Terça-feira, 31 de Março de 2009
Lisboa em camisa. Na Ópera.
Terça-feira, 31 Mar, 2009

Em espectáculo, um protesto em coro de plateia tem que ter um toque de boçalidade, algo de rude e grosseiro para atear aquela multidão e puxar-lhe o fogaréu do descontentamento para lá de todas as regras de etiqueta social. Afinal somos matéria inflamável antes de sermos gente educada, antes do polimento, antes das convenções, do treino de obediência das boas maneiras, no fundo. E nem sequer é lá muito no fundo, em muitos casos, às vezes basta raspar um nadita e lá salta a capinha fina que mantém a besta oculta em alguns de nós, meio nadita em muitos casos. Não é um espectáculo agradável, quando acontece a sério, digo eu.

 

A única pateada com graça de que me lembro, assim de repente, aconteceu em casa do Conselheiro Torres, ali à Rua dos Fanqueiros, se a memória não me atraiçoa, quando o teatrinho da família onde brilhavam a menina Sabina e do Dr. Formigal, um drama pungente de nome 'O Pedro', foi abalado pela demora do elenco, pelas birras do Gil aguadeiro, pelo acumular de casacos no cadeirão destinado ao Bismarck português e pela impaciência da assistência, vinda lá da repartição do Conselheiro e que rebentou numa pateada d'arrebimbomalho magistralmente descrita por Gervásio Lobato no seu delicioso 'Lisboa em Camisa'. Não estive nessa, lamentavelmente.

 

Tal como não estive no CCB na passada sexta-feira, noite de "Crioulo, uma ópera cabo-verdiana". Sei que o espectáculo estava marcado para as nove horas da noite. Sei que começou com a mesma meia hora de atraso com que deram entrada no camarote VIP os dois primeiro-ministros, de Portugal e de Cabo Verde, que eram esperados mas não para fazer esperar a restante audiência, que lotava o recinto. E foi assim que aconteceu a famosa vaia, a tal que recebeu José Sócrates e comitiva naquela noite e se prolongou por alguns minutos, que devem ter parecido uma eternidade aos visados. Depois parou, claro, veio a ópera e o fim de festa, igual aos outros. Mas os ecos do assobio estavam lançados e com vento de feição a vaia cresceu de tom e de registo, engrossar é o termo: engrossou. E engrossou mesmo, o resto é o que se sabe, o que se leu e o que se ouviu e ouve até à náusea, quase-quase. Palpite atrás de palpite sobre o que Sócrates devia ter feito, o que não devia ter feito, o que pensou e não pensou e devia ter pensado, enfim, as razões do assobio em número incomparavelmente maior que o das maneiras existentes para preparar bacalhau, por exemplo. E qualquer dia em maior  número que os próprios bacalhaus, pelo caminho que a coisa leva. É o que eu digo, um destes dias dou por mim a gostar do Zé, salvo seja e passe a expressão. Porque pena dele já quase tenho, tal é a pobreza confrangedora do moralismo hipócrita que dita este tipo de ataques. É Lisboa em camisa, não outra vez: a de sempre, apenas.



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Segunda-feira, 30 de Março de 2009
Até parece que o ceguinho é bruxo
Segunda-feira, 30 Mar, 2009

«Era ou não era engraçado que a TVI  tirasse da cartola o coelho da autenticação daquela gravação? E de preferência por confirmação do próprio Charles Smith, este mesmo que agora promete «desmascarar a perseguição e exigir responsabilidades, por todos os meios que a lei me permitir». Era ou não era de cair para o lado, uma destas, a acontecer? Claro que isto é só a gente a conversar, evidentemente, mas lá que tinha a sua piada, lá isso... bem, a ver vamos, já dizia o ceguinho. A ver vamos.»  Bem, a ver vamos era naquele dia, que hoje já está mais que visto, revisto e assumido. Então não é que aconteceu mesmo o tal coelho tirado da cartola de Queluz? Pois é, em mais uma notícia TVI, ficámos ontem à noite a saber que afinal Mr. Smith teria já confirmado, em declarações à polícia britânica, tratar-se de facto da sua voz e das suas palavras naquele DVD cuja gravação audio a TVI transmitiu sexta-feira passada. O ceguinho deve ser bruxo, digo eu, só pode. Ou então foi coincidência, também acontece muito, o nosso Primeiro que o diga...



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Mas... mas... o clero português também já usa?
Segunda-feira, 30 Mar, 2009

«A discussão sobre o uso do preservativo pelo clero português é hoje tema em destaque nos jornais»

(título DN / revista de imprensa)



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Sábado, 28 de Março de 2009
Já dizia o ceguinho
Sábado, 28 Mar, 2009

Este senhor é Charles Angus Smith, o gerente da Smith&Pedro, consultora do Freeport, que Portugal inteiro ouviu ontem à noite chamar 'corrupto' e 'estúpido' a José Sócrates. E que hoje veio desmentir em comunicado que alguma vez se tenha referido ao primeiro-ministro português de forma injuriosa. É o caso Freeport a subir a parada do diz-que-disse, agora com o país de olhos postos na bola, como numa final de ténis. Uma animação. 

 

«Mantive durante anos muitas reuniões com os administradores, nomeadamente Alan Parkins, algumas na presença de João Cabral e outros colaboradores para discutir questões relativas ao empreendimento», mas «é falso que alguma vez, naquelas reuniões, ou em qualquer outra oportunidade, me tenha referido ao primeiro-ministro de forma injuriosa, bem como a qualquer outro político, ou tenha oferecido, ou prometido contrapartida, ou vantagem, para obter o licenciamento do Freeport», garante Smith no referido comunicado. A declaração é no mínimo surpreendente, convenhamos, se nos recordarmos do teor da gravação que o país inteiro teve oportunidade de escutar ontem, no Jornal de 6ª da TVI , onde o britânico diz de viva voz o contrário do que agora afirma por escrito.

 

Por isso mal posso esperar pelas cenas dos próximos capítulos, quando Smith vier dizer que afinal não é bem ele naquela gravação, que é tudo uma grande mentira fabricada pela TVI . E logo a seguir virá José Sócrates, quase aposto, aproveitando esta deixa do tal Smith que nunca viu mais gordo mas que é agora seu colega de infortúnio, às mãos da sinistra cabala jornalística. Ora digam-me se nessa altura do folhetim, com meio país a acreditar e outro meio a duvidar, tudo pronto para votar, maioria a escorregar, era ou não era engraçado que a TVI  tirasse da cartola o coelho da autenticação daquela gravação? E de preferência por confirmação do próprio Charles Smith, este mesmo que agora promete «desmascarar a perseguição e exigir responsabilidades, por todos os meios que a lei me permitir». Era ou não era de cair para o lado, uma destas, a acontecer? Claro que isto é só a gente a conversar, evidentemente, mas lá que tinha a sua piada, lá isso... bem, a ver vamos, já dizia o ceguinho. A ver vamos.



