem explica-se bem, que diabo, sustenta até o que diz. Criativos somos invencíveis, imbatíveis, sobreviventes. Não necessariamente vencedores, digo eu já agora, que esse tipo de millagre já vai depender de quem nos carimba e formata para projecção na pantalha oficial. E isso já tem dias, e uns, e outros. É outro assunto. Mas quero acreditar que só criativos viveremos inteiros e campeões aos olhos desse tal Deus que Malraux errou ao prever omnireinante no coração dos homens deste século. Mesmo que morramos disso.

 

adenda: 'Rui, a frase não é do Malraux, diz ele', recorda valupi aqui nos comentários,

mea culpa que, sabendo, me terei explicado mal.



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Justiça para monstros
Quinta-feira, 30 Out, 2008

Existe uma imensa margem, feita do equívoco mais grosseiro, entre estar absolutamente contra o legitimar da tortura enquanto instrumento de interrogatório e estar a favor de Leonor Cipriano, absolutamente ou não. A defesa dos cinco acusados de Portimão está a usá-la toda a seu favor, na esperança de que, ao lembrar quem está a acusar, consiga fazer esquecer quem é acusado, nem que apenas pelo tempo suficiente para garantir a absolvição do tribunal. O truque é fazer Leonor brilhar, dar todo o espaço à sua queda natural para cair e de caminho puxar pelo sebo da sua pessoa, onde há muito ranço por onde escolher, do biológico ao psicológico, onde tudo é ilógico e por isso lógico. Se Leonor for uma chapada para o país o país passa a perceber as chapadas dadas em Leonor, tem lógica ou não tem? Pergunte ao seu coração, só para si e guarde a resposta. Eu não a quero saber. «Quem pode defender uma pessoa assim?», perguntará o preconceito. «Mas quem diabo está a defender uma pessoa assim ou assado?», responderá quem pensar um instante apenas, dois para os lentos, até três é recuperável. Vejamos.

 

É legítimo usar tortura para arrancar confissões a suspeitos de crimes, por mais suspeitos que sejam os suspeitos e por mais horríveis que sejam os crimes? E é o critério do investigador que decide quem é quem, fazendo escola na aplicação do mesmo barro à parede do mais culpado dos culpados, tal como à parede do mais inocente de todos os inocentes, pela lei da vida? Ou o investigador nunca erra, é infalível? Ele sabe, ele cheira, ele tem a certeza, ele sente? Ele aposta que é culpado, deixem-no só trabalhar? Então e se errar só uma vez, como é, conta ou não conta? Tenha paciência? E se forem só duas? Duas vezes paciência? Por ano, por mês, por dia? Quanto é muito, em tortura? E até lá, até ao muito, é nada? Onde se traça a linha, à quarta, quinta, vigèsima chapada? Ou ao terceiro pontapé? Pronto, vamos já directos à pergunta do milhão de dólares. Digam-me, por favor, que eu quero, preciso compreender: a partir de onde passa a ser aceitável, desejável, permitido soltar o Gonçalo Amaral que há em nós quando e se deixados a sós com alguém muito, muito mas apenas suspeito de ser o autor da violação sádica de uma criança? Que até onde eu sei: até confessar.

 

Olho para Leonor Cipriano e controlo a náusea. Entrevistei criminosos em meia dúzia de cadeias, que me lembre, (com especial destaque para Vale de Judeus onde um chefe de guardas foi alegadamente suspenso porque eu entrei vestido de freira para ver o Padre Frederico, dizem, uma das histórias mais deliciosas da minha vida profissional e que um destes dias conto, está prometido) e poucos ostentavam um ar tão culpado como estes dois que acabei de citar, Leonor e Frederico. Os dois nasceram com ar de culpados, cara de culpados, pose de culpados, vida de culpados e seguramente o serão, se o forem, no mais tenebroso dos patamares do pior dos infernos na terra: a alma humana quando nasce podre. Devem pessoas assim ser confessadas a soco pela polícia? Tem mesmo que haver justiça para monstros?

 

Acredito que na falta de provas e perante uma convicção profunda, apenas comprovável por confissão do próprio suspeito, muito interrogador perca a cabeça e erre, uma vez, várias vezes até. É humano que assim seja, perfeitamente humano. O que é desumano é aprovar o erro e ainda bater pala e palmas, mesmo que ambas discretamente e em nome da Justiça. Porque essa, nesse dia, simplesmente deixa de existir.

 



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Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008
Foram Dardos, pelas prosas
Quarta-feira, 29 Out, 2008

Ainda pondo a escrita em dia relativamente aos dias da passada semana, em que o 7Vidas andou meio devagar e com paragens frequentes, tipo IC19 às oito da matina, importa referir que recebi por mail a informação de que este blog tinha sido agraciado com o Prémio Dardos, distinção que agradeço algures entre a convicção de que houve um engano de simpatia e a suspeição de que não mereço tanto, na certa. É que veio junta a informação de que o referido Prémio 'se atribui em virtude dos "valores culturais, éticos, literários, pessoais, e outros que, em suma, demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo.", pelo que me compreenderão a surpresa, estou certo.

 

Ao Paulo Colaço e a toda a equipa do Psicolaranja (que é grande, catorze-feras-catorze, nada menos, muita inteligência à solta em textos de inegável qualidade) quero aqui deixar os meus sinceros agradecimentos pela lembrança e pelo reconhecimento. E dedicar-vos o título deste post, (algo mouraguético talvez, mas verdadeiro, espero), que de melhor não sou capaz. Com um forte abraço a todos.



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Temos homem. Temos homem?
Quarta-feira, 29 Out, 2008

Entre figuras e figurões, o ramalhete de homens sérios que dão rosto à Justiça nacional ganhou hoje novo caule, com a indigitação de Mário Varges Gomes para Inspector-Geral da Administarção Interna, um cargo onde o cunho de Rodrigues Maximiano deixou memória digna e nunca verdadeiramente superada, seja em termos de eficácia, visão ou princípios. Juiz desembargador no Tribunal da Relação de Lisboa, Varges Gomes irá agora suceder a Clemente Lima, outro desembargador que, a acreditar no que foi divulgado pela imprensa com base em fontes não identificadas já terá 'manifestado intenção de cessar funções' , dizem. Pois nesta altura de apresentações, em que o país mira atento o passo de chegada do novo IGAI, não será de todo descabido referenciar Varges Gomes como o desembargador-relator do acórdão que sufragou a decisão de não pronúncia de Paulo Pedroso, por exemplo, opinião em que foi acompanhado por Mário Morgado, outro juiz que também já desempenhou funções de confiança política do governo socialista: foi director nacional da PSP. 

 

Em cima da hora e da notícia vale a pena ler, a propósito, 'A independência dos juízes', uma reflexão com a qualidade habitual da Grande Loja e cuja leitura integral eu recomendo vivamente. Foi lá que fui buscar estas palavras, para fecho de conversa. "Traço comum a estes altos funcionários que foram e são magistrados? Uma ligação óbvia ao poder político, por motivos ideológicos ou simplesmente clubísticos, de amizades chegadas e objectivamente promíscuas. Basta ler os comentários na noticia do Publico, anónimos e de má língua, cobardes, como os imprescindíveis gostam de caracterialmente assassinar , para perceber algo de gravidade indiscutível: Varges Gomes é de clube secreto? Aparentado? Próximo? Mesmo que o não seja, onde reside a sua reserva essencial de independência no acto de julgar , exigível como mínimo imprescindível a essa função nobre, tendo em vista tantas ligações, objectivas e indiscutívieis, ao poder político?"  São boas perguntas, convenhamos. Assim viessem as respostas, logo que possível.

A nomeação do novo IGAI deverá tornar-se efectiva a 12 de Dezembro próximo, o dia escolhido para a confirmação oficial da escolha do Ministro da Administração Interna para este cargo de confianças, pessoal e política, numa área de especial sensibilidade e delicadeza como é aquela que a partir de agora terá a supervisão de Mário Varges Gomes. Esperemos.

 



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Até .............zzzzzzzzzzzzzz..................... já?
Quarta-feira, 29 Out, 2008

«A Deco publica esta quarta-feira, na sua revista "Proteste", os resultados de um estudo aos serviços de Internet que revela que a maioria dos operadores fornece uma velocidade de download inferior a 50% do publicitado. Para realizar este estudo, a Deco analisou mais de dois milhões de medições e 2700 respostas a um questionário e contou com a colaboração de 12 mil utilizadores de serviços por cabo, ADSL e móveis, que instalaram nos seus computadores um programa de medição da Proteste. Os piores resultados correspondem aos serviços anunciados mais rápidos (entre 12 e 30 Mbps), sendo menos grave nos escalões inferiores (entre 512 Kbbs e 8 Mbps), ficando as ligações por cabo mais próximas dos valores vendidos e as móveis com os resultados mais distantes do contratado.»



