Sábado, 25 de Abril de 2009
Hoje é o dia da liberdade
Sábado, 25 Abr, 2009

E eu escolho não escrever sobre ela.

Vou antes investigar, descobrir, provar, saborear, saber como é para contar como foi.

 

Já.



publicado por Rui Vasco Neto
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Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
Uma pergunta socrática
Quinta-feira, 23 Abr, 2009

Os senhores perdoarão os termos da pergunta, espero. São os meus, sei assim, sou assim. E o próprio não se ofenderá, eis-me rezando, ou lá vou eu mais uma vez parar ao rol dos acusados, carimbado de abusador. Sendo que já dei, lamento, obrigado mas não obrigado, juro que dispenso a notoriedade. Até porque na prática não tenho qualquer intenção calhorda nesta questão que ponho, ou sequer nesta forma como ponho a questão. O que eu quero é saber a verdade, nada mais, sobre os factos (não de somenos) de interesse público que põem em causa a honorabilidade do homem e dos cargos que ocupa e ocupou na governação do meu país. Isso eu quero e tenho direito a saber, com dupla legitimidade, jornalista e cidadão. Mas atenção à ressalva: não preciso de ser jornalista para ter direito a essas respostas, mas o facto de o ser dá mais força e legitimidade às minhas perguntas, goste ou não o senhor Primeiro-Ministro desse facto, não passível de discussão.

 

Eu cá pensava que isto era óbvio para toda a gente mais ou menos informada, um dado adquirido para todos aqueles que de berço aprendem a democracia e ainda mais, melhor: uma regra pacífica para aqueles que supostamente ensinam a democracia, pela prática, ao povo que os elegeu. Esses mesmos que na hora do discurso inflamado nos repetem que a democracia é um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana, que é a institucionalização da liberdade. E que tem como função principal a protecção dos direitos humanos fundamentais, como a liberdade de expressão, por exemplo. Aparentemente pareço enganado no que toca a José Sócrates. E é muito o que lhe toca e se lhe agarra, convenhamos, demasiado para se auto-explicar como tricas de lana caprina, diz-que-disse do costume. Afinal, para moça púdica, recatada donzela, o senhor Primeiro-Ministro já foi bastas vezes apanhado de saias ao léu, pelo menos, para não dizer de mão na coisa ou com coisa na mão que não era suposto lá estar, como aquele cartãozinho político lá pelo meio do curso de engenharia, por exemplo (triste). Ou os projectos malaicos da Guarda, cidade/prova viva da engenharia habilidosa da sua habilidade em engenharia. Ou o seu património pessoal que de facto desabrochou do nada quando se desconhece ao dinheiro capacidades hermafroditas de reprodução e escasseiam explicações alternativas. Ou o estranho, estranho caso Cova da Beira. Ou ainda o caso do momento, razão do alarido, aquele processo de licenciamento do Freeport que só a julgar pelo já provado e assumido até, tresanda a favor, pago ou não pago, e a história mal contada.

 

Gostará o senhor Primeiro Ministro que se digam estas coisas ou não, é um seu direito que ninguém nega. Sempre recordando, porém, que não foi propriamente na ponta de sabre que Sócrates chegou ao poder, empurrado porque não queria, não queria, por favor não. Pois se agora é Primeiro-Ministro de Portugal fará então a fineza de se prestar a esclarecer estas minudências que envolvem negociatas suspeitas no mínimo, porque no máximo serão tão corruptas quanto cheiram à distância. E quando é uma parada dessas que está em jogo, aqui ou no Botswana, eu digo que se lixe a prosápia do político e que se esprema a verdade ao servidor público, o mesmo que pediu votos de porta em porta exigindo e contabilizando a presença da mesma comunicação social que agora vitupera e processa criminalmente porque não diz o que mais lhe agradaria, num tique de ditador que me arranca a pergunta, socrática, esta e não outra: então e ao Primeiro-Ministro de Portugal, saltou a tampa ou caiu a máscara?