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Havemos de ir a Viana
Sábado, 28 Mar, 2009

Vem de Viana do Castelo a primeira proposta concreta, sustentada, ponderada, razoável e exequível que eu vejo em cima da mesa, de há muito tempo para cá, para resolver um problema específico da educação em Portugal. Um que é ponto de partida para muitos outros problemas que têm registo visível em situações aparentemente não relacionadas com aquilo que visa especificamente esta proposta de Luís Braga, presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Darque e autor do texto a que chamou 'Petição pela responsabilização efectiva das famílias nos casos de absentismo, abandono e indisciplina escolar'. Em dois dias, recolheu cerca de 500 assinaturas, sendo que o objectivo é reunir quatro mil para «obrigar» a Assembleia da República a discutir a questão em plenário. «Na prática, o que defendo é que os encarregados de educação têm de ser responsabilizados pela educação ou não educação dos alunos», disse o docente. «Os mecanismos criados devem traduzir-se em medidas sancionatórias às famílias negligentes, como multas, retirada de prestações sociais e, no limite, efeitos sobre o exercício das responsabilidades parentais, como é próprio de uma situação que afecta direitos fundamentais de pessoas dependentes». Não posso concordar mais. É agindo sobre as famílias do presente que podemos mudar alguma coisa nas famílias do futuro, e por elas o país. Havemos de conseguir, tenho fé.  



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Sexta-feira, 27 de Março de 2009
Sete vidas como o Jardel
Sexta-feira, 27 Mar, 2009

 

 

Mário Jardel. Lembram-se dele? Jardel é Jardel, dele tudo se espera, faz parte do seu carisma. No palco para que nasceu, Jardel morre com a mesma facilidade com que renasce das cinzas. Irresponsável, genial, Jardel, quer tudo dizer o mesmo: isto que se pode ver neste video, hoje e ontem a par, o mesmo show de bola. Mário Jardel. Lembram-se dele? Pois está vivo e bem vivo, alive and kicking, porque este sim, este é que tem sete vidas como os gatos. Eu? Ao pé de Jardel sou mero aprendiz.   



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Mais um oventado contra a ministra
Sexta-feira, 27 Mar, 2009

Alunos da Escola Secundária de Felgueiras atiraram ontem, cerca das 19:00h, ovos à ministra da Educação. Maria de Lurdes Rodrigues não foi atingida mas dois alunos, de 16 e 17 anos, foram identificados pela GNR. A origem dos ovos também não chegou a ser apurada mas, em princípio e até prova em contrário, os investigadores parecem ter já descartado a hipótese destes terem sido postos pelos próprios alunos, não sendo assim de excluir a possibidade de haver uma ou mais galinhas envolvidas neste atentado. As investigações não prosseguem.

 



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O sorriso do dia
Sexta-feira, 27 Mar, 2009

Sinto-me bem mais tranquilo agora, confesso. Fui a correr comprar a primeira edição da Playboy portuguesa, com chegada às bancas marcada para hoje, apesar da capa pouco feliz, na minha modesta opinião. Não que a Mónica Sofia não tenha tudo  -  e quando digo tudo é mesmo tudo, aparentemente!  -  para merecer o destaque, nada disso. Mas é que a mesma capa faz chamada ao nome de Nuno Markl, que venho a descobrir depois ser apenas colaborador permanente da nova publicação. Tudo bem por aí, só podem vir coisas boas dessa colaboração, que o Nuno é brilhante em tudo o que faz. Só que eu, não sei porquê, ainda tive por uns instantes o receio de que o nosso Markl também se tivesse descascado para a objectiva da Playboy, não sei, passou-me pela cabeça. Agora estou mais tranquilo, pronto. A revista só sai amanhã, afinal, mas em matéria de nus está garantido: há Mónica mas não há Markl, graças a Deus. Melhor assim, digo eu. É certo que até somos amigos, mas bolas, o humor há-de ter limites, ou não?

 



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Dia Mundial, outra vez?
Sexta-feira, 27 Mar, 2009

Uns quantos como eu ainda acredito que existam, mas um que seja mais do que eu é difícil, não possível de todo. Distraído, quero eu dizer. A leste, na lua, chamem-lhe o que quiserem, mas lá que é facto que eu de vez em quando estou cá mas não estou embora pareça mesmo estar, lá isso não tem discussão.

 

Vem este arrazoado todo a propósito do Dia Mundial da Poesia, que de repente começo a ver referenciado em toda a parte, uma menção aqui, um post ali, um artigo além, um poema acoli, enfim, uma coisa absolutamente descabida se pensarmos que o Dia Mundial da Poesia foi há pouquíssimo tempo atrás, não tenho dúvida, lembro-me muitíssimo bem, até porque por acaso fiz uma coisita até engraçada aqui no 7Vidas, que tenho até ainda bem presente na memória, como não, pois se foi há meia dúzia de ... sei lá, dias não digo, mas uns mesitos, talvez, não mais, ora deixa lá ver, também não é difícil descobrir a data exacta, basta ir ao arquivo do blog e procurar o poema, não custa nada, dou por mim a concluir. Assim fiz. Encontrei logo, sem espinhas. E eu tinha razão, a data lá estava a provar que não foi assim há tanto tempo. E que data lá estava, então? Pois 21 de Março de 2008, nenhuma outra.

 

Os senhores percebem agora o meu problema? Será coisa grave, será da idade, será que conto com o vosso apoio se piorar? Espero que sim, daí o desabafo, que aqui fica junto com as tais palavras que eu recordava por me terem saído limpas, espontâneas, sentidas. E há pouquíssimo tempo atrás.

 

 

Quero às palavras como às amantes
(mais a umas do que às outras
confesso e é natural)
que as palavras, mesmo loucas,
mentirosas, inconstantes,
são melhores do que as amantes:
não me fazem tanto mal.

Dizem-me que hoje é o dia
de lembrar a todo o mundo
o universo dos poetas:
as palavras! Que, no fundo,
são de todos, dos patetas,
dos tristes, dos geniais,
dos uns que lhes querem mais
que os outros que as maltratam
(e às vezes com elas matam)
a quem escapa a fantasia
que mora nas entrelinhas...

As palavras não são minhas
mas se fossem, eu garanto
esta intenção verdadeira:
às palavras quero tanto
(ai! tanto lhes quero, tanto!)
que não marcaria um dia
para as palmas mundiais
mas antes a vida inteira
milhares de vezes um dia!
E não seria demais
para lembrar a Poesia.
 



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Quinta-feira, 26 de Março de 2009
O crime dos McCann
Quinta-feira, 26 Mar, 2009

Há uma duríssima lição de vida, para Gerry e Kate McCann, naquilo que vem acontecendo nestes últimos dias na aldeia da Luz. Da grande campanha de sensibilização para o desaparecimento de Maddie lançada pelos McCann na zona da Luz, Lagos, pouco restava ontem à tarde além de meia dúzia de cartazes afixados em estações de autocarro e outdoors. A população local tratou de rasgar e arrancar os restantes, deitando-os para o lixo e dando a cara pela sua atitude, sem qualquer pejo, convictos da justeza do que faziam. Ao Correio da Manhã foram várias as pessoas que assumiram responsabilidades no sucedido, incluindo comerciantes que publicamente retiraram os cartazes das suas montras. O adjectivo mais usado para caracterizar a campanha dos McCann é 'palhaçada' e o motivo comum a todos tem a ver com alegados prejuízos que dizem estar a sentir por quebras no turismo devido ao caso Maddie. Seja qual for a verdadeira razão, a existir uma, o facto é que se trata de uma tomada de posição que é no mínimo estranha, se pensarmos que está em causa o desaparecimento de uma criança. Daquela criança, em particular. E é assim que chegamos à tal lição de vida que referi lá atrás. Ora pensem comigo.