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Sente-se bem?
Quarta-feira, 29 Out, 2008

Não é a primeira vez que me sinto meio adoentado depois de ler ou ouvir o que Carlos Enes escreve sobre a Saúde em Portugal. Porque ele não sabe o que diz? Não, exactamente pelo contrário. E ainda mais porque documenta trabalhos como este, por exemplo, muito para lá do ponto da mera contestação porque sim. E isto deixa-me doente, confesso. A si, não?



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Terça-feira, 28 de Outubro de 2008
Vila Franca do Campo
Terça-feira, 28 Out, 2008

Se bem se lembram, iniciámos aqui uma viagem pelos caminhos mágicos da ilha de São Miguel, guiados pelo verbo superior do meu amigo Daniel de Sá (este garboso pedaço encanecido que agora podem contemplar a cores nesta foto, roubada de noite ao blog da nossa amiga Cris, se quis uma). Pois bem, está mais que na hora de retomar a marcha interrompida e recuperar o embalo destas palavras que serão brevemente editadas em livro pela Ver Açor. Já fomos do Nordeste à Povoação, agora é tempo de conhecer Vila Franca do Campo pelos açorianos olhos deste autor de rara sensibilidade, em mais uma etapa desta viagem de puro prazer. Um prazer muito particular, neste caso e para mim. É que falta aqui dizer que a Vila é minha, toda minha, pertence por inteiro à paixão mútua que nos une, a mim e àquela terra onde moram os irmãos que escolhi ter. E onde passei momentos da mais pura felicidade, sob o olhar vigilante da Senhora da Paz. Mas pronto, eu cá não sou egoísta nos amores, fiquem à vontade e apreciem a vista privilegiada que se tem daqui, debruçados na escrita deste senhor da fotografia. O gajo. O tal Daniel.

 

Em baixo: "Vila Franca do CampoAo princípio foi aqui"

Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

 

Há coisas e animais que estão na paisagem como se fizessem parte dela desde o princípio do mundo. Ou como se fossem o que resta do paraíso terreal: Árvores em fila indiana, no horizonte, sobre uma linha de festo, como desenhos infantis. Coelhos assustados atravessando a estrada em busca da refeição vespertina. Melros, sem pressa, recolhendo ao lusco-fusco. Pequenos núcleos de casas antigas em contracena com a paisagem...

 

Há um destes lugares que o viajante sempre entendeu assim, desde a surpresa da primeira vez que o avistou, de súbito revelado, depois de uma curva da estrada. O lugar da Praia, na freguesia de Água de Alto. Uma vintena de casas, talvez nem isso, entre duas ravinas que ladeiam a ribeira que escoa a água excedente da lagoa do Fogo. Não poderia haver melhor postal de boas-vindas para quem entra, pelo Poente, no concelho de Vila Franca do Campo.

 

Vila Franca, o município primaz da ilha. Na costa Sul, onde houve a primeira povoação, a primeira vila e a primeira cidade. Mas nem a primeira povoação foi a primeira vila, nem a primeira vila foi a primeira cidade. A primazia de Vila Franca do Campo perder-se-ia nas ruínas em que a transformou quase por completo a enorme derrocada de terras provocada pelo terramoto de 22 de Outubro de 1522. Faltava-lhe pouco tempo para completar meio século como vila e cabeça de toda a ilha de S. Miguel.

 

Depois da tragédia, foi preciso começar de novo. O viajante entra, sempre que pode, na bela matriz. Símbolo desse recomeço, dessa vontade de permanecer no lugar a que o coração se apegara. Símbolo porque foi reconstruída à semelhança do templo soterrado em lama. E porque expressa a crença de que os homens não se sentiam sós na desolação daquele vale de lágrimas. A torre e a fachada fazem lembrar a velha e ascética arquitectura românica, com uma incrustação de gótico a bordar a porta. Dentro, uma sucessão de altares e elementos decorativos que podem julgar-se um excesso ou um delírio. Mas que são um extraordinário espectáculo estético e místico. E à sua volta fez-se uma vila airosa e arejada, com ares de Renascimento nas proporções e no traçado das ruas.  O pouco que restou depois da terrível subversão foi para os lados da freguesia de S. Pedro, onde se construiu logo depois da catástrofe uma ermida dedicada a Nossa Senhora do Rosário. E talvez tenham sido as orações nela rezadas que estiveram na origem das Romarias quaresmais.

 

Como quase sempre e em qualquer parte na Europa, foi a arquitectura religiosa o melhor que Vila Franca herdou dos séculos passados. Porque então os homens ainda não tinham substituído Deus por outros deuses menores. Em frente da matriz de S. Miguel Arcanjo, permanece o testemunho da caridade cristã no hospital da Misericórdia e na igreja anexa do Espírito Santo. Aqui se venera a imagem do Senhor Bom Jesus da Pedra, que tem uma das maiores festas da ilha, no último fim-de-semana de Agosto. As madeiras do que resta do convento de Santo André – a igreja e o locutório – têm o cheiro de quatro séculos de história. E a ermida de Nossa Senhora da Paz é um lugar de peregrinação dos crentes ou dos simples amantes das grandes paisagens. Mas uma árvore também pode ser um monumento. Como o dragoeiro plantado no dia em que se casou o rei D. Luís, seis de Outubro de 1862. No jardim enquadrado pelos Paços do Concelho, pela igreja matriz e pela Misericórdia.

 

A zona urbana do concelho é um caso único em S. Miguel. As suas freguesias ligam-se praticamente umas às outras. Encostada à vila, e para nascente, está a Ribeira Seca, depois a Ribeira das Tainhas e, na continuação, a Ponta Garça. O comprimento desta, a mais populosa das seis, é famoso em toda a ilha. Mais de uma légua de extremo a extremo. O que faz com que a procissão da padroeira, Nossa Senhora da Piedade, alterne em cada ano o percurso, que uma vez se faz para Nascente e outra em sentido oposto. De S. Pedro, e na direcção do Poente, entra-se logo em Água de Alto.

 

Tudo lugares que merecem do viajante um olhar sem urgência. E com praias muito concorridas por perto. A da Vinha da Areia é local não apenas de banhos mas de grandes festivais de música. A piscina do ilhéu da Vila, um círculo quase perfeito, é um prodígio da natureza. O que resta da cratera de um vulcão extinto, a um quilómetro da costa e com 150 metros de diâmetro. O conjunto, que inclui o mar circundante, é reserva natural. No Verão, a praia de Água de Alto enche-se de gente que mal deixa livre um palmo de espaço. No Inverno, é um idílico oásis de areia entre a imensidão da água do mar e o persistente verde da terra.

 

(texto inédito a ser incluído em livro a publicar pela Ver Açor.)

 



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E tudo o vento levou
Terça-feira, 28 Out, 2008

Sim, está vento. Está vento com’a porra, diz-se por estas bandas onde o soprar divino vem batendo os noventa e cinco quilómetros por hora, noventa e cinco quilómetros por hora, vai por extenso e duas vezes para que melhor sintam a ventania que me leva o chapéu e estraga a pose dez vezes por dia, contas por baixo. Já cá se sabia que Deus tem sentido de humor, afinal criou a mulher, era por isso desnecessário pandegar com o meu chapéu. Mas sempre areja as ideias, dirão os mais engraçadinhos. E digo eu que sempre faz notícia da desgraça, quase sempre de dor anónima, o que também é um ponto de vista. E assim dizendo coisas vamos conversando, o que vem sendo raro nos últimos tempos, lamentavelmente. Bons ventos tragam então os bons hábitos também de volta.

 

Regresso a Portugal mesmo a tempo de conhecer uma nova estrela dos telejornais, cintilante e emergente na galáxia ‘Cláudio Ramos’ das celebridades nacionais (há outras galáxias, montes delas, são  quase mais do que as celebridades propriamente ditas). Trata-se de um tal Gonçalo Amaral, ex-inspector da PJ que se distinguiu por numerosos insucessos de investigação (com natural destaque para os casos Joana e Maddie McCann) prestação que, junta a umas quantas chapadas nos interrogatórios que não foi possível ocultar, ditou a sua guia de marcha daquela força policial com carimbo ilegível, qualquer coisa algures entre a incompetência e o abuso de poder, tudo mais o desbocanço arrogante que lhe apura o estilo caceteiro e o revela nascido para a fama.

