Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011
Oportunamente, absolutamente.
Sexta-feira, 28 Jan, 2011

 

Estávamos em Dezembro de 2000 quando o mundo ouviu  pela primeira vez falar de l'Affaire d’Outreauuma escandaleira por acaso francesa, sobretudo humana, que Eduardo Pitta recorda com particular oportunidade neste texto, absolutamente a ler.



publicado por Rui Vasco Neto
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011
Agora sim, acabaram-se os problemas!
Sexta-feira, 21 Jan, 2011

Salário mínimo atingirá 500 euros durante este ano, garante o secretário de Estado



publicado por Rui Vasco Neto
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Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011
A questão das palavras e das cores ou as palavras e cores desta questão.
Segunda-feira, 17 Jan, 2011

Julgo não estar enganado, vejamos: a mim parece-me que vai tudo nas palavras, nas palavras e nas cores escolhidas por uns para pintar o que aconteceu aos dois, de forma a poder instruir todos os outros sobre a memória específica que devem guardar sobre o assunto. Vou tentar explicar melhor. Na verdade consigo até dizer exactamente o mesmo usando uma só palavra, hipocrisia, só não vejo é razão para resumos nem para temer as palavras, já que elas são também um poderoso instrumento da verdade, tal como da mentira. A palavra-chave deste caso de horror, por exemplo, qual é? Muitos dirão ‘homosexualidade’, e muito tem sido feito e dito para instalar essa ideia, de que este é um caso que acontece pela homosexualidade de duas pessoas. Eu não vejo assim, confesso. Para mim a palavra-chave de todo este caso é ‘abuso’ e não qualquer outra que até pode caber, situar, indiciar o assunto, digamos assim, mas que de todo não explica nada. ‘Abuso’ é a palavra aqui a reter, a mola que saltou de muito aperto e fez o estrago que se viu.

 

Depois há a tal questão das cores. Qual é a côr deste assunto? Muitos dirão ‘côr de rosa’, e muito tem sido feito e dito para instalar essa ideia, de que este é um caso do mundo cor de rosa das colunas sociais, um épico sobre a grande paixão de um coração sensível que foi para Nova York viver um grande amor e que este, ingrato, o matou. Tudo muito rosa, muito choque, muito drama, panache a rodos e ainda um corolário de grand finale com direito a cinzas espalhadas ao vento na Broadway para mais tarde recordar, coisa de jet-oito, no mínimo, logo o máximo do rosa nacional. Será? Pois eu não vejo assim mais uma vez. Para mim qualquer resquício de rosa que por aqui se encontre só pode vir do intenso branqueamento que vem sendo feito ao negro-sórdido que seria a côr natural deste caso, se o morto não fosse o Carlos Castro mas sim qualquer outro homosexual de 65 anos assassinado por qualquer outro amante de 20 levado ao castigo em Nova York com isco de promessas vãs. Fosse esse o caso e muito se falaria seguramente na componente sórdida da pressão sexual óbvia, típica do predador que paga as contas do bem-bom mas exige troco de bumbum. Só que aqui curiosamente só existe o corrompido, não se ouve qualquer referência a um corruptor, só à sua pretensa ingenuidade. C'est ça la vie en rose, non?

 