 

Toda a revolta latente neste 'já chega!' gritado pelos habitantes da Luz tem destinatários óbvios. Kate e Gerry McCann foram condenados pelo colectivo da opinião pública nacional por crimes de arrogância e estupidez, à falta de provas definitivas de que são assassinos de facto. O colectivo deu por provado, nesta sessão com já quase dois anos de massacre mediático, que os pais de Maddie foram ingleses, triste e terrivelmente ingleses na forma de lidar com o que lhes estava a acontecer naquele momento em Portugal e junto dos portugueses. Ao preconceito que Kate e Gerry revelaram possuir em relação aos portugueses, desde o primeiro minuto da sua desgraça, respondem agora estes com outro de igual calibre contra este tipo de gente com pose superior que vem para o nosso país tratar os indígenas abaixo de cão e como 'estúpidos comedores de sardinhas', como nos caracterizou o popular jornalista Tony Parsons, que não têm berço ou competência para tutear com os súbditos de Sua Majestade. Talvez por isso os portugueses da Luz lhes voltem ostensivamente as costas quando agora, dois anos de desprezo e arrogância depois, colam nos seus cartazes um pedido de tardia humildade: 'Ajudem-me', um apelo pensado para ser dirigido directamente à população local. Que deu resposta pronta, como se vê, aquela que lhes foi ditada pelo sentir. Só Maddie, a própria, terá impedido que assim tivessem feito há mais tempo, acredito piamente.

 

Gerry e Kate McCann estarão a colher o que semearam, tudo o indica. Mas importa não esquecer Maddie, pelo caminho. Por isso a atitude destes nossos compatriotas da Praia da Luz vale o que vale, mostra o que mostra, é o que é. Nem por isso particularmente digna ou dignificante, para Portugal ou para os portugueses. Não parece coisa nossa, da nossa gente, da nossa maneira de ser. Compreende-se, claro, percebe-se porque e para quem está tudo isto a acontecer. Terá até alguma justificação factual, não o discuto. Mas raramente importa quem começou primeiro, numa escalada de preconceito, como pouco importam as mesquinhices da vida quando nos encontramos cara a cara com a morte. E a estupidez, inglesa ou outra, só gera estupidez, portuguesa ou outra, nada mais, não traz nada de bom para ninguém, para uns ou para outros. E não ajuda Maddie, acima de tudo, cuja situação (seja ela qual fôr) dispensará por certo a existência de duas facções, muito menos rivais, onde era suposto existir unidade e solidariedade num empenho comum. Foi por isso lamentável, este episódio, absolutamente lamentável. E vou mais longe. Mesmo tendo como referência o inenarrável casal McCann, estes nossos algarvios foram muito, mas mesmo muito ingleses, neste incidente dos cartazes. Demasiado ingleses, se é que me faço entender.



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A história do julgamento de Isaltino Morais contada às crianças
Quinta-feira, 26 Mar, 2009

O presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, começou esta quarta-feira a ser julgado no Tribunal de Sinta por suspeita de corrupção, branqueamento de capitais, fraude fiscal e crime de participação económica em negócio.

 

«O monstro que ali é apresentado é um Isaltino que não sou eu», disse o arguido.

 

Quanto às contas no estrangeiro, justificou que a da Bélgica foi criada por motivos relacionados com a sua remuneração enquanto membro do Comité das Regiões. Já a conta da Suíça é vista pelo próprio Isaltino como um direito que assiste a qualquer pessoa.

 

O magistrado do MP estranhou os avultados montantes depositados na Suíça –«o milagre da multiplicação dos pães» – que Isaltino terá alegado, durante a investigação, tratar-se de «poupanças e sobras de campanhas». 

 

O advogado de defesa de Isaltino, Carlos Pinto de Abreu, também se pronunciou antes do seu cliente, para dizer que «o arguido pode ser acusado de muita coisa, de não ter declarado algumas quantias, de ter errado algum despacho, mas nunca de com isso obter algum propósito egoísta»

 

(...CONTINUA)



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Quarta-feira, 25 de Março de 2009
Morrer d'azul
Quarta-feira, 25 Mar, 2009

Há quem morra de doença, lutando por cada segundo de vida que lhe resta. Há quem morra de repente, porque a vida se lhe acabou, numa síncope fatal. E há quem morra por estar vivo e ali, sessenta e um anos depois de ter nascido, à porta dos CTT de Oeiras. Querendo entrar no exacto momento em que queriam sair uns assaltantes tão estúpidos e desastrados que não só não conseguiram roubar um tostão como ainda se assustaram com aquele homem que vestia roupas azuis, da mesma cor dos polícias que tanto temiam encontrar. E por isso lhe dispararam à queima roupa um tiro no abdómen. E o homem morreu, estupidamente, por estar vivo e ali. Morreu de quê? Olhem, sei lá, morreu. Morreu d' azul.



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Não me parece caro, enfim..
Quarta-feira, 25 Mar, 2009

 

(montra na Rua de Sto António, Faro)



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Os mistérios da fé
Quarta-feira, 25 Mar, 2009

A polémica em torno da arbitragem da final da Taça da Liga entre Sporting e Benfica chegou à Igreja quando um pároco em Lisboa, fervoroso sportinguista, anunciou que não irá baptizar meninos com nome Lucílio. «Aproveito para vos anunciar que, enquanto for responsável por esta paróquia, não faço intenções de baptizar nenhum menino chamado Lucílio. Queiram dispor para tais propósitos dos serviços de uma paróquia vizinha» anunciou domingo o padre João José Marques Eleutério antes do tradicional «Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe». Não, não é uma brincadeira. É a sério, é notícia. E terá a sua lógica, algo esconsa, mas uma que tento adivinhar: Não a Lucílios na Igreja por falta de Cristos na arbitragem? Pode ser, quem sabe, o padre Eleutério, talvez. Afinal, estes são os mistérios da fé, sim, mas da sua.

 



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Algo absolutamente delicioso, Ambrósio!
Quarta-feira, 25 Mar, 2009

A gente é linda, pá, a gente é o melhor que a vida tem porque a gente é a vida no seu melhor, pá! Parece redundante porque é redundante, tanto quanto verdadeiro, isto que aqui constato aos gritos. E porquê? Porque volta e meia a vida recorda-me esta absoluta evidência em exemplos da carne e osso como este, ora vejam só se não:

 

Por Sebastião Marques Lopes, às 19:34 | comentar | ver comentários (4)
 

Quando criei este blog ( 1 de Abril de 2008)  tinha a intenção de exprimir os meus sentimentos. Ora houve sempre uma coisa que me irritou. Descriminação infantil. Quero ver uma grande banda a um bar mas não posso porque tenho doze anos. Quero ficar sentado no eléctrico mas não posso porque tenho doze anos. Quero ver um filme mais de dezasseis anos mas não posso porque tenho doze anos. O melhor em prender-me num cofre e esperar até ter dezoito pois não há espaço no mundo para um jovem de doze anos.

(lido aqui

 

A gente é linda, pá, a gente é o melhor que a vida tem porque a gente é a vida no seu melhor, pá! Parece redundante porque é redundante, tanto quanto verdadeiro, isto que aqui constato aos gritos. E porquê? Porque volta e meia a vida recorda-me esta absoluta evidência em exemplos da carne e osso como este e pronto, fico num estado de encanto com a espécie que me faz quitar todos os desencantos diários, horários, as fraudes constantes, zerar tudo e começar de novo porque a gente vale a pena, a gente vale sempre a pena, a gente nasce linda, linda como as estrelinhas que há no céu e a gente é linda e única como cada uma delas. A gente se calhar depois chega a um ponto e estraga-se, às vezes, um pouco, muitas vezes, dois poucos, sempre, sei lá, a gente já não diz 'estrelinhas' porque não e faz por esquecer que há um céu porque sim, não sei ... só sei que a gente, em génese, é linda com'o camandro, pá, 'tás a ver? Linda com'o camandro. Mas tu não estás a ver!?!

