Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Shhhhhttt!!!!
Terça-feira, 30 Jun, 2009

Põe-se o sol, por hoje. Os raios escaldam o horizonte, há um reflexo de fogo nesta promessa de que existe amanhã. Fogo e esperança, ligam bem, digo eu. O campo fica calmo, quieto no crescer. Apenas se existe, a esta hora, nada se faz na natureza por um momento que parece longo. É hora da passarada cantar a alegria de ter vencido mais um dia, chilrear de contente pelo milagre da sobrevivência, mais uma vez, mais uma vitória, mais uma jorna. Há-de vir a noite, pois então. E com ela a madrugada, e depois dela o dia e no final desse outra hora como esta, em que o mundo é a perfeição possível no descanso de todas as coisas. Mas por enquanto espreita a lua, ainda a luz do dia não se foi, só para ver se eu fico para o serão. Nada lhe digo, como quem não a viu e nada sabe. Finjo que estou a escrever.


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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
The end, one day in your life
Sexta-feira, 26 Jun, 2009

 



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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Ouro de Lei
Quarta-feira, 24 Jun, 2009

Os hospitais que discriminem doentes em função da entidade financiadora poderão ser, a partir de sexta-feira, punidos com coimas até 45 mil euros, segundo uma lei que dá mais poderes sancionatórios à Entidade Reguladora da Saúde (ERS). A discriminação de doentes passa a ser penalizada no âmbito da violação das regras de acesso aos cuidados de saúde, bem como a indução artificial da procura de cuidados de saúde, disse à Lusa o presidente da ERS, Álvaro Santos Almeida.

Recorde-se que a diferenciação dos utentes, consoante sejam particulares ou financiados por um sistema de saúde, já motivou várias deliberação da ERS este ano, devido a queixas de utentes do Serviço Nacional de Saúde e da ADSE.



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Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
O mata-sete (faltam seis)
Quarta-feira, 17 Jun, 2009

Durante a gravação de uma entrevista para a televisão, o novo presidente dos EUA viu-se incomodado por uma mosca sem valor, dessas que pousam com a mesma alegria na careca de um doutor como num discurso do Dr.Jorge Sampaio, como diria António Aleixo que eu bem o li. Pois bem, com a entrevista a decorrer Barack Obama nem pestanejou. Mandou a mosca embora uma vez, duas vezes, a mosca foi e voltou, uma vez, duas vezes. E pronto, acabou-se, não houve terceira vez que o presidente não quis permitir. Terá ficado com a mosca de repente? Talvez, não sei, o facto é que Obama  ignorou por um instante o seu entrevistador, fixou o olhar concentrado no voo daquele zzzzzzz e zzzzzzzzzás, não lhe perdoou o sopapo certeiro. Acertou na mouche.

 

Foi estalo e queda, de resto. A mosca caiu fulminada no tapete onde ficou, com aquele arzinho de mosca morta. E a televisão mostrou ao mundo a habilidade e rapidez de Mr. President, que por seu lado se limitou a perguntar, absolutamente impassível: «Onde é que nós íamos, mesmo?». Bom, eu cá pensei duas coisitas rápidas, quase em simultâneo. A saber? Fosse a pobre mosca o Osama Bin Laden e muito teria mudado hoje em todo o mundo com esta palmadita presidencial, primeira reflexão. A segunda é mais profunda ainda, uma espécie de aposta política ou algo parecido. Vá lá, pensem comigo, all together now. E digam-me se um homem que resolve desta forma as moscas não será o homem certo para acabar de vez com a merda que as atrai, também, sim ou não?



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Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Tenha paciência... Temos pena, claro.
Terça-feira, 16 Jun, 2009

O governo francês negou, ontem, assumir as indemnizações dos familiares das vítimas do voo 447, contrariando assim as anteriores declarações do presidente brasileiro Lula da Silva. Segundo publicou o jornal brasileiro Folha Online, de acordo com um porta-voz do Ministério dos Transportes francês, que não foi identificado, as indemnizações ficarão por conta da Air France. Já Lula afirmou ter ouvido a promessa do presidente francês, Nicolas Sarkozy, num almoço privado entre os dois dirigentes.