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Quarta-feira, 22 de Abril de 2009
Falar com Deus. Ou Deus a falar?
Quarta-feira, 22 Abr, 2009

Se eu quiser falar com Deus
tenho que ficar a sós
tenho que apagar a luz
tenho que calar a voz
tenho que encontrar a paz
tenho que folgar os nós
dos sapatos, da gravata
dos desejos, dos receios
tenho que esquecer a data
tenho que perder a conta
tenho que ter mãos vazias
ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
tenho que aceitar a dor
tenho que comer o pão
que o diabo amassou
tenho que virar um cão
tenho que lamber o chão
dos palácios, dos castelos
sumptuosos do meu sonho
tenho que me ver tristonho
tenho que me achar medonho 
e apesar de um mal tamanho
alegrar meu coração

 

(Gilberto Gil)

 



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Terça-feira, 21 de Abril de 2009
Crónica de café
Terça-feira, 21 Abr, 2009

Adoro um bom café, essa é que é a verdade. Gosto do sabor, do aroma, da forma única como mexe comigo, com o meu organismo, com as minhas sensações. Como agita os meus nervos (‘guizos de oiro a tilintar’, Florbela dixit) e assim dispara as minhas energias em todas as direcções num espasmo de mil sabores, antes de deixar na boca e nos lábios aquele gosto bom e intenso que vira memória do prazer. É um vício antigo, descobri cedo, um prazer que não dispenso desde que aprendi a saborear, a prolongar o encanto, dosear a sofreguidão e bebericar em pequenos goles para que dure mais. Para que seja eterno enquanto dura. Assim aprendi os amargos de boca, também, vinham no pacote. No geral sobrevivi ao alcalóide fatal da coisa, ao que mata a sério. Cá estou, ainda fã.

 

Já bebi de tudo, há que confessar. Em todos e cada um o seu encanto particular, único, irrepetível, o seu gosto peculiar. Provei longos, curtos, intensos, mornos, cheios, frios, escuros, claros, fortes e suaves. Escaldei-me, não raro. Tive-os intoxicantes, daqueles que arrasam o bem estar e deixam marca, quantas vezes alergias de pele e outras. Biquei-os descafeinados, incapazes de fazer mal, porque tão assépticos como insonsos. Mas quentinhos, lá está, breve consolo e pouco mais. É a tal coisa: café é café, sabe sempre bem, nem que apenas por hábito, saudável exercício. E às tantas a gente habitua-se ao paladar, àquele qualquer que as circunstâncias plantaram no nosso caminho porque ficava mais perto ou dava mais jeito ou até nem era mau de todo, que sei eu, é assim e pronto, tanta vez... E de repente passa uma vida inteira sem que se prove doutra marca, outro lote, outra mistura. Assim se perde a capacidade de escolha por anulação voluntária, por desistência das papilas, gustativas mas menos, cada vez mais.

 

No meu caso nem tanto, é certo, feitios, talvez. Continuo dependente daquele consolo, fã incondicional do sabor, pese resignado ao breve, razoável, sofrível, que vai sendo regra acontecer. Mesmo assim mantém o fascínio, aquela irresistível incógnita gustativa. E as chávenas estão cada vez mais fashion, reconheça-se, mais bonitas, mais cuidadas e elegantes, desde que alguém fez a esmola de descobrir o quanto a cobiça do olhar aumenta a vontade da prova. E assim sigo bebericando o meu cafezinho, como sempre, como dantes.

 

Só que entretanto descobri um Nespresso, ou lá o que é aquilo, coisa recente. Então e não é que ando convencido que nunca mais quero outra coisa? Pois que seja eterna a convicção. Enquanto durar, claro.

 



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Domingo, 19 de Abril de 2009
Adoentadozito, é aquilo que eu ando. Ou então sonhei.
Domingo, 19 Abr, 2009

Credo! Que sonho estranho ando eu a ter, por estes dias e noites. Sonhei que estava apaixonado, vejam só, a desgraceira que me armou Morfeu quando me apanhou de costas. Eu, imaginem: babado, pateta de paixão, absolutamente de quatro por um sonho bom de gente, sorriso lindo com coração lá dentro e a bater por mim num corpo de paraíso, desenhado, esculpido, burilado na(s) medida(s) exacta(s) do meu desejo. Nascido para mim, que há horas felizes. Instalado em mim, nos apelos do cheiro, do toque, dos sabores, em absolutamente todas as variantes do sentir. A coisa mais absurda que imaginar se possa, como vêem. Muito provavelmente um equívoco, é o mais certo, que cedo se esclarecerá.