 

Ambos agora à solta, ele e a língua, deram entrada no estrelato civil pela porta já usada pelo insubstituível Moita Flores, esse comentador 3,4,5,6 em 1, espécie de Black&Decker do gorjeio especializado, sequim d’oiro do bitaite que vai à televisão. Pois Amaral para lá caminha a passo seguro, distinguindo-se já pela prosa esmerada onde julga e condena sumariamente tudo e todos, numa abundância de bílis que se mistura com o sangue habitual nas páginas do não menos mau 24Horas, numa parceria que ameaça piores dias, quase garantidos. Antes porém publicou um livro que traz o desaparecimento de Maddie contado às crianças e aos estúpidos que fazem o Estado português, uma edição com o sucesso comercial que se adivinhava. E hoje, como ontem e desde que começou a ser julgado por ter espancado e/ou autorizado e ocultado o espancamento de Leonor Cipriano nas instalações da PJ de Portimão que supervisionava ao tempo, fez a abertura dos telejornais desde a manhã.

 

Com ele sentam-se no mesmo banco dos réus mais quatro elementos da PJ envolvidos nas agressões brutais. A estratégia da defesa, comum aos cinco acusados, é que Leonor mente como terá mentido antes sobre a morte da filha. Quanto às fotografias que documentam as agressões, onde a mulher que cumpre prisão pelo homicídio da filha Joana aparece negra e moída de pancada, alegam os advogados dos réus que se tratam de falsificações e ao fazê-lo conseguiram que a acusação se veja obrigada a provar o contrário, diligência que esta se apressou a prometer cumprir. Eu cá já nem falo na subversão total da responsabilidade do ónus da prova que representa este advogar circense, nem discuto a possibilidade da falsificação porque outros o estarão a fazer, abundantemente. Só gostava que alguém me explicasse se a directora da cadeia de Odemira, que ordenou a sessão fotográfica e apresentou queixa dos responsáveis pelo interrogatório de Leonor na mesma hora em que a viu chegar da tal sessão de perguntas naquele estado, também está a mentir. Isso eu gostava de perceber, não só por não gostar do estilo de Gonçalo Amaral mas sobretudo por não gostar de olhar para o banco dos réus, de um lado, e para Leonor Cipriano, do outro, e ver afinal a culpa tão mal sentada naquele tribunal.

 



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Bom dia. Hoje eu estou de volta. E sou o homem que procuram.
Terça-feira, 28 Out, 2008

 



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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008
Olha, há mais!
Quinta-feira, 23 Out, 2008

«Achamos que somos fortes, muito fortes, que as contrariedades são empurrões. Achamos que nada nos tira o sorriso da cara, que esquecemos e nos regeneramos. Que não há dramas. Que tudo é como uma noite casual com um estranho sem nome, que vamos esquecer.  Mas há um dia em que acordamos e percebemos que estamos cheios de nódoas negras.»

(Filipa Martins, aqui)



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Não é que eu não estranhe e sinta falta...
Quinta-feira, 23 Out, 2008

... mas não tem sido possível nos últimos dias, de todo. Haja calma que agora falta pouco. O povo é sereno, lá dizia o almirante. E bardamerda, também. Dizia o mesmo.

 



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Depois do Magalhães, vem aí o Ginecochaperon nacional
Quinta-feira, 23 Out, 2008

«A Ordem dos Médicos recomenda a todos os clínicos que recorram ao apoio de outros profissionais de saúde durante a realização de exames, para evitar casos de acusações de abuso ou assédio sexual. O Correio da Manhã noticiou hoje o caso de um ginecologista, a exercer medicina no Hospital de Faro e com clínica privada no centro da cidade, que foi condenado por crimes de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência. A recomendação da Ordem dos Médicos, datada de Setembro de 2005 e posterior a estes alegados crimes, visa defender os médicos de possíveis problemas "esporádicos" que "são perturbadores da relação médico-doente".»

 



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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008
1º de Abril?
Sexta-feira, 17 Out, 2008

«Metade dos estudantes do secundário são virgens.»



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Doutora Mata Ratos dixit
Sexta-feira, 17 Out, 2008

«A magistrada Maria José Morgado defendeu hoje que, em matéria de combate à corrupção, é «preciso apanhar o rato enquanto come o queijo», pois andar à procura de um «rato» que «comeu o queijo há 10 ou há cinco anos» pode ser uma perda de tempo.»

 



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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
Bom dia. Hoje eu nulo não digo, mas nulidade sim. Total.
Quinta-feira, 16 Out, 2008

«Portugal nulo frente à Albânia (0-0)»

 

«A jogar só com dez mais de metade da partida, a Albânia fez história em Braga, ao arrancar um empate a zero com Portugal.»



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Terça-feira, 14 de Outubro de 2008
Crónica moderna
Terça-feira, 14 Out, 2008

O homem moderno  é esperto. A mulher moderna é esperta. Ninguém se deixa enganar assim às boas, nos dias que correm, nem homens nem mulheres nem os outros. A vida moderna é assim, gente informada e atenta, olho vivo e sempre mais aberto que o do vizinho do lado, essa besta ignorante. Para isso temos regras que nasceram, criaram-se sozinhas, enfim, praticamente, caíram do céu das coisas pela boca dos iluminados, como um passe de aceitação social que nos orienta e abre portas neste vale de lágrimas, a caminho de um final mais luzidio e confortável, tipo forro de caixão. Também mais caro, naturalmente, não se estranha. Mas também quem vai ligar a despesas, numa altura dessas e com a crise que vai para aí? Afinal, ninguém compra nada que não seja de marca, para começo de conversa. E a questão nem está em se é melhor ou pior o que é mais barato, nada disso, o ponto é outro. A questão é que vale ouro, para a maioria das pessoas, a diferença de poder ter aquilo que a maioria das pessoas não se pode dar ao luxo de sonhar com, sequer. E eis quanto basta para a maioria das pessoas, algo tão fantástico que vale bem aquilo que se paga a mais e que a maioria das pessoas não pode pagar. Só se vive uma vez, caramba.

 

Terão os mais atentos talvez reparado que estamos aqui aparentemente em presença de um todo com duas maiorias, de compatibilidade verdadeiramente embasbacante, convenhamos. Há a ideia generalizada de que os todos se dividem, quando não equitativamente, em duas ou mais partes desiguais cuja soma nunca excede o todo original, nunca. Enfim, quase nunca, não quando o assunto é o dinheiro gasto naquela qualidade de vida que vem com marca na etiqueta, guito esbanjado nesse conforto interior que nos dá poder comprar a inveja dos outros, no doce prazer de levar para casa a cobiça alheia naquilo que é nosso e é caro e por isso é bom, muito bom, o melhor dos melhores. Porque aí a realidade está à vista e não tem discussão: a maioria das pessoas exibe uma vida que a maioria das pessoas não tem vida para ter nem nunca terá. Ponto final. Mas apenas parágrafo, que graças aos milagres do crédito, esse deus recente, o homem moderno faz com o dinheiro aquilo que só Cristo fez com os pãezinhos mas pouco, que os tempos eram outros, mais dificeis. Menos modernos, digo eu.

 

Entusiasmado, eu cá estava até capaz de ir um pouco mais longe na matemática saloia desta breve análise e acrescentar aqui uma terceira maioria, de semelhante compatibilidade neste aferir social: a maioria do mau gosto, essa imensa, imensa maioria dos nossos semelhantes, salvo seja, evidentemente. O que se explica sem grande dificuldade, estou em crer. Indefesa perante a quantidade e diversidade da oferta que existe neste céu das coisas que é o viver moderno, a esmagadora maioria das pessoas desenvolve um tão apreciável grau de estupidez que, na esmagadora maioria das situações, não distingue a qualidade sem que a avisem primeiro em três vias seladas e com antecedência, se faz favor. Eu cá apostaria sem medo que uma larguíssima maioria das pessoas que alimentam o comércio internacional em geral (e o chinês em particular) seria bem capaz de passar três dias e três noites numa fila de dez quarteirões, depois de uma boa campanha publicitária, para comprar uma genuína e fumegante poia de merda caseira que ostentasse a etiqueta dourada da moda e fosse, claro, uma edição limitada e assinada pelo autor. Vale a aposta? Eu se fosse a si pensava antes de aceitar o repto. Ou, melhor ainda, aproveitava para ver este video que lhe resolve de vez o assunto e as dúvidas.