 



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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Negócios & Filhos da Puta, Lda.
Segunda-feira, 15 Jun, 2009

A notícia tem poucas horas, eu li-a há poucos minutos, pelo que esta nota sai a quente, aviso. O grupo farmacêutico suíço Novartis recusa distribuir gratuitamente a vacina contra o vírus da gripe A (H1N1) em países pobres, mas diz estar pronto para negociar um preço mais baixo, informou hoje o respectivo director-geral, Daniel Vasella. Disse ainda este senhor que para «tornar a produção viável, é preciso criar estímulos financeiros», isto de acordo com o site na Internet do diário económico Financial Times. Recorde-se que um número «significativo» de reservas da vacina contra a gripe foram já reservadas por 'mais de trinta governos', o que pode gerar problemas de abastecimento inclusive entre os países mais ricos, sublinhou Vasella, de olho no lucro que lhe pode dar o actual cenário mundial, pandemia para uns, oportunidade de mercado para outros. 

 

Pois esta simpática predisposição de Daniel Vasella para negociar carradas de antiviral com um mundo que não dispõe de alternativa fez-me recordar «O Padrinho», esse grande negociador. E a sua peculiar proposta irrecusável, que metia cabeças de cavalo na cama ao acordar, entre outros mimos com armas e tacos de baseball. Então e não é que de repente eu dei por mim a entender a vertente negocial de D.Corleone e ainda a achar coisa pouca quando se dá o caso de ter pela frente um director geral de farmacêutica como este senhor Vasella? Será vocação, isto que me está a dar? Ainda tiro Gestão, por este caminho.



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Jovita e o suco da barbatana
Segunda-feira, 15 Jun, 2009

Num esforço comovente, para não dizer confrangedor, os responsáveis da candidatura socialista de Jovita Ladeira à Câmara de Vila Real de Santo António publicaram no seu jornal de campanha, O Forum, um texto subordinado ao tema 'uma análise à 'verdadeira essência dos nossos outdoors', uma lauda que merece ser lida e relida e que, estou certo, fará escola em todos os estabelecimentos de ensino de marketing político.

 

A abordagem em si é de chorar de emoção, para começar: «(..)o PS decidiu descodificar as mensagens inscritas nos outdoors de campanha da candidatura da deputada Jovita Ladeira e divulgar, junto da população, a essência do pensamento que esteve na origem da sua criação, começando por dar um claro sinal de transparência informativa e ideológica.(..)». Daqui para a frente só melhora, acreditem, é descodificação atrás de descodificação até à descodificação final: «(..)O fundo escolhido para os outdoors de Jovita Ladeira é de cor azul com nuances que pretende fazer transparecer uma ideia de movimento, iluminação e modernidade, para além da serenidade, verdade e fidelidade de sentimentos que a própria cor azul transporta.(..) Nada foi portanto deixado ao acaso, aparentemente tudo foi ponderado por estes especialistas de marketing que Obama deixou fugir para o Algarve: «(..)No que respeita ao slogan escolhido – Gosto desta Terra – é uma mensagem autêntica, exigência da própria candidata, pelos laços afectivos que mantêm com VRSA há muitos anos, onde cresceu e trabalhou, não sendo possível ficar indiferente às oportunidades perdidas de progresso e desenvolvimento(..)» Sem comentários, não há palavras, de facto.

 

Deste ponto em diante o assunto é coração, o coração de Jovita, claro, recrutado para a campanha por esta explicação técnico-filosófica: «(..)Para vincar bem esta relação afectiva foi desenhado um coração tricolor, sobre o slogan, símbolo de emoções, carinhos, dedicações e amores, pretendendo-se ainda deixar uma mensagem subliminar de que a candidata é uma pessoa de 'esquerda', zona onde se localiza o coração de todos(..)» Tudo dito sobre corações? Ainda não, ainda não: «(..)E se repararem com mais detalhe para o coração inscrito no outdoor da candidatura socialista podem observar que este se subdivide em três corações de cores distintas. Pois cada um deles representa o afecto que Jovita Ladeira nutre por cada uma das freguesias do concelho(..)» Bem, está então explicado. As palavras finais são tão boas como as iniciais, talvez um pouco mais de ir às lágrimas, pelo apelo directo que fazem a cada um de nós, em particular: «(..)Observem e vejam quanto há de genuinidade, de emoção, de compromisso e de expressiva vontade realizadora, deixando para um segundo plano a competência criativa que também é merecedora de ser sublinhada.(..)» Desisto, estou convencido. 