 

E então lá andava eu, rindo por tudo e de nada, manhã à noite em particular, de orelha a orelha, numa felicidade que não existe porque não pode existir, não pode ser possível, só nos livros ou nos sonhos ou nem nos sonhos nem nos livros, sei lá eu. E ela igual, o mesmo desvario, quase pior, coração ansioso, sempre, a todas as horas em que se não está quer estar, comigo, connosco, porque de repente só o 'nós' faz sentido e nenhum dos eu's tem mais graça sozinho, é um facto. Uma lamechice pegada, saborosa, uma chatice, irresistível, um estado de felicidade a um passo da perfeição, que não existe. Porque ninguém merece tanto, afinal. É por isso que deve ser um sonho, só pode ser, concluo aliviado. E porquê o alívio? Ora, porque não quero andar assim na rua, cara de parvo e a gostar de toda a gente, a achar que o mundo é lindo, que a vida vale a pena e mais as flores e as plantinhas e os passarinhos e essas merdas assim. Não, por favor. Não, sim?

 

Para mim chega, quero o meu humor de cão de fila outra vez de volta, aquele que me protegia da vida e do mundo e dos outros e deste tipo de porras da paixão, exactamente, este perigoso tipo de perigo que mata mais que o cigarro, muito, muito mais. Quero voltar a rosnar, parar com este ronronar que não vai comigo, que diabo, tenho uma reputação a defender, sou um duro, caramba.

 

Amanhã vou a um médico de canalhas, está decidido. 



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Sábado, 18 de Abril de 2009
Admirável mundo novo
Sábado, 18 Abr, 2009

«A jornalista irano-norte-americana Roxana Saberi, acusada de espionagem a favor dos Estados Unidos, foi hoje condenada a oito anos de prisão, apesar dos apelos de Washington para a sua libertação, informou hoje o pai. O processo contra a jornalista deu entrada segunda-feira no tribunal revolucionário da capital iraniana, com acusação de espionagem a favor dos Estados Unidos. Roxana Saberi, 31 anos, filha de um casal de origem norte-americana e japonesa, está detida desde finais de Janeiro.»



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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009
E se não pagarem, vão presos?
Quinta-feira, 16 Abr, 2009

«Presos vão pagar estada na cadeia»



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Quarta-feira, 15 de Abril de 2009
Assim se ganham as guerras
Quarta-feira, 15 Abr, 2009

A notícia do Correio da Manhã, honra lhe seja feita, não deixa lugar a quaisquer dúvidas, de interpretação ou outras. Reza assim: «Os militares do sexo masculino estão expressamente proibidos de usar maquilhagem e pintar as unhas. A norma consta de um despacho do Chefe do Estado-Maior do Exército, general Pinto Ramalho, que entrou em vigor no passado dia um». Depois diz mais coisas, ainda, esclarece outros pormenores, muitos outros, respeitantes ao novo código de 'apresentação e atavio dos militares'. Mas as regras são menos apertadas para as mulheres do que para os homens, está visto, uma vez que estes ficam então proibidos de usar maquilhagem ou pintar as unhas enquanto que o novo código não especifica em que condições podem as nossas militares passar a usar as patilhas, barbas e bigodes. Embora a expectativa seja grande, como se calcula, nos quartéis de norte a sul deste Portugal das surpresas. Depois de preenchida essa lacuna, mais o tempo exacto da licença de parto para os mancebos que engravidarem em comissão de serviço, ficaremos definitivamente prontos para vencer qualquer guerra, seja onde for e contra quem for. Só cá faltava o código, este, claro. Agora somos imbatíveis.