A história conta-se em poucas palavras. O Washington Post teve uma ideia curiosa, "um debate sobre valor, contexto e arte". Depois veio a experiência, genial. Joshua Bell, o mesmo violinista que dias antes tinha actuado no Symphony Hall of Boston para uma plateia esgotada, a 1000 dólares por cabeça, tocou no metropolitano durante 45 minutos as mesmas peças musicais consagradas, no mesmo Stradivarius de 1713 avaliado em mais de 3 milhões de dólares. Ninguém lhe ligou porra nenhuma, a mínima atenção. E ninguém é ninguém, que eu cá vi o video todinho, tudo até ao fim, outra genialidade do Post que não foi em cantigas e gravou tudo, todos e cada um dos quarenta e cinco minutos de clamorosa indiferença ao que de belo e sublime ainda se vai encontrando de vestígio de glórias d'alma humana, pequenos rastos aqui e ali, sempre a nascer, teimosamente. Mas não no metropolitano de Boston naquele dia. Pouca dessa alma passou por lá, a caminho da vida moderna. Tal como pouca teria talvez passado pelos talvez poucos que vissem a cena no You Tube mas sem legendas, sem os nomes e os 1000 dólares e os 3 milhões, mais o 'esgotada',  'consagradas', 'famoso', StradivariusSimphony Hall. Agora nunca saberemos, não é? É assim a vida, é assim o mundo. Somos assim nós, eu e você? Só aqui entre nós? Cá nada, somos diferentes, relaxe, ora pois. Vê-se logo, pá.

 

Não há dúvida, só o algodão não engana. O homem moderno  é esperto, a mulher moderna é esperta, ninguém se deixa enganar assim às boas, nem homens nem mulheres nem os outros nos dias que correm. Eu sei, eu sei, eu sei. Mas pronto, pelo sim, pelo não, faça-o por favor e como quem não quer a coisa, mas verifique sempre, mas sempre, a marca na etiqueta. Faça isso, sempre que puder, não se esqueça. Verifique a marca na etiqueta. Seja moderno.

 



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"Pôr em marcha" é mesmo o termo
Terça-feira, 14 Out, 2008

«O Fisco pôs em marcha um plano de emergência para a cobrança de impostos. A mais recente forma de pressão sobre os contribuintes devedores vai ser a apreensão e venda do seu automóvel.»

 



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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008
Bom dia. Hoje são os que comeram a carne que me roem os ossos
Segunda-feira, 13 Out, 2008

 

(imagem sacada daqui, com a devida vénia)



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Domingo, 12 de Outubro de 2008
Bom dia. Hoje é Portugal de opereta a fazer anedota, digo, notícia.
Domingo, 12 Out, 2008

«A casa da Procuradora da República Helena Fazenda foi assaltada quinta-feira, revela hoje o Correio da Manhã. Entre os dados e informações do Ministério Público guardados no computador portátil de trabalho da procuradora Helena Fazenda estavam, por exemplo, os grandes trunfos da Acusação no processo ‘Noite Branca’, resultado das investigações à vaga de homicídios no Porto.

A informação sobre os crimes do Porto está agora nas mãos dos ladrões, havendo o perigo de acesso à identidade de testemunhas e conteúdo de escutas telefónicas. As escutas envolvem Bruno Pitá, o principal elemento do Gang da Ribeira.
»

 



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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008
Orvasconeto & Gastet
Quinta-feira, 09 Out, 2008


Eu não sou eu. Eu sou eu e a minha circunstância. Esta, com pêlo.

 



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Uff, que susto!
Quinta-feira, 09 Out, 2008

Li hoje a notícia, fiquei numa aflição. «Américo Amorim, o homem mais rico de Portugal está a perder uma média de 9,5 milhões de euros por dia com as sucessivas desvalorizações da bolsa portuguesa. A situação da Galp, empresa em que Amorim detém 33,34% do capital, é a grande causa da situação», reza o Sol na sua edição on-line. A coisa fez-me pensar. De facto, desde o início do ano que a Galp viu as suas acções desvalorizarem de 18, 39 euros por título para 8, 68 euros. Aí os números não mentem, não.

 

E o jornal prossegue com esta informação, verdadeiramente impressionante para quem ganha pouco, evidentemente: «Esta quebra já custou a Américo Amorim 2,6 mil milhões de euros, valor que representa mais de metade da sua fortuna pessoal». Bolas, bolas!! Cheguei  ver a coisa preta para Américo Amorim,  acreditem, por quem tenho o maior respeito e estima pessoal, diga-se de passagem. O que para o caso não interessa mesmo nada, porque logo a seguir reparei que a fonte do SOL era o 24Horas, em cujas páginas foi originalmente publicada a notícia. Só aí descansei um nadita, confesso. Se diz no 24Horas que é verdade, então é porque ainda existe uma boa hipótese de ser mentira. Uma grande, grande hipótese, digo eu, oxalá. Mas bolas, dez milhões por dia sempre são dez milhões por dia, caramba. Foi cá um susto!



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Momento "Até já"
Quinta-feira, 09 Out, 2008

Ora então bom dia a todos. Sejam bembindos a este momento comercial, um oferecimento TMN, a sua operadora, patrocinadora oficial desta minha ausência. Quer dizer, não sei se é a sua operadora, sei que é a minha e chega-me de sabedoria nesse campo, quem me dera não saber nada desse assunto, estaria na mesma mas mais feliz, decerto. Sim, está visto, eu sou um dos felizes proprietários de uma Banda larga TMN, uma placa linda e aerodinâmica que permite o acesso à Internet onde quer que a gente esteja, dizem. «Leve a Internet consigo», diz o slogan e a gente acredita porque quer acreditar, ninguém nos obriga, essa é a verdade. Por isso compramos. A minha plaquinha tem antena e tudo, uma coisa preta que abre e estica e faz a inveja de todos os meus vizinhos e mesmo daqueles que moram assim mais longe. A minha plaquinha é linda como o sol.

 

E tudo corre às mil maravilhas com uma ou outra excepção, naturalmente. Nessas alturas aquilo tem tanta utilidade como um frigorífico no Pólo, um nadita menos, talvez. Mas que diabo, não chega a ser bem um problema, isto se as pessoas não desatarem a andar de um lado para o outro, se calhar a quererem que aquilo funcione sempre, tipo internet móvel ou assim, também era o que mais faltava, caramba. Por isso já vê, a vida é bela, o céu é azul e os passarinhos cantam, saia de casa e leve a sua Banda larga TMN, leve a Internet consigo e navegue, navegue, navegue, navegue até se cansar de esperar horas e horas que abra a porra de uma simples página. Depois volte para casa ou continue à espera, a escolha é toda sua. Por isso eles dizem "Até já!", percebi finalmente. Pois um grande 'até já' é o que eu lhes desejo também, entre outras coisitas de somenos que talvez não valha a pena esmiuçar aqui. Estejam à vontadinha, sim? Até já.



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Não há heróis quando as águas são mesmo perigosas
Quinta-feira, 09 Out, 2008

«Uma em cada três das 135 espécies de tubarões que existem nas águas europeias estão em vias de extinção, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza. A pesca excessiva e a falta de regulamentação da actividade piscatória destas espécies são apontadas como os principais riscos para estes animais. Estima-se que 200.000 tubarões e raias sejam capturados anualmente.»

 



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Terça-feira, 7 de Outubro de 2008
Eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu.
Terça-feira, 07 Out, 2008

(imagem sacada daqui, com a devida vénia)



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Bom dia. Hoje o tecto não era só falso, era mauzinho mesmo.
Terça-feira, 07 Out, 2008

«O tecto falso da Estação de Metro de Campo 24 de Agosto, no Porto, ruiu parcialmente devido às fortes chuvas que se fizeram sentir durante a madrugada e manhã de hoje. A estação foi evacuada e a circulação entre as estações da Trindade e do Dragão está cortada.»



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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008
Três tristes vezes
Segunda-feira, 06 Out, 2008

Isto é triplamente triste. Uma vez triste pelo cartaz em si, um luxo de mau gosto, primor de canalhice visual, o preconceito em bonecos contado às crianças para que elas lembrem os adultos e ninguém se esqueça da mensagem, importada da extrema direita europeia. Duas vezes triste pela atitude censora da CML que, pela voz de José Sá Fernandes e com o público apoio de Anónio Costa, já avisou que se o PNR não retirar o cartaz serão os próprios serviços camarários a fazê-lo nas próximas horas. E três vezes triste, finalmente, por ser necessária e justificada uma tal atitude para repor a decência que devia ser consequência natural de se estar vivo e não é, uma quarta tristeza que fica para a próxima. Oportunidades não vão faltar, infelizmente, vão ver.