 

E pronto, esta é a verdadeira essência da verdadeira essência da verdadeira essência dos outdoors do PS em VRSA. O chamado 'suco da barbatana'. Ora depois disto digam-me, por favor: não parece mesmo que alguém anda lá pela sede de candidatura da D.Jovita, de caçadeira na mão, a disparar contra os próprios pés? Ou será tudo ingenuidade e incompetência? Aguardam-se com ansiedade as próximas mensagens subliminares. É o universo da alta ciência política que chegou à cidade para entreter a populaça. Como fazia o circo, dantes.



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Domingo, 14 de Junho de 2009
Só falta quem vote em nós, porque...
Domingo, 14 Jun, 2009

...«o PS tem capacidade para governar sozinho, diz Vitalino Canas»



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Quinta-feira, 11 de Junho de 2009
Assim rapidinho
Quinta-feira, 11 Jun, 2009

Hoje estou de passagem aqui pelo 7Vidas, apenas, já que vou aproveitando estes feriados que cairam do céu e em circunstâncias que me escuso a explicar mas que vos garanto estarem a ser ... perfeitas, ou lá perto. De forma que o país vai ter que passar sem mim e sem a minha preciosa opinião nas próximas horas, é certo, mas não é caso para não vir aqui lembrar-vos que um dos bloggers-revelação dos últimos tempos (para mim e não só, convenhamos) completou ontem um aninho de vida com o seu 'O Afilhado', onde realizou uma festança de letras para a qual tive o supremo prazer de ser convidado, como poderão ler se fizerem a fineza de passar aqui. E já agora aqui, para ler Tomás Vasques, ou aqui para João Gonçalves, só para citar dois exemplos. Ou melhor, ainda: sigam o meu conselho e cliquem na homepage d'O Afilhado e depois vão descendo, é o melhor que fazem. Esqueçam os agradecimentos, fica por conta da casa. E parabéns ao Tiago Moreira Ramalho, claro.



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Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Coitadinhos dos analfabetos
Terça-feira, 09 Jun, 2009

Ontem pensei na tristeza que deve ser alguém não saber ler, na imensidade de informação de que essas pessoas ficam privadas à conta dessa insuficiência. Tudo isso porque de repente olhei para a televisão onde passava mais uma manifestação de gente exaltada, espumando e vociferando, de cabeça perdida e aos empurrões, punhos no ar, soltando gritos e ofensas, chamando ‘aldrabão’ e ‘mentiroso’ ao primeiro-ministro José Sócrates, a quem tratavam por tu e atiravam chapéus.

 

E eu fiquei ali a ver toda aquela rotina do insulto, aquela multidão descontrolada e em fúria, as expressões congestionadas de ódio, todo aquele vómito de raiva contida a custo e à força pela polícia, quando finalmente apareceu a bendita legenda a explicar que aqueles também eram polícias, estavam era a protestar na rua enquanto classe profissional. Foi quando eu me lembrei dos analfabetos, coitadinhos, que não podiam ler aquela legenda e assim ficavam para sempre a pensar que se tratava de mais uma manifestação de energúmenos capazes de destruir tudo à sua passagem e incendiar carros e partir montras e saquear cidades e agredir pessoas só porque estão com raiva e zangados com o governo. Porque normalmente os polícias são os outros, as forças da ordem, os do outro lado, é compreensível o equívoco. Mas a legenda ali estava para pôr tudo no seu lugar, os bons e os maus, explicando quem era quem naquelas imagens de desordem. Daí a minha angústia, esta minha preocupação com os analfabetos. Pois se eu próprio tive cá as minhas dificuldades em perceber a diferença, quem não leu não ficou a saber com toda a certeza.



