Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Sete Vidas Como os gatos

More than meets the eye

More than meets the eye

Sete Vidas Como os gatos

22
Jul08

A 'Barbearia' fez um ano...

Rui Vasco Neto

...e por um ai que eu não deixava passar a efeméride sem a justíssima referência a este que é (disse-o aqui mesmo há bem pouco tempo atrás) um dos meus blogs de visita regular e obrigatória. Um ano a blogar assim, com esta qualidade, não é pêra doce.

 

Para o Luis Novaes Tito os meus mais sinceros cumprimentos. E, para aquela colaboradora morena, que ampara a dupla antevisão do paraíso com aquele par de mãozinhas lindas, aqui nesta foto do lado, mesmo ao lado do pincel (salvo seja), os senhores estão a ver? Pois para ela o meu mais sincero número de telefone.

 

Parabéns a vocês, é a originalidade que me ocorre.

 

21
Jul08

Uma carta de Fradique Mendes

Rui Vasco Neto

Estava no correio, hoje de manhã. Foi aquela que vi primeiro, mal abri a caixa. Mesmo de relance destacava-se sem erro do resto da correspondência (nunca percebi porque diacho há-de ele usar aqueles envelopes cor-de-rosa, para mais empestados em Lavanda, mas pronto). Abri. Trazia em anexo um bilhete do meu amigo: "Caríssimo, este Fradique é um chato. Desculpa-o. É da idade." O odor da Lavanda era mais intenso no papel da carta, que ostentava em oxórdio: «Carta a Rui Vasco Neto,  escrita a rogo de Carlos Fradique Mendes que, como se sabe, desde que morreu Eça de Queirós nunca mais pôde escrever.» Abri um nadita mais a janela, pousei o envelope cor-de-rosa e sentei-me a ler.

 

Em baixo: "Uma carta de Fradique Mendes"
Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

  

(Carta a Rui Vasco Neto,  escrita a rogo de Carlos Fradique Mendes que, como se sabe, desde que morreu Eça de Queirós nunca mais pôde escrever.)

 

Decerto se lembrará Vª. Exª. de um fantástico acontecimento, de que dei conta em carta a Guerra Junqueiro, e que presenciei nas margens do Zambeze. Foi o caso de que Lubenga, um chefe tribal, estando em vésperas de começar uma guerra, decidiu impetrar ao seu deus familiar, ou Mulungu, que lhe valesse. Não sei em que espécie de céu vivem estes deuses menores, mas parece que as comunicações para lá não serão tão fáceis quanto as que se praticam entre nós. Não deixou porém de ser notável a solução do Lubenga, pois que, tendo chamado um seu escravo, o fez aprender muito bem as palavras que era preciso dizer, cortando-lhe de imediato a cabeça com um machado, ao mesmo tempo que ordenava “parte!” Foi-se, ou não se foi, o pobre mensageiro a dar o recado ao Mulungu, mas o chefe negro esquecera alguma coisa importante, pelo que teve de recorrer a um pós-escrito, o que custou a cabeça a um segundo escravo, a quem Lubenga berrou “vai!”, logo que lha decepou do mesmo modo, após bem o instruir sobre a celeste missão.
 
Cansa-se Vª. Exª. a dar recados urgentes a este país sem pressas, mas, tal como os do régulo moçambicano, que decerto não chegaram ao destino que ele esperaria, tampouco chegarão os seus, e não porque Vª. Exª. haja perdido a cabeça, por demência própria ou por loucura alheia, mas porque aqueles a quem os manda não a têm.
 
Nem com tudo quanto tem escrito, porém, estarei de acordo, por mais que a si lhe custe e a mim doa a confissão. Dou-lhe como exemplo do que digo o que V.ª Ex.ª pensa das lautas prebendas de administradores nomeados pelos sapientes senhores desta pátria, como se isso não fosse tão banal há tanto tempo, que já fez tradição ou consuetudinária lei. (Lembra-se do Pacheco, de quem tracei em palavras a exactidão do retrato?...) E é falso, desculpe que o diga com mais rigor do que dúvida, que o Estado não possa pagar tantos milhares por tão pouco serviço: tanto é verdade que pode pagar, que paga mesmo! Talvez não honre outros compromissos, mas ao cumprimento desses nunca se nega, pois aos nobres e burgueses sempre fizeram mais falta uns milhares de cruzados do que aos pobres uns patacos. Eles justificam-no. Podem não merecê-lo, mas justificam-no. Já imaginou quanto de trabalho, quanto de esforço, quanto de suor intelectual, penosamente, têm de produzir por uma só ideia?
 
Não lhe farei a apresentação do Dr. José Egas de Azevedo e Silva, que foi ilustríssimo e ilustrado escalabitano. Lembro-lhe, porém, um verso de um soneto seu, do qual, a respeito do responsável pelo desacerto da mente humana, consta a seguinte pergunta: (Quem) “deu à ideia o cárcere de uma fronte?
 
Pois, ilustre senhor, não há-de Vª Exª negar que tão notáveis frontes são dos cárceres mais seguros que pode haver. É mais fácil escapar do Limoeiro um assassino do que uma ideia sair, enxuta, triunfante, límpida, daquelas mentes. Por isso repito que não merecerão tantas prebendas, convenhamos, mas justificam-nas, sem dúvida.

 

21
Jul08

Bom dia. Hoje acordei com o acordo acordado. Já é um fato.

Rui Vasco Neto
18
Jul08

Bom dia. Hoje eu nem sei que diga. Ele fez o quê? Ele disse o quê?

Rui Vasco Neto
17
Jul08

Marlééééne: mete os putos p'ra dentro que há porrada no beco!

Rui Vasco Neto

 

«O “que é preciso não é tanto magistrados empanturrados de tecnicidades jurídicas”. Em muitos, o “que lhe falta em maturidade sobra-lhes em autoridade”, afirmou o bastonário, que acusa os magistrados de se comportarem como os agentes da “PIDE/DGS nos últimos tempos da ditadura”. “Não é nas leis que está o mal da administração da justiça” mas sim em quem as interpreta, defendeu. “Um bom magistrado faz boa Justiça mesmo com más leis e até sem ela” mas “com maus magistrados nunca se fará boa Justiça nem com leis divinas”, salientou Marinho e Pinto.»

 (declarações do Bastonário da Ordem dos Advogados em Cortes, Leiria)

 

«Os últimos tempos têm assistido a afirmações inqualificáveis acerca dos juízes portugueses provindas de quem, afinal está demonstrando uma evidente falta de cultura que se suporia existir em quem é investido ou eleito em determinados cargos; porque cultura, na senda da velha tradição francesa, é aquilo que fica depois de se ter esquecido o que se aprendeu. Um provérbio popular muito antigo diz que "tudo o que é demais é moléstia"; o que quer dizer que quando a moléstia se instala ela tem que ser debelada com firmeza por um aparelho imunitário são, sob pena de potenciar a decomposição do paciente.Daí que moléstias destas sejam tudo menos nossas (a quem se pretende atingir) e mais daqueles que, talvez por engano, escolheram quem os representasse e dá da classe, afinal, a fotografia distorcida que nós próprios, juízes, não reconhecemos.»

 

(discurso do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha Nascimento)

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sete vidas mais uma: Pedro Bicudo

RTP, Açores

Sete vidas mais uma: Soledade Martinho Costa

Poema renascido

Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2008
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2007
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D