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Sete Vidas Como os gatos

More than meets the eye

More than meets the eye

Sete Vidas Como os gatos

03
Ago08

Cagando e andando

Rui Vasco Neto

Foi um verdadeiro pai-herói, altruísta e visionário, aquele que abandonou os seus dois filhos gémeos de 11 anos de idade em plena Via do Infante, às 3 da madrugada de anteontem, para andarem três horas a pé até serem encontrados. Vivos. Não estou a ser irónico nem se trata de um floreado de escrita. Acredito de facto que aquele homem fez pelos seus filhos o melhor que podia ter feito e o máximo que conseguiu. Para os dois garotos não poderia ter acontecido melhor. O primeiro pequeno passo daquelas duas crianças naquela noite, esse primeiro dos muitos, muitos passos que ambos tiveram que dar para percorrer os tais 15 kilómetros que palmilharam, três horas no escuro, terá agora que se transformar num grande passo para toda a humanidade que possa existir ainda na sociedade portuguesa. Que é como quem diz para toda a humanidade que possa morar no coração de cada um de nós, no meu, no teu, no daquele e no do outro, e mais no do juiz que lhes julgar o caso, e mais no da assistente social que os entrevistar, e mais por aí fora, mais e mais.

 

Porque se não for assim, se aqueles dois garotos forem obrigados a dar mais algum passo, sozinhos, mal acompanhados, naquela mesma estrada em que a vida os colocou de berço, sem que haja uma intervenção de facto e não de telejornal nas suas existências, então seremos todos nós, sou eu e és tu e a tal assistente e o tal juiz e Portugal inteiro a deixá-los outra vez abandonados à noite escura numa via rápida de perigo, enquanto seguimos, canalhas, a nossa viagem individual. Cagando para eles e para a sua triste sorte. E andando, sempre, mas a chamar os piores nomes àquele triste pai que fez o que pôde para os salvar de si próprio.

 

03
Ago08

Verão Vinil

Rui Vasco Neto

Esta coisa do Verão blogosférico existe mesmo. Num contacto de fugida com o meu contador de visitas fui severamente ameaçado pelos fantasmas do desânimo e da frustração: a minha freguesia caiu a pique. É fruta da época, dizem. Assim e por isso, juntando-se às inevitáveis promoções de Verão com o desespero dos falidos, o 7vidas informa que passa a oferecer a cada freguês, por visita a este estabelecimento, o single que bate todos os top's do momento: 'Verão Vinil'. Uma gravação do discurso de Jardim no Chão da Lagoa (lado A) e outra da comunicação de Cavaco ao país (lado B). Isto e mais um copo para beber uma água-de-coco, geladinha para quem gostar. Basta o copo, que os discursos são ambos de partir o côco. Depois é só beber a auguinha e ser feliz para sempre.

 

03
Ago08

Bom dia. Hoje é o Dia Nacional da Cadeira de Lona

Rui Vasco Neto
02
Ago08

Brasiu sempr'originau

Rui Vasco Neto

Na bitola das originalidades, políticas ou outras, o Brasil continua a ser o meu playground nacional preferido. Admito na boa. Que diabo, vivi lá no tempo de Juruna (que conheci pessoalmente, diga-se, de casaco e gravata e saiote tribal) e bebi cana com Moreira da Silva num bar do Leblon (no fim do show dele, e eu, com 24, é que desisti primeiro); tá tudo dito.

Meu Deus, aquilo é outra galáxia de valores, eu juro, é outro universo, é uma outra realidade. No exacto limiar do irreal. É um céu feito de infernos onde é branco e tudo azul, ou castanho e rosa-choque, que o verde-amarelo é negro às vezes por dentro mas sempre brilhante por fora, mil plumas e paetês. É o único coração que não bate: cambalhota, verbo original. E é sempre original no verbo, também. Veja-se a frase de hoje de Lula (falávamos de originalidade?) da Silva (!!!) a propósito da demissão de Gilberto Gil do cargo de Ministro da Cultura: «Ele teve uma recaída, quer voltar a ser artista». Melhor? Só mesmo Gil, o próprio, na justificação para o bye-bye ao cargo. Alegou «dificuldades para conciliar as atribuições oficiais do cargo de ministro da Cultura com a sua carreira artística, o que, porra, não pode ser considerado de somenos, em termos de originalidade. No mínimo.

 

(imperdível, a propósito, este texto de Filipe Moura, aqui)

01
Ago08

Sim, há por aqui uma mensagem ao país, seja. Mas onde? E qual?

Rui Vasco Neto
01
Ago08

D. Diogo

Rui Vasco Neto

Diz-se o meu amigo Daniel de Sá, num bilhetito singular, encantado com a descoberta que fez: «É um soneto de um autor do século XVIII, de que, por se lhe desconhecer o nome, eu assumo a responsabilidade.» Mais encantado diz ficar ainda se "isto te fizer pelo menos sorrir por dentro". Não faltou abracito, mais faltaria faltar, olha agora, homessa. Eu cá publiquei logo, nem a rogo, tanto fogo, a história de D.Diogo. 

 

Em baixo: "D.Diogo"

Sete vidas mais uma: Daniel de Sá

 

Vai Diogo vergado pela idade.
Não a sua, que está no meio cento,
E para andar conserva bom alento
Qual se gozasse ainda a mocidade.
 
Basto suor lhe põe forte humidade
Pingando desde a testa até ao mento,
Como se até o próprio pensamento
Tivesse do suar a propriedade.
 
Por razões que a Diogo assim consomem,
Igual consumição sempre há-de ter
Em igual condição um qualquer homem.
 
Que é a mulher com quem está casado,
E que em só vê-la se há grande prazer,
Que por ser moça o traz em tal cuidado.

 

Pág. 8/8

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