De volta às palavras: este é um caso em que é preciso ter mil cuidados com aquelas que usamos para o descrever, para já não falar das que ousemos utilizar ao serviço de uma opinião. É que está em jogo todo um sistema, toda uma classe, toda uma indústria, que digo eu?  -  todo um país, no fundo. Há por isso que explicar tudo bem explicadinho a bem da decência, que isto ainda é uma pátria de famílias e, na dúvida, o decoro pode ter que se impor à verdade por estarem em jogo valores de Estado ou pior: o que dizem os programas da manhã da SIC ou da TVI. Por isso entendamo-nos desde já no óbvio, que fica dito e assinado: Renato Seabra não tem perdão pelo que fez. Não se violenta assim um outro ser humano, extirpar-lhe a vida a golpes de saca-rolhas e computador, estrangulamento e castração, por esta ou outra ordem, não se faz, não se perdoa. E sobretudo não tem perdão aquilo que Renato fez à sua própria vida, um mundo de oportunidades em aberto até ao dia aziago em que se deixou contactar por Carlos Castro e uma vida igualmente acabada naquele momento de loucura no quarto, naquela que foi a primeira das muitas mortes que o esperam em cada um de todos os dias dos próximos anos da sua existência. E aqui vem a parte que o meu povo gosta. Por muito impiedoso que seja recordá-lo a verdade é que, se as coisas lhe correrem bem na cadeia, Renato vai ser somebody's bitch nos próximos vinte e cinco anos, objecto das lambujices mais abjectas que possamos imaginar envolvendo animais enjaulados, crueldade sem limites, tesão raivosa, muita impiedade e um ex-garoto perdido que vai aprender como a beleza física pode virar uma maldição em Rykers Island. E este é o melhor cenário para Renato Seabra, porque se as coisas lhe correrem mal ele vai provavelmente ser everybody's bitch até ao dia da sua morte, natural ou provocada, por si ou por outrém, num mar de inimaginável sofrimento. Num caso ou noutro, o sexo com Carlos Castro poderá vir a ser uma miragem do paraíso, na comparação, o que só mostra o quão terrível pode vir a ser a existência deste rapaz que já morreu e ainda não sabe. Agora eu pergunto ao meu país, a este Portugal que chora o pobre cronista cor de rosa que só queria amar perdidamente um corpinho jovem e tenro de vint'anos que tinha comprado com umas roupinhas e viagens: não te parece castigo suficiente, Portugal? Há que castrá-lo também ou um futuro assim negro já acerta as contas deste garoto palerma que um dia acreditou que o pai natal podia ser paneleiro que não fazia mal viajar no trenó?

 

A verdade é que Carlos Castro era um predador, uma bicha velha e sabida que caçava rapazinhos onde os houvesse disponíveis, do Parque Eduardo VII ao Finalmente, dos jardins de Belém ao Facebook onde por último sacou o tonto Renato. Sabia-a toda, os truques todos de uma cegueira de sedução testada e aplicada ao longo de cinquenta anos de engates todo-o-terreno na dependência de um complexo de Marlene mal amada. Era um barron como tantos outros, que se insinuam com chocolates, ténis de marca ou passeios de Ferrari, roupas da moda ou viagens a Nova York enquanto babam com o pensamento numa coisa, uma só e mais nenhuma. Vivia um cio agressivo que lhe dava sentido à vida e que os 'amigos' caracterizam como 'uma grande ingenuidade, de uma pessoa que se dava incondicionalmente e sofria muito por amor'... os mesmos amigos que juram agora ao mundo que foi Renato quem viu as fotos do Carlos na net e se perdeu de amores por aquele físico magnífico, aquela pose sensual e irresistível. Foi o rapaz que, sabidão, lhe deu a volta à cabeça e o arrastou para a cama prometendo o mundo porque era homosexual e lhe queria dar muitos beijinhos... e o Carlos, coitado, embarcou sem querer, ou vá lá, querendo mas pouco, muito pouco, quase nada, nadinha mesmo. Foi o outro, o malandro de Cantanhede que era um atiradiço e que o desencaminhou por ambição desmedida, logo a ele que nada prometeu, era incapaz, nada ofereceu por um beijo, um apalpão, um desfile por Lisboa com o troféu de caça ao lado para que Lisboa imaginasse o que ele delirava imaginando: que no seu mundo de diva brilhavam as cores da rosa e das paixões impossíveis. Por isso moral da história não há, que esta é a história da própria imoralidade. Só umas palavrinhas finais, limpas de ironia. Pobre Carlos, que foi ao engano. E triste Renato que foi enganado.



publicado por Rui Vasco Neto
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Sábado, 15 de Janeiro de 2011
La hipocrisie en rose: Introdução.
Sábado, 15 Jan, 2011