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Prozac Silva
Quarta-feira, 15 Abr, 2009

"Cavaco quer alterar «clima depressivo» do país"



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Terça-feira, 14 de Abril de 2009
O julgamento de Isaltino Morais contado às crianças (2)
Terça-feira, 14 Abr, 2009

O julgamento de Isaltino Morais soma e segue no tribunal de Sintra. Enquanto se multiplicam as dúvidas e as opiniões se dividem, o tribunal soma provas e segue em recta de colisão com a presunção de inocência que ainda pudesse sobreviver em alguém, sei lá, nas crianças, por exemplo, talvez. Só que fica difícil, até para essas que acreditam que o Shrek até pode um dia casar com a princesa Ariel, acreditarem também que Isaltino não encheu o bolso à custa da sua função pública, governando-se enquanto governava. Razões não faltam para o cepticismo. Hoje foi a vez de um antigo adjunto da presidência da Câmara de Oeiras dizer em tribunal que a casa de Isaltino Morais em Altura, Algarve, foi uma contrapartida do empresário João Algarvio por um licenciamento de um projecto imobiliário. E Isaltino, negou? Não, não exactamente, longe disso, até. «Ele disse que eu lhe disse e isso vale zero», disse o autarca à agência Lusa, num sonoro nim. Ora aqui está um homem prático, pensei eu cá para comigo, ciente que ninguém neste mundo acreditará algum dia no oposto das evidências e, por isso, preocupado apenas com aquilo que ainda pode resolver, por entre as entrelinhas da lei. Resolver ou não, como suspeito, cá estaremos todos para ver. Mas também convenhamos que é preciso ser muito ingénuo para acreditar que o Shrek conseguia ultrapassar o problema da cauda da Ariel e viver feliz para sempre.



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Segunda-feira, 13 de Abril de 2009
Distância, precisa-se.
Segunda-feira, 13 Abr, 2009

"O passado é um país distante", diz a canção. Pois o meu mais parece ali Ayamonte, este passado que mora aqui tão a meu lado, aqui tão perto afinal, que às vezes (muitas como hoje) julgo viver na raia deste meu tempo, privado dessa distância para me proteger, menos até dos outros que de mim. E esse é o meu presente, fraca oferta, de resto.

 

"O passado é um país distante", garante o poeta. E eu, que até queria muito acreditar que assim é, dou então por mim a pisar chão estrangeiro com a frequência escusada de cada memória, no embalo de cada recordação e por mero vício de sofrer, chego a concluir. Ora digam-me lá se não é de louco este viver, se não é pateta este sentir! Porque o passado é um país distante, claro, longínquo, mesmo, mas só se nós assim o decidirmos, firmes, com aquela firmeza que resulta no único garante de independência para a permanente invasão de culpas que a consciência permite que aconteça, fraca guarda fronteiriça que mostra ser, a pobre. Só assim o passado é um país distante, que apetece revisitar de quando em vez. Só assim. Mas só, mesmo. Assim, no fundo.

 



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Sábado, 11 de Abril de 2009
Bem explicadinho
Sábado, 11 Abr, 2009

Uma santa Páscoa para todos, são os meus votos sinceros. Com amêndoas doces, evidentemente, ovos de chocolate e folares e todas essas coisas boas de ter e de comer, claro que sim. Mas eu refiro-me às coisas boas do coração, aquelas que vos desejo em dobro. Porque só essas poderão emprestar um toque de santidade à Páscoa de todos nós. O resto é blague, facécia, chiste de chacha. Coisas que se dizem porque é costume. Por isso vamos lá outra vez, do princípio e do coração: uma santa Páscoa para todos, são os meus votos sinceros. Ouviram agora?



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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
Pssst
Sexta-feira, 10 Abr, 2009

Morreu o coronel Aventino Teixeira, soube há poucos minutos, aqui. A meio de um dia de sol, vejam só, coisa mais absurda quando é um pedaço da minha noite que se vai, enfim, fisicamente. Sim, da minha noite, da noite a que pertencia o Aventino, essa mesma onde se dão estas notícias e não a meio de um dia de sol, caramba, fica tudo um despropósito, nada tem sentido, de repente. O choque tem contexto, tem enquadramento, vejamos. 

 

Nunca tive qualquer intimidade com o coronel Aventino Teixeira, a quem devo a amabilidade de me reconhecer e cumprimentar nas poucas vezes que nos cruzámos em público, entre quinhentos outros de circunstância e registo profissional. Mas o homem e as histórias da sua vida pertencem à minha vida há muitos, muitos anos, guardo-as para mim e conheço-as como poucos, muito poucos, porque as ouvi vezes sem conta em confidência e com muita atenção, mais: com muita vontade de ouvir e aprender. Primeiro à distância, já de calças compridas mas verdinho, verdinho que era um gosto, vejo agora. Ele terá visto na altura, claro, mas foi sempre paciente comigo como um tio e educado como um senhor que era, como poucos que conheci.