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Fim de festa
Segunda-feira, 06 Out, 2008

E pronto, acabou-se a festa. Deste ano, que para o ano há mais, espera-se. Neste fim de luzes, para o bicar das migalhas e toda a má-língua que der tempo, ficou um dos da casa. Não desta casa blogosférica, apenas, esta peça é de outras artilharias, coisas mais antigas, quando ainda se lutava à chapada e toda a tecnologia de ponta tinha que levar uma pinga de óleo de vez em quando, senão chiava e não fazia pum. A nossa amizade vem da única tropa que eu fiz, um exército de amigos, todos da mesma arte, um batalhão pequeno e só de generais, (tudo sem álcool, não fumadores, digo, anacoretas, cenobitas, ascetas) que reinventou o conceito de tropa macaca ainda antes da ASAE, o que é notável, eu acho. Pois foi  exactamente um desses artistas que se deixou ficar para o final, diz ele porque só agora "me dá prazer e vontade de escrever", calculem. Quando o que ele quis na verdade foi olhar-me nos olhos e dizer-me um mundo de palavras que ninguém mais vai ler, ficam como vieram, "nos esconderijos de luxo das amizades vividas". Mas que eu vi e bebi com a contenção de sempre, que ele tão bem conhece. É o jornalista Nuno Miguel Guedes o meu convidado de hoje, nesta hora do fecho, neste fim de festa que foi rija. Não chegou atrasado, ele esteve por cá sempre, como uma banda sonora ou um par de olhos azuis. Só conseguiu foi pô-lo para fora agora. O texto, claro.

 

Em baixo: "Fim de festa"

Sete vidas mais uma: Nuno Miguel Guedes

 

 

Gosto, gosto desta hora do final de festa, cadeiras por arrumar, um ou outro folião náufrago e desesperado, à procura de uma felicidade que acabou na última música, no último copo. Gosto desta hora incerta, num limbo feliz entre o que foi e a nostalgia provável da lembrança. Gosto desta hora, as luzes e os sorrisos a apagarem-se devagar na memória, os rescaldos serenos e afectivos.

 

Só nesta hora portanto, com os vestígios dos confettis de palavras ainda espalhados pelo chão, me dá prazer e vontade de escrever. Só agora, meu amigo Rui, blogger de sete vidas e mais que venham, me apetece carregar as linhas de amizade, que é tudo o que mais me diz. Podia falar-te da realidade, do mundo feio feito por nós, podia escrever sobre a natureza humana de que ambos desconfiamos mas para a qual tu, suspeito, ainda entrevês salvação. Oxalá tenhas razão.

 

Não. Neste fim e começo de festa – o primeiro aniversário do blogue – só me ocorre egoisticamente escrever sobre o amigo que regressou estampadinho nas letras que dedicadamente põe por ordem todos os dias, para gozo dos nossos sentidos, para que muitas vezes possam mesmo fazer sentido. Porque há gente a sério atrás dos teclados, e nestas vidas «ponto-com», onde escolhemos fazer-nos passar de vez em quando, neste sete vidas reconheço uma, inteirinha e sem corantes ou conservantes – a de quem a escreve. Não sei que maior ambição se possa ter.

 

Podia falar de mil histórias, amigo Rui, amigo leitor. Mas essas permanecerão nos esconderijos de luxo das amizades vividas. Mas para que ninguém fique com inveja, eu garanto: quem passar por aqui e se deter no que é escrito fica a conhecer quem o escreveu.

 

Quanto a mim, e antes de me expulsarem da sala: parabéns pelo blogue, e muito prazer em reconhecer-te. 

 

Nuno Miguel Guedes

(blogger do Tradução Simultânea)

 



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Bom dia. Hoje confirma-se: a tia é gira mas é parvinha de todo.
Segunda-feira, 06 Out, 2008

«"Os EUA são o maior paradigma de bem no mundo", disse a candidata à vice-presidência durante um encontro de recolha de fundos no Colorado. "Mas o nosso rival parece considerar que somos tão imperfeitos que mantém contactos com terroristas que atacam o seu próprio país. Parece que um dos mais antigos apoiantes de Barack é um ex-terrorista americano que fazia parte de um grupo que lançou uma campanha de atentados contra o Capitólio e o Pentágono," acrescentou Palin.

As acusações da governadora que se apresentou há um mês como o "pitbull" de John McCain foram feitas com base num artigo do The New York Times onde se contava a história de um antigo activista americano que trabalhou com Obama na última década, numa instituição de caridade social. O homem em causa, Bill Ayers, é actualmente professor universitário do Ilinóis - estado por que Obama foi eleito senador - e foi membro do grupo Weather Underground nos anos 60 e 70 (ver perfil).

Este grupo de activistas da esquerda radical, formado no final dos anos 60, foi responsável por vários atentados à bomba no país, incluindo um ao Capitólio e outro ao Pentágono. Obama, que ainda era criança quando o grupo começou a sua actividade, trabalhou 20 anos mais tarde com Bill Ayers numa organização de caridade mas, segundo o NYT, não tinha com ele uma relação estreita e as suas actividades no passado terão mesmo sido criticadas pelo candidato à Casa Branca.»



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Sábado, 4 de Outubro de 2008
Pacheco Pereira e o círculo quadrado
Sábado, 04 Out, 2008

Ouvi-o com toda a atenção. Ouço-o sempre com muita atenção. É até onde vai a minha reverência por qualquer personalidade que produza pensamento de valor disponível para a apreciação dos meus sentidos (definição possível para 'intelectual', na circunstância, palavra que tanta ameaça parece carregar quando a si aplicada, tamanha a pompa, prosápia que irradia o seu carisma pessoal). Ouço e penso no que ouço. Com aquilo que diz vou concordando ou discordando, o normal com toda a gente, mas consigo tem um mas: a habitual fiabilidade da sua música faz com que eu queira sempre ouvir a letra, a cada canção nova que o senhor lança no mercado opinográfico. Hoje não foi excepção.

 

Acabei de ouvi-lo, aqui, numa colectânea que juntou 'Casas da Câmara' (não, não dos Câmara fadistas), 'Blogosfera' e 'Crise internacional', tudo acompanhado à virtude em repetidos trinados, ad nauseam. Para mim, ao ouvi-lo, é Deus no céu e o senhor na terra, os dois limpos de pecado. O que não me choca por aí além, cada um tem que ser de alguma maneira, o senhor é assim e pronto. Eu cá tenho um amigo que pesa dez arrobas e usa um casaco verde claro porque jura que fica mais magro com ele, puxa-me para conferir ao espelho e tudo, 'tás a ver? tás a ver?' E eu, que até nem vejo, nem por isso gosto menos dele. Não emagrece um grama o respeito que lhe devo. Na boleia desta imagem devo dizer-lhe que, à luz do acabei de ouvir na SIC, o meu caro Pacheco Pereira já esteve bem mais magrinho aos meus olhos. Deixe-me acabar, não me interrompa já. Esse seu impulso é bengala batida, permita-me antena que chegue para me explicar ou seguirei fatalmente na conta dos que o 'insultam de tudo na blogosfera', como acabou de dizer na SIC. Não é essa a minha intenção, e nem lhe peço que acredite: proponho-me demonstrá-lo, aqui e agora, com a irrefutabilidade que me nega o meio audiovisual onde tudo é fugaz e já passou, ninguém se lembra exactamente como foi. Deixe-me blogosferar, sem favor.

 

Vou começar por poupá-lo a uma pergunta idiota, não me agradeça que posso ter outras. Não vou querer saber se pertenço aos 99% que não prestam ou ao umzito que se aproveita desta blogosfera que assim dividiu porque sim, suponho. A menos que disponha de mais um 'insite', como os que citou, que lhe permita esse pesar a olho. É-me tão indiferente o lado em que me coloca nesse partir, como a si lhe será indiferente o que eu penso do seu cabelo, casaco ou óculos, se usasse. Que não usa, quando fala. Mas já não me é indiferente, nada mesmo, a opinião que emite sobre a blogosfera, o meio que uso neste momento para lhe dirigir estas linhas, nem o tom que usa para o fazer. É que é graças a ele que eu tenho o país a espreitar por cima do meu ombro e a ler o que agora lhe digo  -   alto, que digo eu? Tenho o mundo inteiro a poder fazê-lo. Sabe? Aquela coisa de usar isto como janela? Pois é, isso mesmo, queira o senhor ou não esta é a minha janela. Aqui sou o abrupto que posso, enfim, raramente, tento. Mas sou, aqui. Tanto quanto o senhor, por princípio. O ajuizar do bairro, do país, do mundo, em função da obra feita e aqui exposta  é que faz o resto e decide onde pousar mais vezes os cotovelos para ler a vida que passa. Não o senhor, nem outro ser superior qualquer. Ao contrário de si, eu acho que sempre tem mais poder o secretário de Estado.