 



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Terça-feira, 24 de Março de 2009
Já somos três. Sexos, claro.
Terça-feira, 24 Mar, 2009

Depois de Thomas Beatie, o primeiro homem a parir uma criancinha há bem pouco tempo atrás, temos agora o primeiro dos próximos casos semelhantes, o primeiro de muitos, suspeito. Vou transcrever a notícia, citar os factos. Um transexual de 25 anos, que nasceu mulher e decidiu ser homem, está grávido de gémeos através de inseminação artificial, no primeiro caso do ano, noticiou a imprensa espanhola. Ruben Noé Coronado Jimenez - que nasceu mulher, de nome Estefânia - confirmou a gravidez de seis semanas e disse esperar o nascimento dos gémeos em Setembro. Em declarações aos jornalistas ao lado da actual companheira, Esperanza Ruiz, 43 anos, explicou que decidiu engravidar apesar de estar a avançar com um processo de alteração do sexo. «Queria ser pai e a minha mulher não podia. A decisão acabou por se tomar assim», afirmou Ruben, que ainda conserva os órgãos sexuais femininos, o que permitiu a inseminação artificial.

 

Para mim, o mundo mudou, e essa sim, é a grande notícia. Mas essa não é de hoje, nem foi parida por este senhor que era senhora e que agora vai ser mãe porque queria muito ser pai e a mulher não pode. E que termina esta sua apresentação mediática, primeira das muitas que por aí vêm antes das fotos do parto e dos bébés e dos vizinhos, seguramente, fazendo uma declaração coerente, digo eu, no meio de tanta confusão de identidade: «De acordo com a nova legislação vou começar o processo administrativo este mês para mudar o meu género para homem», disse Estefânia. Só não especificou se já quer ser homem quando for mãe de gémeos ou se espera para depois, mas até eu já acho que isso não interessa nada nesta altura. O que interessa é que o mundo mudou, essa é que é essa, mudou para sempre. Agora eis que está já mudada a última fronteira do sagrado, o útero materno. Uma mudança que nunca a proveta conseguiu, por manifesta falta de todo este burlesco que agora garante um terceiro sexo, que chegou para ficar. E que fez toda a diferença, como se vê.



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Cheira-me que há por aqui notícia, mas onde, meu Deus, onde???
Terça-feira, 24 Mar, 2009

«O líder do Partido Popular Monárquico (PPM) nos Açores pediu hoje a demissão do secretário regional do Ambiente e do Mar, acusando-o de "irresponsabilidade ambiental". Em conferência de imprensa, realizada esta manhã na sede do parlamento açoriano, na cidade da Horta, Paulo Estêvão adiantou que o seu partido acabou por "retirar toda a confiança institucional" em Álamo Meneses»

 



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Segunda-feira, 23 de Março de 2009
Soluções e problemas, ou a omeleta de Colombo.
Segunda-feira, 23 Mar, 2009

De repente fez-se luz. «Prisões: Reorganização do sistema passa por separação entre preventivos e condenados», titula a imprensa, caramba, isto sim é uma descoberta! E não vem só, trata-se de todo um pacote de novidades, pelos vistos. «Separar e distinguir as valências do sistema prisional, de maneira a que os presos preventivos estejam separados dos condenados, os de regime fechado separados do regime aberto, bem como os jovens e as mulheres, de maneira a que o tratamento seja diferenciado», preconizou hoje o ministro Alberto Costa a propósito da reorganização do sistema prisional e durante a apresentação feita pela directora dos Serviços Prisionais, Clara Albino. É o ovo, que digo eu, é a omelette de Colombo. 

 

Este programa de reformas, que prevê igualmente 'a construção de dez novas cadeias' e a 'especialização dos estabelecimentos',  terá um investimento que ronda os 450 milhões de euros e vai ser «uma oportunidade preciosa» para o sistema prisional, garante o ministro da Justiça. Como de resto outros ministros da Justiça já o garantiram antes deste, diga-se em abono da verdade, outros que também disseram ter descoberto que a solução do sistema prisional passa pela separação de presos preventivos e condenados, regime fechado e aberto, jovens e mulheres, enquanto o mantinham cuidadosamente como problema e exactamente como diziam não poder estar. Como um dia qualquer solução prisional poderá talvez ter de passar pela separação de doentes e sãos, quem sabe. Afinal, um quarto da população prisional foi referenciada em 2008 como portadora de doenças infecto-contagiosas, coisa que ninguém adivinharia pela constatação de Alberto Costa, tão basbaque como tardia, e por este seu discurso refrescante do 'tratamento diferenciado' inovador. Talvez os 450 milhões de euros façam a diferença desta vez, oxalá a solução venha finalmente com o dinheiro. Porque dos homens para as prisões só me parece que venham problemas, para ser franco. Sobretudo destes homens e para estas prisões.

 



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Passa? A sério?
Segunda-feira, 23 Mar, 2009

«Prisões: Reorganização do sistema passa por separação entre preventivos e condenados»

 



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Milagre!!! Milagre!!!
Segunda-feira, 23 Mar, 2009

«Papa Bento XVI deixa Angola e José Eduardo dos Santos compromete-se com respeito pelos direitos humanos, democracia e justiça social»

 



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Sábado, 21 de Março de 2009
Dá cá e até já!
Sábado, 21 Mar, 2009

De entre os grandes embustes da era moderna, as empresas de telecomunicações conseguem o golpe mais genial de todos, digo eu. E de entre as operadoras nacionais, na minha opinião, é a TMN aquela que se destaca pela competência que vem revelando neste domínio do crime quase perfeito, suave, vaselinado, imperceptível. Lucrativo, muito lucrativo, claro. E absolutamente impune, o que é uma proeza notável, há que convir. Eu cá sou fã, acompanho a equipa.

 

O segredo estará nas importâncias, suspeito. É que não chega bem a ser uma porrada, é antes uma cacetadinha, pronto. Não será bem um roubo, é mais uma bicada, uma zinha para não doer nem dar muito nas vistas, de preferência. Veja-se o exemplo mais recente, já a render, que ilustra na perfeição esta arte de ganhar milhões com o velho golpe dos tostões, muitos e muitos tostões. Tostões dos outros, claro. A novidade vem toda nas facturas deste mês, que chegaram ontem mesmo aos clientes empresariais da TMN.

 

Sem qualquer aviso ou notificação, prévia ou actual, a empresa entendeu alterar todos os seus tarifários empresariais aumentando o custo das chamadas telefónicas e Internet em valores estudados caso a caso e com efeitos imediatos em todos os contratos. Falamos de aumentos de apenas alguns cêntimos, é certo, mas aplicados em todos os parâmetros de todos os tarifários, incluindo banda larga. Um exemplo, à sorte: chamadas internacionais, zona 1 (Europa), passam de 0,157€ para 0,174€, uma diferença de 0,017€, (na casa das décimas de cêntimo) mas o suficiente para um cliente empresarial médio, de entre os muitos milhares de clientes empresarias da TMN, ter um acréscimo de cerca de cem euros à sua factura habitual do mês. Cem euros, num só cliente, considerado 'médio'.