 

O tempo fez o resto. Já não peço um conto por cada noite no Procópio ou nos muitos outros balcões da boémia alfacinha onde aprendi a vida da boca do Aventino e seus pares. Antes bebo um copo por todas, em honra daquela figura ímpar que eu conheci há trinta anos atrás, lembro-me exactamente onde e como, quase que cada palavra dita na circunstância daquela noite. E depois muitas outras, muitas e muitas e muitas que revelaram o homem, que também era coronel e tudo, um militar de Abril, pá! Tantas noites, meu amigo. E agora foi-se, olha, é a vida. Está sol, é dia, hoje é quê? Abril? Dez, é? Merda, morreu o Aventino, pá. Morreu o Aventino.



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Quinta-feira, 9 de Abril de 2009
S-o-l-i-d-a-r-i-e-d-a-d-e
Quinta-feira, 09 Abr, 2009

Há um apelo directo à blogosfera aqui, tudo bem explicadinho por quem se chegou à frente e começou a soletrar s-o-l-i-d-a-r-i-e-d-a-d-e em html sem esperar pelos outros. Por respeito a quem o fez (e tão bem) eu cá limito-me a fazer a minha parte, como outros já o fizeram também, no eco desse justíssimo apelo. Plágios? Não obrigado. A criação artística, toda ela, é preciosa e tem um só dono, o seu criador. Como diz um criativo meu amigo, "se eu der a única coisa que tenho para vender, vivo de quê"? Jonas, clap, clap. Rosa, oxalá tudo se resolva. É raro, mas de vez em quando até os tribunais fazem justiça.



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Ou vai ou racha, Portugal.
Quinta-feira, 09 Abr, 2009

Numa iniciativa que só peca por tardia, o governo aprovou esta quinta-feira uma proposta de autorização referente ao regime de reabilitação urbana, prevendo em casos extremos situações em que os proprietários serão forçados a vender ou arrendar os seus imóveis, ou a fazer obras coercivas. É a medida que faltava para pôr um ponto final na pouca ou nenhuma vergonha de alguns senhorios, não tão poucos como tudo isso, que deixam cair os seus imóveis pedra por pedra na rua, na cabeça de quem passa ou nos carros estacionados,em muitos dos bairros históricos das nossas principais cidades, Lisboa à cabeça, claro. Exagero meu, dirão alguns. Factos, respondo eu, que vi acontecer. Há menos de um mês, na Rua Visconde de Juromenha, à Penha de França, onde um eifício propriedade de um médico geriatra (um tal Dr.Canova Xavier, já célebre no bairro pela avareza criminosa com que trata imóveis e inquilinos e pela estranha impunidade que goza na CML há anos e anos) se vai esboroando aos poucos de dá duas décadas a esta parte, pedrinha por pedrinha, nos quintais das traseiras. Pois agora foi na frente do prédio, onde um bloco de alvenaria caiu em cima de um carro estacionado. Foi preciso ir à polícia, claro, que o bom doutor só na ponta de sabre é que se descose com qualquer tipo de obra no seu imóvel. Mas escoltado pela PSP lá se dispôs não só a pagar os estragos como a mandar rebocar a fachada do prédio para evitar o pior, para ele. Assim fez, picando toda a frontaria. Mas os blocos de pedra, rachados e em periclitante equilíbrio, lá se mantêm no alto para quem quiser ver, à espera de alguém que passe e não os veja, leve com eles. Não será o bom doutor, certamente, que esse não mora por lá, só recebe as rendas.

