Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Sete Vidas Como os gatos

More than meets the eye

More than meets the eye

Sete Vidas Como os gatos

29
Jun11

Eu e os meus feromônios, esses demónios.

Rui Vasco Neto

Florbela queria amar, amar perdidamente, lembram-se? Eu lembro-me.

Lembro-me das palavras e do sentir que elas evocam, marcam, definem com uma mestria única e inexcedível. É a benção do génio, que toca as palavras e as torna imorredouras, para sempre únicas e especiais. São palavras de amor, apenas algumas das possíveis entre as muitas outras que ao longo dos tempos os poetas fizeram suas para cantar esse estado de graça que nos incendeia o coração e nos transforma em seres maravilhosos, os eleitos da paixão e por ela eternamente abençoados... enquanto ela durar, claro. E aqui bate o ponto, lamentavelmente, aqui se define a grande limitação deste querer que é sonho e apetite, atracção e desejo, conquista e desafio maior da condição humana.

Tão efémero às vezes, tantas e tantas vezes tão curto, tão pouco...

 

 Florbela queria amar, amar perdidamente, e eu próprio não digo que não queria igual, mais perdidamente ainda, até, se possível. Queria e quero, pois as memórias que foram ficando comigo dizem-me hoje que sempre que tal magia me tocou eu nasci de novo e vivi diferente, fui único e especial, quase feliz, um dos eleitos da paixão e por ela abençoado para sempre, para sempre...

Eternamente, enquanto durou.

 

 

 

Credo! Que sonho estranho ando eu a ter, por estes dias e noites. Sonhei que estava apaixonado, vejam só a desgraceira que me armou Morfeu quando me apanhou de costas. Eu, imaginem: babado, pateta de paixão, absolutamente de quatro por um sonho bom de gente, sorriso lindo com coração lá dentro e a bater por mim num corpo de paraíso, desenhado, esculpido, burilado na medida exacta do meu desejo. Nascido para mim, que há horas felizes. Instalado em mim, nos apelos do cheiro, do toque, dos sabores, em absolutamente todas as variantes do sentir. A coisa mais absurda que imaginar se possa, como vêem. Muito provavelmente um equívoco, é o mais certo, que cedo se esclarecerá.

 

E então lá andava eu, rindo por tudo e de nada, manhã à noite em particular, sorriso de orelha a orelha, numa felicidade que não existe porque não pode existir, não pode ser possível, só nos livros ou nos sonhos ou nem nos sonhos nem nos livros, sei lá eu. E ela igual, o mesmo desvario, quase pior, coração ansioso, sempre, a todas as horas em que se não está quer estar, comigo, connosco, porque de repente só o 'nós' faz sentido e nenhum dos eu's tem mais graça sozinho, é um facto. Uma lamechice pegada, saborosa, uma chatice, irresistível, um estado de felicidade a um passo da perfeição, que não existe. Porque ninguém merece tanto, afinal. É por isso que deve ser um sonho, só pode ser, concluo aliviado. E porquê o alívio? Ora, porque não quero andar assim na rua, cara de parvo e a gostar de toda a gente, a achar que o mundo é lindo, que a vida vale a pena e mais as flores e as plantinhas e os passarinhos e essas merdas assim. Não, por favor. Não, sim?

 

Para mim chega, quero o meu humor de cão de fila outra vez de volta, aquele que me protegia da vida e do mundo e dos outros e deste tipo de porras da paixão, exactamente, este perigoso tipo de perigo que mata mais que o cigarro, muito, muito mais. Quero voltar a rosnar, parar com este ronronar que não vai comigo, que diabo, tenho uma reputação a defender, sou um duro, caramba!

 

Amanhã vou a um médico de canalhas, está decidido.

 

(texto publicado aqui, em Abril de 2009)

2 comentários

  • Imagem de perfil

    Rui Vasco Neto 30.06.2011

    sinhã,
    vejo três hipóteses: ou não estás a comentar o post certo ou terás lido amarelo onde é verde, mas enfim...
    tentemos então ir por partes: exactamente o que é que eu disse que te choca, não me dirás, sff?
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

    Mais sobre mim

    foto do autor

    Subscrever por e-mail

    A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

    Sete vidas mais uma: Pedro Bicudo

    RTP, Açores

    Sete vidas mais uma: Soledade Martinho Costa

    Poema renascido

    Arquivo

    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2012
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2011
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2010
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2009
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2008
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2007
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D