 

Vamos pensar agora em quantos clientes, de entre os seis milhões que fazem a carteira da TMN, terão contribuido com os seus tostões para esta bela golpada. E em quantos desses repararão nesses quantos euros a mais nas contas, referentes a um aumento não anunciado e muito menos publicitado, metidos no meio de extensas facturações de empresa. E, já agora, pensemos em quantos dos que repararem farão seja o que for com a informação excepto pagar e calar, porque a vida continua e as coisas são assim mesmo. É ou não é bem pensado, digam-me lá? Tudo considerado, fica mais que exposta a infracção legal, consumada numa jogada comercial como as outras, a tal bicadinha que vai passando, vai passando, até acabar por ser habitual primeiro e legal depois. E a vida continua.

 

Acontece que esta alteração está a ser aplicada em contratos que dizem, em bom português, que não poderá existir qualquer alteração de tarifário durante a vigência daquele acordo. O contrato diz explicitamente que nem o cliente pode desistitr nem a empresa pode aumentar os preços excepto em casos que o IVA tenha aumentado ou diminuido, o que evidentemente não é o caso. Pois nada disto parece ter incomodado particularmente a TMN, pelos vistos. As facturas estão na rua, os novos tarifários estão na internet e poucos foram os clientes que até agora reclamaram da facturação recebida. Tudo indica que a coisa vai correr sobre rodas, que vai ser um atropelo suave, por assim dizer. Não há dúvida, quem sabe sabe e o resto é conversa. E até já, evidentemente.

 



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Sexta-feira, 20 de Março de 2009
Contra o tráfico de salsa, hortelã e agriões! A luta continua!
Sexta-feira, 20 Mar, 2009

Ontem, algures por entre a rotina das habituais votações (particularmente animada pelo novo regime jurídico das armas e munições, este aprovado por um PS estranhamente só nesta matéria) o Parlamento nacional aprovou por unanimidade uma alteração ao regime jurídico do tráfico e consumo de estupefacientes e substâncias psicotrópicas, vulgo droga, a cujas tabelas são a partir de agora acrescentadas «as substâncias oripavina e benzilpiperazina». Ou seja, ficará proibido o tráfico e consumo de oripavina e benzilpiperazina, como já o era o do haxixe ou da heroína, presume-se. Muito bem.

 

Tal como se presume que este seja mais um passo na luta contra a droga, esse flagelo que nos ameaça, sempre e cada vez mais, a cada esquina desta pequena aldeia em que vivemos, as mesmas esquinas onde se vende todo o tipo de venenos para corações vazios, cabeças desorientadas, almas em decomposição, todo o tipo de drogas em oferta permanente, das mãos do mesmo tipo de gente para as mãos de todo o tipo de gente. Bem, todo o tipo de drogas menos oripavina e benzilpiperazina, lamento dizer, pois tenho a confessar que nunca ouvi falar em snifes de oripavina ou em charros de benzilpinãoseiquê, sei lá, estarão em falta no supermercado cá do bairro ou mesmo tão somente na minha cultura geral, manifestamente escassa a respeito, na circunstância. Pois que essa o que me diz é que enquadrar estas duas substâncias (meras precursoras de opiáceos) na mesma reserva legal das cocaínas e exctasys desta vida, é apenas estratégia política (nem por isso brilhante) e não a certeza científica que seria suposto existir em matéria tão delicada, sobretudo da parte do legislador. 

 

Afinal o próprio Infarmed veio recentemente esclarecer que relativamente à benzilpiperazina, por exemplo, “não se regista o mais pequeno problema" com este medicamento, usado para combater as lombrigas há vários anos, que se houver problema será "com a substância activa utilizada para fins ilícitos”... Mas o governo tem outro entendimento e fez dele lei, no uso da sua competência legítima. Assim se fabrica ignorância como quem faz peças e com elas constrói um disparate que funciona, uma ilusão mista de segurança e conhecimento que nos vai embalando a todos, enquanto morremos de estupidez. E que, em termos de eficácia no combate à droga, será o equivalente ao uso da aspirina no tratamento de tumores cerebrais. Uma piada de mau gosto.



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Retratos de Portugal
Sexta-feira, 20 Mar, 2009

 

 

Não há Machado que corte a raiz ao pensamento.



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Quinta-feira, 19 de Março de 2009
O Dogma
Quinta-feira, 19 Mar, 2009

 

Henrique Monteiro comemora o primeiro aniversário do seu 'henricartoon', o blogue onde expõe diariamente o seu talento raro e de excepção, bem patente em exemplos como este que escolhi para ilustrar aquilo que vos digo. Para o Henrique vão os meus sinceros parabéns, a par de um agradecimento especial por cada uma das vezes em que, como hoje, a sua 'bonecada' marca presença aqui no 7Vidas e nos deslumbra a todos. Venham por isso mais anos, muitos, e mais bonecada também, muitíssima, que a verdade é só uma e inegável: bonecos não faltam para aí, neste nosso Portugal dos pequeninos. A arte de Henrique Monteiro garante o resto e os resultados estão à vista. Aqui.



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O Espólio
Quinta-feira, 19 Mar, 2009

Extra, extra, read all about it!! O meu amigo Daniel de Sá estreou casa própria, novidade blogosférica. Chama-se O Espólio e tem desde logo uma bonita história associada ao seu nascimento. Podem read all about it neste texto de particular inspiração que o nosso Daniel escreveu com o pensamento no seu carinho maior (como poderia sair diferente de belo) e que eu lá fui buscar de noite porque sim e para mostrar aqui, à freguesia cá da casa. Extra, extra, read all about it. É Daniel de Sá que regressa ao 7Vidas para nos apresentar O Espólio, onde a partir de agora passa a poder ser encontrado e lido. Extra, extra, extra!!! Read all about it!!

 

Em baixo: 'O Espólio'

Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

 

Um livro escreve-se palavra a palavra, linha a linha. No rascunho risca-se, apaga-se, experimenta-se o ritmo da frase, volta-se à palavra abandonada, troca-se-a por outra, indefinidas vezes, até que se encontre uma que pareça perfeita. Cada folha consente ser rasgada, usada de ambos os lados, rabiscada à toa enquanto se ensaiam as ideias. Um livro pode ter segunda edição, revista e aumentada.
 
A alma é feita de uma só folha. Que não tem verso, que nasce branca, imaculada, sem uma letra ou um rabisco. Escrever nela é como uma pintura a fresco, não pode errar-se. Não admite rasuras, que deixam marcas indeléveis. Não terá nunca uma segunda edição.
 
O Rodrigo nasceu assim, como todas as crianças. Ajudei a escrever-lhe na alma o roteiro da vida. Co-autor de uma obra em que Maria Alice, sua mãe, teve a responsabilidade do argumento principal. E em que muitos outros colaboraram. O resto da família, os amigos, a Sinfonia N.º 40 de Mozart, o primeiro livro, a música de Beethoven, os sapatos que “duraram 30 quilómetros”, o primeiro harmónio.
 
Por esse tempo escrevia eu O Espólio, uma novela breve. Punha sobre os joelhos umas capas grossas, que tinham dentro folhas daquelas que admitem tudo. Tinham sido antes cópias de actas das reuniões da Câmara ou das sessões da Assembleia Regional. Tinham sido qualquer outra coisa, com o verso em branco. E era aí que, enquanto a família via um programa de TV que eu espreitava de vez em quando, e ouvia, baixinho, o relato do futebol, ia escrevendo sem deixar de participar nos diálogos.
 
Tantos anos depois, o Rodrigo devolve-me o título como oferta de aniversário. Inesperada como é hábito desde que ele teve idade de festejar um ano mais de vida minha. E é assim, ou por estas e por outras, que ele se tornou também co-autor do que vai sendo escrito na minha alma. Porque a folha em branco com que nascemos não se esgota nunca.