 

Terá sido a pensar nestes casos que o governo aprovou hoje a tal proposta de reabilitação urbana que dará por certo ainda muito que falar, nomeadamente em relação a uma possível inconstitucionalidade, esperança derradeira dos senhorios do tipo deste Dr.Canova Xavier que não deixarão de estrebuchar o quanto o seu poder de compra de vontades o permitir. Uma hipótese que parece para já afastada nas palavras do executivo. «Não haverá qualquer inconstitucionalidade neste diploma. O Governo não cometeria um erro tão crasso», declarou o ministro do Ambiente, quando interrogado sobre o novo regime de obrigações a que estarão sujeitos os proprietários com este novo diploma de reabilitação urbana. «O regime estabelecido para o sistema de venda forçada aproxima-se e é totalmente compaginável - talvez com algum benefício acrescido em relação aos direitos dos proprietários - com o que é actualmente praticado relativamente à expropriação. A venda forçada é uma forma de expropriação não a favor da entidade expropriante, mas a favor de quem se comprometa a fazer aquilo que há a fazer para a reabilitação urbana», sustentou Nunes Correia.

 

Eu cá bato palmas, não o escondo, a bem da grossa fatia do nosso património urbano que continua abandonada às mãos de proprietários irresponsáveis, especuladores gulosos que se alimentam da carniça dos seus inquilinos, na sua esmagadora maioria velhos com reformas de miséria e sem poder de protesto que chegue a incomodar o ouvido, quanto mais a carteira desta gente. Vamos ver o que acontece. Mas tenho cá para mim que mais depressa vejo cair o resto daquele prédio, por exemplo, que nele acontecerem as obras que o manteriam de pé.



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Quarta-feira, 8 de Abril de 2009
Mais um fado no fado
Quarta-feira, 08 Abr, 2009

Suspeito que estes tempos mais próximos vão ser para mim o que se costuma chamar um poço de surpresas. Cá estaremos para as receber condignamente. Como sempre. Como dantes.

 



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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009
E é fartar, vilanagem!!
Segunda-feira, 06 Abr, 2009

As chamadas para o serviço de apoio a clientes das operadoras de telefones móveis passaram a ser pagas, em mais uma medida que faz parte da estratégia das operadoras nacionais para sacar o máximo de tostões aos seus clientes, mesmo que para tal tenham que recorrer ao atropelo dos seus direitos e da própria legalidade, meras minudências à vista do lucro fácil que a esperteza vai garantindo. Agora a TMN e a Vodafone já estão a cobrar 20 cêntimos por cada chamada feita para o apoio ao cliente, enquanto a Optimus deverá passar a fazê-lo em breve. Na prática representa uma maneira habilidosa de lucrar com a própria incompetência. Quanto mais problemas os serviços derem, mais as pessoas ligam a pedir o apoio deste serviço que só as operadoras podem prestar e que não negam. Pagando, evidentemente. Ou seja, quanto mais incompetência, maior o lucro. Nem precisam de promover este novo serviço, as operadoras, que as asneiras que fazem nos outros serviços todos garantem antecipadamente o sucesso deste novo produto. É de génio, reconheça-se. Os otários somos nós.

 

Os subscritores das duas redes móveis que já cobram pelo serviço queixam-se de que não foram avisados da mudança, embora as operadoras garantam que avisaram os clientes. Coisa que de facto não fizeram, nem desta vez nem desta outra de que há poucos dias falávamos aqui no 7Vidas, revelando assim o imenso desprezo que nutrem pelos direitos do público pagante que tudo aceita, tudo paga sem bufar. O termo é 'roubalheira', não me ocorre um outro mais adequado de momento. E assim vai ficando Portugal, de olhos postos em Ali Baba mas deixando campo livre aos bem mais de quarenta que por cá somam e seguem, sem risco de maior, neste novo tipo de marosca que está nem dentro nem fora da lei, apenas uns passitos à frente dela. Bem visto, não? Está cada vez menos um país decente, esta nossa terra. Cada vez mais um sítio mal frequentado.



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Domingo, 5 de Abril de 2009
Justiça, essa notícia
Domingo, 05 Abr, 2009

'O Ministério da Justiça afirma que não fez' não sei o quê, parece que nunca pressionou magistrados ou lá o que foi que não fez, diz a notícia. A questão não é essa, digo eu. A questão é que se não fez não é notícia, pelo que a notícia acaba por estar no dizer que não fez. Ou seja, a notícia é a não notícia. Algo que não aconteceu, supostamente. Pressionar, pressionar, isso o Ministério não fez, diz. Agora o que o Ministério fez, de facto, foi dizer que não fez, esclarecer, afirmar, garantir, enfim, jurar por escrito e a cores que não senhor, nunca lhe passou pelas cabeças pressionar os senhores magistrados do caso Freeport, isso não fez e não fez e não fez, palavra de honra que não fez. Não fez e pronto, assinado Justiça. Só então a notícia, essa, pôde finalmente acontecer.