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Segunda-feira, 8 de Junho de 2009
E Sócrates, será mesmo vital?
Segunda-feira, 08 Jun, 2009

 



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Então foi assim
Segunda-feira, 08 Jun, 2009

 

(fonte: SOL)



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Domingo, 7 de Junho de 2009
Chapelada sem favor
Domingo, 07 Jun, 2009

Agora que estão já passadas as eleições para o parlamento europeu, que os portugueses já votaram, que os partidos já falaram, que os comentadores e analistas já comentaram e analisaram tudo o que havia para comentar e analisar, agora que já estamos no lavar dos cestos não deixa de ser importante registar aqui uma nota muito especial, em jeito de balanço, sobre a qualidade e oportunidade do trabalho feito no blog 'Delito de Opinião' pelo jornalista Pedro Correia, que correu todos os programas eleitorais de todos os partidos e movimentos concorrentes só para os dar a conhecer aos seus leitores, devidamente comentados e analisados.

 

Tiago Moreira Ramalho, no seu 'Afilhado', já destacou e resumiu esse trabalho neste post, poupando esforço a todos aqueles que não tiveram oportunidade de acompanhar dia a dia aquelas publicações. E eu aproveito agora o embalo para sugerir a todos que não deixem de fazer esta viagem, mesmo a posteriori, por mais este brilhante trabalho do Pedro Correia na linha, de resto, daquilo que este jornalista nos vem já habituando com as suas participações em vários endereços blogosféricos. Um caso sério de competência, digo eu, enquanto bato palmas e tiro o chapéu. Que o resto é conversa.



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O outro retrato
Domingo, 07 Jun, 2009

 



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O retrato da vitória (proporcional)
Domingo, 07 Jun, 2009

 



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Sábado, 6 de Junho de 2009
Cão encontra burro, assunto sério.
Sábado, 06 Jun, 2009

Faz anos hoje, o meu Gastão. Cinco, cinco aninhos, benza-o Deus, "irra, que 'tá cada vez mai' lindo", penso eu de cada vez que o olho, que são muitas, muitas mesmo, acreditem, nestes quatro anos e dez meses que já levamos juntos, a todas as horas de todos os dias. Todas, todos. E é sempre a mesma coisa, acabo sempre a pensar por que raio terá sido preciso eu enganar-me em tantas mulheres para finalmente vir a descobrir o casamento perfeito com um cão, irra qu'é preciso ser burro! A moral da história salta à vista: nunca se sabe, nem onde nem quando a gente pode encontrar a verdadeira felicidade, muito menos com um cão que tem mau dormir, ressona como uma turbina, acorda com hálito de ETAR, come por quatro, caga por cinco e tem a leveza e graça de um rinoceronte quando lhe dá para o carinho. Mas pronto, seja, parabéns a você.



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Informação útil. Totalmente grátis.
Sábado, 06 Jun, 2009

É um facto. Metade da riqueza mundial está nas mãos dos 2% mais ricos da população. Sim, eu disse dois por cento. E disse metade, também. Vou repetir, melhor por extenso. Dois por cento de toda a população do mundo detém nas suas mãos cinquenta por cento de toda a riqueza que existe. No mesmo mundo. Assim, bem explicadinho, que é para não haver dúvidas. Pronto, já está. Era só para recordar este pequeno pormenor. Este facto. E tudo grátis, de resto. Desejo-lhe um bom dia.

 



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Quem canta seus sócios espanta
Sábado, 06 Jun, 2009

Já tem presidente eleito, o Sporting Clube de Portugal. José Eduardo Bettencourt é o novo rosto da presidência dos leões, por decisão da esmagadora maioria da massa associativa do clube, numa votação que bateu todos os recordes de afluência às urnas desde a eleição de Jorge Gonçalves. Antes de falar aos sócios, e num registo de grande emoção, José Eduardo Bettencourt cantou para todos aqueles que esperavam as primeiras palavras do novo presidente, eleito com quase 90% dos votos.

 

O resultado prático dessa que terá sido a primeira iniciativa de Bettencourt depois de eleito provoca em mim duas constatações, sendo a primeira óbvia para toda a gente: temos ali um homem apaixonado pelo seu clube e empenhado em dar de si o melhor neste mandato que agora começa. A segunda será igualmente óbvia, digo eu, se bem que menos animadora, talvez: é que, a bem de todos os sportinguistas e do próprio clube, há que esperar que José Eduardo Bettencourt seja melhor administrador do que revelou ser cantor. Porque em caso contrário o melhor é começar já a pensar na 3ª Divisão F, onde é certo que o clube vai acabar, com um tal canário. 'F', de fífia. 'F' de 'Bolas!!'.



