A moeda G
Aprendo na TVI que o famoso Ponto G se situa 'na parede de trás da vagina', 'a cerca de três centímetros adentro' do orifício vaginal e que não é um ponto mas sim uma 'zona circular com o diâmetro de uma moeda de vinte cêntimos', moeda essa que a reportagem serve demoradamente e em grande plano ao repasto imaginativo do país, para ilustrar a locução. Aprendo assim que aquela é a materialização possível do mais delicioso mistério feminino, para mim, a cara e coroa do verdadeiro motor desse imenso e insondável universo que comanda o mundo de facto, aconchegado na protecção fálica que vai permitindo ao poder por puro gozo e característico maquiavelismo. Faz tudo parte do encanto, digo eu, é o menu do encantamento. Sem reclamações por aí.
Pois agora a TVI informa que já é possível encontrar e estimular o Ponto G por processos terapêuticos, uma alegria que se consegue pagando, evidentemente, não sei quantos mil euros, muitos, eu cá não prestei atenção a essa parte por razões óbvias e também porque já tinha as ideias à desfilada pelos novos caminhos que se agora se abrem ao conhecimento de todos nós, enfim, de alguns mais virados para o assunto, digamos assim. É que eu por exemplo estou curioso, estou mais e pior: dava tudo para saber como irão os Zés do meu país tratar esta nova informação sobre as Marias em geral, as suas em particular, que importância lhe vão dar a partir de agora, sobretudo na intimidade. Só espero que a rapaziada tenha ouvido bem a reportagem, mais que visto, ou à conta da habitual boçalidade nacional aquela história da moeda de 20 cêntimos ainda vai dar muita anedota com mealheiros pelas tascas da nação, suspeito. É cá um pressentimento que eu tenho.
