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Sete Vidas Como os gatos

More than meets the eye

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Sete Vidas Como os gatos

02
Jun08

A pita do gorro vermelho, a kota comida e o baita dog marado...

Rui Vasco Neto

Mão amiga fez-me chegar esta delícia, este primor, este regalo. Trata-se da velha história do Capuchinho Vermelho e do Lobo Mau, (mais a Avozinha, evidentemente, a comida da história) mas na versão pós-acordo ortográfico de 2058. Exactamente, 2058, uma antevisão previdente, à cautela e atendendo ao mais que provável sobrecarrego de agenda que terei nessa data... Pois os senhores que leiam e depois que digam alguma coisinha, se assim vos aprouver. Tudo isto fachavor, bidentemente.

 

Tás a ver uma dama com um gorro vermelho? Yah, essa cena! A pita foi obrigada pela kota dela a ir à toca da velha levar umas cenas, pq a velha tava a bater mal, tázaver? E então disse-lhe:
- Ouve, nem te passes! Népia dessa cena de ires pelo refundido das árvores, que salta-te um meco marado dos cornos para a frente e depois tenho a bófia à cola!

Pá, a pita enfia a carapuça e vai na descontra pela estrada, mas a toca da velha era bué longe, e a pita cagou na cena da kota dela e enfiou-se pelo bosque. Népia de mitra, na boa e tal, curtindo o som do iPod...

É então que, ouve lá, salta um baita dog marado, todo chinado e bué ugly mêmo, que vira-se pa ela e grita:
- Yoo, tá td? Dd tc?
- Tásse... do gueto ali! E tu... tásse? - Disse a pita
- Yah! E atão, q se faz?
- Seca, man! Vou levar o pacote à velha que mora ao fundo da track, que tá kuma moka do camano!
- Marado, marado!... Bute ripar uma até lá?
- Epá, má onda, tázaver? A minha cota não curte dessas cenas e põe-me de pildra se me cata...
- Dasse, a cota não tá aqui, dama! Bute ripar até à casa da tua velha, até te dou avanço, só naquela da curtição. Sem guita ao barulho nem nada.
- Yah prontes, na boa. Vais levar um baile katéte passas!!! 

E lá riparam. Só que o dog enfiou-se por um short no meio do mato e chegou à toca da velha na maior, com bué avanço, tázaver? Manda um toque na porta, a velha 'quem é e o camano' e ele 'ah e tal, e não sei quê, que eu sou a pita do gorro vermelho, e na na na...'. A velha abre a porta e PIMBA, o dog papa-a toda... Mas mesmo, abre a bocarra e o camano e até chuchou os dedos...
O mano chega, vai ao móvel da velha, saca uma shirt assim mêmo à velha que a meca tinha lá, mete uns glasses na tromba e enfia-se no VL... o gajo tava bué abichanado mêmo, mas a larica era muita e a pita era à maneira, tásaver? 

A pita chega, e tal, e malha na porta da velha.
- Basa aí cá pa dentro! - Grita o dog.
- Yo velhita, tásse?
- Tásse e tal, cuma moca do camâno... mas na boa...
- Toma esta cena, pa mamares-te toda aí...
- Bacano, pa ver se trato esta cena.
- Pá, mica uma cena: pa ké esses baita olhos, man?
- Pá, pa micar melhor a cena, tázaver?
- Yah, yah... E os abanos, bué da bigs, pa ke é?
- Pá, pa poder controlar melhor a cena à volta, tázaver?
- Yah, bacano... e essa cremalheira toda janada e bué big? Pa que é a cena?
- É PA CHINAR ESSE CORPO TODO!!! GRRRRRRRR!!!! 

E o dog manda-se à pita, naquela mêmo de a engolir, né? Só que a pita dá-lhe à brava na capoeira e saca um back-kick mesmo directo aos tomates do man e basa porta fora! Vai pela rua aos berros e tal, o dog vem atrás e dá-lhe um ganda-baite, pimba, mêmo nas nalgas, e quando vai pa engolir a gaja aparece um meco daqueles que corta as cenas cum serrote, saca de machado e afinfa-lhe mêmo nos cornos. O dog kinou logo ali, o mano china a belly do dog e saca de lá a velha toda cheia da nhanha. Ina man, e a malta a gregoriar-se toda!!! 

E prontes, já tá...

01
Jun08

Momento de reportagem (emocionante)

Rui Vasco Neto

A selecção nacional de futebol, perdão, a Selecção Nacional de Futebol (assim sim) chegou hoje a Neuchatel e o mínimo que se pode dizer a esse respeito é que foi porreiropá! Mas eu vou mesmo mais longe. Foi bestialmente emocionantepá, e só quem acompanhou pela televisão a aventura da chegada da nossa selecção, perdão, Selecção, é que sabe daquilo que falo. Pá.

 

Só para vos dar uma ideia, os jogadores da selecção nacional de futebol, perdão, da Selecção Nacional de Futebol sairam do hotel para o autocarro e do autocarro para o avião e do avião para o autocarro e do autocarro para o hotel. O que é incrível, não é? Quer dizer, não foi? Mas há mais, acreditem. Os jogadores da Selecção Nacional de Futebol foram saudados no aeroporto por milhares de portugueses, emigrados na Suíça, que não quiseram deixar de marcar presença na chegada dos representantes da pátria querida e saudosa, assim recebidos pela alma lusitana e com o maior entusiasmo. Também é certo que os nossos emigrantes vão poder ter o privilégio de assistir aos treinos da nossa selecção, desde que comprem o bilhetinho de treinos especialmente criado para esta gloriosa e inesquecível ocasião, exactamente a pensar neles (e nas suas bolsas, evidentemente); mas mesmo assim foi um gesto muito bonito e patriótico, disso não há dúvida.

 

É também bastante importante referir que a Selecção Nacional de Futebol foi acompanhada durante todo o percurso por várias equipas de reportagem de televisão, com directos seguidos de directos e todos em directo, directamente. Foi assim directamente graças à SIC, RTP e TVI que o país inteiro esteve passo a passo e minuto a minuto com os seus ídolos, todos juntos à saída do hotel, à entrada do autocarro, à entrada do hotel e à saída do autocarro, dentro do avião e à saída do mesmo, e ainda dentro e fora do autocarro e à entrada e à saída do mesmo, para além de lado a lado com o mesmo em mais do mesmo até ao hotel. Também enquanto seguia nesse autocarro, que era o mesmo, a Selecção Nacional de Futebol foi sempre acompanhada por quatro carros da polícia Suíça, cada um com quatro rodas, mesmo. E quando os senhores chegarem finalmente à inevitável conclusão de que tudo aquilo que eu escrevi até aqui não tem ponta de interesse, que destas escassas linhas não escorre sequer um pingo de informação que justifique o tempo e o esforço que os senhores tiveram de despender para as ler, então o esboço de irritação que sentirem nessa altura não passará de um pálido reflexo do estado semi-catatónico em que me encontro depois do chato e comprido supositório informativo que me foi imposto a propósito da selecção nacional de futebol, perdão, da Selecção Nacional de Futebol, esse momento de acuidade e relevância informativa só talvez superado pelo directo televisivo da transladação dos restos mortais da Irmã Lúcia. E assim finalmente nos entenderemos, escriba e seus leitores, no sempre fascinante milagre da comunicação. E da selecção. Perdão, Selecção.

 

Uma dúvida final, a terminar este momento de patriótica partilha: sendo bíblico, logo certo, que as bem-aventuranças cobrem a pobreza de espírito, os senhores já pensaram a confusão de bandeirinhas e cachecóis que deve ir pelo reino dos céus, neste momento?

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