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Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Quietos com as mãozinhas!
Sexta-feira, 05 Jun, 2009

Desta vez a coisa foi pensada e antecipadamente preparada para evitar a risota nacional que ocorreu o ano passado. Por isso este ano a decisão vem devidamente fundamentada, o que nem por isso significa que venha correcta, embora seja já um facto consumado: as massagens corporais encontram-se proibidas em todas as praias do país, norte, sul e ilhas. Este ano, nenhum concessionário em nenhuma praia do país poderá oferecer massagens no areal. Não porque ninguém saiba "como acabam" estes momentos de relaxamento e prazer, como chegou a justificar em Julho do ano passado o então comandante da Zona Marítima do Sul, Reis Ágoas.

 

Desta vez não é o pudor que está em causa, mas motivos de "saúde pública", nada menos. Perante as dúvidas geradas no ano passado, a Capitania de Faro decidiu pedir um parecer à Administração Regional de Saúde do Algarve. A resposta chegou no final do Verão de 2008 e é a que se mantém por agora. "Nenhum dos diplomas prevê o exercício destas actividades sem ser em local próprio, com requisitos específicos e devidamente licenciados, o que não se coaduna com a prática em espaço balnear", lê-se no parecer. Ou seja: mãozinhas quietas na praia, rapaziada. Mirar por enquanto é sem coima, mas consta que estão já a caminho uns avisos iguais aos das pastelarias, 'é favor não mexer nos artigos expostos', que podem até vir a ser obrigatórios nos bikinis ou evoluir para tatuagem. Mas para já vigora a ordem, sem apelo e com fiscalização: na praia não há massagens para ninguém!

 



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Morrer de indiferença.
Sexta-feira, 05 Jun, 2009

É notícia do 'Correio da Manhã' de hoje, em parangonas de capa: «Bébé morre em fila de Hospital». Arrepia, só o título. Mas pior é o desenvolvimento, naturalmente, os pormenores macabros que fazem a história desta morte estúpida à porta dessa coisa estranha (não menos macabra, de resto) que é o Serviço Nacional de Saúde. O caso aconteceu anteontem em Monção, Viana do Castelo, mais exactamente em plena sala de espera do Centro de Saúde local, onde se escoou o futuro de um bébé com menos de um mês de vida. Chamava-se Miguel Simão e tinha apenas 29 dias de existência. Anteontem, pelas 19h00, morreu no colo do pai quando este esperava na fila do Serviço de Urgências do Hospital de Viana do Castelo. A ira dos pais de Simão, José Miguel Cerqueira e Sónia Maria Domingues, tem como alvo uma médica do Centro de Saúde de Monção, onde o bebé esperou, com os pais, mais de três longas horas. Três horas passadas, desde que chegou até que partiu, para sempre, sem que alguém lhe tivesse dado a mínima atenção. Quem foi que disse, quem foi, que a indiferença não mata?



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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
As tardes de Mário
Quinta-feira, 04 Jun, 2009

Ao arrepio das expectativas de todos aqueles que esperariam encontrar Tony Carreira, Ágata ou mesmo Quim Barreiros a abrilhantar a emissão de hoje d'"As tardes de Júlia" na TVI, a produção do programa optou por convidar o Dr.Mário Soares, também artista, para uma conversa em tom intimista sobre a Europa e sobre este novo conceito de ser um europeu. Um desafio interessante, atendendo ao perfil do convidado, pouco dado a este género de programas onde o discurso político é interrompido a espaços por concursos de treta e mensagens publicitárias de inteligência grau zero. No entanto Mário Soares aceitou o convite e lá esteve, que eu bem vi com estes dois e bem ouvi com o par dos outros, não foi coisa que me tenham contado e de que se possa duvidar. Aconteceu, de facto, que eu vi.