 

Dirá o senhor que ontem não disse o contrário, com dois pigarros disparará que disse até que 'não sacrificaria esse um por cento por causa dos tais noventa e nove'. E se a coisa ficar feia (nunca com um pixote como eu, mas imaginemos assim um peso-mais-pesado) puxará dos galões que não lhe faltam, justíssimos.  E com olhar matador matará a discussão com argumento eficaz, porque literalmente verdadeiro. Foi de facto isso mesmo que o senhor disse, usando essas exactas palavras para que todos nós percebêssemos bem que era o exacto oposto o que queria que recordássemos. Chapeau, maestro. Mas de palha, barata, não autêntico e de feltro. Quim Barreiros faz o mesmo a cantar a garagem da vizinha.

 

Eu vi e ouvi o que o senhor disse. Eu sei e o senhor sabe que eu sei que o senhor sabe que eu sei o que o senhor disse. E os dois sabemos que estas coisinhas ditas, aparentemente compostinhas, letra e música, são a razão pela qual são os bons comunicadores que se fazem ouvir e não as grandes inteligências, que no mais das vezes são gagas ou fanhosas, nasceram assim, coitadas, como o tal meu amigo das dez arrobas nasceu gordo. Nem por isso merecem menos respeito, carinho, louvor, o que quiser, mas apesar disso raramente parecem aquilo que o espelho da verdade mostra serem de facto. Haverá casos em que  até coincidem, a capacidade e a capacidade de mostrar capacidade em tempo contado ao frame. São esses os artistas da comunicação. E é por ser esse o seu caso que me parece lamentável o que ficou dessa sua demonstração de ontem à noite, sobre a blogosfera.

 

Assistir a alguém que se arroga democrata plantar a semente da insídia neste terreno onde cresce a opinião, base de toda a democracia, sem o controle que no fundo lamentou faltar, é ver o próprio rei dizer que vai nu e ainda bricar com o pirilau num espectáculo grotesco. Assistir a António Costa a fazer o mesmo, ao classificar de submundo este mundo onde já procurou suporte com o seu Costa do Castelo é pior, quase. Mas há muito que o Dr. António Costa provou ser um conhecedor da ciência do pão com manteiga, que é como quem diz a ciência de saber de que lado está a manteiga no pão que se denta à vezinha, até que chegue o almejado bife do lombo. A dentes com boa alcatra, de momento, António, o Costa do castelo alfacinha, canta de galo porque no poleiro. Triste, confrangedor, mas outros tempos virão, estou certo. Só há que aguardar, que ele vai passar por aqui.

 

Por isso já vê o meu caro Pacheco que assistir a esta quadratura do círculo para ver emergir democrata, entre os três que não vêem nem ouvem mas falam, o que se senta à direita e ontem riu da esquerda com toda a razão, é cair de quatro na pior das realidades do pensamento e da opinião crítica nacional. E não é que foi na televisão e não na blogosfera?  E não é que foi com três homens bons e não com uns quaisquer maníacos do submundo do lixo? Foi uma quadratura diferente, esta, para mim. Aquela que deixou provado, sem sombra de dúvida, que o meu caro é o círculo mais quadrado que eu algum dia vi na pele de um auto-proclamado democrata. Com excepção provável no Dr.Mário Soares.

 



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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008
À atenção de toda a blogosfera
Sexta-feira, 03 Out, 2008

Isto demora quarenta e seis minutos e dez segundos. Isto é importante que seja visto, comentado e debatido, na minha opinião. Em toda a blogosfera, a boa e a má, segundo Pacheco Pereira, um e noventa e nove por cento, respectivamente. Porque a blogosfera é um meio de expressão e de comunicação livre e supostamente independente. Sem sobas ou outros líderes, dinásticos ou de clube. Um meio de comunicação onde se exercita a inteligência e se exibe alguma opinião de valor, mesmo sem aval prévio dos críticos do costume. Por isso isto aqui fica. Vão vendo, pede o Pacheco Pereira e peço-vos eu, por especial favor, que já vi. E já volto para comentar, claro, mas só depois dos senhores verem. Tem que ser, acreditem. Até lá vou escrevendo. Quarenta e seis minutos devem chegar. Depois publico em dez segundos, sem espinhas.

*(demorou mas já está: aqui, carta aberta a PP)



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Bom dia. Hoje temos sentença. E talvez justiça.
Sexta-feira, 03 Out, 2008

«A leitura do acórdão do julgamento do líder nacionalista Mário Machado e outros 35 arguidos acusados de discriminação racial está a decorrer, esta manhã, no Tribunal de Monsanto, em Lisboa. Os 36 arguidos, conotados com o movimento «skinhead», foram pronunciados a 29 de Novembro de 2007 pelo crime de discriminação racial e outras infracções, incluindo agressões, sequestro e posse ilegal de armas.»



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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008
Casas da Câmara
Quinta-feira, 02 Out, 2008

O texto que vão ler não é um bom texto. O texto que vão ler não é um mau texto. Agora os senhores estão à espera que eu diga que é muito bom, que é lindo ou excelente, certo? Também não posso ir por aí, não lamento. É que este não é daqueles textos que se podem definir quantificando as suas qualificações, bom, mau, excelente, execrável, muito ou pouco. Merece não mais nem menos, mas diferente, para que seja de justiça esta introdução. Meus senhores: que texto delicioso me enviou o Tomás Vasques para esta nossa festa de aniversário do 7Vidas! Que coisa bonita e saborosa. Uma grande lição de vida, para mais, extraordinariamente oportuna nesta altura dos dias da nação, em que andamos todos a discutir se pinga na sala das casas de alguns dos nossos concidadãos, e se por isso ou apesar diso eles merecem mudança ou complacência de senhorio. Um desconto ou uma esmola, um favor ou mera justiça. Grande, grande lição, este texto. Dada como eu gosto, particularmente, com superior inteligência, encontrada na boca do povo, e pelo lado mais inesperado de um assunto que se julgava ou queria estanque e de acesso único. São infinitas as cores do talento, qual arco-íris, está visto. Tantas quantos lados tem tudo na vida.

Em baixo: "Casas da Câmara"

Sete vidas mais umaTomás Vasques 

 

 