O assunto é de vómito, todo ele. E de vómito maior ainda é tudo isto que o rodeia, alimenta de disparate e mantém à tona de todas as conversas. Toda esta insuflação, à falta de informação a sério, de factos confirmados, naturalmente escassos por esta altura. Mas como o assunto é assunto e a audiência é garantida então há que falar muito, dizer coisas. Mesmo que não haja nada certo para dizer há que improvisar, imaginar, especular e opinar, opinar sempre e muito, esse é o segredo. Será no fundo uma espécie de homenagem póstuma, talvez, o que acaba por fazer sentido sobretudo quando nada mais faz, neste carnaval de horrores em tons de rosa e sangue, agora ornado com as plumas e paetês da grande hipocrisia nacional. Um vómito, resume bem.

 

O que tenho visto e ouvido sobre esta tragédia nos últimos dias tem sido o inacreditável, palavra de honra. E mais inacreditável ainda é tudo aquilo que eu ainda não vi nem ouvi a ninguém, estranhamente ou talvez não. Por isso estou assim, aparvalhado, confesso que tão atordoado como fiquei na hora em que me chegou a notícia, de chofre: o Carlos Castro foi castrado e assassinado em Nova York. Credo, que coisa horrorosa! Que sopro gelado bate a nossa própria realidade, contemporânea da selvajaria, nesse instante de náusea! Carlos, castro e morto? Digam o que disserem eu cá digo o que disse no momento, convicção inabalável: ninguém merece morrer assim. Ninguém, nem o Carlos Castro. Ninguém.

 

Procurei pormenores, claro, o como e quem e quando e onde da notícia, o cerne factual vestido com o mínimo de opinião possível, tentando evitar o preconceito alheio e quedar-me pela tarefa de lidar apenas com o meu próprio, inevitável. Assim fui filtrando e digerindo toda a informação essencial para formar uma opinião sobre o sucedido, sustentada e independente do meu sentir pessoal sobre o falecido, algo que neste contexto de sofrimento e morte não tem evidentemente qualquer cabimento ou relevância. Remexi os meus sentimentos, em busca da compaixão indispensável a qualquer entendimento e também de outros pequenos nadas que entendi pôr em causa nesta hora de balanço obrigatório. E fechei o lado pessoal da questão quando no passado domingo, ao final da tarde, me sentei mais as minhas reflexões num banco da igeja onde cresci a ouvir falar de perdão e de respeito pelo próximo, para entregar o assunto a quem de direito de uma vez por todas. Saí de lá sozinho e resolvido, não sem antes ter assistido à missa das 19:00h que nessse dia, domingo 9 de Janeiro, na Igreja da Penha de França em Lisboa, foi rezada em intenção de Carlos Castro, pelo seu descanso eterno na paz que todos merecemos. Uma decisão sincera tomada de coração puro, que nada tem a ver com as minhas convicções pessoais sobre o finado, evidentemente. E que em nada interfere ou colide com a opinião que eu possa ter formado sobre aquela que é para mim a violência maior deste crime de morte, segundo facto indiscutível deste caso: este é um crime que fez duas vítimas, uma delas mortal; e outra o assassino. 

 

Já o facto primeiro é o tal que faz a notícia e que ainda hoje pede análise, séria e urgente, a bem da verdade que não é cor-de-rosa, a bem de todos nós, no fundo: Carlos Castro morreu em Nova York, assassinado em circunstâncias sórdidas pelo rapazinho que o acompanhava. Por mim desejo paz à sua alma, dê-lhe Deus o eterno descanso e ponto final. Que encontre para si no céu a compaixão que raramente mostrou ter pelos outros aqui na terra, são os meus votos sinceros. E digo-o de coração, isso é certo. Tão certo como nunca, mas mesmo nunca ter gostado dele um nadita que fosse em vida.



publicado por Rui Vasco Neto
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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011
Ainda o crime de Nova York?
Sexta-feira, 14 Jan, 2011

Raposa fere caçador a tiro de espingarda



publicado por Rui Vasco Neto
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Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate. De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.
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