 

Igual a si próprio, o ex-Presidente da República portuguesa aceitou o convite de Júlia Pinheiro e lá marcou presença naquele espaço de entretenimento televisivo primário, onde toda e qualquer mensagem é reduzida à expressão mais básica e elementar da comunicação, uma pobreza confrangedora que é a nossa realidade enquanto país e povo, lamentavelmente. Assim, Soares não cantou, não dançou, não tocou piano e sobretudo não falou francês, graças a Deus. Mas nem por isso deixou de corresponder ao que de si era esperado enquanto convidado especial de um programa onde a banalidade tem um registo muito próprio e altamente apreciado pela audiência. E nesse registo é da mais elementar justiça reconhecer que Soares não desiludiu, antes pelo contrário, destacou-se pela positiva ao fazer ouvir a sua banalidade acima dos guinchos da apresentadora, conseguindo até fazer passar aqui e ali um ou outro conceito mais elaborado de cidadania e de cultura política e social. Uma coisa é certa, em jeito de balanço final desta prestação televisiva de Mário Soares: podem até estar longe, já, as noites de glória do ex-presidente. Mas enquanto existirem as tardes de Júlia temos homem, está visto, por muitos e bons anos. Temos homem.



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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Um parlamento sem vergonha
Quarta-feira, 03 Jun, 2009

É uma questão de semântica, é certo, isto de dizer 'classe política' para falar dos nossos políticos, que a têm tão escassa, mas pronto, seja. Porque foi mesmo a toda a classe política em geral que se dirigiram hoje duas das mais altas figuras do Estado português, directamente e sem rodriguinhos no discurso, em pleno telejornal da nação, matéria a três canais. Um zangado Provedor de Justiça cessante, que a partir de hoje se assume como simples cidadão, afirmou com pose crispada que 'a democracia está em risco', nada menos, classificando de 'obrigatório' este entendimento que tarda acontecer entre os deputados da nação, para finalmente se dicidirem quanto à eleição do seu sucessor.

 

E a seguir vem Jaime Gama, número dois da hierarquia do Estado logo depois do Presidente, batendo diapasão com uma ironia cáustica no recado não menos claro, sem interpretação alternativa: «Se os senhores deputados se entenderam sobre o financiamento dos partidos, agora também é uma boa altura para mostrarem o mesmo entendimento». Ponto final. Dois recados directos, o mesmo discurso sério em tom de alarme comum, o mesmo desprezo subjacente a cada palavra, a mesma referência ao que o povo tarda em chamar de 'escandaleira': aquilo que se está a passar com a eleição do novo Provedor de Justiça. E eu cá só vejo uma explicação para este fenómeno de singular indiferença geral: é que ninguém parece ter verdadeiramente noção do quanto estão aqui em jogo alguns dos nossos direitos fundamentais, direitos de todos nós. E se assim fôr também para tal eu só vejo uma explicação possível, assim, de repente: porque nenhum Provedor conseguiu até hoje deixar cunho pessoal à altura do cargo, talvez, não? Ou então andamos todos mesmo muito distraídos, digo eu, sei lá. Mas lá que dificilmente os senhores deputados conseguiam afronta maior que esta que vão fazendo, impunes, ao povo que os elegeu, isso parece-me certo. Embora se trate de gente particularmente activa e criativa nesse campo, há que reconhecer. E, naturalmente, sem a mínima noção de vergonha.



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Os salpicos
Quarta-feira, 03 Jun, 2009

Cavaco nega ter escondido compra de acções da SLN.

O Presidente da República esclarece que o investimento nesses títulos

foi feito por «um banco» a quem entregou as suas poupanças.



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The boogeyman?
Quarta-feira, 03 Jun, 2009

O jornal 'Público' faz hoje referência a uma curiosa análise política publicada no site da insuspeita BBC, e que traça um perfil da governação socialista onde se afirma que José Sócrates reduziu o défice orçamental graças ao corte nas pensões, ao aumento da idade de reforma e também retirando benefícios aos funcionários públicos. É um retrato verdadeiramente demolidor, sigamos a notícia para ter uma pequena noção do baque que o nosso primeiro ministro terá sentido ao lê-lo. Afinal, segundo a BBC, o governo de Sócrates “traçou a sua pioridade em reanimar a economia – que se encontrava há anos quase na cauda das tabelas europeias – e travar o crescimento do desemprego”. “Desde então, o seu Governo conseguiu reduzir profundamente as despesas públicas, através da redução de pensões, o aumento da idade de reforma e do corte de benefícios dos funcionários públicos, numa tentativa para diminuir um dos mais elevados défices orçamentais da Europa”. “As reformas – que alguns acusam de estar a destruir direitos sociais – receberam de imediato os protestos, na sua maioria dos trabalhadores do sector público”. Pode até ser só impressão minha, mas estava capaz de jurar que não é bem esta a imagem que o nosso primeiro gosta de ver no espelho pela manhã.

