Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009
Parecenças
Quarta-feira, 28 Jan, 2009

Já vos falei da caixa de correio cheia, das palavras que bateram com as vírgulas na porta enquanto eu fui ali e já vim. Estas são dessas, vêm de um amigo de letras que as trata com um jeito tão singular que elas parecem mais brilhantes que as minhas, mais polidas, mais e melhor arranjadas para sair. E eu pareço aquela vizinha invejosa que um dia lhe há-de descobrir a marca do segredo que usa para as trazer assim, bonitas como estas que me deixou no último dia de 2008 com um bilhete preso e que eu só li no ano seguinte: «Grande Rui: Mando-te uma história, das do tal género maluco, para o teu blogue, se lá couber.» Pfff, 'se lá couber', calculem... danadinho para escarnecer da pobreza, este meu amigo, digo a rir. Falando a sério? Um senhor, é o que ele é. E um senhor escritor. Fernando Venâncio.

 

Em baixo: "Parecenças

Sete vidas mais umaFernando Venâncio 

 

 

Detesto a cara dele. E o sorrir dele. E o andar dele. Para ser sincero, detesto nele tudo. Evito cruzar-me com ele, inicio já de longe desvios impensáveis. Mas será ele desagradável? Feio? Disforme? Longe disso. De modo nenhum. E essa é, já, uma parte da razão.
 
Vou direito ao assunto: ele parece-se com um grande amigo meu. Trata-se de um fulano conhecido do público e por quem tenho um apreço desmedido. Parece-se com ele, disse eu? São duas gotas de água. Esta gota é, concedo, um tudo-nada mais jovem, mas acredite-se: quando ele se me pespega na frente, isso de mais jovem não ajuda puto. É sempre àquele outro, ao meu amigo, que ali vejo. E isso confunde-me, troca-me o neurónio, como um paradoxo inútil. É tipo aqueles cubos desenhados, só arestas, em que as profundidades se cruzam e descruzam. Mas agora na versão parva.
 
Já me apeteceu contar-lho. Simplesmente confessar. Dizer assim: «Desculpe lá, amigo, a gente nem se conhece a bem dizer, mas acontece o seguinte: você, desculpe tratá-lo assim, você faz-me sempre lembrar o... (e citaria o ilustre nome), e por isso o miro e remiro, por isso fujo de si.»
 
Mas nunca consigo. Ele esgueira-se, felino, etéreo, risonho. Sim, é aquele sorriso que me mata. E que, se ele não se acautela, um dia destes há-de matá-lo mesmo.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Primeiras impressões
Quarta-feira, 28 Jan, 2009

Uma espreitadela (nem por isso demorada) à correspondência acumulada na minha ausência deixa-me algures entre o estarrecido e o desvanecido, o constrangido e o comovido, enfim, tudo menos esquecido, que isso não fui, definitivamente. Pois saibam os senhores que correrei os respectivos postigos nos próximos dias, a horas seguramente impróprias, para vos deixar resposta à altura ou pior de que me lembre, no momento. A todos muito obrigado pelas alembraduras, sinceramente. Aos amigos que insistiram em beliscar-me regularmente e com intensidade variável, em especial e para já, vai daqui um enorme e grato abraço. Quem diria, vocês, hein!?



publicado por Rui Vasco Neto
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Ora, como eu estava a dizer...
Quarta-feira, 28 Jan, 2009
.. seguimos em frente, evidentemente, sem hesitação ou quase. Inadmissível, de resto, esse revoltear da massa que admitisse o oposto como projecto de hipótese a merecer ponderação, irra qu'é asno quem comprar desse filete! Pois para a frente é que é o caminho, já cá se sabe, por isso aqui estou, ora. Apresentando desde já as minhas demoradas desculpas pela demora, ou por mais qualquer coisinha, seja. Dá-se que entretanto e inesperadamente fui, como já tinha admitido poder vir a ir, ou melhor fui indo, apenas, fui indo mas sem chegar a ir logo não tendo ido mesmo, já que de facto só vai quem foi e sendo que afinal eu apenas quase ia, bem vistas as coisas, tendo assim voltado sem ter ido e apenas até voltar a ir, ou seja, em princípio no fim. No fundo é simples, com tudo assim bem explicadinho, não é? 
Nada de especial, portanto, como podem ver. E também não tem muito que enganar, a questão é só a gente encasquetar que sim e pronto, o alinhavo depois é o menos, todos os problemas fossem o remate do ponto, cruz deste bordar existencial. Um simples dedal resguardaria a vida de todas as picadas (algo medieval, é certo, mais seguro que o latex, menos confortável aqui e ali, talvez) e todos viveríamos felizes para sempre. Eu sei que me entendem, poucos, alguns concordarão, até, e pode mesmo haver quem venha a discordar, o que seria verdadeiramente notável tendo em conta a exposição supra. Mas o mais importante é a objectividade, estou certo. Isso e coiso, naturalmente. Pois é. Coisa mailinda, a comunicação.


publicado por Rui Vasco Neto
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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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