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That's entertainment, folks!!
Domingo, 05 Abr, 2009

«Casal Obama apaixona Europa. O novo casal presidencial americano, Barack e Michelle Obama, mostrou todo o seu charme e sedução à Europa. No dia seguinte à cimeira económica do G-20 considerada frutífera, o presidente americano usou do seu carisma para confirmar a imagem afável e serena de um jovem chefe de Estado consciente do seu poder e dos seus deveres. «Houve um tempo em que a América transbordava de arrogância», disse. As duas primeiras-damas também espalharam glamour e elegância. Perseguidas pelos fotógrafos, a ex-modelo e cantora Carla Bruni-Sarkozy, com um sobretudo cinzento e uma écharpe, um vestido bege e uma carteira azul e Michelle Obama, com um casaco preto com flores fúcsia e um vestido da mesma cor, cumprimentaram-se com um abraço.»



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Sábado, 4 de Abril de 2009
Que idade terá Pinto Monteiro, só por curiosidade?
Sábado, 04 Abr, 2009

«Pintos recém nascidos têm capacidades aritméticas e podem fazer cálculos matemáticos.  Os pintos recém-nascidos estão em condições de diferenciar, pelo menos, as grandes e as pequenas quantidades, garantem os investigadores.»



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Sexta-feira, 3 de Abril de 2009
Socrástico
Sexta-feira, 03 Abr, 2009

 



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Ooops!
Sexta-feira, 03 Abr, 2009

«A empresa da mãe do primeiro-ministro, que está a ser investigada no âmbito do Freeport, surge envolvida num processo de corrupção na Câmara da Amadora, o qual abarca outras figuras relevantes do PS.»



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Quinta-feira, 2 de Abril de 2009
Dúvida atroz
Quinta-feira, 02 Abr, 2009

Cada vez que vejo noticiada a apreensão de uns quantos quilos de droga eu confesso que não consigo deixar de pensar em quantos mais terão passado por detectar, o raciocínio é automático. É sabido ser assim que o negócio funciona, é sabidíssimo fazer parte da contabilidade esta vulgar parcela das 'perdas desconhecidas'. Ora todos os profissionais cuidarão da sua contabilidade, presume-se. Por isso eu cada vez que vejo noticiada a apreensão de uns quantos quilos de droga não consigo deixar de pensar em quantos mais terão passado por detectar, o raciocínio é automático.

 

Só que hoje o que foi noticiado foi a condenação de Ana Paula Matos, ex-Inspectora Coordenadora da droga na Polícia Judiciária, a sete anos e meio de cadeia por desvio de dinheiro apreendido a traficantes de droga, tendo o tribunal dado como provado que 'a arguida se apropriou de um total de 96.325 euros resultantes de quatro apreensões, de 890, 1500, 7450 e 86.485 euros'. Eu cá fico a pensar na tal contabilidade, na tal parcela das 'perdas desconhecidas' e na imensa dinheirama aqui envolvida, entre outras coisas, tais como agulhas e palheiros, negócios e profissionais, cautelas e azares. E confesso que não consigo evitar o mesmo raciocínio, sem maldade, quase automático: quantos mais terão passado por detectar, euros e casos? Tenho esta dúvida, atroz. Será descabido?



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Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
Primeiro de Abril?
Quarta-feira, 01 Abr, 2009

«Sócrates vítima de calúnia, diz Alberto Martins »



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Já eu não, engraçado...
Quarta-feira, 01 Abr, 2009

Corrupção: João Cravinho estranha que apenas BE tenha criticado nomeação de Domingos Névoa

 



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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
mais sobre mim
vidas passadas

Piu

Crónica do Brufen

Eu, pombinha.

Falando com o meu cão

Chove, eu sei, mas tenho ...

Maria da Solidariedade

Hum, daí o meu dói-dói...

Portugal sem acordo

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