 

(sacado daqui com a devida vénia)



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Quarta-feira, 18 de Março de 2009
E ladrões, quantos mais?
Quarta-feira, 18 Mar, 2009

«Lisboa vai ter mais 250 polícias»



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Terça-feira, 17 de Março de 2009
A vida, de passagem.
Terça-feira, 17 Mar, 2009

Interessantíssima, esta reflexão. Só li hoje, por isso só hoje a recomendo. Mas tenho para mim que é intemporal, verdadeira com estes como com outros nomes, amanhã como anteontem, antes como depois. É a vida, dizem.



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E o Papa, não vê ou não quer ver?
Terça-feira, 17 Mar, 2009

O Papa Bento XVI defendeu esta terça-feira, horas antes de aterrar na capital dos Camarões para a sua primeira visita ao continente africano, que a solução para o problema da sida não passa pela distribuição de preservativos. "Não se pode resolver (o problema da sida) com a distribuição de preservativos", disse o Papa aos jornalistas, "pelo contrário, a sua utilização agrava o problema", garantiu. Bento XVI não se limitou a dizer como não se resolve o problema, antes veio garantir que a solução passa por um "despertar espiritual e humano" e pela "amizade pelos que sofrem". Só não especificou quantas baixas seriam aceitáveis até à inoculação do 'despertar' e da 'amizade' ser obrigatória, como a BCG, em todo o mundo sem excepções, para nesse dia se dar início ao processo de parar esta contabilidade de almas perdidas no inferno da doença.

 

Ora esse pequeno lapso não terá ajudado a convencer os seus próprios discípulos mais directos, pessoal da linha da frente, padres e freiras e missionários que em África e em nome de Deus olham a SIDA nos olhos, tocam-lhe na pele, conhecem-lhe o cheiro pestilento a morte anunciada e em muito imposta por força da sempiterna estupidez humana. E enterram os corpos, um dia após o outro, com as orações possíveis e a Fé que vai sobrevivendo. É que a SIDA vem tendo ali um impacto devastador, particularmente em países da África Austral como o Botswana, Suazilândia e África do Sul, os mais afectados em todo o mundo. E a profilaxia lenta e suada deste flagelo, que se vai conseguindo implantar a muito custo, em nada ganha com estas declarações do chefe da Igreja Católica, que parece apenas sobrevoar os problemas sem nunca aterrar de verdade na extensão de cada um, tão desfasado da realidade como um qualquer sonho bíblico que lhe marcou para sempre o discurso e o cega de luz, impedindo a visão clara do mundo que pisa. 

 

No momento em que a Humanidade mais dela precisa, a Igreja continua a afastar-se do seu povo a passos largos de disparate. Quando ainda se escutam os ecos do bispo brasileiro que pediu a excomunhão de uma vítima de violação porque não podia dar à luz aos nove anos de idade, eis que o próprio Papa faz sobressair um êxito mais recente no top ten dos sound bytes da asneira e vem sugerir que o que sobra de são do continente africano ocupe o seu lugar nas fileiras desta mortandade, renegando qualquer protecção da ciência ou do bom senso, para que Sua Santidade possa então lá ir, à hora das suas mortes ou depois, levar muita 'amizade entre os povos' e um 'despertar espiritual e humano', nem que seja aos dois ou três que ainda estejam vivos e em pé nessa altura. Pois que Deus lhe perdoe e ao senhor Bispo em dobro. Que eu, confesso, estou a ter algumas dificuldades com estas duas peças.



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Racismo, disse o próprio.
Terça-feira, 17 Mar, 2009

Este assunto dos garotos ciganos que estão a ter aulas num contentor tem alguma graça, digamos assim, quando visto à luz da fragilidade noticiosa de que sofre toda a comunicação no mundo moderno. Isto sem perder de vista a moldura social deste retrato, que tem servido para o enquadramento de outros instantâneos semelhantes e que está aí para continuar a servir por muitos e bons anos, estou certo. Passo a explicar esta minha leitura.

 

Neste caso concreto uma turma de crianças ciganas fará parte de um projecto de discriminação positiva, autorizado pela DREN exactamente por se destinar às necessidades deste grupo de jovens, especificamente. A coisa faz sentido, aparente. Acontece que o local onde a turma tem as suas aulas é um contentor, segundo a Junta de Freguesia, chama-se monobloco, esclarece a DREN. Bom, para mim chamem-lhe o que entenderem, que o desconforto com que dele falam os uns e os outros é bastante para que se perceba que o salão não será de luxo, isso de certeza absoluta. Até aqui tudo mal, mas percebe-se tudo, até o papel de embrulho da Junta que conseguiu o admirável esforço de guardar esta denúncia um ror de anos até este momento pré-eleitoral e que agora não consegue mais e pronto, tudo se entende, é de seres humanos que estamos  falar e está tudo explicado nesse aspecto. Ainda por cima é tudo verdade, a turma está lá e são ciganos sim senhor, não há qualquer dúvida a esse respeito, por isso por aí nada a dizer, também. Aparentemente bate certo, está tudo errado.

 

Mas se então é tudo assim, perguntarão, onde é que está a tal fragilidade noticiosa da comunicação, ó palerma (enfim, alguns)? Calma que tem explicação e ofender não vale. A tal chama-se racismo, digo eu, esse tempero abundante na caldeirada que vai resultando deste país em lume brando de emoções no que toca à coexistência inter-racial, naquele ponto exacto da tolerância em que já se arrisca o petisco, ao menor descuido. E é nesse ponto exacto da tolerância existencial da nação, dos uns com os outros, ciganos, moldavos, guineeenses, chineses e o diabo a quatro que as televisões colocam esta informação na agenda do dia: uma turma de ciganos está a ter aulas num contentor. Separados dos outros meninos. Ciganos, disse? Separados dos outros para as aulas? Se estão separados é discriminação, se são ciganos não deve ser positiva. Logo deve ser discriminação racial e se é assim é racismo. E se é racismo está errado.  Como tirar a prova dos nove à questão? É simples, as aulas acontecem num contentor, vejam bem. Ora se é num contentor está tudo dito, de facto estes ciganos estão a ser discriminados e tratados abaixo dos mínimos que deviam ser aceitáveis para o Ministério da Educação permitir a ocorrência de qualquer instrução no Portugal de amanhã, seja ele amarelo, preto ou mongol. Não resta lugar a dúvidas, aparentemente. Será racismo.

 

Só se... bem...só se... mas não... não!!... bem... só haveria uma hipótese de afinal não se tratar de uma discriminação racista, enfim, que era a seguinte: só se fosse possível em Portugal que outras crianças, que não de raça cigana, pudessem ser destacadas, ao abrigo de um projecto específico de instrução e inclusão social, para terem aulas num contentor dizem uns, monoblco dizem outros, enfim, local onde decorrem aulas integrado nas instalações da escola básica de Lagoa Negra, em Barcelos, esclareço eu. E aí sim, se fosse possível aquela turma ter aulas naquele local, independentemente da sua característica de raça, com o devido reconhecimento do Ministério da Educação, se fosse possível e até habitual que uma sala de aulas no nosso país pudesse ser um qualquer penico travestido em espaço provisório e ninguém achar estranho a não ser perto das eleições e mesmo assim só quando cheia de alunos da mesma cor ou credo, então haveria talvez que repensar esta assunção tão automática de um racismo que afinal se encontra latente na própria elaboração do facto, enquanto notícia, na maneira como todos nós o ouvimos e na condenação imediata a que o sentenciamos por impulso. E isso sim, é o racismo. Sinuoso, traiçoeiro, sempre. E neste caso útil, até, a alguém em particular. Mas o mal é geral, está visto. Somos nós, somos assim.