A propósito da recente polémica à volta das «casas da Câmara», lembrei-me de uma conversa, há meia dúzia de anos, num percurso de táxi. Cheguei ao aeroporto de Lisboa num dia de Novembro, ao fim da manhã. Um sol outonal enchia a cidade de luz em dia de S. Martinho. Apressado, apanhei um táxi para a Rua de S. Bento. Mal iniciámos a marcha, disse ao taxista, à laia de meter conversa: - que dia bonito! Respondeu-me, prontamente, com ar de censura, como a querer contrariar-me, olhando pelo retrovisor: – Para quem trabalha os dias são todos iguais. Depois de uns segundos de silêncio, retorqui: - Não seja tão amargo com a vida. Mesmo para quem trabalha há dias bonitos. Meu amigo – disse-me, num tom de voz menos agreste, olhando-me sempre através do retrovisor – Vou fazer um desabafo: eu estou amargo, é verdade. E sabe porquê? Destruíram-me a minha vivenda. Você sabe o que é isso? Destruírem a casinha onde eu vivi durante trinta anos? Não sabe. De certeza que não sabe, por isso diz que o dia está bonito. Mas, eu explico se não o incomodo: - Nasci em Trás-os-Montes, na aldeia do Pessegueiro, concelho de Bragança. O senhor não sabe o que é nascer por trás do sol-posto, entre montes, pedras, galinhas e cabras. Desculpe, vamos pela Gago Coutinho ou pela Segunda Circular? Como eu quiser? O senhor é quem paga, o senhor é quem manda. Vim para Lisboa com dezoito anos acabados de fazer, completamente ao deus dará, sem eira, nem beira. A minha mãezinha, que Deus tem, deu-me o dinheiro à conta para a passagem de comboio. Não tinha nem mais um tostão. Coitada. Uma vida inteira a labutar de sol a sol. Para quê? Só para ter comida para a boca. Mais nada. Cheguei aqui em Julho de 1966, lembro-me como se fosse hoje. Estava um calor de rachar e não conhecia ninguém. Fiquei embasbacado com tudo isto. Calcorreei a cidade durante dois dias e dormi duas noites nos bancos da Avenida da Liberdade. Mas os tempos eram outros, melhores tempos, digo-lhe eu. Não me julgue mal. Eu não gostava do fascismo, ninguém gostava do fascismo. Isto assim, em democracia, é muito melhor: podemos correr com eles quando nos dá na gana. Correr com os que estão no poder, compreende? Eu voto sempre nos que lá não estão para ver se isto melhora. E pode-se falar à vontade. Dizer mal deste e daquele. É outra coisa. Mas ia eu a dizer: dois dias depois de ter chegado a Lisboa já estava a trabalhar como trolha. E era jeitoso no trabalho. Cumpridor, como ninguém. Cheguei a servente de pedreiro antes de ir para a tropa. Fiz pela vida, compreende? Mas não queria passar a vida inteira a carregar com baldes de cimento e de areia. Com o dinheirinho que trouxe do ultramar comprei um táxi. Como vê sou taxista, um profissional competente, com carro próprio e os impostos em dia. O carro já está a ficar velho, mas não devo um tostão a ninguém. Não sou como essa gente que anda por aí a comer em bons restaurantes, com bons carros, mas estão cheios de dívidas aos bancos. Estive na guerra do Ultramar. Em Angola. Está a ver aqui no meu braço: LUANDA, 1971, está a ver? E vê aqui, por baixo do coração: AMOR DE MÃE. Gostava muito da minha mãe, coitada, que a sua alma esteja em descanso. Morreu no Pessegueiro, por detrás daqueles montes todos, sem nunca ter vindo a Lisboa. Só foi a Bragança duas ou três vezes na vida. A minha mãe emprenhou, tinha trinta anos, ali mesmo debaixo de uma árvore. E o raio do moçoilo, mal ela lhe disse que estava grávida, desapareceu que nem um raio. Até hoje. Dizem que foi para França e que por lá se acomodou com outra. A minha mãe não era mulher para lamúrias. Ele – o meu pai – nunca me procurou. Nem sei se ele sabe que eu existo. E o que ela sofreu sozinha sem despejar palavra, sem um queixume. Até morrer, coitada. O senhor não sabe a dor de alma que é uma pessoa estar na guerra, tão longe, e receber a notícia da morte da mãe. Só vi a campa um ano depois. Mas não era isto que eu lhe queria contar. Vamos pelos Estados Unidos da América ou descemos a Almirante Reis? Almirante Reis, Campo Santana, Rua das Pretas, Praça da Alegria? É muito mais longe, mas o senhor é quem paga, o senhor é quem manda. A vida é uma merda, digo-lhe eu, e desculpe-me falar assim. Veja só o senhor o que me aconteceu: vivia eu sossegado com a minha Rosa numa vivenda na Musgueira Norte. Conhece? Ali mesmo por detrás do aeroporto. Era de madeira, mas eu já tenho visto filmes americanos com bonitas casas de madeira onde vive gente rica. Era de madeira, mas tinha muito espaço. E pagava só quinhentos e vinte escudos por mês. Dois euros e meio nesta moeda nova. Vivi ali com a minha Rosa desde que vim de Angola. Quase trinta anos, amigo. São muitos anos. É muita vida. Não temos filhos. Coisas dela, está bom de ver. Às vezes, com voz mansa para eu não me enfurecer, a minha Rosa diz-me que posso ser eu o culpado, mas quem acredita numa coisa dessas? Quem tem de parir é ela, não sou eu. Concorda comigo, não concorda? Namorei com a minha Rosa desde os dezanove anos. Conhecia-a num baile na sociedade recreativa de S. Mamede, ali ao pé do Largo do Rato. Conhece? Aos domingos à tarde lá estava eu com a minha melhor roupinha. Ela era muito jeitosa e muito pretendida. A Rosa tinha boas mamas, e eu sempre gostei de mulheres com boas mamas. Quando regressei do ultramar casei logo com a minha Rosa. Ela esteve aqui à minha espera, como uma santa. Até me dá vergonha dizer isto, mas é verdade: ela é a única mulher da minha vida. E também eu sou o único homem da vida dela. Fui eu que a desflorei depois de casarmos. Não foi como essas poucas-vergonhas que agora acontecem com estes jovens: quando casam já dormiram juntos tantas vezes que estão à beira de se separarem. É por isso que agora há tantos divórcios, sabia? Eu sei porque li há dias num jornal. No meu tempo não era assim. Mas eu queria contar-lhe porque é que estou amargo. Veja lá: os senhores da Câmara, com essas modernices de quererem acabar com as barracas e quererem meter toda a gente em prédios de cimento, começaram a deitar abaixo aquilo tudo. Eu já lhe disse que não vivia num barraca? Aquilo era uma vivenda. Tinha dois pisos. Era toda de madeira, mas tinha dois pisos. Fui eu que construí o piso de cima com madeira que ia comprando aos poucos. Com estas mãos calejadas que aqui vê. E só pagava quinhentos e vinte escudos pelos dois pisos. Agora, meteram-me num andar pequenino e mal construído. Muito mal construído, garanto-lhe eu que percebo da poda. Fui servente de pedreiro antes de ir para a tropa. O táxi veio depois. Protestei, mas os senhores da Câmara disseram-me que para mim e para a minha Rosa chegava. Que haviam outras famílias que precisavam mais do que eu. Quem tem filhos tem direito às casas maiores, disseram-me eles. Isto assim dito até parece que faz sentido, mas não faz sentido nenhum. Gostava de ter filhos, mas a Rosa não lhe deu para isso. Nem sei a quem vou deixar o táxi. O que é que os senhores da Câmara sabem da minha vida para decidirem que aquele andar só com um quarto e uma sala chega para mim e para a minha Rosa? E sabe que mais, amigo? Está tudo mal construído. Está tudo tão mal construído que até as paredes são de “pladur”. Veja bem: agora, depois de me mudar para aquela casita, para acalmar a minha Rosa é um transtorno. Aí há dias, por causa da merda da casa, e peço desculpa outra vez, veio à baila a conversa dos filhos. E ela a querer, outra vez, passar a culpa para cima de mim. Sabe o que é que ela me disse? Que ainda estava a tempo de tirar as teimas indo para a cama com outro homem. Isto é coisa que se diga a um marido? Amigo, falo-lhe com o coração: se fosse na nossa vivenda, aquela que os senhores da Câmara demoliram, a Rosa tinha apanhado um soco nas trombas que até voava. Mas ali tive que me conter. Está a ver? As paredes são de “pladur" e eu tive medo que ela fosse parar à casa do vizinho. Já viu o transtorno que isto me causa? Já viu porque para mim não há dias bonitos? Porque tenho que viver numa casa da Câmara.

 

Tomás Vasques

(blogger do 'Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos')

 



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Bom dia. Hoje quem me quiser encontrar já sabe.
Quinta-feira, 02 Out, 2008

Vou estar aqui.

 



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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008
Hoje é o dia mundial do meu amanhã
Quarta-feira, 01 Out, 2008

Os dias mundiais disto e daquilo irritam-me um nadita, confesso. Ele é o dia da árvore e lá vai ministro com pazinha para plantar uma, o dia sem carros e lá vem presidente de helicóptero para andar a pé, o dia do livro e toma lá uma injecção cultural que dê até para o ano e pronto, já está. E no resto do tempo novelas e Herman, Goucha e Malato, manhã à noite. Daí a irritação, embora zinha. Mas também quase tudo me irrita, por estes dias. Estou velho, é o que é. Pois nem de propósito: hoje é o Dia Mundial do Idoso, outra palavrinha que me arrebita o pelame, tamanha a irritação. Idoso é o quê, exactamente, uma espécie de delicadeza esfarrapada que se usa em vez de 'velho', a vaselina, um amaciador? E delicadeza porquê, se há lá coisa mais linda e terna que a velhice digna, brancos genuínos e olhar antigo, amor velho e gasto de dores e coração velho e gasto em amores? 

 

Eu cá julgo saber porquê, talvez: a culpa, a hipocrisia, a vergonha de cão e a consciência social pesada que ficam do tratamento dado à maioria dessa minoria, nos tempos que correm, tal como a outras, de resto, no nosso viver colectivo. Talvez seja isso, quem sabe? Reparem que há quem não diga, apenas escarre, 'velho' ou 'preto', por exemplo, caso igual. Mas as palavras são o que são e dizem apenas o que com elas quer dizer a sociedade que as inventa e usa no seu viver. A carga que leva cada uma vai na vontade do freguês, invente-se uma ASAE para o preconceito e a coisa melhora, estou em crer.