 



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Terça-feira, 2 de Junho de 2009
O Ram-Ram
Terça-feira, 02 Jun, 2009

Assumo: sinto a falta do meu amigo Daniel de Sá. É coisa que me dá às vezes, bué de vezes, como diria Pessoa, o próprio, se fosse vivo. Nunca lho confessarei, como é evidente, que eu cá não sou dessas lamechices, era o que mais faltava, olha agora... mas não resisto, não tento sequer resistir a publicar este naco de prosa que fui ontem pilhar, noite escura, ao Espólio do meu amigo que tão arredado anda destas nossas vidas, minhas e dele e suas também, evidentemente. Aliás, se ele ou alguém me perguntar porque me aventurei ao gamanço destas palavritas, porque pilhei sem vergonha, porque arrisquei a cadeia ou o degredo, quiçá a reputação, pois eu não hesitarei em afirmar convicto que foi por sua causa, caro leitor, em seu benefício exclusivo, por si apenas. E não, nunca pela inexcedível qualidade das mesmas, ou sequer pela inveja que me rói de as ver por lá e não por cá, onde tão bem ficam. Um pormenor de resto resolvido, como podem ler.


Em baixo: "O Ram-Ram"

Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

O Ram-Ram não tinha dois dedos de testa. Nascera assim. Mas tinha coração. Coração e reflexos inacreditáveis. Ingénuo, parecia uma criança grande. A sua felicidade era completa com uma raqueta de ping-pong na mão e um adversário disposto ao sacrifício. Nisso, era o melhor dos Açores. E há muita gente que vive e morre sem nunca ter sido o melhor em nada. Porque a sua era uma língua de trapos, ficou-lhe o nome de Ram-Ram. Ou Quá-Quá. Não se ofendia.
 
Se fosse hoje, o Ram-Ram talvez não trabalhasse. Uma qualquer assistente social facilmente lhe concederia uma pensão de invalidez ou coisa parecida. Mas o Ram-Ram ganhava a vida honestamente como engraxador. Havia um professor que era um dos muitos que admiravam o seu talento desportivo. Por causa disso, não se atrevia a vê-lo ajoelhado a seus pés e tratava-o por Manuel. Mas entendia que não estava certo privá-lo do seu modo de ganhar dinheiro para o pão e alguma cerveja de vez em quando. Quando o encontrava convidava-o a acompanhá-lo à cervejaria. Ali ficavam ambos com os olhos à mesma altura. E o Ram-Ram exultava, anunciando aos circunstantes que o professor era seu amigo.
 
O professor não sabe se onde o Manuel está também se joga ping-pong. Mas sonha com um dia em que todos os homens tenham os olhos à mesma altura. Quer sejam engraxadores ou bancários, trolhas ou administradores. Um dia que não seja um dia de festa. Um dia que seja todos os dias.

 



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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
O Céu a Seu Dono?
Segunda-feira, 01 Jun, 2009

 



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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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Piu

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Eu, pombinha.

Falando com o meu cão

Chove, eu sei, mas tenho ...

Maria da Solidariedade

Hum, daí o meu dói-dói...

Portugal sem acordo

Não fui eu que escrevi ma...

Um dos

Abençoados 94, Madiba!

Sôdade

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É preciso é calma, já se ...

Definição de sacrifício n...

A questão

E pronto, eis que descubr...

.......

Bom dia. Se bem me lembro...

O princípio do fim

E, de repente.

Um azar nunca vem só

Diz que é uma espécie de ...

Força na buzina!!

Bom dia. Hoje chove em Li...

Depois do homem que morde...

Bom dia. É hoje, é hoje!!...

Boga ou Beluga?

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