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Segunda-feira, 16 de Março de 2009
A pé, ó vítimas da fome...
Segunda-feira, 16 Mar, 2009

A greve às multas de trânsito, levada a cabo pelos operacionais da GNR, terá causado um rombo de cerca de 16 milhões de euros nos cofres da Administração Interna. É o que se chama um argumento de força numa negociação laboral, de causar inveja a muito professor, escriturário, auxiliar ou mesmo director de serviços noutros pontos da administração pública. A coisa vai resolver-se rapidamente, palpita-me. Resta a esperança de que o regresso à normalidade destes nossos valorosos soldados da estrada não seja acompanhado por um plano de recuperação económica referente ao tempo e receita perdidos nas negociações. Porque se assim for, adivinhem quem vai pagar os estragos feitos pela democracia...



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Mais um, menos um.
Segunda-feira, 16 Mar, 2009

Foi em Novembro de 2005 que este caso aconteceu. Hoje, quatro anos passados sobre a estranha morte de um jovem durante um curto internamento para habituação à metadona, sabe-se praticamente o mesmo que na altura sobre as causas do sucedido, ou seja, nada. Foi mais um caso, mais um pingo desta imensa nódoa social, nunca limpo mas arquivado, juntamente com os outros, muitos outros. Escrevi este artigo, publicado no 'Jornal dos Açores', quatro meses depois da morte de Rui Marrucho e volto a publicá-lo agora, quando já são quatro os anos passados. Sem respostas, porque respostas não há, convenhamos. O que vai havendo é cada vez mais perguntas sobre este maldito assunto, mais dúvidas sobre todas as certezas que se dizem conseguidas até aqui. E mais mortes, sempre mais mortes, todas estúpidas, como esta que este texto recorda. Porque sim.


 

É um documento deveras impressionante, a carta aberta publicada no jornal Expresso da Nove da passada sexta feira, de uma mãe que procura saber quais foram as causas da morte do seu filho, ocorrida durante um internamento de quatro dias do malogrado jovem na Clínica S.João de Deus para fazer habituação á metadona. De resto, a história é toda ela deveras impressionante. Estranha. A começar pelo fim, a morte de um pouco mais que garoto por causas que não se descortinam. A ausência de explicações credíveis e consistentes por parte da instituição. A ausência de explicações credíveis e consistentes por parte seja de quem fôr, já que nem a uma cópia do relatório da autópsia esta mãe teve acesso. A vida que se foi e a desresponsabilização que ficou. Os quase quatro meses que já passaram sobre o facto. E os três outros casos de mortes registadas em circunstâncias semelhantes neste período, no mesmo local. É obra.

 

Eu não conheço a D. Fernanda Marrucho, signatária da carta, tal como não conhecia o Rui Marrucho, o seu filho morto. O que eu conheço é a realidade da toxicodependência em Portugal e as suas consequências na vida de todos nós. E conheço o preconceito que permite que estas coisas aconteçam, sejam abafadas e de preferência esquecidas em nome dos interesses inconfessados de quem de facto ganha dinheiro com o tráfico e com o consumo de drogas.

 

Falar de toxicodependênca tornou-se um lugar comum de mau gosto, a todos os níveis. E essa é razão pela qual a inteligência está de todo arredada da discussão do fenómeno cada vez mais preocupante do consumo de drogas duras em Portugal. Nos dias que correm, a droga faz vender jornais, eleger políticos, aprovar orçamentos milionários, construir carreiras, vender medicamentos, lavar receitas, abrir clínicas de tratamentos miraculosos e mais, muito, muito mais. Agora digam-me, por favor: quem é que vai querer acabar com uma coisa assim tão lucrativa? Quem vai querer dar passos decisivos para mexer no ganha pão de tanta gente? Isto sim, é a toxicodependência. A dependência dos tóxicos. Uma pirâmide de milhões cuja base assenta nas costas sempre largas do consumidor, para quem está guardado o julgamento moral dos seus actos, que de tão feios e miseráveis que são, possuem o confortável condão de concentrar todas as atenções e canalizar todas as revoltas, deixando campo livre para tudo e para todos que garantem a sobrevivência do vício, alimentando-o na sombra..

 

Eu não conheço a Clínica S. João de Deus e não conheço todos os pormenores que fazem a história daquilo que realmente aconteceu. Mas sei que ninguém morre de habituação ou desabituação á metadona. E sei que ninguém morre por falta de droga. E desconfio que vai morrendo mais gente fruto da estupidez, ganância e incompetência dos outros, que por consumo próprio de substâncias ilícitas.

 

A carta aberta de Fernanda Marrucho é o retrato da nossa vergonha. Uma vergonha que ninguém sente, porque estamos a falar de droga e de drogados e ninguém quer nada com esse tipo de gente. E ninguém é ninguém, mesmo. Nem os pais que têm filhos na mesma situação, escondidos algures em clínicas privadas para que os vizinhos e amigos não saibam e não comentem. Nem a Ordem dos Médicos, que não se atreve a assumir que sabe quanto se rouba a pais desesperados e tão doridos que pagam tudo e tudo aceitam, em troca da miragem de uma cura que pode ser que seja desta vez. Nem o Ministério Público, onde se fazem carreiras a encher prisões com traficantes da treta, só para a estatística, deixando de fora quem manda de facto só porque dá mais trabalho e menos números no final. Nem o governo, que tem medo de sujar os punhos de renda do debate democrático se tiver que mexer na merda e ela transbordar para o lado menos conveniente, salpicando quem apoia, paga, financia, investe, desenvolve e é gente de bem, acima de todos os salpicos. Tal como está, a toxicodependência sempre permite que a classe política mantenha o equilíbrio, sentada na tampa da ordem pública que faz o mundo cheirar bem e ser bonito e separa os uns dos outros. Há problemas no esgoto? Os ratos que os resolvam entre si. Os ratos morrem? Mais um, menos um, ninguém quer saber.

 



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Em prol dos patos
Segunda-feira, 16 Mar, 2009

Em medida recente, o governo proibiu os "call centers" de fazerem o consumidor esperar em linha mais do que 60 segundos, tentando desta forma uma intervenção reguladora que só pecará por tardia, nesta matéria. É certo que ainda não se sabe exactamente que tipo de eficácia se pode esperar desta decisão governamental, até por serem desconhecidos os meios de fiscalização que irão ser empregues para a fazer cumprir (um décimo do empenho posto na sanha anti-tabaco já chegava, e o Nunes está aí para as curvas, era só dar-lhe ordem de busca..).

 

A minha esperança é que, à boleia desta intervenção específica na área dos call centers, alguém faça finalmente alguma coisa para pôr um ponto final neste roubo descarado que é praticado diariamente em inúmeros serviços telefónicos para os quais se liga e se paga por esperar, tempos sem fim, euros sem fim, a bondade de um atendimento. Sejamos por isso claros, por uma vez, neste assunto que mais parece tabu, de tal forma é escamoteado da actualidade informativa por força dos interesses em jogo por parte das operadoras, cúmplices nesta lucrativa marosca: o atendimento automático de chamadas, na esmagadora maioria dos casos, é um embuste grosseiro que é lançado nas contas dessas empresas, nas suas previsões e nos seus balanços, como se fosse uma entrada legítima por serviço prestado. Mas com a enorme diferença de não ter sido prestado qualquer serviço, naquela maioria dos casos em que o pato, perdão, o cliente, farto de esperar ao som das mais irritantes bandas sonoras, em muitos casos obrigado a ouvir spots de publicidade ao próprio serviço a que não está a conseguir aceder, desiste e desliga sem obter qualquer contrapartida pelo dinheiro que pagou, durante aquele tempo que perdeu. Pois eu tenho cá para mim que uma breve consulta aos anais de jurisprudência nacional revelaria, sem esforço, inúmeros exemplos clássicos de burla e abuso de confiança, com gente condenada a pesadas penas de cadeia, por muito, mas mesmo muito menos do que isto. Vale a aposta?