 

Por mim já jurei, todos sabem, os que ainda têm pachorra para me ouvir as juras e mais os poucos de entre esses que ainda vão acreditando nelas: deixem passar mais uns aninhos, só vos digo isto. Deixem lá passar mais uns aninhos e o primeiro que me chamar idoso apanha, tá jurado, seja próximo ou afastado, desde que esteja suficientemente próximo para eu lá chegar com a bengala. Vou atravessar as ruas devagarinho, muito devagarinho e rosnar "Idoso é o teu avô, ó pá!" ao primeiro sacaninha que se atrever a ser condescentente e paternalista com a minha velhice. Ando até já a treinar ao espelho, sempre que posso. Só espero que nessa altura ainda consiga esticar o dedo médio, pelo menos. Senão a coisa não resulta tão bem.



publicado por Rui Vasco Neto
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Do Nordeste à Povoação
Quarta-feira, 01 Out, 2008

Sente-se, por favor. A viagem vai começar. Esqueça o cinto e pode até beber que não vai conduzir mas sim ser conduzido, por mão de mestre, sobretudo nestes caminhos que ele conhece como ninguém. Por dentro e por fora. Sabia que os caminhos têm um lado de dentro? Pois é, têm mesmo, um lado dentro da gente e feito de Vida sob incontáveis formas que, dizem, Deus criou numa semana de particular inspiração. Pois o meu amigo Daniel de Sá, caminheiro com provas dadas em muita prosa andada, muita alma lida, leva-nos hoje pelos caminhos mágicos da minha ilha, da nossa ilha. Depois de Santa Maria, é em S.Miguel que ele se sente mais à vontade para cirandar, nas mãos o bordão das palavras e no peito uma oração reverente por cada maravilha que vai descobrindo, na terra ou na gente. E hoje, generoso, desce à partilha connosco. Por isso sente-se, se faz favor. A viagem vai começar.

 

Em baixo: "Do Nordeste à Povoação"

Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

O viajante esquece a beleza triste dos povoados por que passou. Tinham todos a cor dos dias cinzentos do Inverno. Como se nunca houvesse sol durante o dia nem luar nas longas noites. O que aquela gente sofre por estar viva! Há em todos, no entanto, uma delicadeza natural, uma boa educação que lhes anda agarrada à alma como as urzes e as queirós nas ravinas mais inacessíveis. Muitos anos mais tarde, até os lavradores e o gado, entre pasto e pasto, hão-de passear por caminhos de asfalto. E a beleza triste e cinzenta dará lugar a um permanente arraial de cor. Desde a Salga, com os seu jardins de caleidoscópio, até à apoteose da Vila do Nordeste, o viajante há-de surpreender-se com as flores à beira dos caminhos, nas casas e nos quintais, ou mesmo cobrindo os troncos de palmeiras na Fazenda.

 

Passando a ribeira dos Caimbos, num longo rodeio pelo sopé do Lombo Gordo, o viajante muda de concelho. Mas a paisagem não sabe disso, e permanece igual. Montanhas à direita, o mar à esquerda. Ravinas, arribas, precipícios. Sempre entre o susto e o sonho. Vem aí Água Retorta, ou vai-se por aí a Água Retorta, que dá as boas-vindas a quem uma légua atrás entrara no concelho da Povoação. Se fosse ave ou vento, teria andado metade disso somente. E, sendo a terra tão enrugada, tão áspera para caminhar nela e tão suave para nela pôr os olhos, acaba-se a pique sobre o mar, onde cai volteando a água de uma ribeira que, por ser assim, recebeu nome e o deu ao povoado. Um povoado que parece dois. Porque em terra chã fica o núcleo à volta da igreja, que é de Nossa Senhora da Penha de França, e mais acima se desenvolveu outro, obedecendo aos declives do lugar.

 

O viajante não sente cansaço, porque cada recanto visto é um prémio para a longuidão da jornada. Mais outra légua, chega à estrada que desce para o Faial da Terra. Caminho que é de ida e volta, e que se torce e retorce para não ser quase vertical. E de repente a terra se faz plana, pequena fajã que uma ribeira atravessa dividindo o povoado em duas partes. Voltando as costas ao mar, pode parecer que se está numa aldeia dos Alpes. E as ondas não precisam de se elevar muito para respingarem a terra que ali lhes fica quase resvés. Um pouco mais de ânimo, e podem até acabar como que ajoelhadas à porta da igreja de Nossa Senhora da Graça.

 

Por entre os montes que encaixilham a paisagem, uma dúzia de casas às quais o tempo esvaziará de gente e as intempéries se encarregarão de esventrar, de cegar as janelas, de escancarar as portas. É o Sanguinho. Mas aquelas casas hão-de ser depois recuperadas, reabilitadas, calafetadas, electrificadas, canalizadas. Para fingirem ser o que eram em condições de bem receber turistas. Não importará, porque a natureza há-de permanecer igual e milenar. Viver ali só poderia ter sido ideia de poetas, de eremitas ou de pobres.

 

(texto inédito a ser incluído em livro a publicar pela Ver Açor.)

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Gatos e Cães
Quarta-feira, 01 Out, 2008

E pronto, entrámos em Outubro. Para o final desta festa de aniversário do 7Vidas faltam cinco dias e alguns convidados, que fizeram questão de marcar presença com as suas palavras. A escritora Soledade Martinho Costa é um desses casos. Ex-blogger do AspirinaB, de onde saiu para criar o seu Sarrabal, com vasta obra publicada e espalhada por várias editoras, a Sol é das visitas mais regulares cá da casa, faz parte do núcleo duro, chamemos-lhe assim, aquele que eu chamaria se fosse o Bush (credo!) para reunir de emergência e dar conselhos ao mundo. Wall Street afundar-se-ia na mesma, suspeito, mas a poesia e a literatura sairiam a ganhar, disso não tenho dúvidas.

Em baixo: "Gatos e cães"

Sete vidas mais umaSoledade Martinho Costa 

 

Tenho encontrado um pouco de tudo neste blog: brincadeira, humor, crítica, desabafos, notícias, poemas, textos eruditos. Mas, sobretudo, encontrei um coração grande, o do seu bloguista, aberto ao Mundo, lavrando o seu protesto contra as arbitrariedades, a incapacidade de amar o próximo, a incúria, a prepotência, a maldade, a tragédia, o drama.
 
A tocar na «ferida» e a deixar que as palavras, uma a uma, cheguem ao leitor menos atento ou sensível aos problemas alheios. Se nos calha uma dessas palavrinhas, quem sabe se o Mundo não pode melhorar um pouco mais? Se não nos dá um pouco mais de consciência, de responsabilidade, de solidariedade? Se o egoísmo deixa de governar o planeta em que vivemos?
 
O Rui, brilhante jornalista, tem feito isso. Com mão de mestre. Ao despertar em mim um sorriso ou uma gargalhada quando leio os seus posts, não quer isso dizer que não atinja o alvo sempre que as suas palavras fazem assomar uma lágrima aos meus olhos.
 
Em ambos os casos, um bem-haja e que conte muitos aniversários! Afinal, temos quase «a mesma idade», o meu Sarrabal fez um ano no passado mês de Julho (dia 23) e o 7Vidas agora, em Setembro.
 
Adoro gatos. Adoro cães. Não conheço o Gastão. Nem tenho o gosto de conhecer pessoalmente o dono do Gastão. Por email e por telefone, sim. A blogosfera tem destas coisas. Apenas conheço de longa data as sete vidas dos gatos. Uma de cada vez. Morrendo e renascendo. Embora rejeitando. Dizendo que não. Que não é mais possível. Que não se é capaz. Mas voltando sempre à vida mesmo depois de sete mortes. Para viver outras sete vidas, como os gatos.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Ainda as pulseiras de Magritte (parte II e conclusão, acho)
Quarta-feira, 01 Out, 2008

No princípio era o verbo. Comentar. Comentar os comentadores e as lentes que usam na opinião. Vale a pena recordar, contextualizando. Escrevendo sobre o debate Obama/McCain numa perspectiva assumidamente republicana, 'O Cachimbo de Magritte' publicou este post e mais este post (insistindo dois dias depois com esta gracinha, triste), a propósito dos quais eu escrevi este post e (noblesse oblige, como dizem os inglesesdeixei comentário no post original com essa mesma informação. O resto é história, uma que pode seguir nestes comentários. Pode e deve, digo eu. Afinal, não é todos os dias que nos aparece a oportunidade de explicar a 'parcialidade' às crianças, com bonecos e tudo. Perdão, cromos.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Bom dia. Hoje custa-me engolir isto.
Quarta-feira, 01 Out, 2008

«Sete em cada dez pessoas com mais de 65 anos estão mal nutridas em Portugal e 48 por cento dos idosos rastreados em lares e hospitais registaram perdas de peso superiores a dez por cento nos últimos três a seis meses»



publicado por Rui Vasco Neto
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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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