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Domingo, 15 de Março de 2009
Uma leve conjectura
Domingo, 15 Mar, 2009

Suponho que todos os moralistas deste país, perfeitos em todos os seus pensamentos, actos e até nas suas omissões, seguramente sempre piedosas, vão agora crucificar os pais da criança que o mar levou em Matosinhos tal como crucificaram o pai que deixou o bébé no carro em Aveiro, isto para que o mundo faça sentido. Para eles, claro. Para si, faz?



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Sábado, 14 de Março de 2009
O próprio governo, suspeito...
Sábado, 14 Mar, 2009

Dois em cinco menores de 11 anos apanharam sol a mais em 2008



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Sexta-feira, 13 de Março de 2009
Palavras finais
Sexta-feira, 13 Mar, 2009

Se a virem, digam à sorte

que a esperei até ao fim;

mas veio entretanto a morte

dizendo ser ela a sorte

já destinada para mim.

 

'Pois se tem que ser que seja'

disse-lhe eu sem hesitar,

que a morte não se deseja

(e dela Deus nos proteja)

mas há que saber acabar.

 

Por isso vou sem bulir,

vão perdoar que desande;

custa-me muito partir,

mas não podendo fugir

que ao menos eu morra em grande.

 

*cada um lida como sabe com o que vai sabendo 



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Nota de rodapé
Sexta-feira, 13 Mar, 2009

O gesto não passa em branco, mais até do que a distinção em si, que evidentemente agradeço à equipa Sapo Blogs. É que mais uma vez entenderam dar lugar de destaque ao 7Vidas no seu átrio de entrada, por onde passa meio do nosso mundo. É uma prova dupla, de confiança e de atenção, que vou expôr na parede das coisas boas que me acontecem.



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Quinta-feira, 12 de Março de 2009
Quem, o Zé? A mim custa-me a crer, mas pronto, às vezes...
Quinta-feira, 12 Mar, 2009

José Mourinho é acusado de «ter dado um soco na cara» de um adepto que se encontrava junto ao autocarro da equipa italiana no final do jogo que ditou quarta-feira a eliminação do Inter pelo Machester United por 2-0, em Old Trafford.



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Quarta-feira, 11 de Março de 2009
O Ti Goulão da Azenha
Quarta-feira, 11 Mar, 2009

Manuel Correia Francisco era uma figuraça lá na aldeia onde viveu toda a sua existência e onde eu tive o privilégio de o encontrar e conhecer, numa noite memorável, há mais de trinta anos. Todos o conheciam como o Ti Manel da Azenha, sendo esta última, situada bem na frente da sua casita, que feita apelido diferenciava a sua graça da dos outros cinco ou seis Ti Manéis que por ali viviam. De entre as inúmeras historietas que se contam do Ti Manel da Azenha, ficaram famosos os dichotes que atirava de improviso nas mais variadas circunstâncias, sobretudo quando estava com um grãozinho na asa, ou seja, normal. E, de entre esses, ficou para a posteridade um em particular, que fez história por ocasião das festas da terra, quando uma das vizinhas insistiu em bailar com o bom do Ti Manel que, por aquelas alturas, já cantarolava um fado avinhado na barraquita da Junta de Freguesia, onde acampara no primeiro dia das festas e de onde só viria a sair na última noite, e mesmo assim só empurrado por três homens. Na euforia do convite e para também não fazer má figura o nosso velhote lá ensaiou uns passitos de dança, mas em meio rodopio acabou estatelado na poeira do terreiro do baile, por entre a risota carinhosa da vizinhança. E é nessa altura que lhe sai a máxima que viria a ficar para a cultura local e sempre repetida em cada noite de bailarico. Sacudindo a poeira do seu casaquito de domingo, Ti Manel do Monte foi lesto e seguro na acusação que disparou ao presidente da comissão de festas, logo ali e à vista de toda a gente: o chão estava inclinado, sim senhor, o chão é que estava inclinado, não era ele quem não sabia dançar. Contam que o povo logo bateu muitas palmas, que o próprio acusado pagou mais uma rodada ao herói da palavra certeira e que assim se marcou aquela noite no calendário dos grandes acontecimentos locais. 

 

Eu cá recordo com frequência o velho Ti Manel da Azenha, hoje bem a propósito, ora vejam se não. É que o incansável presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência, Dr.João Goulão, descobriu agora mais uma de muitas razões para o seu permanente e rotundo falhanço na obtenção de quaisquer resultados no combate ao consumo de drogas. É verdade. Desta vez João Goulão acusou os pais, directa e convictamente, de 'se demitirem das responsabilidades enquanto educadores" ao permitirem que os seus filhos "saiam à noite e bebam em excesso". É que depois é sabido, uma coisa leva à outra e lá vamos nós dar aos números do tráfico e consumo que não param de subir. "Os pais têm que saber o que os filhos bebem quando saem à noite", por isso "estão a demitir-se das suas responsabilidades enquanto educadores", conclui o responsável máximo do IDT, sem dúvidas. E para dar um ar oficial e rigoroso a esta sua científica teoria, o Dr.João Goulão colou-a às estatísticas, sempre impressionantes, que resultaram dos mais recentes estudos feitos aos hábitos de consumo desregrado de álcool e substâncias estupefacientes entre os mais jovens. Daí até à responsabilidade dos pais nesses números ser um ponto assente e cientificamente comprovado foi um pulinho, um quase nada. E assim tornou o IDT a mostrar que não dorme em serviço e que os portugueses podem dar por bem empregue o dinheirinho que dão dos seus impostos para o combate à droga, confiado a tão competente estratega. Assim os jovens não consumissem, assim os pais colaborassem e era ver se não era tudo diferente, se os resultados não apareciam logo, logo, como um passe de mágica. Ou como um passo de dança, daqueles que também o Ti Manel da Azenha não conseguia dar, coitado, por causa do tal chão inclinado, o maldito chão inclinado que lhe boicotava o tango e impedia o brilharete no bailarico da terra. Uma injustiça, flagrante, mas que não calha ao Dr. João Goulão, já que o homem tanga que é uma maravilha, reconheça-se, neste baile que nos vai dando a todos cada vez que abre a boca só para não estar calado, por manifesta falta de assunto.



publicado por Rui Vasco Neto
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Sim, Abel e Caim eram gémeos. E sim, o paraíso fica no norte.
Quarta-feira, 11 Mar, 2009
Ana Salgado foi paga para descredibilizar a irmã, Carolina Salgado, no processo Apito Dourado.  Quem o garante é a própria, que ano e meio depois de ter sido ouvida no DIAP do Porto foi à Procuradoria-Geral da República dizer que foi Pinto da Costa quem lhe pagou para mentir e providenciou a entrega, nestes últimos dois anos, de uma verba mensal de cinco mil euros.

 



publicado por Rui Vasco Neto
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Enfim, toda a gente tem problemas. Bom dia a todos.
Quarta-feira, 11 Mar, 2009



publicado por Rui Vasco Neto
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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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